Um jornalista (?) questionou ontem Paulo Bento, em Estocolmo, na conferência de imprensa que antecedeu o jogo de hoje, sobre o estado de saúde de Pinto da Costa. Não sei quem é o jornalista - já só apanhei a resposta do seleccionador nacional - mas seja lá quem for, de jornalista terá certamente muito pouco. Nada que nos surpreenda no panorama da imprensa desportiva do país, onde vemos de tudo menos qualquer coisa a que se possa chamar jornalismo.
Por muito que o estado de saúde de Pinto da Costa o possa preocupar, a preocupação do tal jornalista naquele momento não era essa. Era simplesmente - ali, na véspera do mais decisivo dos jogos da selecção nacional, onde o tema não poderia ser outro que a selecção - introduzir um objecto cortante com grande capacidade de fazer sangue…
Se a sua preocupação fosse com o estado de saúde de Pinto da Costa não era aquele o local adequado para disso indagar. Era o hospital. Ou a estrutura de comunicação da SAD portista. Mas, acima de tudo, não poderia ter Paulo Bento como destinatário da pergunta!
É infelizmente com gente desta que se faz jornalismo desportivo em Portugal. Gente que não sabe nem o que é ética nem o que é vergonha, mas que sabe que tem a protecção que lhe garante a impunidade!
Não honram, antes conspurcam, a memória dos grandes jornalistas do passado. É por isso que, tendo aprendido a ler - e a escrever - com esses grandes monstros do passado, há muito que deixei de ler jornais desportivos.
No anunciado e badalado duelo, Cristiano Ronaldo esmagou Ibrahimovic. E no ar ficou a ideia que não tem rival à altura, nem com a ajuda do frio sueco...
Já Ribery não fora desafiado para qualquer duelo, não tinha do outro lado estrela à sua altura, mas ficou a ver o Brasil mais longe. A não ser que se repitam as coisas esquisitas que nestas ocasiões sucedem em Paris...
Com Messi fora de jogo - dizem as más línguas que estas lesões do argentino têm origem em Neymar - sobe a expectativa na escolha do Bola d`Ouro deste ano.
Paulo Bento acabou de divulgar a lista de convocados para o jogo entre as selecções de Portugal e da Suécia, de hoje a uma semana no Estádio da Luz, o primeiro do play-off que nos poderá dar os bilhetes para o mundial de 2014 no Brasil.
A convocatória de Paulo Bento para esta decisiva dupla jornada tem algumas curiosidades. A primeira é que se conheceram os árbitros antes de serem conhecidos os jogadores convocados. Não é muito comum, mas a verdade é que já há um ou dois a UEFA divulgara os árbitros para este play–off: de top, o italiano Nicola Rizzoli, para o jogo de Lisboa, e o inglês Howard Webb, para o jogo da segunda mão, na Suécia.
Depois há a curiosidade da convocação de Wiliam Carvalho, o médio defensivo do Sporting que tem sido a revelação deste campeonato. Uma novidade, uma boa novidade, que o miúdo justifica em absoluto, porque é bem melhor que o titular, Miguel Veloso - ou só Miguel, como ele gosta – que dará certamente nova estreia na selecção. Estreia que poderá também passar por Bruma, que repete a convocatória que certamente manterá por muitos e bons anos.
E o regresso dos laterais João Pereira e Fábio Coentrão, há algum tempo afastados por lesão.
E que ainda não regressaram nos seus clubes… Mas também há curiosidades nas ausências. É curioso que Ruben Amorim, a atravessar o seu melhor momento de forma, tenha ficado de fora. E que também Adrien não tenha cabido nas escolhas de Paulo Bento que, incompreensivelmente, não abre mão de Ruben Micael…
Mas é com os 24 que Paulo Bento escolheu – não, não é um duelo entre Cristiano Ronaldo e Obrahimovic, por muito que qualquer deles possa ser decisivo - que vamos esperar que a selecção nacional afaste ainda mais a Suécia do Brasil. Para isso é certamente importante encher o Estádio da Luz, de hoje a oito dias. Que comece a corrida aos bilhetes para o Portugal – Suécia!
Enquanto a selecção nacional devia procurar alcançar a qualificação directa para o Brasil, a mensagem era que não havia problema nenhum, que o segundo lugar também dava… Keep calm, no pasa nada...
Lá chegados, começaram os problemas. Começou afinal a perceber-se que não era bem assim, que chegar ao play-off não significava mais que disputar com um adversário o direito a chegar ao Brasil. E foi essa ideia – disputar com um adversário – que levou a consciencializar que já não havia Bósnias, o sparring partner das últimas qualificações. E mais: que não havia Bósnia porque já lá estava, no Brasil. Porque, depois de anos a ficar de fora, percebeu que chegar ao play-off não era chegar aos palcos das fases finais. E por isso tratou de ganhar o seu grupo, deixando à selecção da Grécia – de Fernando Santos – as preocupações com o apuramento fora de horas.
A França é que não – dizia Cristiano Ronaldo e diziam todos. Portugal, não – diziam alguns dos franceses, que não Ribery. Depois de três vezes despachada – uma por Platini e duas por Zidane - achava-se que a selecção portuguesa evitaria por isso mesmo a equipa francesa, graças ao mesmo mas agora outro Platini.
A Islândia é que dava jeito, dizia-se. Era a prenda no bolo onde a fava, contando com a mãozinha do francês que manda na UEFA e quer mandar na FIFA, era agora a Suécia. De Ibrahimovich, o cada vez mais especialista em golos incrivelmente espectaculares!
E foi mesmo, para que ninguém mais se esqueça que o play-off é um caminho suplementar para o Brasil e não um simples carimbo para retardatários.
Ah… o brinde – a Islândia – saiu à Croácia. A França também se não pode queixar – calhou-lhe em sorte a Ucrânia. O resto fica por conta da Grécia e da Roménia!
No primeiro dos dois jogos desta dupla jornada que encerra a fase de apuramento para a fase final do Mundial no Brasil, a selecção nacional voltou a falhar, repetindo em Alvalade o empate de Israel. Um resultado que pode parecer injusto, mesmo cruel, mas que se adivinhou durante grande parte de um jogo aborrecido e sonolento, impróprio para uma equipa com o prestígio da selecção nacional. Que assim se arrisca a que rapidamente o faça convergir com a sua qualidade de jogo!
Faltam jogadores de qualidade? Claro que sim, mas isso não está nas mãos do grupo de trabalho – como eles gostam de chamar. O seleccionador não pode inventar jogadores, embora possa escolher os melhores, o que nem sempre faz. E os jogadores não podem ir comprar mais qualidade e talento à loja da esquina. Mas todos, seleccionador (que dá sérios sinais de desorientação) e jogadores, têm a obrigação de dar sempre o máximo, sem cedências na concentração.
Um exemplo: quando nos últimos dez minutos - e já que não tinha conseguido chegar ao segundo golo - a equipa tinha de reforçar a concentração, para não deixar escapar o controlo do jogo, o que se viu foi os jogadores que estavam tapados com amarelos à procura de quezílias que lhe garantissem o cartãozinho que antecipasse a desqualificação já para a próxima terça-feira, no jogo com o Luxemburgo. Quando os jogadores tinham que estar empenhados no pleno de vitórias que mantivesse aberta a hipótese da qualificação directa, preferiram pensar nos play-offs, de Novembro. Que, não se percebe bem por quê, toda a gente sempre deu - e dá - como garantia de apuramento. Foi assim no passado, é essa a história, mas nem sempre há Bósnias…
É um crime lesa futebol se o CR 7 não estiver em Junho no Brasil. Mas isso pode acontecer. E não é por culpa dele – às vezes dá ideia que se espera que ele cruze e, depois, corra para a área ainda a tempo de ainda concluir - por muito que hoje também ele não tivesse escapado aos pecados da equipa. Também ele passou o jogo à procura do cartão amarelo. E como só chegou mesmo no fim…
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