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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Rússia 2018#2 - Um campeão é um campeão!

 As imagens do Portugal-Espanha que não viu na televisão

 

Era um dos grandes jogos deste mundial, e seguramente o de maior cartaz da jornada inaugural, este que opunha as duas selecções ibéricas e as mais fortes deste grupo B. E não desiludiu.

Não desiludiu na qualidade do espectáculo que, como se sabe, é determinada pela qualidade do jogo, pelos golos e pela emoção da disputa do resultado. Seis golos - o jogo com mais golos dos já disputados - são golos suficientes para um grande jogo. Acresce ainda a própria qualidade dos golos, dois deles, os dois últimos ou o terceiro de cada equipa, verdadeiramente sensacionais. A emoção de três golos para cada lado, com o marcador a passar por todas as alternativas possíveis, fez o resto.

A selecção espanhola confirmou que é indiscutivelmente uma das melhores equipas de futebol do mundo, e um dos mais sérios candidatos ao título mundial. Nem vale a pena falar da situação por que passou, com o despedimento de Lopetgui há dois ou três dias. Esta equipa nem precisa de treinador, joga assim há mais de 10 anos, como referia Fernando Santos. Nem para fazer substituições, pode sair qualquer um e entrar qualquer outro. 

A selecção nacional fez o que pôde. E nem se pode dizer que tenha podido pouco, mesmo que se tenha de dizer que Cristiano Ronaldo pôde de mais.

Começou bem, com o penalti logo aos 3 minutos. Falta cometida sobre o capitão, que converteu irrepreensivelmente. A Espanha demorou algum tempo a aquecer os motores, mas aos poucos lá foi instalando o seu tiki-taka no relvado. Nada que parecesse preocupar muito os portugueses, bem organizados, como quem sabia bem o que os esperava. De tal forma que chegou a estar bem mais perto do 2-0 que a Espanha do empate.

Logo a seguir à segunda oportunidade para fazer o segundo golo, como que a penalizar o desperdício, surgiu o golo do empate. Um golo com muita história: no contra-ataque a bola chegou a Diego Costa, que "aviou" o Pepe com uma falta evidente e ficou sozinho com o José Fonte, de quem fez gato sapato, com todo o tempo do mundo ... Que o Wlliam Carvalho lhe deu. Mais parecia que estava a fazer tudo para lá chegar só depois do brasileiro, agora espanhol, ter tudo preparado para rematar fora do alcance do Rui Patrício.

Passava pouco do meio da primeira parte, e a partir daí foi o sufoco. Só dava Espanha, e começava a cheirar a banho de bola. 

Só que quem tem CR 7 tem quase tudo. Mas se tiver um bocadinho de sorte tem mesmo tudo. E, já com intervalo ali mesmo, o guarda-redes espanhol, que não fizera - nem viria a fazer - uma defesa, defendeu para dentro da baliza o remate do Cristiano. E era o segundo, com a selecção nacional de novo na frente do marcador, à beirinha do intervalo e depois de submetida a vinte minutos de sufoco.

A segunda parte não correu nada bem, e bastaram pouco mais de 10 minutos para os espanhóis darem a volta ao resultado. No espaço de 3 minutos, aos 55 e aos 58, marcaram dois golos. Primeiro, de novo por Diego Costa, num golo "impossível" de sofrer num campeonato do mundo, na sequência de um livre a meio do meio campo, onde defensivamente tudo correu mal. E depois num golaço de Nacho, solto e sozinho à entrada da área, porque as trocas de bola da selecção espanhola em plena área tinham desmontado tudo o que era organização defensiva.

A ganhar, a Espanha continuou a fazer bem o que já há muito fazia. Só que, agora, sem necessidade de correr riscos, podia fazê-lo ainda melhor, obrigando os já esgotados jogadores portugueses a correr que nem loucos atrás da bola.

Só que lá voltamos ao mesmo: quem tem Ronaldo... A 4 ou 5 minutos do fim o Piquet esqueceu-se disso e, á entrada da sua área, fez falta ... Pois ... Sobre quem? Pois... 

Numa execução soberba, na cobrança do livre, o tal senhor fez o terceiro. Um "golão" do outro mundo. E o empate final!

No fim ficamos todos contentes. Mas fica-nos um certo sabor amargo de ver jogadores de tanta categoria, como são os que maioritariamente constituem a equipa nacional, como que castrados pela obsessão de defender, inibidos de jogarem o que podem e sabem. É certo que não é fácil para ninguém jogar contra a Espanha, e não será provavelmente muito justo tirar conclusões deste jogo. Mas lá que ficou este amargo, que nem o resultado nem a glória de Ronaldo apagam, ficou!

Sobre Cristiano Ronaldo já não há nada que falte dizer. Dizer que foi o melhor em campo, "o homem do jogo", não é novidade para ninguém, mesmo para quem não viu o jogo. Mas, se calhar, vale a pena dizer que este senhor que hoje jogou o que jogou, e que foi assobiado pelos espanhóis cada vez que tocou na bola foi, esta semana, depois de um longo período de bulling fiscal, condenado pela Justiça Fiscal espanhola a dois anos de prisão, com pena suspensa, e a pagar perto de 20 milhões de euros. 

Pois é. Um campeão é um campeão!

 

Coisas que doem*

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Foi conhecido por estes dias o mais recente Relatório de Envelhecimento da Comissão Europeia, que é publicado de três em três anos, segundo o qual Portugal será dos países europeus com maior redução de população nos próximos 50 anos, altura em que aqui no rectângulo seremos oito milhões de portugueses, praticamente ¾ da população actual. Pior, isto é, com maiores perdas de população, apenas dois países de leste - Roménia e Bulgária – e a Grécia, essa velha conhecida e companheira de rota das últimas décadas.

Claro, com esta panorâmica, o potencial de crescimento da economia portuguesa será o mais baixo da Europa. Porque, evidentemente, a economia é feita de pessoas, e são as pessoas que fazem a economia. Com menos pessoas, menos economia.

Mas nem é aí, no lado da economia, que está o lado mais dramático da realidade que está à vista de todos. Dramático é mesmo a percepção que, se o rumo não for invertido, no limite, o país tende a desaparecer. Dramática é essa ideia de falência colectiva para que fomos arrastados nas últimas décadas por elites míopes e sem estratégia.

Basta lembrarmo-nos que ainda há dois ou três anos tínhamos um primeiro-ministro que mandava os jovens emigrar, e um país rendido à irresponsável ideia da zona de conforto. Instalou-se na sociedade portuguesa uma espécie de convicção que, insistir em viver em Portugal, era recusar sair da zona de conforto. Que emigrar, sair da famigerada zona de conforto, era sinal de espírito empreendedor, na linha dos portugueses de quinhentos.

Não era. Não é. É a linha dos portugueses de 50 e de 60 que, a salto, fugiam do país para sobreviver.

É também por isso que estas notícias doem mais...

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Sem tino e sem destino*

Imagem relacionada

O país está ainda em choque com a violência de que foi palco a Academia do Sporting, em Alcochete que, em boa verdade, chocou muita gente mas terá surpreendido muito pouca.

E não, não me refiro apenas ao universo do futebol, aí não há sequer razão nenhuma para surpresas. Refiro-me a todos os que se preocupam com o país, e que se apercebem da degradação das instituições e, de uma forma geral, da nossa vida colectiva.

Um país que assiste de braços cruzados a uma dolorosa e humilhante intervenção externa, a pelo menos uma década de escândalos na banca e nas elites políticas e empresariais, incluindo um antigo primeiro-ministro e vários ministros de vários governos, a revelações praticamente diárias de mais e mais corrupção, mas que reage sistematicamente com violência a um mau resultado do seu clube de futebol, mais que sem tino, é um país sem destino.

Repare-se como, aqui ao lado, em Espanha, com múltiplos escândalos de corrupção, mas ainda longe do que se tem passado por cá, se está a assistir à acelerada dissolução da estrutura de poder das últimas décadas. As sondagens desta semana revelam que o PP e o PSOE, que sempre asseguraram o poder nos 40 e poucos anos da democracia espanhola, já não representam, cada um, mais de 19% das intenções de voto. Abaixo do Podemos, e já muito longe do Ciudadanos, à beira dos 30%.

E como, por cá, os partidos que nos têm governado, passam incólumes por entre os pingos da chuva, mantendo intacto o seu fiel eleitorado, como adeptos de futebol, o que lhes permite protegerem-se transversalmente uns aos outros. E se alguma vez assim não acontece, o prevaricador é acusado de falta de lealdade. Como aconteceu no debate parlamentar da semana passada, sem que ninguém ousasse sequer achar estranho!

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Não tem comparação!

Capa do Jornal Negócios

 

É já indesmentível que o país é procurado por empresas da nova economia, que aqui procuram e encontram condições para instalar os centros de investigação e desenvolvimento que lhes sustentam o seu negócio pelo mundo fora. A Google, já se sabia, vem aí. A Devexperts, um gigante com 6 milhões de clientes, na área das plataformas digitais para o sector financeiro, acaba de anunciar que vem para o Porto. E vêm aí mais, a acreditar no trabalho da Aicep...

Não é preciso recuarmos muitos anos para vermos o país a ser procurado por outro tipo de empresas, que aqui procuravam mão de obra barata, isenções fiscais e fundos comunitários. 

A diferença é tão grande que nem tem comparação.

Surpresa

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Arranca hoje o julgamento da Operação Fizz, que envolve o ex-vice presidente angolano e "ex-patrão" da Sonagol, Manuel Vicente. Que está provocar um terramoto nas relações entre Portugal e Angola e, por causa disso, um forte mau estar entre o poder político e o judicial em Portugal.

As razões que assistem às partes são conhecidas. O poder político em Portugal quer naturalmente evitar clivagens com o poder político em Angola, porque são muitos e fortes os interesses económicos envolvidos. Angola argumenta com o acordo judiciário assinado entre os dois Estados no âmbito da CPLP, e a Justiça Portuguesa com a desconfiança na Justiça angolana: teme que, com a trasferência do processo de Manuel Vicente para Angola, se não faça justiça.

Trata-se de um processo de corrupção envolvendo um cidadão estrangeiro, por acaso figura de topo do regime do seu país. E vem-me à memória outro caso de corrupção envolvendo cidadãos nacionais, por acaso também do topo do regime, e estrangeiros. Teve a ver com umas compras de uns submarinos. No estrangeiro foram identificados, julgados e condenados os corruptores. Em Portugal, a Justiça portuguesa não encontrou corrompidos. Arquivou tudo. Como arquivou tudo o que tinha a ver com umas fraudes com uns fundos comunitários, provadas e reclamadas pela União Europeia, que também tinham a ver com figuras gradas do regime.

Há aqui certamente alguns problemas de legitimidade. Mas há, acima de tudo, surpresa. E grande!

Surpreende que a Justiça Portuguesa não desconfie de si própria...

 

Não será por falta de jogadores...

Manuel Fernandes celebra o golo de Portugal diante da Arábia Saudita com Pepe.

 

O adversário não era um colosso do futebol mundial, mas é um dos finalistas do próximo campeonato do mundo, na Rússia. O resultado também não foi assim tão esmagador, embora pudesse ter sido. Mas foi bonito de ver esta selecção feita de estreias e de regressos. Foi bonito o que jogou, e foi bonito ver que não vai ser por falta de jogadores que não continuaremos a ter uma grande selecção. Que não será por falta de bons jogadores que a selecção deixará de praticar um grande futebol. E que não será por falta de grandes jogadores que não se fará a necessária renovação da selecção.

E não podemos deixar de pensar que futebol é este que, numa equipa de estreias - tantas que até os marcadores dos três golos (Manuel Fernandes, um regresso à titularidade dez anos depois, Gonçalo Guedes e João Mário) foram nisso estreantes - não há jogadores a actuar em Portugal. 

Sim, há uma excepção. Mas só para confirmar a regra. No onze inicial, onde até havia nomes que não conhecíamos - digam lá, quantos é que conheciam Kevin Rodrigues? - apenas Danilo joga na Liga portuguesa. O improvável Danilo, já um consagrado, e campeão da europeu em França.

Tão improvável, e tão pouco excepção, que estará por pouco...

A selecção lá vai. E a Hungria lá está...

 

 

Resultado de imagem para muros hungria

 

A selecção nacional deu esta noite, na Luz, mais um passo a caminho da Rússia. Do Mundial na Rússia, no próximo ano, porque ainda lá estará este ano, em Junho, na condição de campeã europeia a disputar a Taça das Confederações. A Suíça é que também não desarma: com mais ou menos sorte - com mais, mesmo com muita, nos dois jogos mais complicados com que teve de se haver, com a nossa selecção, e com esta mesma Hungria - segue na frente só com vitórias.

Foi uma vitória clara, e de certa forma gorda - três a zero - com uma exibição agradável, aqui e ali com excelentes pedaços de futebol. A verdade é que na primeira meia hora as coisas não correram nada bem, e só o prmeiro golo - então contra a corrente do jogo - o jogo se alterou definitivamente. Aconteceu aos 32 minutos, numa bela jogada de ataque rápido. Quatro minutos depois chegou o segundo, e a partir daí só deu Portugal. Mesmo que só tivesse dado mais um golo!

Fernando Santos voltou a confirmar o seu conservadorismo. Não é novidade que è avesso a inovações, mas também se percebe: uma equipa de selecção não é a mesma coisa que uma equipa de clube, que trabalha junta todos os dias. E os resultados dão-lhe razão.

A selecção da Hungria apenas surpreendeu por apresentar um jogador de pele mais escurinha. Ficamos sem perceber que muro terá saltado para chegar ao país... e à selecção nacional de futebol que o representa. Ou será que quem souber jogar à bola não terá problemas em entrar na Hungria?

Só duas coisas *

Imagem relacionada

 

O tema para esta semana é incontornável: o desaparecimento de Mário Soares. Incontornável e inesgotável: nunca tudo terá sido dito sobre uma personalidade que tanto marcou a História contemporânea de Portugal.

Mesmo que nem tudo esteja, nem pudesse estar dito, até porque nunca se pode olhar para a História de perto – a distância é um instrumento indispensável para a análise histórica – não vou dizer nada de novo sobre Mário Soares, sobre a sua importância para aquilo que é hoje Portugal, sobre o seu legado. Porque não seria provavelmente capaz de dizer nada de novo, nada que não tivesse sido dito e redito, mas porque também não é nada disso que quero dizer.

O que quero dizer, a propósito não de Mário Soares, mas da sua morte, são apenas duas coisas: uma de congratulação, a outra, nas antípodas, de repúdio.

Na primeira para me congratular pela dignidade das cerimónias fúnebres, como foi honrada a sua memória, e como o povo saiu à rua para lhe prestar a sua última homenagem, que nem os habituais excessos televisivos ensombraram.

Na segunda para repudiar o ódio destilado pelas redes sociais por gente escondida atrás do anonimato, a que dificilmente poderemos deixar de chamar energúmenos. Não são apenas ignorantes. São intolerantes, que não odeiam apenas Mário Soares, odeiam a liberdade e a democracia. Não sabem nada de História, nem querem saber. Não distinguem a verdade da mentira, apenas lhes interessa o que lhes convém. Não sabem olhar para a frente, só para trás.

Lembro-me de um programa televisivo, em que a Clara Ferreira Alves ia falando com Mário Soares: “o caminho faz-se caminhando”, assim se chamava. É verdade: o caminho faz-se caminhando. Mas só caminha quem quer. E esses não querem. Nunca caminham. Não saem do mesmo sítio e nunca chegarão a lado nenhum!

 

* Da minha crónica de hoje na Rádio Cister

Portugal todo numa só fotografia

 

No dia em que nos despedimos de Mário Soares, o Pedro Santos Guerreiro deu-me a dica para esta fotografia do Rui Ochoa e do Expresso, onde cabe todo um país que é o nosso. Não por Mário Soares ser a última destas figuras maiores de Portugal a partir. Nem por, muito provavelmente, se vir a juntar-se-lhes no Panteão Nacional. 

Por muito mais do que tudo isso. É toda uma simbologia que retrata Portugal. No melhor, porque são do melhor que Portugal teve. E porque, enquanto mostra a gigantesca ponte com que Mário Soares uniu o país, esconde tudo o que de pior o país é capaz de fazer aos seus melhores... 

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