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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

QUEM LAVA MAIS BRANCO?

 

Por Eduardo Louro

  

Como é natural nestas coisas o rótulo de piegas que Passos Coelho quis colar aos portugueses não é lido da mesma forma por toda a gente. Os mais indefectíveis da costela  liberal não pouparam esforços na lavagem, numa competição de fazer inveja aos publicitários do branco mais branco não há. Um gigantesco estendal onde se disputava o título do mais branco entre aquela brancura toda…

Só que tudo aquilo está muito amarelecido. Todos utilizaram detergentes de marca branca!

Os mais despachados na tarefa do branqueamento baseavam-se no local, no ambiente. Aquilo era dito numa escola, perante crianças – dadas por natureza, e cada vez mais, á pieguice – a quem se deve incutir um espírito proactivo, incentivar os valores do trabalho e da determinação e, ao invés, denunciar a passividade e a preguiça.

Amarelo. Amarelo bem escuro! Visto e revisto o vídeo, fica claro que aquela incursão pela pieguice está fora daquele contexto, que aquela mensagem não é dirigida àquela plateia que tem pela frente mas um recado ao país. Não se destina àquelas crianças, mas aos lamechas dos portugueses que se andam por aí a queixar sem nenhuma razão de queixa!

Essas peças, tão amarelecidas que estavam, foram sendo retiradas do estendal. Já poucas se vêm por lá…

Outros, porventura menos apressados, recorreram a uma técnica mais rebuscada e resolveram utilizar a própria pieguice como detergente. Piegas e lamechas, como Pedro Lomba hoje no Público (na impossibilidade de link para o jornal, fica o link para uma reprodução no Corta Fitas), dizem que outros, noutras alturas, disseram exactamente o mesmo sem que ninguém lhes saltasse em cima. Que não sei quando Jorge Sampaio disse exactamente o mesmo. Que até Sócrates, elogiara os agricultores do Oeste que não se tinham ficado pelas lamúrias quando as suas estufas foram destruídas por aquele mini-tornado de há uns dois anos.

Só que a esses tudo é perdoado! O pobre do primeiro-ministro é atacado quando se limita a fazer constatações que, feitas pelos outros a quem tudo se perdoa, são elogiadas e exaltadas.

Amarelo, de novo. E essa nunca branqueará!

Jorge Sampaio – numa altura em que, como hoje, é simplesmente ex-presidente da república - disse que Portugal precisava "uma iniciativa privada que não esteja sempre com lamúrias". E, noutra circunstância, terá repetido La Palisse, ao dizer que "não é com lamúrias e braços caídos que se resolvem os problemas". Sócrates elogiou os agricultores pornão ficarem na lamúria”, nada que, como é óbvio e evidente, se compare, quer na forma quer na substância, com o discurso piegas do actual primeiro-ministro. Para além do pequeno pormenor do contexto!

Vamos a ver se há mais tentativas. Com estas não vão lá…

MISSÃO PUNITIVA

Por Eduardo Louro

  

Restam cada vez menos dúvidas que este governo, e Pedro Passos Coelho em particular, entendem que estão investidos da nobre missão de punir os portugueses, essa cambada de preguiçosos e malandros que não gosta de trabalhar e que nada mais vê que feriados e pontes, folia e carnaval. Que vive há anos no dolce fare niente de sol e praia, entre festas e copos, à custa do dinheiro que foi pedindo emprestado até não poder mais!

Pedro Passos Coelho não se sente na pele do capataz da União Europeia e do FMI, que tem por missão exclusiva velar pela execução as suas ordens: sente-se na pele do carrasco que executa a pena com sádico prazer.

Sente que está incumbido da missão histórica de livrar o universo de uma espécie humana que não tem cabimento na sua visão do mundo, por acaso a mesma dos pobres coitados que, enganados e vigarizados por essa cambada, despejaram generosamente o seu dinheiro pelo pequeno rectângulo da ponta ocidental da Europa onde, ao longo de anos, se foi concentrando a última casta da humanidade que acreditou poder viver do que caía do céu. Por isso os enxota do conforto do rectângulo, pouco lhe importando o destino que tomam. Manda emigrar uns enquanto vai exterminando os outros!

É assim se percebe o discurso piegas. É assim que se percebe a estória do carnaval. É assim que se entende a extinção de feriados, mesmo que marcantes da construção da identidade nacional. E é assim que se compreende que um primeiro-ministro possa mandar dividir o PIB por 365 para saber quanto custa cada feriado!

PIEGUICES

Por Eduardo Louro

  

Passos Coelho diz agora que os portugueses são piegas. E que têm de deixar de o ser, que têm que passar a ser gente determinada, que vai em frente e que tudo leva à frente!

Passos Coelho perdeu o tino e a vergonha. Vive noutro país se não mesmo noutro mundo. Para ele não há portugueses que perderam o emprego, não há portugueses que caíram na rua despejados das suas casas que não conseguiram pagar, não há portugueses que já não conseguem comprar os medicamentos de que precisam nem portugueses que passam fome. Para ele há portugueses, em abstracto. E piegas!

Não há portugueses que sofrem: em silêncio ou ainda com força para o protesto. Há portugueses que, piegas, se queixam das condições de vida que começam a ter o seu rosto…

Isto não é apenas insensibilidade social, começa a ser desprezo pelos portugueses. Não pelos portugueses em abstracto - que, ao contrário do que possa pensar, não existem – mas pelos portugueses que sofrem e até pelos que, já no final deste mês, irão ver que voltam a levar menos dinheiro para casa.

Pedro Passos Coelho trilhou um caminho que o está a afastar do país, se é que alguma vez dele esteve próximo. Nem o país se revê nele nem, pelos vistos, ele se revê no país. Nem nos portugueses!

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