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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

DE CALÇAS NA MÃO

Por Eduardo Louro

                                                        

O presidente do Conselho de Administração da RTP, Guilherme Costa, foi apanhado de calças na mão no notável caso da contratação de Paulo Futre.

A Direcção de Programas decidiu contratar o antigo futebolista que virou entertainer naquela inenarrável conferência de imprensa da campanha de Dias Ferreira para a presidência do Sporting. Diz-se que era para comentar o europeu de futebol na estação pública, e ofereceram-lhe, para isso, 30 mil euros por mês. Consta que qualquer coisa como o sêxtuplo do que a TVI lhe pagara para o programa que agora terminou com uma rábula de fuga (a captura do ex-craque para ir cumprir o que lhe restaria do serviço militar) bem ao nível da sua qualidade e da dos protagonistas!

Não importa agora – embora, evidentemente, importe e muito a noção de serviço público e de gestão dos dinheiros públicos desta gente que manda na RTP – se a contratação faz algum sentido. E não faz, obviamente. Desde logo porque o Paulo Futre não é comentador do que quer que seja, nem de futebol. Importa que o ministro Miguel Relvas - que não tira o olho da RTP - soube da marosca e mandou parar o baile. Com estrondo, em voz alta e grossa!

Guilherme Costa começou por dizer ao ministro e à comunicação social que não sabia de nada. De calças na mão!

Depois, passou a dizer que afinal sabia dessa intenção, mas que só por cima do seu cadáver. Que ele nunca assinaria uma coisa daquelas. E de novo de calças na mão!

Finalmente, ao que se diz, a Direcção de Programas vai levar mesmo a sua avante. Vai mesmo contratar Paulo Futre, se bem que por muito menos dinheiro. Quanto muito menos é que se não sabe!

O presidente do Conselho de Administração da televisão pública é que já não está de calças na mão. Já as deixou cair por completo!

 

AMEAÇAS E OPORTUNIDADES

Por Eduardo Louro

 

Fala-se muito de ameaças e de oportunidades mas nem sempre se sabe muito bem do que é que se está a falar. São dois conceitos que andam de braço dado, inseparáveis mesmo.

Se tratamos de planeamento estratégico, lá partimos nós das ameaças e oportunidades da análise swot (para quem possa não saber, e de forma muito ligeira, é isso mesmo: um técnica de diagnóstico onde, de um lado, inventariamos as ameaças, os perigos, ou os pontos fracos e, do outro, as oportunidades ou os pontos fortes). O planeamento estratégico passa por aí: avaliar bem o ponto onde estamos e definir bem para onde queremos ir. E, claro, avaliar bem o nosso ponto de partida obriga-nos a perceber o que fazemos bem, onde é que dispomos de facto das chamadas vantagens comparativas: as nossas oportunidades. Mas também a conhecer os nossos pontos fracos, porque é aí que temos de investir. Para melhorar e fazer o caminho que há a percorrer até ao objectivo estratégico. Para implementar processos de melhoria que façam dos pontos fracos alavancas de progresso ou, e aí está o jargão, transformar ameaças em oportunidades.

Mas também quando, como é a nossa eterna sina, estamos mergulhados nas crises é vulgar ouvirmos alguns gurus falar em copo meio cheio ou meio vazio. Querem dizer-nos que podemos olhar deprimidos para as crises e ver bem os perigos e as ameaças que lá estão: o copo meio vazio que, acrescentam eles, não leva a lado nenhum, e não resolve coisa nenhuma. Coisa de vencidos da vida, sentenciam! Ou que podemos olhá-las de frente, como quem parte para os cornos do toiro, decidido a encontrar as oportunidades que, qual copo meio cheio, garantem existir em todas as crises. Querem então dizer-nos que não podemos perder nunca a coragem e o ânimo porque as oportunidades estão lá, bem no meio de todas aquelas dificuldades. Há apenas que saber transformar todas essas ameaças em oportunidades!

É neste “apenas” que está o busílis da questão. Nós até percebemos que haja muitos gurus a afirmar isso: é que eles ganham mesmo a vida a dizer essas coisas. Essas são as coisas que se vendem bem em tempos de crise - é aliás por isso que eles se dão tão bem em Portugal – e, por isso, para eles é fácil. Para os restantes é realmente difícil!

É precisamente por isso que vale a pena trazer aqui o melhor exemplo – pelo menos o melhor que eu conheço – do que é esse milagre de transformar ameaças em oportunidades. Uma coisa são as tretas dos gurus. Outra é a coisa em si, em carne e osso, o clique, o yes we can!

Falo de Paulo Futre, como já terão percebido. Lembremo-nos daquela conferência de imprensa, da cara do Dias Ferreira, dos charters de chineses a deixarem no Sporting comissões dos restaurantes e dos museus. Das voltas que aquilo deu no youtube, da chacota nos cafés e nas tertúlias, das anedotas e das T shirts. Alguém é capaz de imaginar maior desgraça? Ainda por cima, e como era evidente, perdeu e fez perder as eleições no Sporting. Querem maior ameaça?

Não havia quem não ficasse de rastos, escondido nos buracos todos que encontrasse, sem sair à rua. Paulo Futre fez tudo ao contrário: respirou fundo, levantou-se e a primeira coisa que fez foi arranjar um chinês para ir à televisão. Começou pela TVI, a brincar, também ele, com ele próprio. Seguiu-se, de imediato, a campanha do Licor Beirão. E mais entrevistas nas televisões, e nos jornais. E na imprensa cor-de-rosa. Tinha um livro planeado mas antecipou-o, era preciso aproveitar a onda. E lançou o livro. E voltou às televisões: a todas, num corrupio de promoção do livro, com mais entrevistas, com globos de ouro… Sempre concentrado. Concentradíssimo, sócio!

Vai vir charters de oportunidades. Acreditem!

Futebolês #69 SUJAR OS CALÇÕES

Por Eduardo Louro

 

Convém começar por esclarecer que calções são calções, não são cuecas. Por muito que os sportinguistas digam que calções brancos são cuecas - não gostam dos calções brancos com a sua camisola verde e branca, à Celtic de Glasgow – calções, mesmo que brancos, não são cuecas. Por isso sujar os calções nunca terá nada a ver com sujar as cuecas! Uns sujam-se por fora. As outras, por dentro!

Sujar os calções é a expressão que o futebolês consagrou para se referir ao comportamento em campo de um determinado tipo de jogador. Como se percebe os calções sujam-se no chão. Ou porque se cai ou porque se vai à luta no chão pela disputa da bola. Na briga!

Há jogadores brigões e há os que fogem da briga, como na vida, afinal. Há pessoas que brigam por tudo e por nada e há outras que nunca se querem meter em confusões. Todos nós conhecemos os tipos que, invariavelmente, estão onde houver confusão. Onde quer que seja, nasceram para aquilo! E há outro tipo de pessoas que, ao verem sinais de confusão, passam de imediato para o outro lado da rua. Maricas e medricas acabam por ser os epítetos menos acintosos que lhes são dirigidos! Quando não são mesmo acusados de, tal é o medo, sujarem não os calções, mas as cuecas…

Os jogadores que não sujam os calções também não fogem a estes e outros tipos de mimos. Os adeptos gostam sempre mais do jogador brigão, do que corre atrás da bola mesmo quando ela há muito saiu do campo. Mesmo que depois não saiba o que fazer com ela. Daqueles de quem se diz serem capazes de deixar a pele em campo!

E não gostam mesmo nada dos que se poupam de correr atrás de uma bola claramente inalcançável. Dos que não metem o pé onde não é preciso, simplesmente porque acham que não devem meter o nariz onde não são chamados.

Em Portugal o mais famoso, e inevitavelmente o mais odiado, jogador que não sujava os calções dá-se pelo nome de Nené. Um jogador que passeou calções impecavelmente brancos pelos relvados de futebol durante toda a década de 70 e metade da de 80. Que, com a elegância de um modelo na passerelle, começou por se notabilizar na primeira equipa do Benfica, de uma equipa onde ainda brilhava Eusébio – que ainda marcava golos como ninguém - mas onde também marcavam (e muito) jogadores fantásticos como Artur Jorge - também ele pouco dado a sujar os calções – e o malogrado Vítor Batista, como um dos melhores extremos direito da Europa. Depois, evoluindo para um dos melhores pontas de lança do futebol nacional (e europeu) do seu tempo, ao lado de Jordão, Manuel Fernandes e Gomes, passaria a ser brindado com as maiores assobiadelas que alguma vez cruzaram o velhinho Estádio da Luz. E ficou o mito!

Onde é que hoje - que, ao contrário de então, somos uma potência mundial do futebol – temos quatro pontas de lança daquele calibre? Nem um!

O que hoje temos no futebol é gente capaz de sujar tudo. Mesmo que os calções! Que se suja e que não se importa com o que esteja sujo.

Basta olhar para esta semana. Que começou, logo na segunda-feira - sujo mais sujo não há - com uns marginais a atingirem à pedrada o autocarro e o carro do presidente do Benfica, quando regressavam de Paços de Ferreira, onde a equipa acabara de realizar uma partida fantástica marcada pela melhor meia hora de futebol da época e pelos dois golos de Nuno Gomes – outro extraordinário jogador, que não precisa de sujar os calções para atingir o melhor rácio imaginável entre golos e tempo de utilização em jogo.

Que passou pela amplificação de umas inoportunas declarações de Pepe – desconheço a pergunta que suscitou aquela resposta, coisa que é habitual na imprensa desportiva (e não só!): lançam perguntas incendiárias (que logo desaparecem de todos os registos) apenas à procura de respostas mortais (como diria Emídeo Rangel) – a dar umas bicadas em Carlos Queirós. Que, mais sujo ainda - muito mais sujo mesmo – protagonizaria uma reacção lamentável que mais não fez que menorizá-lo ainda mais. E definitivamente sujar-se, sem que nada já o possa lavar!

E que termina com as eleições no Sporting, onde não houve apenas muito jogo sujo. Onde Eduardo Barroso se esqueceu que não era um simples adepto anónimo de rua – ele esquece-se com frequência disto – e, para defender a candidatura que apoia, se declarou nada preocupado se o dinheiro dos russos é sujo. Ele - cirurgião de renome, membro do clã Barroso Soares e candidato a presidente da mesa da assembleia-geral do Sporting Club de Portugal - não se importa que o Sporting se torne num centro de lavagem de dinheiro desde que esse dinheiro lhe permita alimentar o seu cego fervor clubista! E onde um deprimente Paulo Futre, em poucos minutos, transformou um ídolo num monte de uma coisa suja …

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