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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Final infeliz de uma boa história

Casa Aleixo, Campanhã, Porto

 

Não sei se a Casa Aleixo é apenas mais uma vítima da pandemia, mas é certamente mais uma vítima da pandemia. Quero dizer que poderá haver outras razões para o desaparecimento deste ícone da restauração da cidade do Porto. Que poderá haver razões para que não tenha conseguido resistir às provações que o vírus nos trouxe a todos, e em particular ao sector da restauração.

Diz-se que a Casa Aleixo era o restaurante do Porto preferido dos lisboetas, mas isso parece-me redutor. A excelência daqueles filetes não dá para isso. Nunca permitem que se resuma o Aleixo a uma questão de moda ou de clube.

Na primeira vez que lá entrei, há 30 anos, tive relutância em experimentar os filetes. Ia com um amigo (de Lisboa) que fora colega de armas do Ramiro, na Guiné, e que não o via desde esses tempos, pelo que se pode imaginar a festa. Sendo um apreciador de peixe, não tinha boas experiências com filetes. Era daquelas coisas que decidimos que não gostamos e pronto...

Então o Ramiro disse-me que, ali, ou comia filetes... ou comia filetes. Comi - de pescada e de polvo - e nunca tinha comido nada assim... Voltei lá dezenas de vezes. Talvez mais de uma centena, desde então. Cada vez que ia ao Porto, sozinho, com a família, ou com amigos, por mais voltas que desse, a hora de almoço encaminhava-me para Campanhã. E invariavelmente lá encontrava outros amigos. De Lisboa, é certo.

Desconfio que me vai voltar a acontecer. Que lá voltarei a bater com o nariz na porta, como tantas vezes me aconteceu nos encerramentos para férias... Só que já sem poder contar voltar para a próxima.

É aqui que estamos...

Na passada terça-feira o Benfica assegurou a presença na final da Taça de Portugal, a disputar daqui a cerca de três meses e meio, empatando a um golo em Famalicão, depois de ter ganho na Luz, por 3-2.

A estrutura de comunicação do Porto veio de imediato a público proclamar que essa final, daqui a mais de três meses, estava ferida de morte. Que o Benfica  só ia disputar a final porque o terceiro golo que marcara na Luz, no último minuto do jogo, fora obtido por um jogador (força Gabriel, recupera rápido) que, na "isenta e infalível" opinião da comunicação portista, deveria  ter sido expulso algures durante a partida.

No dia seguinte, na quarta-feira, o Porto apurar-se-ia também para a final vencendo por 3-0 o Académico de Viseu, depois de ter empatado em Viseu a um golo. Para isso, marcou o primeiro golo, que desbloqueou bem cedo o jogo, através de um penalti erradamente assinalado pelo árbitro e validado pelo VAR. E o segundo, já a segunda parte ia adiantada através de um fora de jogo de metros.

Este lance começa num canto cobrado pelo Alex Telles, que leva a bola a sobrar para o Nakajima que, com a intenção clara de rematar à baliza, a chuta para a linha lateral. A câmara acompanhou a trajectória da bola e, quando se esperava que ela saísse pela linha lateral, surpreendentemente, vimo-la parar nos pés do marcador do canto, que depois a cruzou para o Zé Luís marcar.

Toda a gente ficou à espera do fora de jogo, era impossível que o Alex Telles, que acabara de marcar o canto, não estivesse adiantado. O árbitro assistente, com tudo a passar-se nas suas barbas, nada assinalou. Esperou-se minuto e meio pela decisão do VAR, e o árbitro acabou a validar o golo. A Sport TV transmitiu apenas uma repetição, mas com a câmara fechada, nunca mostrando a posição do Alex Telles. E as famosas linhas do VAR nunca apareceram.

Hoje foram finalmente reveladas as imagens do lance que não deixam qualquer dúvida sobre o fora de jogo. E perante essas imagens começa a circular a notícia que o VAR não teve acesso a elas, e que teria na altura comunicado ao árbitro que não tinha recebido imagens do lance.

Não, isto não é ironia do destino. Isto é o ponto a que se chegou. Com um árbitro assistente, no jogo de Famalicão, a festejar o golo do empate dos famalicences. Com outro árbitro assistente a não ver um fora de jogo de metros à sua frente. Com o VAR a dizer que não tem imagens. E com a Sport TV a esconder um lance que escandalosamente beneficiava o Porto.

E não se pense que isto aconteceu apenas na quarta-feira passada, no Porto. Não. Isto é o que acontece sucessivamente na Sport TV!

Ficamos à espera do que é que a Federação Portuguesa de Futebol tem a dizer sobre isto. Mas também tínhamos ficado à espera do castigo para o Pepe, e aqui estamos... 

 

 

Um clássico dentro do clássico

A expectativa dos benfiquistas em alargar a extraordinária série de vitórias no campeonato, e a ainda mais extraordinária sequência de vitórias fora de casa, e consequentemente a vantagem pontual na tabela classificativa, que praticamente garantiria o título, esbatia-se na degradação do nível exibicional da equipa que se vinha constatando desde o início deste ano, depois da paragem de Dezembro. Mas esbatia-se, acima de tudo, na sequência de golos sofridos nos úlltimos jogos. E esfumou-se na constituição da equipa, sem Cervi, hoje por hoje indispensável no equilíbrio defensivo da ala esquerda.

Por isso o Benfica nunca esteve perto de responder afirmativamente a essa expectativa. Mas poderia não ter perdido este clássico, e pelo menos ter saído hoje do Dragão com a mesma confortável vantagem dos sete pontos com que entrara.

Mas não aconteceu assim e o Benfica perdeu o jogo. Perdeu porque está longe do seu melhor. Porque quase todos os jogadores estão muito abaixo da forma técnica que evidenciavam há mês e meio. Porque, mantendo-se os problemas de organização defensiva, em particular no lado esquerdo, Bruno Lage prescindira de Cervi, que é uma espécie de paracetamol para esse problema. E porque não conseguiu igualar a agressividade competitiva do adversário, perdendo praticamente todas as bolas divididas, quase todos os ressaltos e quase sempre as segundas bolas. 

Mas o jogo não se pode resumir nestas justificações. Tudo isso se passou e influenciou o resultado final, mas o jogo teve mais que contar.

Até pareceu que o Benfica entrou bem no jogo, trocando a bola e fazendo-a circular com rigor e competência. Só que isso durou três ou quatro minutos, e depois a equipa permitiu que o Porto agarrasse o jogo, e chegasse ao golo logo aos 10 minutos. Um golo feliz, já que o remate de Sérgio Oliveira saiu nas orelhas da bola e tornou-se indefensável para Vlachodimos.

O Benfica reagiu bem ao golo, voltou para cima do jogo e oito minutos depois chegou ao empate, por Vinícius, depois de uma excelente jogada de futebol, que teve pelo meio um grande remate de cabeça de Chiquinho e uma grande defesa de Marchesin. Antes, o mesmo Chiquinho já tinha desperdiçado outra oportunidade, que fizera lembrar as circunstâncias do golo do Porto. A diferença foi que a bola espirrou em Pepe, e desviou para as mãos do guarda-redes.

Chegado tão rapidamente ao empate, o  Benfica voltou a entregar o jogo ao Porto. Que voltou a ser feliz, fazendo dois golos em cinco minutos, mesmo no final da primeira parte. Primeiro, o segundo, num penalti de "bola na mão" de Ferro, quando o penalti é para penalizar a "mão na bola". E logo a seguir, o terceiro, num auto-golo de Rúben Dias, em que a bola até nem iria para a baliza se não fosse a infeliz intervenção de Vlachodimos.

Sim, faltou sorte ao Benfica nos três golos sofridos. Mesmo que se possa admitir que o Porto tenha feito por merecer a que lhe calhou.

O Benfica voltou a entrar bem na segunda parte, e a mandar no jogo. Cinco minutos bastaram para Vinícius marcar o segundo, e relançar a discussão do resultado, com mais de 40 minutos para jogar. Mas, mesmo que sempre melhor que na maioria da segunda parte, a equipa não conseguiu prolongar a qualidade desses cinco minutos iniciais.

Provavelmente porque Bruno Lage não terá tomado as melhores decisões nas substituições que foi obrigado a efectuar. E aqui terá que se falar de Soares Dias - um clássico dentro do clássico - o mais habilidoso dos árbitros habilidosos. Tão habilidoso que deixa sempre a ideia que arbitra bem quando, no fundo, influencia o jogo como quer. Hoje, para além do penalti - que não é pouco - foi com faltas e amarelos: um incrível amarelo a Taarabt (que, pela mão de Marega, sem falta nem amarelo, já tinha deixado uns dentes no relvado), a meio da primeira parte, repartido com Octávio, numa daquelas confusões em que o portista é especialista; outro logo a seguir a Weigl, com livre perigoso, numa circunstância em que nem sequer tocou no adversário (Corona mandou-se para o chão), outro para o Ferro, na "bola na mão" do penalti, e ainda outro a Vlachodimos sem que ninguém pecebesse por quê.

A partir daí, para além do condicionamento desses jogadores, centrais na cobertura defensiva, a pressão dos jogadores portistas e do público sobre qualquer falta, ou esboço disso, daqueles jogadores do Benfica foi em crescendo. Quando, por exemplo, Soares, já com amarelo, "mata" um slalom do Rafa, a sair para o ataque, com uma entrada às pernas do 27 sem dó nem piedade. E sem amarelo, o segundo.

Por isso as primeiras duas substituições de Bruno teriam obrigatoriamente que passar pelas saídas precisamente do marroquino e do alemão. Se a de Weigl, por Samaris, não mexeu na estrutura, a de Taarabt, por Seferovic, obrigou Chiquinho a baixar e desiquilibrou claramente a equipa.

Por último, com a lesão de André Almeida, num lace duvidoso dentro da área portista com Alex Telles, Bruno Lage decidiu trocá-lo pelo estreante Diego Souza, deixando a equipa com três pontas de lança ... e totalmente perdida em campo para o ataque final ao empate.

Assim, não!

E agora a liderança está presa por quatro pontos. Apenas dois empates. De que ninguém está livre nos catorze jogos que agora faltam. E o próximo é já com o Braga, de Rúben Amorim, com um futebol que parece geminado com o do Benfica. O do melhor. Escassos dias depois do de Famalicão, onde a equipa vai ter que dar tudo se quiser chegar à final do Jamor. Não é a mesma coisa que receber em casa o Académico de Viseu, até porque os famalicenses pouparam hoje todos os seus titulares, não se importando nada de ser  goleados (7-0) em casa pelo Vitória de Guimarães. 

 

E pronto. O Famalicão entregou a liderança

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À oitava jornada o Famalicão perdeu a liderança do campeonato, que surpreendentemente segurou até a este fim do mês de Outubro. Ficou a sensação que estava a pesar-lhe demasiado. 

Mas a forma como a entregou desmente que fosse assim tão pesada. As coisas pesadas nunca são entregues em bandeja. E esta liderança foi entregue em bandeja de prata... 

O Famalicão não ofereceu apenas um golo. Nem dois. Ofereceu todos os três golos da vitória do Porto. O primeiro no tempo de compensação da primeira parte, o segundo à entrada do último quarto de  hora e o terceiro à beira dos 90. Os dois primeiros com passes a isolar os adversários, e o terceiro, como num espectáculo de malabarismo, mais difícil ainda: com o guarda-redes, depois de muitas insistências, a esperar até ficar rodeado de adversários para, depois, sair a driblá-los todos.

Isto não quer dizer nada. Quer apenas dizer que foi mesmo assim. E que às vezes as coisas correm mal. O que poderá tornar-se difícil de perceber é a insistência no que corre mal... 

O calor era muito ... Mas não era preciso um banho gelado!

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O Benfica recebia o Porto na Luz, à terceira jornada, na condição de favorito, condição que lhe era atribuída pela história recente das duas equipas, e especialmente pela sua consistência exibicional no consulado de Bruno  Lage. Nunca nos últimos  largos anos o Benfica chegara a um jogo com o seu principal adversário com tanto favoritismo.

A vitória cavaria uma vantagem de seis pontos, que numa fase tão precoce da competição nunca seria decisiva, mas seria certamente muito determinante para as contas do título. Pelos seis pontos à maior, mas principalmente pelo élan que daria à equipa, uma jornada antes da sempre difícil deslocação a Braga.

A Luz era o espelho de tudo isto, cheia que nem um ovo, como vem sendo habitual, e vibrante de expectativa. O jogo, no entanto, destruiria toda a história que esse favoritismo anunciava. 

No início parecia amarrado, mas depressa se começou a perceber que não era o jogo que estava amarrado, mas a equipa. Passado que foi o primeiro quarto de hora, sempre com a equipa do Porto muito pressionante sobre a bola e o sobre os epaços por onde ela poderia circular, ainda se mantinha a ideia de um jogo amarrado, que mais cedo ou mais tarde se haveria de soltar. Ao início do segundo quarto de hora essa promessa pareceu ganhar forma, com o Benfica a conseguir sair daquele colete de forças que Sérgio Conceição tinha montado, a começar a conseguir fazer circular a bola e a começar a empurrar o jogo para perto da área portista.

Só que uma perda de bola de Nuno Tavares - que voltou a estar infeliz, como já sucedera no último jogo, justificando-se a entrada de André Almeida, já recuperado e no banco - acabou no primeiro canto para o Porto. E do canto, numa carambola, com o corte de Ferro a levar a bola a bater em Rúbem Dias e a ressaltar para Zé Luís fazer um golo daqueles que se chamam de sorte.

Ia a primeira parte a meio, e equipa do Benfica nunca mais se econtrou.

Esperava-se que o intervalo pudesse mudar o rumo do jogo, mas cedo se percebeu que isso não iria acontecer. Taarabt surgiu no lugar de Samaris - também pouco feliz e fisicamente debelitado depois de um choque na cabeça que o deixou no chão por alguns minutos, sem que o árbitro Jorge de Sousa interrompesse o jogo para lhe ser prestada assistência - mas não se notaram melhorias.

Até porque no primeiro quarto de hora praticamente não se jogou, quase se podendo dizer que a segunda parte começou ao minuto 60. Os jogadores do  Porto jogavam claramente com o relógio e com o resultado, coisa com que Jorge de Sousa, mesmo parecendo que se importava, mostrando por exemplo o amarelo ao guarda-redes portista por queimar tempo, não se importava nada. De cada vez que um jogador do Porto se mandava para o chão era falta. Já Rafa era ceifado, atropelado e empurrado mas, quase sempre ...nada.

Não se pode dizer que foi pelo árbitro que o Benfica não jogou mais, e muito menos que não ganhou. Mas que foi mais uma arbitragem habilidosa, foi!

O Porto ganhou bem, e Sérgio Conceição ganhou claramente a Bruno Lage. Anulou bem o jogo interior do Benfica, que vinha sendo o ponto mais forte do futebol do Benfica, e soube aproveitar bem as circunstâncias do jogo. O Benfica nunca conseguiu mostrar capacidade de dar a volta ao jogo, até porque Bruno Lage não foi também feliz nas alterações que foi introduzindo, e que o obrigaram a desiquilibrar a equipa. 

Quando fez entrar Taarabt, o Porto parou o jogo. E Chiquinho acabou por se lesionar - e ao que parece com gravidade - já quando o Benfica tinha esgotado as substituições, pela entrada de Vinícius, já na fase de desespero. O segundo golo do Porto, por Marega - que minutos antes tinha falhado uma oportunidade idêntica - a 3 minutos dos 90, acabou por ser consequência do do desiquilíbrio da equipa, no seu forcing final, já com a jogar com dez.  

O Benfica ainda chegaria ao golo, no entanto anulado por Jorge de Sousa. Por fora de jogo, que não se percebeu, mas que o VAR confirmou. Como no último jogo tinha feito Carlos Xistra, á revelia de toda a legalidade. Está difícil que Seferovic marque. A contar!

E pronto. De um hipotético cenário com 6 pontos de vantagem, com muitos golos marcados e nehum sofrido, passamos para a realidade de uma igualdade classificativa com o Porto. Com os mesmos 6 pontos, e os mesmos 7 golos marcados e 2 sofridos. 

A tarde estava quente, mas a Luz não precisava um banho de água tão gelada.

 

 

 

Farsa em Portimão

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Subiu hoje à cena, em Portimão, uma das maiores farsas do futebol nacional. O Portimonense, a namoradinha do Porto que já lhe serve de barriga de aluguer, recebia o namorado, com quem tinha agora mais um forte laço de comunhão de interesses. Em Janeiro, o Portimonense cedeu os direitos desportivos do Manafá  num contrato que, ao que consta sem que tenha sido desmentido, prevê um bónus extra de 1 milhão de euros no caso do Porto vir a ser campeão. Daí que se desse a estranha situação de dois adversários se estarem a defrontar com um mesmo e comum interesse. Ao Porto, que disputa o título ombro a ombro com o Benfica, só interessava ganhar o jogo. Ao Portimonense, que se o adversário não o ganhasse perdia 1 milhão de euros - que não será muito menos de metade do seu orçamento anual - interessava exactamente o mesmo.

A  encenação foi perfeita, nada lhe faltou. No pré-match, Sérgio Conceição cantou as dificuldades do jogo, e António Folha avisava o Porto do mau bocado que tinha para passar em Portimão, como tinha acontecido ao Sporting e ao Benfica, que de lá tinham saído derrotados, e ao Braga, que melhor não conseguira que o empate. 

A farsa iniciou-se como se nada se passasse. O Portimonense discutia o jogo, e era quase sempre melhor que o Porto. Só que, aos 14 minutos, na primeira vez que o Porto chegou à área algarvia, um defesa da equipa da casa falha um corte e a bola sai direitinha para os pés de Brahimi. Remata à baliza, e o outro defesa adversário abre as pernas, por onde a bola passa para o golo.

Aos 14 minutos, por causa das dúvidas. A farsa continuou, com o Portimonense a jogar à bola e o Porto a ver, até chegar ao intervalo. Na segunda parte já nem houve jogo, apenas farsa. E mais dois golos, como meros incidentes da farsa.

No fim o Porto ganhou por um claro 3-0. "Vitória justa, indiscutível, mas demasiado pesada para o Portimonense" - dizem uns. "A jogar assim, o Portimonense não cai na segunda divisão" - dizem outros. E ninguém tem mais nada a dizer...

O clássico confirmou um Benfica enorme

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Como se esperava - esta equipa é como o algodão, não engana - o Benfica foi ao Dragão confirmar que está, e que é, melhor que o Porto. 

Num grande jogo, intenso, muito disputado e na maior parte do tempo muito bem jogado, o Benfica foi enorme. A grande a expectativa para este jogo era a de saber como o Porto iria entrar. Se, aproveitando o ambiente do Dragão, iria entrar pressionante, a roubar todos os espaços ao Benfica e a disputar todas as bolas, e isso quereria dizer que acreditava que era melhor e que não temia o adversário. Não entrou assim, tentou apenas dividir o jogo, parecendo entender que isso seria correr riscos. E com isso mostrou receio do Benfica!

O Benfica entrou como tem entrado em todos os jogos, instalando logo no relvado do Dragão o seu futebol. E com isso apropriou-se  do melhor futebol que o jogo tinha para dar, e foi sempre superior. 

Nem o golo do Porto, logo aos 18 minutos e irregular - o Pepe, em fora de jogo, baixou-se para a bola seguir para dentro da baliza - , alterou os dados em que o jogo estava lançado. O Benfica já era superior, Casillas já tinha negado dois golos, e o árbitro Jorge de Sousa já tinha perdoado um penalti ao Porto, por falta clara sobre Pizzi, na área.

O empate, por João Félix, surgiu com toda a naturalidade apenas oito minutos depois do golo mentiroso do Porto. E os vinte minutos que tardaram até ao intervalo continuaram  a ser de clara superioridade técnica e táctica da equipa de Bruno Lage. Do Porto pouco mais se viu que pequenos detalhes, entre os quais o de Pepe fazer de Felipe um santinho...

A segunda parte não abriu em moldes muito diferentes, mesmo que o Porto começasse a mostrar que pretendia equilibrar a contenda. Aconteceu que a primeira oportunidade da segunda parte pertenceu ao Benfica, numa jogada de grande qualidade concluída por Rafa, já a imagem de marca desta equipa. Estavam jogados apenas sete minutos neste período complementar.

O Porto reagiu à desvantagem, é certo, mas sem nunca assegurar o domínio do jogo. Só verdadeiramente incomodou, e criou uma ou duas oportunidades, nos últimos 15 dos 94 minutos do jogo, quando Jorge de Sousa expulsou o melhor jogador em campo. Gabriel nunca tinha jogado com o Porto, e provavelmente não sabia que neste jogos a mínima distracção é a morte do artista. Reagiu à provocação do Octávio - quem havia de ser? - e foi para a rua. Coisa que não aconteceu, nme nunca aconteceria, a Alex Telles, a Pepe ou a Brahimi...

Bruno Lage ("agradeço aos jogadores que estão a fazer de mim treinador" - é a frase que vai marcar este campeonato) tratou bem do assunto: trocou Pizzi por Gedson, Rafa por Corchia, para dispôr de André Almeida no meio, e João Félix por Cervi para ajudar a fechar nas alas  Em inferiorodade numérica nos de 15 minutos, o Benfica mostrou que, com 10 ou com 11, é sempre uma verdadeira equipa.

Em nove jogos, o Benfica de Bruno Lage e dos seus miúdos, ganhou 9 pontos ao súper Porto do súper Sérgio Conceição. De 7 de atraso, a 2 de vantagem. À média de 1 ponto por jogo. Notável e fora de todas as cogitações há dois meses atrás!

 

(V)AR da sua graça

Polémica no Benfica-FC Porto: Pizzi empatou mas golo foi anulado por fora de jogo

 

Foi um grande jgo de futebol, este clássico em versão meias finais da Taça da Liga. E, se não foi uma grande exibição do Benfica, também não andou lá muito longe. 

Não lhe valeu de muito, porque não evitou a derrota, a primeira de Bruno Lage. Injusta, e tão mais injusta por ter sido ditada pela inaceitável anulação do segundo golo do Benfica, por um fora de jogo inexistente que o árbitro assistente assinalou sem qualquer motivo, e que o VAR não quis contrariar. Vá lá saber-se por quê.

Estava então a primeira parte no fim, e o jogo teria ido para intervalo empatado a dois golos. Que seria o resultado justo para uma primeira parte jogada a alto nível, com uma intensidade rara no futebol que se joga em Portugal, se outras anormalidades não tivessem acontecido.

Não foi assim, e a segunda parte iniciou-se mesmo com o Porto a ganhar. Nada que levasse os jogadores do Benfica a desistir de ganhar o jogo. Logo no arranque Seferovic, isolado e com o guarda-redes do Porto batido, podia ter refeito o empate, mas a bola acabou por sair a milímetros do poste direito. Pouco depois seria João Félix a fazer o mesmo, ainda dentro dos primeiros cinco minutos da segunda parte.

Não foi por falta de oportunidades de golo que o Benfica não ganhou o jogo. Na segunda parte esteve sempre por cima do Porto, que passou largos períodos em cima da sua área, onde aglomerou todos os seus jogadores. Depois, nos minutos finais, quando o Bruno Lage apostou tudo, porque não tinha outra coisa a fazer, uma perda de bola resultou num lançamento, ainda no meio campo do Porto, que permitiria ao recem entrado Fernando correr sozinho até à baliza de Svilar e fechar o resultado num mentiroso 1-3.

Mentiroso pelo jogo jogado e mentiroso porque a arbitragem lhe roubou a verdade. Carlos Xistra é já um clássico. E o VAR, que se estreou nesta competição com muito ar da sua graça fez o resto: tentou levar Carlos Xistra a anular o primeiro o golo do Benfica, vendo o que se não via, e não o contrariou na anulação do segundo, sem ter visto qualquer razão para o fora de jogo (porque ningué vê), nem conseguiu ver as faltas (no primeiro, falta clara de Oliver sobre Gabriel e, no segundo, de Marega sobre Grimaldo) que precederam os dois golos do Porto. 

Foi pena que alguns benfiquistas tenham abandonado a Pedreira antes do fim do jogo, porque os jogadores mereciam os aplausos de todos, e não apenas dos que ficaram. Porque este jogo não deixou razão nenhuma para abalar o trajecto que está a ser feito. Este resultado, e as suas circunstâncias, não podem pôr nada em causa! 

 

Reconquista - agora sim, faz todo o sentido!

 

Com esta alma e com este coração, reconquista é muito mais que um mero slogan motivacional. É um estado de alma, uma crença inquebrável. É a chama imensa que nos guia!

Comecei pelo fim, por onde podia terminar, mas é isto, este sentimento, o que mais se tira deste clássico, com a Catedral esgotada, ao rubro. 

Pela intensidade, pelas incidências, e até, aqui e ali pelo bom futebol, este foi um jogo que não defraudou as expectativas de um grande clássico. No entanto começou morno, e mais morno ainda pela parte do Benfica. Que nos primeiros dez minutos não se conseguiu superiorizar ao Porto, permitindo-lhe adquirir alguma confiança. Depois sim, aos poucos o Benfica foi-se superiorizando, mas sem daí tirar grandes dividendos.

Foi assim a primeira parte, com um bocadinho mais de Benfica. Mas a nota mais saliente deste período foi a epidemia de impunidade que tomou conta da equipa do Porto. Depois dos clássicos Felipe e Maxi Pereira, chegou a vez de Octávio. Fez tudo, sempre com impunidade absoluta. De tal forma que, quando no início da segunda parte viu finalmente o cartão amarelo, o Sérgio Conceição teve de o tirar do jogo.

O árbitro - desta vez, finalmente, não veio do Porto, mas o penichense Fábio Veríssimo não fez diferente - foi lesto a mostrar o amarelo a Grimaldo, na primeira oportunidade fez o mesmo a Lema, mas nunca usou do mesmo critério com os jogadores do Porto. Limitou-se a Casillas, que desde muito cedo mostrou que, para além de defender a sua baliza, como lhe competia, estava ali para queimar todo o tempo que o árbitro lhe permitisse. Teve, por isso, muita influência no jogo, mais ainda quando expulsou o central Lema (grande estreia, a mostrar que é bem melhor que o seu compatriota que tem sido a opção de Rui Vitória, e que nem falta cometeu) e quando, pouco depois, nem sequer assinalou falta numa entrada do Herrera, de sola, sobre o Rafa. Só porque - e não ser outra a conclusão - se o fizesse, teria de lhe mostrar o amarelo, que seria o segundo. Nunca usou de critério igual, fosse na punição técnica das faltas fosse na desciplinar. Nos últimos minutos do jogo sucederam-se as faltas atacantes na grande área do Benfica, sem que uma sequer fosse assinalada.

Nenhuma novidade, portanto, quando, no fim, Sérgio Conceição elogiou o trabalho do árbitro. Nenhuma novidade também na omissão do VAR. Tão comum como a expulsão de centrais do Benfica - três, em três jogos consecutivos - é os lances que prejudicam o Benfica estarem fora do protocolo do VAR. Aí está: o Lema foi expulso, mas ... por amarelo.

Arbitragem à parte, na segunda parte o jogo tornou-se mais vivo, mais intenso e bem melhor. Muito por acção do Benfica, que melhorou bastante e partiu à procura do golo e que, mesmo sem ter conseguido muitas oportunidades para isso, fez o suficiente para lá chegar. Por Seferovic, que desta vez não falhou. Aos 62 minutos o Estádio da Luz veio abaixo!

Ao contrário do que se poderia esperar, o Benfica não tirou o pé de cima do jogo. O segredo foi continuar a disputar cada lance como têm de ser discutidos, nunca ficando nada a dever àquilo que, nesse aspecto, são dados como atributos do Porto. Com o mesmo querer, e com o mesmo crer, os jogadores do Benfica foram, depois, sempre melhores.

Quando, com menos um, nos últimos 12 minutos, foi preciso, o Benfica uniu-se à volta de Rúben Dias, um grande campeão, e o grande capitão. A partir de hoje a braçadeira tem dono, entreguem-na quando quiserem. É ele o sucessor de Luisão!

E pronto, o Rui Vitória matou o borrego. Já não tem razão para acreditar em bruxas, e tem agora tudo para partir de peito feito para a reconquista!

Oportunidade de baliza aberta

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Em comunicação, como infelizmente em tantas outras coisas na vida, o crime compensa. Sempre foi fácil fazer do boato notícia, hoje em dia é ainda mais fácil. Pelos interesses em causa, mas também por miséria jornalística. Nada se investiga, nada se confirma, tudo se copia e tudo se cola, acriticamente e sem qualquer preocupação com a ética e a deontologia jornalistícas. 

A campanha que comunicação do FCP lançou com os e-mails do Benfica - já se sabe do quadro criminal em que foram obtidos, mas nem isso importa agora para o caso - é um exemplo flagrante da facilidade em usar a comunicação para fins de autêntico terrorismo. Durante mais de um ano, a comunicação do Porto, divulgou, manipolou e truncou a seu belo prazer os mails que lhe apeteceu, causando no Benfica vultuosos danos, muitos deles irreparáveis. Toda a comunicação social seguiu e amplificou essa campanha, sem qualquer critério jornalístico e sem validação de coisa nenhuma.

Indpendentemente do que, no mesmo terreno, na comunicação, fez de mal - e fez muita coisa mal feita e pouca, ou nenhuma, bem - ao Benfica competia recorrer aos instrumentos do Estado de Direito para se defender do autêntico ataque terrorista de que estava a ser alvo. Começou por requerer aos tribunais a proibição da continuação da divulgação, apresentou queixa no orgão de regulação da comunicação social, a ERC, e terá naturalmente apresentado à Justiça as competentes acções de natureza criminal e indemnizatória.

Na primeira iniciativa apenas viria a lograr vencimento em segunda instância, a 21 de Fervereiro do corrente, oito meses mais tarde. Mais oito meses de mais mails, usados da mesma forma e com os mesmos fins. De nada lhe valeu.

A segunda resultaria numa deliberação da ERC - tornada pública em 18 de Junho passado, quase um ano depois, e há mais de três meses - que passou despercebida na opinião pública, já que na Comunicação Social não mereceu mais que umas simples notas de rodapé, dando conta que a ERC tinha dado razão ao Benfica no processo dos e-mails. Nada mais do que isso. Nada que levasse quem quer que fosse, a retirar o que quer que fosse ao que fora dito e propagandeado ao longo de horas e horas de televisão, e de páginas e páginas de jornais.  

E no entanto, na sua deliberação (ponto IX, pag.30) a ERC diz que "o modelo folhetinesco semanalmente levado a cabo pelo serviço de programas “Porto Canal” sob a aparência de um trabalho de investigação jornalística e que, a pretexto de um interesse público associado a uma denominada “verdade desportiva”... se traduz afinal num exercício inconsequente, e em cujo âmbito são ignoradas elementares exigências aplicáveis à actividade jornalística"; confirma a violação reiterada da Lei (da Televisão por parte do Porto Canal, e do Estatuto do Jornalista, em particular por Francisco J Marques e por Júlio Magalhães); reprova veementemente a sua conduta, "da qual esteve ausente qualquer propósito sério de informar" com "evidente e porventura irreparável afectação do bom nome e reputação da Queixosa e de terceiros; concluindo, naturalmente, "que pertence ao foro judicial o apuramento de eventuais ilícitos de natureza cível ou criminal que possam resultar do presente caso".

O Relatório que integra a deliberação (aqui integralmente disponível), e que resulta do procedimento de inquérito, refere claramente (ponto 100, pag.24) que Francisco José Marques "fez uma utilização selectiva e descontextualizada "da documentação que apresentou, desprovida de objectividade, e "eivada de propósitos sensacionalistas". Que (ponto 105 e 106) dela fez uma "leitura criteriosamente truncada e interpretação descontextualizada", omitindo "deliberadamente frases inteiras e segmentos de frases" – como o próprio confessa – para levar a "uma interpretação diferente e mesmo diametralmente oposta" ao conteúdo expresso. 

As conclusões do Relatório não deixam dúvidas:

  • Devassa de comunicações (ou de supostas comunicações) privadas, cujo teor e sentido foi ... deliberadamente distorcido, por forma a servir uma narrativa pré-concebida, traduzida num conjunto de afirmações, insinuações e acusações de enorme gravidade, e da qual se encontrava arredado qualquer propósito sério de informar (ou de salvaguarda de uma denominada “verdade desportiva”). (ponto 108);
  • Busca de sensacionalismo concretizada ... por via de uma prática folhetinesca assente na divulgação reiterada, parcial e seriada de documentação privada, acompanhada da promessa de “novas revelações”, e que, através de interpretação não neutra, introduz uma sua leitura interpretativa, junto dos telespectadores, susceptível de insinuação criminal. (ponto 112);
  • Inobservância de um assinalável espectro de deveres aplicáveis à prática jornalística (ponto 113), com o fim de acarretar evidente (e porventura irreparável) afectação do bom nome e reputação da Queixosa, junto da comunidade desportiva em geral e dos adeptos e simpatizantes da instituição SL Benfica em particular, e, porventura, dos seus patrocinadores e outros parceiros institucionais.(ponto 114). 

Tudo isto é dito e escrito por um instituto do Estado de Direito, pelo regulador da Comunicação Social, a actividade tida por pilar do regime democrático. E é tudo isto que a mesma comunicação social olimpicamente despreza e ignora. Como se nada se tivesse passado, e tudo tivesse de seguir para bingo...

Mas, e ainda mais surpreendente, é também sobre tudo isto que a própria comunicação do Benfica passa, como se tivesse mais alguma coisa à mão na única esfera da defesa ao seu alcance. É como, depois de ter desperdiçado todas as pequenas oportunidades de golo, falhar escandalosamente a mais flagrante de todas, de baliza aberta. Imperdoável!

Não há grandes dúvidas, como de resto a própria ERC sinaliza, que abunda matéria a reclamar Justiça. Mas, se agora nada foi feito para resgatar publicamente a honra e o bom nome do Benfica, não será daqui a não sei quantos anos que isso irá acontecer. Com mais ou menos indemnizações, que nunca indemnizarão nada.

 

 

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