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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

EURO 2012 (XXVII) - CIAO ALEMANHA

Por Eduardo Louro

                                                                      

A Itália empurrou a Alemanha para fora do Euro e, contrariando os desejos de Platini, vai ser ela a disputar a final com a Espanha.

Foi um grande jogo, uma meia-final que pouco teve a ver com a de ontem. Onde a Alemanha, com mais dois dias de recuperação e com muito menos para recuperar – a Itália até vinha de um apuramento através de um prolongamento e de grandes penalidades – como aqui havido sido dito, até entrou melhor no jogo. Mesmo surgindo com alterações ao seu modelo de jogo, em tão evidente quanto surpreendente sinal de receio – não sei se dos italianos se da história - dominou por completo o primeiro quarto de hora, com duas claras oportunidades de golo, a primeira salva por Pilro – começou cedo mais um festival - em cima da linha de golo, logo aos 5 minutos.

Só que o jogo tem seis quartos de hora, e os restantes cinco foram da Itália. Que só fez o seu primeiro remate à baliza de Neuer aos 17 minutos. Mas para fazer o segundo no minuto seguinte e o golo logo no outro a seguir. Em três minutos três remates, um dos quais golo. De Balotelli!

A resposta alemã ao golo só surgiria aos 33 minutos numa excelente iniciativa de Boateng, logo seguida de um grande remate de Kehdira, com uma enorme defesa de Buffon. No minuto seguinte, aos 36, Balotelli deu espectáculo e fez o segundo golo. E continuou o espectáculo, a tirar a camisola – e levar com o amarelo mais estúpido que há no futebol – e, em vez de festejar, a posar para a adoração.

Arrumou com o jogo. Com o jogo e com a Alemanha! Ninguém admitia que a Itália, com dois a zero, pudesse deixar de estar em Kiev, na final do próximo domingo. Ao intervalo os italianos tinham feito quatro remates, todos direitinhos à baliza, e dois golos. Dividiam a posse de bola com os alemães (50-50) e tinham corrido mais!

Ao intervalo, Joaquim Low fez duas substituições. Surpreendentemente trocou Mario Gomez por Klose, ficando sem o melhor goleador do Europeu quando precisava de marcar pelo menos dois golos.

A segunda parte continuou a ser um grande jogo, dos melhores do campeonato. Com o domínio técnico-táctico dos italianos a acentuar-se, sob o comando do melhor jogador presente na Ucrânia e na Polónia: Pilro, evidentemente! Uma, mais uma, exibição de sonho deste extraordinário jogador para que faltam adjectivos. Atenção à bola de ouro! Foi o homem do jogo, apesar de Balotelli que fez os dois golos. E que golos!

A Alemanha reduziria para 2-1, praticamente no último minuto, através de um penalti convertido por Ozil. Mas foi a squadra azurri quem, na sua praia, construiu mais e as melhores oportunidades de golo.

Cumpriu-se a história: a Alemanha nunca ganhou à Itália em jogos oficiais. Coisa de que mais ninguém se consegue orgulhar. E pôs fim a uma série notável de 15 vitórias consecutivas da Alemanha em jogos oficiais!

Quando se admitia que a final fosse discutida entre os apurados do Grupo B, o da morte – porque a Alemanha tinha lugar cativo desde o início – vai afinal ser discutida entre os apurados do grupo C. Não deixa de ser curioso!

Contra todas as expectativas – se bem que, mesmo depois de esmagada pela Rússia em Roma, socorrendo-me da história, lhe tenha aqui entregue uma boa dose de favoritismo – a Itália, que apesar de chegar à final com apenas duas vitórias, apresenta um futebol que foge dos velhos cânones do calcio, será provavelmente o novo campeão europeu!

Que pena Portugal não ter ontem aproveitado a sua oportunidade. Por todos nós e por Platini!

 

EURO 2012 (XXII) - PIRLO

Por Eduardo Louro

                                                                      

E, ao enésimo dia, o primeiro jogo sem golos. E, ao quarto dos quartos de final, o primeiro prolongamento. E a primeira vez em que a decisão chega dentro do envelope das grandes penalidades.

Apetece-me dizer que ainda bem! Porque se assim não tivesse sido nunca veríamos o fabuloso penalti marcado pelo Pirlo. Valeu a pena esperar mais de duas para assistir àquilo. E não me venham com falta de sentido de responsabilidade. Aquilo é classe pura, e classe é classe. Responsabilidade – ou falta dela – é outra coisa…

Foi à Panenka? Não, foi à Pirlo! E não é preciso registar a marca, porque ninguém consegue copiar… À Panenka, até o Postiga conseguiu: pobres ingleses!

Desculpem, mas tinha de começar por aquele momento único. Agora vamos ao jogo que – apetece-me dizer – pôs frente a frente duas Itálias. A Itália – la vera – e a Inglaterra, italianizada. E o certo é que uma Inglaterra assim obrigou a Itália a ser menos italiana, o que quer dizer: a especular menos e a assumir mais o jogo!

E a Itália até não se deu mal nesse papel contranatura. Posse de bola à Barcelona (64%) e 35 remates (20 na baliza), contra apenas 9 (4 na baliza) dos ingleses. Nada que tenha surpreendido Cesare Prandelli, o seleccionador italiano, como se percebeu quando apresentou uma equipa em plano B, abdicando dos três centrais e dos laterais que servem o plano A. E chamando Balotelli!

A Inglaterra não apresentou novidades, agora que já pode contar com Rooney. E o jogo acabaria por valer pela primeira parte, jogada a grande ritmo e com alta intensidade. O jogo abriu mesmo assim: logo aos três minutos, um grande remate de De Rossi só parou no poste da baliza de Hart e, aos cinco, é Buffon quem, do outro lado, nega um golo feito (Johnson) com uma defesa impossível.

E assim foi a primeira parte, em ritmo vivo, de bola cá bola lá, mais lá – na baliza inglesa – e sempre muito mais trabalhada pela squadra azurra, com Pirlo - imperial, como sempre – e Montolivo no papel de donos da bola. E do jogo!

Do outro lado, Gerrard e Rooney iam dando conta do recado, que é como quem diz: da capacidade de resposta inglesa que mantinha os italianos em sentido.

A segunda parte foi diferente e começou com duas excelentes oportunidades de golo para os italianos, a segunda, aos 52 minutos, foi três em um. Com duas enormes defesas consecutivas de Hart para o terceiro remate sair por cima. Os ingleses só responderam aos 65 minutos por Walcott (no cruzamento) e Carroll, acabadinhos de entrar. Foi o canto do cisne!

A partir daí, com o estoiro de Gerrard – que Hogdson manteve em campo, e percebeu-se porquê – a Inglaterra não quis outra coisa que levar a decisão do jogo para os penaltis. Vá lá saber-se porquê...

Só a Itália parecia querer – e poder – ganhar o jogo, não obstante os 90 minutos se terem esgotado precisamente numa vistosa – como sempre é - bicicleta de Rooney, que até poderia ter saído para a baliza e não por muito por cima da barra. E o prolongamento foi mais do mesmo. Mas ainda mais devagar, porque já não havia quem pudesse com uma gata pelo rabo. E desse período ficam dois registos: um cruzamento de Diamandi a que Nascerino respondeu enfiando a bola na baliza, em fora de jogo milimétrico mas bem assinalado; e mais uma habilidade de Balotelli, ao exigir a cobrança de um livre – mal assinalado por Pedro Proença, que ao terceiro jogo foi obrigado a regressar a casa pelo envolvimento da selecção bacional nas meias-finais - que Pirlo se preparava, como sempre, para marcar. Atirou para as nuvens!

E lá se seguiu para a decisão pelos pontapés de grande penalidade, a tal por que, sem ninguém perceber porquê, os ingleses tanto ansiavam. Só vejo uma razão: o exacerbar de italianismo desta selecção inglesa!

Do período de alta tensão que precede aqueles minutos dramáticos da angústia dos penaltis, vem um enigma: o que terá Buffon ido fazer ao balneário antes de se posicionar na baliza?

Dos penaltis – francamente – nada mais interessa que aquela obra de arte de Pirlo. O resto é a maldição inglesa!

E já que se fala de penaltis, também se deve dizer que Pedro Proença, aos 65 minutos, transformou um puxão de De Rossi a Terry, na área italiana, num livre contra a Inglaterra. Situação que se repetiria aos 83, só que dessa vez não viu. Pelo menos não marcou falta ao inglês!

E pronto: está completo o quadro das meias-finais! E a Itália, com este trabalho suplementar de hoje e menos dois dias de descanso que a Alemanha, é bem capaz de ter dificuldade em evitar que os desejos de Platini sejam uma ordem!

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