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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Pensamentos

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"Os pobres fizeram-se para a gente os transformar em classe média" - a frase é de Alexandre Soares dos Santos, mais uma, numa entrevista ao Observador.

Na lógica "produtiva" do senhor do Pingo Doce os pobres são a matéria-prima que o sistema transforma em classe média. Nada mais nobre: uma indústria social que pega em pobres e faz deles gente bem na vida. 

Desconfio bem que o Sr Soares dos Santos vai ficar mais famoso pelo seu pensamento que pela sua fortuna...

Ginásios do pensamento

Convidado: Luís Fialho de Almeida

A “educação”, como um dos pilares fundamentais do funcionamento de uma sociedade, interessa a todo o cidadão, mas sofre de enorme turbulência, a ver: pela sempre tardia e errática colocação de professores; pelo encerramento de escolas; pelos métodos de ensino sempre em mutação; pelas incapacidades e desculpas do ministro. Nas minhas deambulações por estas matérias encontrei algo de original no nome: “ginásios do pensamento”, estes considerados como oficinas de pensamento crítico e criativo junto de crianças e jovens.

Joana Rita de Sousa, responsável do projecto “Filosofia e Criatividade”, utiliza a expressão em título para designar o trabalho de filosofia para crianças, orientado sobretudo para o questionamento, perpetuando a “idade dos porquês”, num processo de treinamento envolvendo também os pais e educadores. Esclarece que a filosofia para crianças “promove a existência de cidadãos incómodos, capazes de questionar o que se passa à sua volta, de criticar e sugerir alternativas. Este treino torna o pensamento mais forte, flexível e resistente, tal como pretendemos um corpo forte, flexível e resistente quando vamos ou inscrevemos as nossas crianças num ginásio”.

A importância que relevo desta matéria e as extrapolações que dela faço por minha conta e risco, advém da discussão ocorrida, há já algum tempo, em torno da eventual retirada da filosofia dos programas do ensino obrigatório. As ditaduras e as democracias decadentes favorecem todos os mecanismos de formação e informação que inibam os cidadãos de pensar, porque pensar é perigoso. Para Kant “uma filosofia é um por à prova, uma crítica, pensar é criticar, sempre…”

Para Bertrand Russel, a característica essencial da filosofia, que a torna um estudo diferente da ciência, é a crítica. “A filosofia examina criticamente os princípios usados na ciência e na vida quotidiana; procura inconsistências que possam existir nestes princípios, e só os aceita quando, em resultado de um inquérito crítico, não surgiu qualquer razão para os rejeitar…”

Com a deriva da democracia portuguesa, os políticos da nova geração procuram um certo regresso ao “passado” que não viveram, mas estão certos que lhes assegura melhor futuro. “Passado”, que dispensava a grande maioria das pessoas de se interrogarem sobre o que era realmente bem e o que era mal. Em regimes de natureza autocrática, nada melhor do que governar para uma massa popular ignara, que não questiona e se contenta com a massificação de entretenimentos televisivos e outros, que lhe estimulam apenas as emoções mais primárias.

Aldous Huxley, na sua interpretação da história, constata que grandes figuras na liderança dos povos não apelaram à razão: mas aos instintos, às paixões, exemplificando com Lutero - apaixonado, impetuoso, violento - em contraponto a Erasmo, homem sensato e de razão, mas sem a capacidade de manipular e conduzir as massas.

A nossa comunicação social, por orientação política naturalmente discreta ou por objectivos comerciais, tudo faz para - sem esforço e explorando as emoções - mobilizar a atenção das audiências, evitando que se despertem pensamentos, questionamentos, exigências e perturbações na estabilidade social.

Ao longo da nossa democracia assistimos a uma degradação na tolerância à livre opinião nos grandes meios da comunicação social, controlados pelo poder político, por grupos económicos, ou por ambos, procurando manipular a informação em função dos seus interesses. Jornalistas, analistas e comentadores mais ligados às áreas políticas e sociais, fora do jugo partidário ou de qualquer grande grupo de interesses, têm sido afastados dos meios de comunicação de maior audiência (televisão e rádio), remetendo-os para meios de menor visibilidade. O exercício da cidadania da razão que se recuse ao servilismo é sempre incómodo em qualquer organização pública ou privada.

O pensamento virado para as ideologias também já pouco interessa. Nada de fascismo, comunismo, socialismo ou social-democracia, porque hoje a ideologia é a dos mercados, é o dinheiro, e o pensamento único emana das orientações político-económicas da Alemanha, Banco Mundial, FMI, BCE, OMC e OCDE.

O livre pensamento é, talvez, o melhor exercício de liberdade, mas a sua expressão exterior colide com os exercícios e interesses de outros e daí os inevitáveis conflitos. Hoje, face aos tempos e ideologias correntes, é de enorme utilidade exercitar as técnicas do pensamento para a sobrevivência em meios dominados pelos espertalhaços que reduzem a ética e a moral à “lei” que se fabrica, que se manipula e contorna.

“Ginásios do pensamento” ou quaisquer metodologias orientadas para a expressão livre do pensamento esclarecido, serão sempre projectos educacionais condicionados, na sua amplitude, aos ditames da tutela da educação que estará vigilante para punir todo o processo que promova a instabilidade do Sistema, ou seja: cidadãos criativos para a produtividade, sim! Incómodos, não!

COISAS QUE IRRITAM

Por Eduardo Louro

 

Passos Coelho e Miguel Relvas foram ontem, uma vez mais, objecto de apupos e de manifestações hostis. O primeiro-ministro, em Aveiro, onde se deslocou para participar numa conferência da “Global Compact Network”,  e o seu ministro mais que tudo, em Gaia, onde o objecto da deslocação era a participação num encontro de um Clube dos Pensadores.

Acredito que a participação destes dois principais responsáveis do PSD e do governo seja importante para os organizadores daquelas conferências. Se não o fosse não os convidariam. Já para os próprios, não vejo, nesta altura do campeonato, qualquer ponta de interesse. Antes pelo contrário!

Mas, se vão, é porque certamente vêm algum interesse. E é isso que é preocupante, porque confirma o seu total afastamento da realidade do país. De Relvas já sabíamos que simplesmente não se enxerga. Acha que bastou passar três ou quatro meses em hibernação para regressar ao seu papel de eminência parda como se nada se tivesse passado. Depois, ambos - um e outro – estão-se nas tintas para o país, no conforto da presunção de que não têm que prestar contas a ninguém. Que se lixem as eleições!

Ninguém sabe – nem quer saber – o que é que Passos Coelho foi fazer a Aveiro. Ninguém sabe de que é que a conferência tratou, nem sequer o que é isso da “Global Compact Network”. A notícia são os protestos… A notícia é que Passos Coelho fugiu dos manifestantes!

Ninguém sabe o que é que Miguel Relvas foi fazer a Gaia. Nem o que é o Clube dos Pensadores. O que se sabe é que se cantou Grândola Vila Morena. O que se sabe é que ele, sem sentido de ridículo, tentou acompanhar o cântico. O que se sabe é que foi chamado de fascista, e que o pensador moderador da mesa se irritou profundamente… Provavelmente por não ter pensado que o pensamento de Relvas é a coisa que hoje mais irrita o pensamento dos portugueses!

 

SELECÇÃO NATURAL OU BATOTA?

Por Eduardo Louro

 

Na mesma reunião partidária – com pompa e circunstância propagandística designada de Jornadas da Consolidação, Crescimento e Coesão - da passada sexta-feira, no Porto,  que anunciou a entrega da batata quente a Paulo Portas, e onde um anónimo companheiro de partido lhe disse que estava a dar cabo do país, Passos Coelho deu a consolidação como adquirida e por chegada a hora do crescimento.

Agora é tempo de investimento, disse! Até porque, continuava, a selecção natural está feita: as empresas fracas já ficaram pelo caminho, resistiram as melhores…

Se existe pensamento político em Passos Coelho é esta a ideia que o consubstancia. Esta ideia Darwinista da economia encerra, se não o pensamento político – são cada vez maiores as dúvidas sobre a sua existência –, a estratégia da governação de Passos Coelho. Este governo ignora e despreza a economia portuguesa, entende que no tecido empresarial nacional não cabem micro, pequenas e mesmo médias empresas, que não as estritamente necessárias para servir as grandes. Se não aquele restrito número de satélites que dá vida aos grandes planetas!

Depois de milhares de falências e de um milhão de desempregados Passos Coelho entende que agora sim, agora é que é tempo de investimento. Agora, que já cá não anda um monte de gente que só atrapalhava, venham de lá investir. De lá, porque de cá … não há!

Os que há continuam bem acomodados nas suas zonas de conforto. Protegidos dos incómodos e das chatices da concorrência, confortáveis nas suas rendas, não estão para isso. Os outros, havia. Já não há: foram parar a mãos estrangeiras, porque o governo assim quis. Ou porque as vendesse directamente, ou porque não quis ajudar a mantê-las em mãos nacionais, como aconteceu com a Cimpor, hoje em processo de completa desligação nacional. Porque a CGD - sempre disponível para todos os fretes a todos os governos -, que não hesitou em financiar jogos de especulação financeira e de disputa de poder noutros bancos, entendeu não só não financiar quem a podia manter em Portugal como se apressou - bastou apenas meia hora - a viabilizar a OPA que a levou de cá para fora.    

Não. Este não foi um processo de selecção natural onde, como Darwin nos explicou, os mais fortes foram resistindo à medida que os mais fracos iam sucumbindo. Este foi um processo em que pouco foi natural e muito foi batota. Em que os mais fortes foram levados ao colo e os mais fracos asfixiados… 

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