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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Então ... boas férias

Se, em ambos os jogos de ontem, as coisas só se resolveram no desempate por penáltis, nos hoje tudo se decidiu nos 90 minutos, sem sequer necessidade de prolongamento.

No França - Inglaterra, um grande, grande jogo de futebol, porque Harry Kane falhou o penálti. Que foi o segundo a favor dos ingleses - assinalado porque, naquela que foi uma das piores arbitragem deste mundial, houve mais dois por assinalar, e ainda outro a favor dos franceses -, e restabeleceria a igualdade a dois golos, se tivesse sido convertido. Não foi assim, e a França acabou por ganhar um jogo em que não foi superior, e prosseguir a caminho para a revalidação do título mundial. 

No jogo de Portugal porque Marrocos marcou um golo e não sofreu nenhum. Ainda ninguém lhe conseguiu marcar um golo, e percebeu-se que também não seria hoje a selecção portuguesa a consegui-lo.

A equipa marroquina não fez nada que não se esperasse. E nem o facto de vir de um jogo com prolongamento, nem de ter perdido para este jogo dois dos defesas titulares, alteraram o que quer que fosse. Por isso a selecção portuguesa não teve motivos para qualquer surpresa, e teria que saber o que tinha a fazer.

Não sabia, e esse é o problema. Que não é de agora, mas de sempre. Não tendo feito o trabalho de casa, começou por copiar o que a Espanha tinha feito. Se não tinha resultado para a Espanha, que até o faz melhor, era garantido que não resultaria!

Entusiasmei-me, como creio que toda a gente, com aquela exibição e aquela goleada do jogo com a Suíça. Mas comecei por dizer que os problemas da selecção não se esgotavam nos de Ronaldo. Que, antes, depois e durante, havia os que vinham da ideia de jogo do seleccionador.

Nesse jogo - aparentemente com o problema Ronaldo mitigado - o primeiro golo surgiu, mais que na primeira oportunidade, na primeira chegada à baliza. O adversário precisou de procurar o resultado e abriu espaços. Com espaço os jogadores portugueses jogam como na rua. É o tal futebol de rua, que não precisa de treinador. 

No futebol de alta competição, e num campeonato do mundo, isso não existe. Aconteceu com a Suíça, e sabe-se lá se não poderia até ter voltado a acontecer hoje com Marrocos se, no arranque do jogo, aos 4 minutos, Bounou, a abrir logo com uma enorme defesa, não tivesse negado o golo a João Félix. Mas isso era se os milagres não habitassem também território de Alá!

Não falta à selecção portuguesa apenas ritmo, ideias de jogo trabalhadas e consolidadas, e mentalidade para enfrentar a adversidade. Falta tudo de que se faz uma equipa. Falta liderança. E falta estratégia. Para cada jogo, mas mais ainda para todo o edifício da selecção nacional, uma teia de interesses sempre em conflito com o objectivo desportivo. Que deveria ser o seu único e inegociável interesse.

Por isso esta eliminação aos pés de Marrocos só surpreende, e choca, porque se seguiu àquele jogo com a Suíça. Se olharmos bem para os outros três jogos - Gana, Uruguai e Coreia -, ou até mais para trás, nas derrotas, quando bastava o empate, com a Sérvia, para a fase se apuramento, ou com a Espanha, no afastamento da Liga das Nações, não há muito por onde surpreender.

E basta olharmos para três dados estatísticos do jogo para ser maior o choque pela exibição que pelo resultado: com 73% de posse bola, a selecção portuguesa rematou 12 vezes, apenas em 3 delas acertou na baliza; com apenas 27% de bola, os marroquinos remataram 9 vezes - pouco menos - e as mesmas 3 na baliza. O guarda-redes Bounou defendeu os três que lhe apareceram pela baliza, com três grandes defesas. O Diogo Costa sofreu o golo  logo no primeiro remate. 

Numa falha grave, a segunda, depois da do jogo com o Gana, porventura a deixar a nu a "verdura" escondida. Faltou-lhe determinação na saída ao cruzamento, mas acima de tudo avaliou mal toda a situação. Optou por tentar agarrar a bola com as duas mãos, em vez de a interceptar a punho e, o avançado marroquino En - Nesyri - a saltar sem oposição de Rúben Dias, que terá entendido que a sua intervenção na disputa da bola iria obstaculizar a acção do Diogo Costa, em condições de chegar primeiro à bola - chegou com a cabeça bem primeiro, e bem mais alto, que o guarda-redes com as mãos. 

Mas apenas mais um incidente de jogo. Que pouca importância tem no meio de tudo o que envolve esta participação portuguesa. Do contrato com o seleccionador, que é uma empresa, lá por coisas de impostos, onde a FPF, que até tem "utilidade pública", se mete; às novelas da entourage de Cristiano Ronaldo. Da estrutura de comunicação da FPF, do que brifa e não brifa ao treinador, ou do que deixa ou não dizer; aos jogadores que não regressam todos a Lisboa, porque por lá ficam uns tantos de férias...

  

"É o futebol"

A selecção nacional de futebol voltou a falhar. Voltava a bastar-lhe um empate, em casa. Mas voltou a perder!

Chegou a este último jogo de apuramento para a fase final da Liga das Nações com dois registos históricos - um favorável, e outro desfavorável. A favor, quando o empate bastava, a história de empates nos largos últimos anos com a Espanha. Contra, a história das derrotas, nas duas últimas vezes, nas mesmíssimas circunstâncias - com a França, para esta mesma competição; e com a Sérvia, na fase de apuramento para o mundial que aí vem.  

Repetiu-se o fado, sempre mais virado para o lado desgraçado da história.

De Fernando Santos, e de Cristiano Ronaldo, até porque já nem se sabe bem onde começa um e acaba o outro, nem vale a pena dizer nada. Sem condição física nem psicológica, sem treinos nem jogos, e à beira dos 38 anos, ambos entendem que pode jogar dois jogos inteirinhos em 3 dias. E fica tudo dito, até porque Fernando Santos diz que tudo "é futebol". Em Praga, Cristiano Ronaldo não jogara nada, mas ... "é o futebol". Hoje, falhou desastradamente três ou quatro oportunidades de golo. Que  "normalmente não falha", no dizer de Fernando Santos. E que também isso é "o futebol".

Fale-se então de Luís Henrique, o seleccionador espanhol. Que escalou uma equipa de segunda linha, retirando-lhe sete dos titulares no último jogo, no sábado, com a Suíça, para entreter o jogo. Que teria de ganhar, em Braga, para seguir para a final a quatro a disputar no próximo ano.

Manteve o jogo entretido e entretendo-se com a bola. Ao intervalo fez entrar Busquets, para o entreter melhor. E um quarto de hora depois lançou os putos maravilha que lá tinha sentadinhos no banco. Quatro, ao todo: os consagrados Pedri e Gavi, e os debutantes Yeremi Pino e Nico Williams. E todos com menos de 20 anos!

E foi o bom e o bonito. Acabaram com a brincadeira, passaram a asfixiar e, com requintes de malvadez, marcaram o golo a dois minutos dos 90.

E foi isto. E isto é que é futebol: enquanto o seleccionador espanhol substituía os piores pelos melhores para a estocada final, o de cá fazia exactamente o contrário. O resto é um equipamento horrível e mais uma braçadeira de capitão para o chão!

Não correu bem. Mas também teve tudo para correr mal!

Há precisamente uma semana dizia aqui que aquela exibição com a Suíça não prometia grandes cometimentos. Que simplesmente tinha corrido bem. E que com aqueles jogadores, quando corre bem...

E, não. Não voltou a correr bem. Na passada quinta-feira, com a Chéquia (2-0), como agora se diz, ainda se salvou o resultado. Hoje, em Geneve, na Suíça, já nem para salvar o resultado deu. O golo de Seferovic, logo aos 50 segundos do jogo, desta vez valeu. E valeu tanto que, para além de ter valido o resultado, e ditado a derrota da selecção que lhe complica as contas do apuramento para a fase final da Liga das Nações, deixou logo o jogo no tabuleiro que os suíços desejavam. E que já tinham procurado no jogo do passado domingo.

Quando uma equipa tem processos assimilados, podem trocar-se três ou quatro jogadores - sete, como hoje fez Fernando Santos, já pode ser mais complicado - sem que o colectivo se ressinta. Até porque qualidade não falta a praticamente todos. Se não há processo, como claramente a selecção não tem, tudo fica a depender da inspiração dos jogadores, e das suas decisões em campo.

Foram muitas as mudanças que Fernando Santos fez na equipa que hoje iniciou o jogo. Em todas elas, os que hoje entraram hoje de início, são de qualidade inferior aos que ficaram de fora. Mas, mais que isso, flagrante é a entrada de Rafael Leão. Não é que "o melhor jogador da série A italiana" não seja jogador para a selecção. O futebol que joga é que não é futebol para a selecção. Para esta equipa, e para estes jogadores. Ao colocá-lo na equipa inicial Fernando Santos deixou aquela ideia que, para quem não sabe para onde vai, todos os caminhos servem.

Na segunda parte, corrigido esse equívoco com a entrada de Diogo Jota,  e Gonçalo Guedes, e depois Bernardo Silva (Mateus Nunes e Ricardo Horta já entraram tarde de mais), a qualidade do jogo português melhorou um bocadinho. Não muito, mas chegou para surgirem finalmente oportunidades suficientes para que o resultado fosse outro. Como bem mereciam os portugueses presentes no estádio, em aparente maioria, que se não cansaram de puxar pela equipa. 

 

 

 

 

Correu bem

 O primeiro quarto de hora do jogo de hoje com a Suíça, depois de mais uma exibição menos que sofrível na passada quinta-feira com a Espanha, onde se salvou o empate (1-1) - os onzes das duas equipas nesse jogo, com o português com jogadores mais valiosos na maioria das posições, seja qual fôr o critério, tornou ainda mais inaceitável a diferença da qualidade do futebol entre as duas equipas - e onde os jogadores ouviram olés, apontava para mais um jogo deprimente da selecção portuguesa.

Eram 11 jogadores em campo, mas nada que tivesse alguma coisa a ver com uma equipa, e o descalabro ficou à vista quando a selecção suíça marcou, logo aos 4 minutos. Valeu o VAR, que descortinou uma mão de um atacante suíço, antes de a bola sobrar para Seferovic a rematar para dentro da baliza, de novo defendida por Rui Patrício. Só que o jogo - "o futebol é isto", diz-se em futebolês - tem mistérios insondáveis, e tudo mudou quando, aos 15 minutos, na primeira vez que os jogadores (ainda não eram uma equipa) portugueses chegaram perto da área adversária, surge uma falta. Do livre, cobrado evidentemente por Cristiano Ronaldo - de novo titular depois de ter entrado a partir do banco no jogo de Sevilha, a bola desviou num defesa adversário e dificultou a defesa do guarda-redes, que a soltou para a frente, surgindo William para a meter dentro da baliza.

E tudo mudou nesse momento. Começou por emergir precisamente William, cuja presença na equipa, e talvez até na convocatória, pareceu estranha a muita gente, onde me incluo. Era mais uma das estranhas opções de Fernando Santos, mais uma das suas teimosias. Mas a verdade é que foi mesmo ele que agarrou a equipa. Agarrou-a pelo golo, e arrastou-a para um vendaval de futebol. Tudo o que de bom a selecção fez naqueles minutos seguintes passou pelos seus pés.

Claro que a reacção da equipa helvética ao golo, com o domínio do primeiro quarto de hora na cabeça, e o sentimento de injustiçada, ajudou. Procurou retomar esse domínio, veio para a frente, e deixou espaços que William facilmente descobriu para lançar jogo, e a equipa passou a funcionar. E, de repente, a jogar do melhor futebol que se tem visto selecção, e que há muito se não via. Um autêntico vendaval de futebol, à medida da qualidade dos jogadores, finalmente confortáveis no jogo.

Ao intervalo o marcador estava em 3-0, com mais dois golos de Cristiano Ronaldo, em menos de cinco minutos. Mas bem podia ter ficado no dobro, pelo menos, depois daquela meia hora de luxo. 

Na segunda parte, mesmo que compreensivelmente jogada a ritmo mais baixo, a selecção manteve o nível exibicional bem alto. Só deu mais um golo - aquele golo fantástico de João Cancelo, numa grande exibição, a melhor entre tantos outros bons desempenhos individuais - mas o resultado bem poderia ter ficado nos oito ou nove. O resultado, e aquele primeiro quarto de hora, são as melhores recordações que a selecção suíça levou esta noite de Alvalade. Seferovic leva ainda na memória uma grande assobiadela, mas isso é outra coisa...

A exibição da selecção foi muito boa em 5/6 do jogo. Mas não dá para embandeirar em arco, nem para esperar grandes cometimentos a partir daqui, e em especial para o Mundial, lá para o final do ano. Aconteceu, é certo. Mas não garante qualquer ponto de viragem na selecção. A ideia que fica é que ... correu bem. Só isso. Com estes jogadores, quando tudo corre bem, pode sempre acontecer um jogo destes. Consistência, estratégia de jogo, coragem e a força mental colectiva são condições necessárias para fazer de grandes jogadores uma grande equipa. Às vezes basta que tudo corra bem, mas isso é só às vezes.

Uf... estamos no Mundial

Não fizeram a vontade a Cristiano Ronaldo. A música não foi interrompida para que o hino fosse cantado à capela, e ficou chateado. Visivelmente chateado, mas não amuou. Se amuou, passou-lhe logo que o árbitro apitou.

Não que tivesse desatado a jogar. A primeira vez que tocou na bola foi aos 14 minutos, logo na primeira oportunidade de golo do jogo. Isto porque, ao contrário do que se esperaria, a equipa da Macedónia mandou claramente no jogo nos primeiros 15 a 20 minutos, ocupando bem todos os espaços, ganhando todas as bolas divididas e obrigando até os jogadores portugueses a serem eles a correr atrás da bola. Ao contrário de tudo aquilo que se estava à espera.

Os macedónios conquistaram até os primeiros cantos. Dois, de enfiada. De canto, o primeiro da selecção portuguesa, surgia a segunda oportunidade de golo, num remate de cabeça de Diogo Jota, cima para baixo, como deve ser. A bola saiu poucos centímetros por cima da barra, com o guarda-redes macedónio completamente batido. Começou aí a mudar o jogo, e  passou mesmo a mudar pouco depois, à meia hora, com o golo de Bruno Fernandes, até aí pouco menos que desastrado, como que a confirmar que a selecção não é mesmo a sua praia. Pode não ser, por culpa própria ou alheia, mas acabou por se tornar no "homem do jogo". Não porque tivesse finalmente conseguido uma exibição à altura do seu estatuto, mas porque marcou os dois golos do jogo - bons, ambos, mas de grande qualidade técnica o segundo. 

E quem marca os golos tem que ser o "homem do jogo"!

Sem fazer um grande jogo, e mesmo sem qualquer brilhantismo, a selecção nacional foi sempre melhor. Nunca deixou que nos passasse pela cabeça  a ideia que a presença no campeonato do Mundo no Catar pudesse estar em causa, e justificou por completo a vitória. Mesmo que todos os planos para o jogo tenham saído furados.

A equipa esperaria certamente um jogo diferente. À luz do que a Macedónia fizera contra a Itália, na meia-final do play-off, esperar-se-ia um autocarro à frente da baliza, e um jogo com muita bola, na procura constante de espaço, e de uma brecha para o remate. E, encontrado o espaço, e aberta uma brecha, encontrar pela frente um guarda-redes inspirado, a defender tudo, ou perto. 

Não foi nada disso. Faltou espaço, é certo, quando a equipa esteve em ataque continuado. No pouco tempo em que teve oportunidade de jogar dessa forma. Mas nunca a selecção da Macedónia apresentou o autocarro, nem metade dos remates que os italianos tinham feito, o guarda-redes fez apenas uma defesa, e os dois golos, em três remates enquadrados com a baliza, resultaram de transições rápidas. O primeiro a partir uma recuperação de bola do Bruno Fernandes, na intercepção de um passe de risco do Ristovski (que jogou no Sporting), e o segundo em puro contra-ataque.

E ainda bem que não foi nada disso. Que tudo correu bem, e que acabou bem. Nem tudo está bem quando acaba bem, e na verdade a selecção, tendo sido mais equipa, nem esteve assim tão melhor do que tinha estado no falhado apuramento directo. E está muito longe de poder alimentar a ilusão do seleccionador de ser campeão do mundo. Jogadores não faltam, alguns até sobram - e outro, garante, joga quando quiser, ele é que manda - mas falta muito futebol.

Mas a verdade é que, de pé frio, o homem não tem nada!

Queremos um país inviável?

Governo regulariza todos os imigrantes que tenham pedidos pendentes no SEF  - El Trapezio

Três agentes do SEF, nas instalações do aeroporto de Lisboa, espancaram até à morte um imigrante ucraniano, em Março do ano passado, num crime que, por omissão e conivência, envolveu ainda mais um conjunto de pessoas, entre seguranças privados e até um enfermeiro. Um dos participantes, orgulhoso do seu acto, disse que nesse dia já não precisava de ir ao ginásio... 

A cadeia de comando, até ao próprio ministério, tentou abafar tudo.

Há dois anos, mas só hoje chegando ao conhecimento público, sete militares da GNR do posto de Vila Nova de Mil Fontes, Odemira, espancaram, violentaram e humilharam vários imigrantes. Orgulhosos dos seus actos, filmaram-nos e divulgaram-nos por grupos privados nas redes sociais. Esses filmes foram então, em 2019, parar às mãos da Polícia Judiciária quando, para investigar actos idênticos ocorridos no ano anterior, apreendeu os telemóveis a cinco militares da GNR daquele posto. Identificou aí os sete, três dos quais reincidentes por terem já praticado os mesmos actos em 2018.

A cadeia de comando, incluindo o IGAI, tentou abafar tudo. Conhecidos os factos através de uma estação de televisão, a GNR veio hoje informar que dos sete militares acusados, dois tinham sido suspensos, e os restantes cinco se encontravam a trabalhar normalmente, quando à reportagem da televisão tinha dito que todos se encontravam suspensos.

Os mais altos comandos das forças de segurança em questão, e os mais altos responsáveis do país - Presidente da República e Primeiro-Ministro - dizem-noa que isto não fazem delas instituições racistas. Como o caso dos militares na República Centro Africana também não atingem a instituição militar. Mas fazem, todos, deste, o país que é!

Os imigrantes que sofreram a brutalidade daqueles militares da GNR são os mesmos trabalhadores das estufas de Odemira, com que há meses o país se chocou.

Há poucos dias, um Relatório de peritos da ONU dava conta da "dimensão da brutalidade policial sobre afro-descendentes", num "país que nega o racismo e romantiza o passado colonialista", e denunciava formas de racismo, discriminação racial, xenofobia ou outras intolerâncias.

Ontem foram divulgados pelo INE os números provisórios dos Censos de 202. Em Portugal residem 10.344.802 pessoas. Nos últimos dez anos, desde o últimos Censo (2011), Portugal perdeu 2.1% da população. Foi a primeira vez, desde 1970, que o número de habitantes caiu.

A quebra foi resultado de um saldo natural negativo (diferença entre nascimentos e óbitos), que se traduziu numa perda de 250.066 pessoas. Os estrangeiros são agora 555.299, 5% da população. Mais  41% que há 10 anos. O número de estrangeiros a entrar em Portugal não foi suficiente para o compensar. Mas não é só isso. É a falta de mão de obra. É o envelhecimento da população. É a sustentabilidade da segurança social. É a assimetria demográfica. É "só" a viabilidade de um país!

Um país que tem nas suas instituições pessoas que tratam assim as pessoas que o podem viabilizar é, por si mesmo inviável. Seria bom que pensássemos nisto!

 

Sem honra nem glória. Apenas vexame!

 

Já sabíamos que Fernando Santos acredita mais em milagres que na capacidade de um conjunto de jogadores que estão entre os melhores do mundo, e que integram as melhores equipas do planeta. O que é absolutamente inacreditável é que, agarrado ao milagre do título europeu, tenha transformado tão extraordinário lote de jogadores numa selecção mediocre.

Mais inacreditável ainda é que Fernando Santos ache que faz tudo bem. Os jogadores, é que não. Os jogadores é que não conseguem. Aqueles jogadores não conseguem ligar o jogo, garante. Não conseguem ter bola. Diz e repete, como se nos quisesse convencer que jogadores que são dos melhores que há, e que jogam nas melhores equipas mundiais e que disputam as mais exigentes competições do futebol mundial, não sabem jogar à bola. 

A selecção nacional tinha a obrigação de ter garantido o apuramento para o malfadado mundial do Qatar bem antes de chegar a este jogo decisivo, em casa, em que lhe bastava um empate. Mesmo que aquele golo na Sérvia - já agora onde a selecção teve em metade do jogo, na primeira parte, a única prestação minimamente condizente com a qualidade dos jogadores -, que não contou, tivesse desde logo empurrado a decisão para este último jogo. Porque, em boa verdade, já foi por Fernando Santos ser o que é que a selecção empatou um jogo que ganhava por 2-0 ao intervalo, depois de exibir uma enorme superioridade sobre a equipa sérvia.

A Sérvia é uma selecção de terceira linha do futebol europeu, mas os outros adversários eram ainda muito mais fracos. Por isso, a partir desse jogo na Sérvia, o mais normal seria que as duas equipas ganhassem todos os jogos. A Sèrvia foi infeliz na Irlanda, e empatou esse jogo. Onde a seleccão portuguesa foi incompetente, e também empatou ... mas com muita sorte. Num jogo miserável que marcou, e muito, o de hoje.

Hoje bastava o empate para conseguir o apuramento. Era Fernando Santos nas suas sete quintas e, com jogadores de topo mundial, armou uma equipa para não perder com um adversário de terceira categoria, dentro da sua estratégia de eleição. Com a sorte de marcar no primeiro minuto, o que podia ser o melhor, foi o pior. A partir daí só uma equipa jogou à bola.  A Sérvia empatou pouco depois da meia hora (num frango monumental, para acentuar o vexame), e depois de já ter tido uma bola de golo no poste. Na segunda parte Fernando Santos jogou com três trincos - Danilo (é incrível como foi titular), Palhinha e Ruben Neves!

A Sérvia marcou o golo da vitória que lhe deu o apuramento ao minuto 90. Nada mais que o merecido castigo. Acreditar agora que no play-off é que vai ser, é pouco menos que acreditar em milagres. Fernando Santos acredita. Mas já ninguém acredita nele. Os senhores da Federação Portuguesa de Futebol podem estar-se nas tintas para os adeptos, mas convinha que não se esquecessem que nesse "ninguém" se incluem os jogadores. 

Há mais de 11 anos, Cristiano Ronaldo abriu a porta da rua a Carlos Queirós com uma frase: "assim não, Carlos, assim não". Se quer estar no seu último mundial é hora de se lembrar disso.

 

 

Fugir do amarelo para cair no vermelho

 

Mais uma miserável exibição da selecção portuguesa, esta noite, em Dublin. Tão má que terá mesmo sido a pior da já longa era de Fernando Santos que, como se sabe, não é um treinador muito dado a grandes exibições.

A selecção da República da Irlanda é uma das mais fracas da Europa, nesta altura. E no entanto foi, com aquele futebol vigoroso, bem britânico do antigamente, feito de querer e determinação, sempre melhor que a portuguesa. Já o jogo de há uns meses, da primeira volta, no Algarve, tinha sido muito complicado, com a vitória a surgir de um autêntico milagre, com aqueles dois golos do Cristiano Ronaldo, mesmo - mesmo - no fim. E no fim, nestes dois confrontos com os irlandeses, salvou-se o resultado. Hoje o empate até valia a mesma coisa que a vitória. Não acrescentava nem retirava nada ao jogo do próximo domingo, com a Sérvia,. Com a vitória, ou com este empate, sairia deste jogo sempre na frente do grupo, e a basar-lhe não perder para garantir o apuramento para esse estranho mundial do Qatar, no Natal do próximo ano.

Mas, como ensaio para esse jogo decisivo, foi mau de mais. E nessa medida não permite alimentar as melhores expectativas. Mas … já se sabe, cada jogo é um jogo. E este estava marcado pelos amarelos. Pelo grande número de jogadores em risco de ficarem fora do jogo decisivo. Fernando Santos optou por prescindir de todos eles - todos, não; manteve Palhinha, que esse, como se sabe, mesmo que seja amarelado nunca é excluído - incluindo os que, à partida, nunca seriam titulares nesse próximo jogo. E acabou por ficar sem o que, provavelmente, menos quereria perder: Pepe, pois claro. Igual a si próprio, e por isso expulso.

É como o escorpião - está-lhe na massa do sangue. É da sua natureza! Que, pela protecção que goza em Portugal - das arbitragens e da própria imprensa - não tem necessidade de reprimir. Com a bola controlada, sem qualquer adversário por perto e com tempo para tudo, resolveu metre-se em problemas, até se ver apertado. E logo que se viu apertado, já com um amarelo (mas até vermelho directo justificaria), decidiu eliminar o adversário à cotovelada, deixando a equipa exposta, com menos um jogador, e galvanizando, ainda mais, o adversário e o público que o empurrava para a vitória.

 

O nacionalista Miguel Vasconcelos

O incompreendido Miguel de Vasconcelos | Blog

 

A Espanha celebrou ontem o dia da Hispanidade, na data que assinala a chegada de Cristóvão Colombo à ilha de Guanani, no arquipélago das Bahamas, em 12 de Outubro de 1492. É o "10 de Junho" deles, mas mais à "dia da raça" do que a "dia de Camões de das comunidades".

Pelo menos assim o celebra o VOX. Que reclama a anexação de Portugal e um império com todas as antigas possessões ultramarinas espanholas e portuguesas, com capital em Madrid.

A anexação de Portugal nunca deixou de ser o sonho da direita fascista e franquista espanhola, pelo que não é esta celebração do VOX que surpreende. Até porque nem é a primeira vez que o faz. Nem será a última. Ia dizer que o que surpreende é a vassalagem que o André Ventura lá foi prestar no passado fim de semana. Mas também não, não surpreende nada nem ninguém. Também não foi a primeira vez. Até nas questões mais básicas Ventura é tudo e exactamente o seu contrário.

Nacionalista, patriota e Miguel Vasconcelos, tudo na mesma personagem. Como um fantoche.

 

 

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