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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Euro 2020 - O adeus português, no jogo de xadrez

 

Acabou-se o Euro 2020 para a selecção de Portugal!
 
Em Sevilha, onde era para nos deslocarmos em massa, a despedida portuguesa fez-se de dois jogos O primeiro, nos primeiros 45 minutos, foi de xadrez, tão ao gosto de Fernando Santos. O jogo de xadrez foi muito pouco interessante, aquilo foi pouco mais que trocar peões por peões, sem atar nem desatar. Até que quando aquilo já estava a ser demasiado maçador, a ver-se que não se saía dali, em cima do final veio o cheque-mate da Bélgica.
 
Terminado o jogo de xadrez teria que se passar ao jogo da bola. Perdido o jogo de xadrez, tinha de se ganhar o jogo da bola. Não seria fácil, até porque dizem os donos do jogo que a selecção belga é a melhor, a número um. 
 
Foi mais interessante o joga da bola que o de xadrez. Mas não foi bem jogado. A selecção nacional está muito virada para o xadrez, e tem alguma dificuldade em jogar à bola, mesmo tendo muita a gente a saber fazê-lo bem. Mas é assim, e já há muito que sabemos que é assim.
 
Claro que se poderá dizer que não merecíamos ter perdido o jogo de xadrez, e que merecíamos  ter ganho o da bola. Naquilo que são as estatísticas demos uma cabazada à Bélgica. Em remates, em remates enquadrados, em cantos… Até em posse de bola. A Bélgica fez apenas um remate à baliza - por acaso, ou talvez não, quando a selecção portuguesa jogava xadrez -, e Portugal até teve um remate ao poste. O que, como se sabe, é muito bom para a catarse nacional - foi azar. Ou, na melhor das hipóteses, foi uma questão de eficácia.
 
Talvez não tenha sido assim. Talvez tenha sido o castigo merecido para quem prefere o jogo de xadrez ao da bola. Quem aposta tudo no xadrez depois não consegue jogar à bola. Os jogadores desgastam-se a jogar xadrez, e quando querem jogar à bola já não conseguem.
 
Não. Portugal não jogou bem. Dos 24 remates (Fernando Santos já diz que foram 29) apenas três são dignos desse nome. E jogadas bem construídas, realmente passíveis de acabar em golo … não me lembro. Mas deve ser da minha memória.
 
Nem vale a pena falar das opções de Fernando Santos. Nem perguntar se João Cancelo não poderia até estar já hoje em condições de jogar, sem termos de levar com o Dalot. Vale a pena é perguntar por quanto mais tempo se vai continuar a desperdiçar o talento da actual geração de jogadores portugueses.
 
"Isto é futebol", diz Fernando Santos. Não é, não!

Euro 2020 - Lá vamos para os oitavos

Uf… Acabou!
 
E acabou até da forma mais expectável, com a selecção nacional a apurar-se no terceiro lugar do grupo F, que por pouco não foi H, de Hungria.
 
Durante o jogo, ao longo dos 90 minutos, a selecção passou por todos os lugares da tabela. Foi primeiro, foi segundo, foi terceiro e foi último. O "uf" veio daí. A emoção veio deste carrossel, muito mais do que do jogo. Que nem foi um grande jogo. 
 
Os primeiros 10 minutos do jogo foram uma espécie de pacto de não agressão. Como os últimos 10, com o cessar fogo a ser violado por Koman, a acabar numa coisa muito mais parecida com um penalti (Bruno Fernandes) do que aquele assinalado a Nelson Semedo, sobre Mbappé. 
 
Só a partir desses 10 minutos iniciais o jogo começou verdadeiramente. Com a selecção portuguesa, sem William e sem Bruno Fernandes, e com João Moutinho e Renato Sanches, naquele registo habitual de Fernando Santos, a tentar segurar a bola e fugir com o rabo à seringa da França. Depois veio o penalti, naquela saída a soco de Lloris à cabeça de Danilo, e o golo de Cristiano Ronaldo.
 
Portugal estava outra vez a ganhar, como tinha acontecido na Alemanha, estava na frente do grupo, e estava confortável naquele registo de Fernando Santos. O golo caiu mal aos franceses, andaram por ali meio perdidos e começaram a acumular amarelos. Outra ambição e outro futebol teriam tirado proveito da situação, mas não é esse o padrão, e o jogo português não encostou os franceses às cordas.
 
Já em período de descontos para o intervalo veio o tal penalti que não foi assim tão penalti, e a França empatou. E logo no início da segunda parte Benzema, que marcara o penalti, bisou. Parecia um daqueles foras de jogo, de tal forma que o "liner" até o assinalou. O VAR não, e lá estávamos outra vez a perder. E, com o que se passava em Munique, em último lugar. 
 
Ao fechar o primeiro quarto de hora lá caiu do céu mais um penalti, para novo golo de Cristiano Ronaldo a fechar o resultado. E a deixar a selecção portuguesa no segundo lugar, de que sairia já perto do fim, quando em Munique copiaram o resultado de Budapeste.
 
O empate e o apuramento para os oitavos de final são boas notícias. Mas tudo o resto são más. A equipa continua a jogar muito pouco, e não criou - nem digo uma oportunidade de golo, nem sequer pregou um susto aos franceses - uma jogada com princípio, meio e fim. E, nos minutos finais, quando empatar ou perder ia dar no mesmo, mas ganhar era em tudo diferente, foi confrangedor ver a equipa a abdicar dessa ambição.
 
Cristiano Ronaldo chegou àquilo que procurava, os 109 golos do tal iraniano. E aos 5 na competição. Mas fez o pior dos três jogos. E em boa verdade só a exibição de Renato Sanches sobressaiu. Rui Patrício salvou o empate com duas grandes defesas. Aquela ao remate de Pogba entra para o topo do álbum das melhores defesas deste Europeu. Os centrais estiveram bem, mesmo que cada um com uma falha comprometedora. Primeiro de Pepe, logo aos 13 minutos de jogo, com Rui Patrício a defender o remate de Mbappé. Depois, Rúben Dias, no golo da reviravolta de Benzema. 
 
Mas o problema não são as individualidades. Bem Fernando Santos pode mudar, como fez hoje, com uma larga série de estreias. Estreias a titular de João Moutinho e de Renato Sanches. E absolutas de Palhinha, Rúben Neves, Sérgio Oliveira e Dallot. O problema é mesmo a falta de qualidade de jogo.
 
E pronto, agora vem a Bélgica. E poderia ser a Suíça, que certamente deixaria melhores perspectivas. Mas essa fica para a França!

Um vício

Sem máscaras nem distanciamento, ingleses ocuparam a Invicta | Fotogaleria  | PÚBLICO

 

O título poderá remeter para o dia mundial sem tabaco, que hoje se assinala. Mas é outro o tema.

Quando a Primavera começa a aquecer e a anunciar que o Verão está à porta, neste ano 2 da pandemia, e Portugal reforça a sua condição de destino turístico privilegiado, agora reforçado pelas condições sanitárias que o diferenciam, percebemos melhor por que o produto turístico nacional nunca será um produto distinto, destinado a consumidores de maior exigência, de carteira mais recheada, e naturalmente de maior retorno.

Percebemos que competimos apenas no domínio do turismo de massas, afinal aquele que nos trouxe até aqui, num modelo em que o país acabou por se viciar, tudo permitindo em cedência ao vício.

Percebemos isto na abertura do país, e do Algarve em particular, há duas ou três semanas. E percebemos isto com as imagens do Porto dos últimos dias. Mas percebemos quanto isso é irreversível quando vemos a indústria a digladiar-se com promoções, e um país de cócoras, tolerando o intolerável, e incapaz de fazer cumprir aos que recebe a lei a que obriga quem cá está. Que recorda a todos os nacionais, até personalizadamente, por sms, mas que não se preocupa em dar a conhecer em momento algum aos que nos visitam.

Ainda ontem, numa reportagem passada numa televisão, pudemos ver no acesso a uma praia algarvia, lado a lado, pessoas com e sem máscara. Estendido o microfone a duas destas, duas cidadãs inglesas, responderam desconhecer ser obrigatório o seu uso. Mas que também não fazia grande diferença, porque simplesmente nunca a usariam.

Tínhamos tudo para ser um destino turístico de excelência. Mas preferimos sempre o mais imediato, e mais fácil. Estamos viciados nisso.

Fernando Santos tem um problema, ou é ele o problema?

A selecção nacional concluiu este ciclo de três jogos, em 6 dias, para o apuramento para o mundial do Qatar do próximo ano com uma vitória no Luxemburgo, mas continuando sem convencer. Sem conseguir fazer um único jogo ao nível da qualidade dos seus jogadores,  conseguindo a espaços superiorizar-se aos adversários, mas sempre sem conseguir ter os jogos controlados, oscilando entre partes do jogo deprimentes e outras relativamente aceitáveis.

Hoje, contra o Luxemburgo, que vinha de uma vitória na República da Irlanda e que já não é o bombo da festa que era até há alguns anos, confirmou todas essas oscilações, e o que de mau tinha feito nos dois jogos anteriores.

A primeira meia hora foi tão má quanto tinham sido todo o jogo com o Azerbaijão e a segunda parte com a Sérvia, e foi a equipa luxemburguesa a mandar por completo no jogo. Só à beira dos 30 minutos a equipa nacional conseguiu construir uma jogada de ataque e chegar à baliza adversária,  com João Cancelo a cruzar para o remate de Renato Sanches - novidade entre os titulares, o único jogador português da remar contra a maré da mediocridade geral da equipa, e o melhor jogador em campo - que poderia ter dado golo. Na resposta, imediata, o Luxemburgo abriu o marcador. E a equipa portuguesa abanou, ainda mais. 

Só nos últimos 10 minutos reagiu, depois da troca do desenquadrado João Felix, lesionado, por Pedro Neto, e acabou por chegar ao empate, por Diogo Jota, já no período de compensação, dois minutos depois dos 45.

No início da segunda parte manteve-se por cima do jogo, dando sequência àqueles 10 minutos finais da primeira, e cedo passou para a frente do marcador, com - finalmente - um golo do apagadíssimo Cristiano Ronaldo, invariavelmente a concluir mal. Pouco antes tinha falhado, de forma inacreditável, isolado perante o guarda-redes adversário, depois de um erro defensivo da equipa do Luxemburgo.

Pensou-se então que a vantagem daria à equipa a tranquilidade necessária para afirmar a incomparável superioridade técnica dos seus jogadores. Mas, nada disso, e esgotado o primeiro quarto de hora, já  os luxemburgueses estavam de novo por cima do jogo. O segundo quarto de hora foi todo luxemburguês, e Fernando Santos foi obrigado a reforçar o meio campo, com a entrada de Palhinha (por troca com Bernardo Silva). Em simultâneo fez também entrar Rafa para o lugar de Jota, na expectativa de aproveitar a sua velocidade nos espaços que o adiantamento do adversário libertaria.

Só no último quarto de hora a selecção nacional se libertaria da pressão luxemburguesa, acabando por chegar ao terceiro golo, por Palhinda, na sequência de um canto, assinando com um resultado aceitável uma exibição que o não foi.

Há certamente a desculpa do calendário, com três jogos muito concentrados, mais a mais nesta altura da época. E sem tempo para treinar. Mas os problemas que a selecção evidencia têm outra profundidade. E duas ordens de razões claras: falta uma ideia de jogo e faltam rotinas, mas, acima de tudo, falta uma ideia de jogo ajustada à superior valia destes jogadores, que os deixe confortáveis com o jogo; e  falta fazer da selecção uma equipa, em vez da corte de Cristiano Ronaldo, em que Fernando Santos a transformou.

O problema não é a baixa intensidade nem a lentidão que os jogadores pôem nos jogos. Isso é a consequência dos dois problemas anteriores. E não é problema dos jogadores. É do treinador!

Sim, Fernando Santos tem um problema. Ou o resolve, ou é ele o problema!

 

Um país fascinante

Suécia quer revogar acordo fiscal com Portugal. "Esperámos dois anos e a  nossa paciência terminou" - Economia - SAPO 24

 

A semana que agora termina, com mudança de hora e tudo, mostrou a quem andasse mais distraído o país que somos. Os governos que temos e o povo que somos.
Como sempre, é preciso que venha alguém de fora mostrar-nos mais claramente isso, porque, nós, cá vamos andando… Coube desta vez a tarefa à ministra das finanças da Suécia, desesperada com o incumprimento do(s) governo(s) português(es) do acordo de tributação aos cidadãos suecos residentes no país.
Mais 3 mil pensionistas suecos, de altos rendimentos, vivem em Portugal. Não tem mal nenhum, e só se lhe pode gabar o gosto. Viver em Portugal, com uma pensão catita, e sem pagar impostos, é das melhores coisas que se pode reclamar para a velhice. O governo sueco pretende que estes pensionistas paguem impostos. Lá ou cá. Mas que paguem impostos sobre os seus rendimentos de pensões. E assinou um protocolo com o governo português, que não o cumpre.
O que obrigou a ministra das finanças a perder a paciência e a dizer que "é fascinante" que os portugueses não se revoltem por ver os suecos viverem aqui com as suas ricas pensões de reforma sem pagarem um euro de IRS. E que, lado a lado com um sueco numa cama de um hospital, um português não se importe de estar a pagar para os dois, sabendo ainda que o sueco vive com um rendimento três, quatro ou cinco vezes superior ao seu.
É de facto fascinante. Já é fascinante que o governo português seja tão generoso com os cidadãos estrangeiros - e, já agora, com as empresas detidas por estrangeiros, como se voltou a ver com a EDP, e como se está a voltar a ver com o Novo Banco - e tão impiedoso com os nacionais. Ou, noutra escala, mas que também serve de exemplo, enquanto não permite aos portugueses nesta altura passar a fronteira do seu concelho, permite que turistas estrangeiros possam passear à vontade pelo país. Mas é ainda mais fascinante que os portugueses se não importem nada com isso!
É este o país que somos, que muitas vezes nos passa ao lado, e que a ministra das finanças sueca tratou de nos mostrar em todo o seu esplendor. Um país governado por quem trata os seus cidadãos abaixo de cão, com um povo que aprecia ser assim tratado.

Mau de mais

Portugal vence '10' da Croácia na despedida - Jornal Açores 9

 

A selecção nacional despediu-se hoje da Liga das Nações, em Split, com uma vitória dobre a Croácia. Uma vitória que é a única coisa positiva que sai deste jogo, disputado num péssimo relvado, impróprio para um jogo deste nível, entre os campeões europeus e os vice-campeões do mundo. 

A exibição esteve ao nível do estado relvado, imprópria para uma selecção como esta. Poderíamos pensar que uma coisa teve algo a ver com a outra, só que temos ainda bem fresca a exibição de sábado, com a França. E aí o relvado era de excelência!

O seleccionador hoje não poupou na crítica aos jogadores. Teve razão para isso, mas também com isso quis dizer que não tinha nada a ver com o que se passou no sábado passado. E se calhar teve...

Para a História fica a vitória. Fica 3-2 no resultado final. E ninguém se vai lembrar que a equipa sofreu tantos golos quantos tinha sofrido em todos os cinco jogos anteriores. Nem que dos três golos marcados, dois foram oferecidos: um pelo árbitro, o segundo, e outro pelo guarda-redes adversário, o da vitória, mesmo no fim do jogo. Nem ainda que a selecção jogou contra dez quase toda a segunda parte.

Dos jogadores utilizados salvou-se Rúben Dias, sólido a defender e goleador, a marcar dois golos, os seus primeiros na selecção nacional. E também Trincão, que entrou ao intervalo, a substituir Rúben Fernandes, uma das maiores desilusões. Já que Rui Patrício, sem qualquer tipo de trabalho, mas também muitas vezes mal a repor a bola em jogo, não é para aqui chamado. Todos os restantes, incluindo, para não dizer sobretudo, Cristiano Ronaldo, estiveram simplesmente deploráveis.

Não é um jogo para esquecer. É para lembrar como jogadores desta craveira podem facilmente constituir uma equipa confrangedora.

O "resultadismo" nem sempre resulta

Imagem

 

O novo confronto de campeões, do mundo e da Europa, desta vez em Lisboa, na Luz, foi um jogo em espelho relativamente ao de Paris, há dois meses, com os campeões do mundo a retribuírem o que então a selecção nacional lhes fizera.

Pareceu que Fernando Santos, com o seu ADN resultadista, procurou jogar para o mesmo resultado de Paris, que provavelmente daria para voltar a apurar a selecção portuguesa para a final four desta Liga das Nações. Só que a selecção francesa sabia evidentemente disso, e que, face ao critério de desempate (numa competição disputada em poule, de todos contra todos, é bizarro que o primeiro factor de desempate entre duas equipas com os mesmos pontos seja o dos golos marcados fora de casa nos jogos entre si) teria de marcar um golo.

E mesmo sem a sua estrela maior - Mbapé - procurou-o, enquanto a equipa portuguesa assistia. Dominou completamente o meio campo, com os seus centro-campistas, do melhor que há, a gozarem de toda a liberdade. A equipa francesa teve mais bola, jogou mais e só não marcou porque Rui Patrício, por duas vezes, e o ferro da sua baliza, noutra, o impediram. E o nulo ao intervalo era bastante lisonjeiro para a selecção portuguesa.

No arranque da segunda parte as coisas pareciam vir a ser diferentes. Não que se acreditasse que a equipa portuguesa tivesse deixado no balneário o chip do 0-0, apenas porque Fernando Santos e os jogadores perceberam que não podiam continuar a entregar o meio campo aos franceses. O meio campo da selecção nacional passou a marcar melhor os adversários, passou a ganhar bola, e a equipa passou a jogar mais em cima da área de Lloris.

Só que logo aos 10 minutos, na primeira vez que os franceses chegaram à baliza portuguesa, marcaram, numa das duas falhas de Rui Patrício, que não segurou uma bola que parecia fácil, soltando-a para Kanté fazer o golo que a França tanto procurara na primeira parte. E aí acabou o jogo. Os campeões do mundo tinham atingido o seu objectivo!

Fernando Santos foi introduzindo jogadores, uns atrás dos outros, e jogou até muito tempo com quatro avançados. Poderia até ter chegado ao empate, num remate de cabeça de José Fonte ao poste, ou noutro de João Moutinho, que entrara para o lugar do William Carvalho, evitado por uma grande defesa de Lloris. Pouco, se compararmos com tudo o que os franceses fizeram.

E muito pouco se olharmos para a qualidade dos jogadores portugueses. Que mais uma vez pareceram castrados pela estratégia do resultadismo, na saga do empate a empate até à vitória final.

É certo que a regra é perder com a França. Só por uma vez, e já há mais de 70 anos, a jogar em casa, Portugal marcou à França. Mas com estes jogadores a História tem que ser outra!

Campo esticado e jogão de Diogo J

 

Num jogo - de novo em Alvalade e com público (5 mil espectadores pouco participativos) - em que fez coisas muito boas, mas que raramente conseguiu controlar, a selecção nacional cumpriu a sua obrigação de ganhar à Suécia. Como a França também ganhou (2-1), na Croácia, ambas continuam a par no topo da classificação do grupo, mesmo que a selecção nacional continue na liderança, por ter marcado mais golos marcados (9 contra 7 dos franceses) e menos sofridos (apenas 1, contra 3 dos gauleses), coisa que poderá não valer de nada, já que é apenas o último dos factores de desempate.

É frequente que as equipas menos dotadas, como é claramente o caso da actual selecção sueca em relação à portuguesa, encolham o campo para, com ele mais pequeno, mimetizarem as suas fraquezas. Recolhem-se lá atrás, e o jogo decorre em apenas 40 ou 50 metros, com muito menos espaço para o adversário exibir os seus talentos. No jogo de hoje a Suécia fez precisamente o contrário - esticou o campo. 

A equipa nacional nunca se entendeu com isso. Esse posicionamento adiantado dos jogadores suecos resultou, como não poderia deixar de ser, mais espaço para jogar. Só que para o ocupar a equipa sueca apostou em partir o jogo, e criou problemas inesperados aos jogadores portugueses. Um jogo partido é sempre difícil de controlar. Foi o que aconteceu.

Se as coisas correm mal, é o diabo. Valeu que não correram mal. Valeu que a equipa sueca não foi nem feliz nem eficaz, e a melhor qualidade dos jogadores portugueses acabou por resolver o jogo. Mas nem sempre assim sucede.

A selecção nacional chegou ao primeiro golo na sua melhor fase do jogo, por volta dos 20 minutos, quando já emergia a exibição de Diogo J, que assistiu primorosamente Bernardo Silva para um belíssimo golo. O segundo, e primeiro de Diogo J a passe (soberbo)  de Cancelo, chegaria mesmo em cima do intervalo, mas já quando a equipa não tinha o jogo controlado.

Como continuou a não ter na segunda parte. Até chegar ao terceiro golo, de novo do novo jogador do Liverpool, numa espectacular jogada individual depois de um passe científico de Wlliam Carvalho. Faltavam 20 minutos para o fim, e aí sim. A selecção sueca caiu, e a portuguesa pôde finalmente mandar no jogo. E selar com mérito esta importante vitória.

E daqui por um mês tudo se resolverá, quando recebermos a França na Luz. Ou talvez não, se o resultado do passado domingo em Paris se repetir. Mas só nesse caso!

Uma selecção respeitada

Desta vez, não houve Éder. Portugal e França seguem 'coladinhos' no topo

 

No cartaz desta terceira jornada do apuramento para a fase final da Liga das Nações sobressaía o confronto entre os campeões do mundo e da Europa. Bastava isso para legitimar grandes  expectativas para este jogo no Stade de France, em Paris. É certo que poderiam baixar significativamente se, em vez de olhar para o jogo sob essa perspectiva, se reparasse que era também uma repetição dessa inesquecível final do Europeu de há cinco anos. 

Desse jogo guardamos na nossa memória a vitória, que deu esse título europeu que Portugal ainda ostenta porque, como se sabe, a competição que deveria ter decorrido no início do último Verão, não se realizou. Mas lembramos também as exibições dessa selecção nacional resultadista, mas pouco brilhante. 

Pois. O jogo de hoje foi um jogo entre o campeão mundial e o campeão europeu. Aquela selecção nacional encolhida, que entrava em campo para se defender do jugo do adversário que dava por adquirido,  quase de subserviência - essa tal que o seleccionador Fernando Santos no "pré-match" distinguiu da humildade, mas que nem sempre é assim tão distinta - já não existe. E se outros méritos este jogo não tivesse tido, bastar-lhe-ia ter permitido chegar a esta conclusão. 

Finalmente a selecção nacional consegue jogar um futebol compatível com a qualidade dos jogadores de que dispõe. Viu-se isso durante toda a primeira parte, onde a selecção nacional assumiu o controlo do jogo, e foi claramente superior à francesa. Não criou grandes oportunidades de golo, é certo. Mas também não as consentiu ao adversário, e teve a bola e jogou-a com qualidade. E impõe respeito aos adversários. Nunca se tinha visto uma selecção francesa entrar num jogo com Portugal com tanto respeito,.

A segunda parte foi diferente. O meio campo da equipa nacional decresceu de rendimento, enquanto os dos franceses evoluiu  em sentido contrário, e os franceses tiveram mais bola, e passaram a estar por cima do jogo. Nunca no entanto a subjugar. E, num jogo com poucas oportunidades de golo, a maior parte delas até acabou por pertencer à selecção portuguesa.

O apuramento para a final a quatro está em aberto.  Nada está decidido e a até Croácia, vice-campeã do mundo, que ganhou à Suécia, tem ainda condições para o discutir. Com as melhores selecções da Europa concentradas em apenas quatro grupos, de que apenas uma se apura, o apuramento terá sempre muito de circunstancial. Bem mais do que isso é a confirmação da selecção portuguesa no topo europeu. Onde afinal já estavam alguns dos seus jogadores.

Compatibilidades

Portugal entra na Liga das Nações com vitória convincente sobre a Croácia -  O Jogo

A selecção nacional de futebol iniciou hoje a participação na Liga das Nações, no Dragão, precisamente onde, há pouco mais de um ano conquistou o troféu da última edição da competição. Que até foi a primeira.

Num grupo que junta o campeão e o vice-campeão do mundo, e o campeão da Europa e da própria Liga das Nações - justamente Portugal -, e ainda a Suécia, o apuramento para a fase final será bem discutido, e o cartaz de jogos rico e apetecível.

Começou a Croácia, a vice-campeã do mundo, e senhora de um futebol atractivo de bom nível técnico. Desfalcada de três dos seus nomes mais sonantes - Modric e Rakitic fora da convocatória, e Perisic no banco - a selecção das Balcãs entrou bem no jogo, e pertenceu-lhe até o primeiro remate do jogo. E logo um remate a sério. 

Depois a selecção nacional, sem Cristiano Ronaldo, começou por equilibrar o jogo - não durou mais que um quarto de hora essa sensação de equilíbrio - e passou depois a dominá-lo por completo. E até ao fim!

Quando João Cancelo marcou o primeiro golo, aos 41 minutos -e que golo! - já a bola tinha ido por três vezes aos ferros da baliza croata, e para trás já estavam cinco ou seis oportunidades de golo.  O jogo correu sempre a um ritmo relativamente baixo, e com baixos níveis de agressividade - na primeira parte as duas equipas não cometeram mais que cinco ou seis faltas - o que favoreceu claramente o jogo da equipa nacional, com os jogadores portugueses a terem tempo e espaço para exibir o talento que reconhecidamente lhes não falta.

Foi por isso um jogo agradável de ver, com jogadas de bom recorte técnico, e com a equipa das quinas - a estrear o novo equipamento alternativo que, de gosto discutível, mas não feio de todo - a praticar um futebol compatível com a qualidade dos jogadores. O que, com Fernando Santos, como se sabe, nem sempre acontece. Diria mesmo que raramente acontece.

O jogo acabou para dar para tudo. E até para matar saudades do futebol de João Félix. E para João Félix matar saudades de si próprio, finalmente numa equipa que lhe permite expressar o seu futebol.

O resultado poderia ter atingido números vexatórios, e a expressão da goleada (4-1, com estreias a marcar de João Félix e Diogo J, e com o golo de André Silva no último lance do jogo a atenuar o golo sofrido, na única oportunidade dos croatas) acaba por ser lisonjeira para o vice-campeão do mundo.

Não é politicamente correcto mas, mais uma vez, fica a ideia que a selecção joga muito melhor futebol sem Cristiano Ronaldo. Não retira nada a Cristiano Ronaldo, nem apaga nada do muito que ele fez pela selecção, mas acontece demasiadas vezes para ser apenas coincidência. 

Mas sabe-se que é pecado questionar se nesta altura Cristiano Ronaldo tira mais à selecção do que lhe dá. E ninguém está para pecar. Muito menos Fernando Santos, como se sabe!

 

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