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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Na passadeira vermelha do Delito

Hoje pisamos, com muito gosto, a passadeira vermelha do Delito de Opinião. Levamos "Paradoxos" debaixo do braço. Vale a pena passar por lá.

De qualquer forma aqui fica:

 

Paradoxos

 

A comunicação é provavelmente o maior instrumento de relação ao serviço das sociedades. Sempre foi assim, mesmo quando, por dificuldades de circulação, por falta de acessos e de veículos, e até por excessos de policiamento do tráfego, disso se não dava conta.

Hoje a comunicação circula a uma velocidade estonteante, em auto-estradas de quarta geração, sem limites de faixas nem de velocidade. Sem constrangimentos de qualquer espécie - nem polícias, nem semáforos, nem rotundas, nem filas - em veículos de alta cilindrada. Toda a gente dá por ela, toda a gente percebe a sua importância.

Paradoxalmente, quando tem condições como nunca teve para se exponenciar como instrumento de relação, e mecanismo de aprofundamento da vida em sociedade, revela-se, como nunca, uma arma estratégica de destruição massiva. Literalmente. Uma poderosa arma de guerra de que ninguém abdica, em nome de coisa nenhuma.

As estratégias de comunicação sobrepõem-se a tudo e a todas as outras. Tanto mais quanto mais insondáveis forem os objetivos que se destinem a servir. Tanto mais quanto maior for a ambição de manipular, condicionar e enganar…

É assim, em especial, na política e no futebol, mas também em muitas outas áreas da sociedade. Não importa o que se faz, importa o que se diz. Os factos já não contam, contam – e cantam-se – os factos alternativos. O virtual toma conta e sobrepõe-se ao real. A substância é oca e a verdade esvazia-se na opulência da pós-verdade. Mais que reescrever a História, reescreve-se o próprio conhecimento.

É o tempo das fake news, dos Abrantes e dos Sebastiões. Dos directores de comunicação como peças centrais nas estruturas organizacionais. O tempo de cavar trincheiras à volta de dogmas, de levantar muros à volta de crenças. De semear ódios, de acentuar clivagens e de explorar o que mais primário há em cada ser humano.

Não era isto que seria suposto a comunicação servir. Não deveria ser para isto que deveriam ser utilizadas as auto-estradas que temos à mão, cheias de gente vazia de ética e auto-desobrigada dos mínimos deontológicos. Mas os dias de hoje também não são muito mais do que isso: uma sucessão de paradoxos.

 

Paradoxo: com certeza uma palavra ... grega...

Por Eduardo Louro

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Há pouco mais de uma semana os gregos disseram "não" a mais austeridade. Ontem, uma sondagem inidicava que os gregos diziam "sim" a mais um programa de austeridade, aprovado pelo Parlamento já madrugada dentro, bem para além do limite da meia-noite imposto pelos credores (sim, não há outra designação). 

Tsipras não acredita no programa, e disse-o com todas as letras. Que assinou, que teve de assinar e defender no Parlamento grego. Que o aprovou com votos de oposição, com a maioria dos votos contra a partir do partido de Tsipras. 

É destes paradoxos que se faz hoje a história da Europa. Foi até aqui que o directório alemão que manda na Europa nos trouxe. Todos querem expulsar a Grécia, mas ninguém quer ficar com esse ónus. Queriam que fosse o Syriza a fazer-lhe o favor, mas Tsipras percebeu isso. E percebeu que nesta altura está tudo virado ao contrário. E que é justamente o seu eleitorado, os mais desfavorecidos dos gregos, os que mais sofrem, que mais ainda teria a perder. Ganhar, ganhavam os outros, os que tinham dinheiro e o tiraram todo do país... para depois, incólume e reforçado, se servir à vontade do espólio que sempre fica entre os destroços.  

E para que a história dos pardoxos não acabe aqui, os mercados acordaram esta manhã em euforia com o "sim" grego. Como se só eles não percebessem nada do que se está a passar... Como se só eles estivessem convencidos que aquilo que o Parlamento grego votou tem algum tipo de aplicabilidade, quanto mais alguma probabilidade de sucesso.

 

 

 

PARADOXOS

Por Eduardo Louro

 

Acabei de concluir, no post anterior, que o dia de ontem não existiu: ontem foi um jogo de futebol! E, pelo vou vendo, hoje pouco mais é que o dia seguinte ao do jogo de futebol!

Procura-se justificar este absurdo com uma realidade tida como incontornável: a primeira final de uma competição europeia totalmente portuguesa!

O sucesso do futebol português – enquanto actividade de excelência, das poucas que somos capazes de apresentar à Europa e ao Mundo – materializado numa final portuguesa, funcionaria, neste momento de humilhação e de descrença colectiva, como motivo de orgulho nacional e de reforço de uma auto-estima que se encontra pelas ruas da amargura. E isto justificaria a onda de excitação do país que os media procuraram provocar, deitando mãos a todos os recursos, mesmo que desproporcionados e despropositados!

Não me parece que, apesar de não terem olhado a meios nem a custos, o tenham conseguido. Não me parece que, apesar dos esforços, tenham sido bem sucedidos nessa tarefa de pôr o país em festa.

Porque a crise e o desespero tomaram mesmo conta dos portugueses. Mas também porque o cariz regionalista a que entregaram a tarefa (como referi abaixo o lema da Antena 1 era que “a Irlanda é do Norte”, mas houve muitas mais expressões dessa arregimentada divisão regionalista) era em si mesmo paradoxal, se não mesmo inimigo desse desiderato nacionalista.

E na realidade esta final portuguesa teve muito pouco de portuguesa e muito menos ainda de portugalidade. Não tanto pela constituição das duas equipas portuguesas (e do Norte!), com apenas três portugueses cada à entrada (à saída eram ainda menos), que isso não acontece apenas em Portugal, mas pela falta de expressão portuguesa! Na festa, claro! E, essa, fizeram-na os jogadores do Porto, naturalmente… Com os estrangeiros – a enorme maioria, como vimos – embrulhados nas suas bandeiras nacionais. E até, pasme-se, com um dos seus únicos três portugueses em campo, e jogador da selecção nacional, embrulhado na bandeira de Cabo Verde. Bandeira nacional foi coisa que se não viu ontem naquela final portuguesa, de repetição absolutamente improvável. O próprio Falcao, melhor marcador da prova, marcador do único golo da partida e, talvez por isso, na linha habitual da UEFA, distinguido como o melhor jogador da final, que temos visto fazer um notável esforço em Portugal para se expressar em português, respondeu a todas as solicitações em castelhano, sem se lembrar que estava a falar para Portugal e para portugueses.

O cabo-verdiano Rolando falou em português: mas para dizer que se queria ir embora, que tinha aspirações a jogar num clube de maior dimensão! Paradoxos: somos um país de paradoxos!

E...tanto automóvel novo!

Por Eduardo Louro

   

Há dois sectores da actividade económica que se não podem queixar de 2010, esse ano maravilha que todos temos fresquinho: o exportador, com um crescimento a dois dígitos, e a venda de automóveis. Vá lá, nem tudo foi mau nem foi mau para todos!

O crescimento das exportações não só empurrou com a barriga a recessão económica como ainda permitiu ao governo dizer sem se rir que a economia cresceria neste ano em que, quando levarmos a mão ao bolso para comprar o que quer que seja, percebemos invariavelmente que o governo foi lá antes.

As vendas de automóveis cresceram, no ano de todos os PEC`s, hora H da crise e da depressão social, perto de 40% – 38,8% segundo o JN.

Paradoxal?

Não, apenas uma particularidade bem portuguesa: uma maneira bem portuguesa de enfrentar as dificuldades. Os gurus dos novos tempos não se cansam de apregoar as oportunidades que a crise apenas esconde e de, na pele de vendedores da banha da cobra armados em especialistas de auto-ajuda, mobilizar o pessoal para dar a volta e transformar as ameaças em oportunidades.

Eis a demonstração inequívoca de que os portugueses aprendem depressa. E de que são próactivos como poucos!

A crise, no seu esplendor, aumenta o IVA, o imposto sobre veículos (ISV) e o imposto único de circulação (IUC). E extingue o programa de incentivos ao abate de veículos em fim de vida.

Pronto, aí estava a ameaça. Bora lá à oportunidade: comprar automóveis – já e como se não houvesse amanhã!

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