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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

A partir de agora é que é a sério...

Por Eduardo Louro

 

Tal como ontem, frente ao Arsenal, o Benfica sofreu três golos em dez minutos e afundou. Depois de uma primeira parte que nem foi má de todo, e donde, através de um golo logo aos dois minutos – o primeiro de Derley –, até saiu a ganhar.

Logo no arranque da segunda parte entraram Rodrigo e André Gomes…para o Valência. Para o Benfica entrou uma invenção chamada Luís Filipe, e saiu João Cancelo. Pode parecer um pormenor, mas não é. O Valência começou a jogar à bola e o Benfica sem ninguém a defender o flanco direito. E o Artur regressou à sua verdadeira condição de guarda-redes sem ponta por onde se pegue, com dois frangos monumentais…

Para que a equipa voltasse minimamente a estabilizar e limitar os danos, Jesus teve de retirar do campo esse tal de Luís Filipe, uma contratação que é um verdadeiro atentado à inteligência dos benfiquistas, e de chamar André Almeida, que jogava a trinco, para o lado direito da defesa.

E assim se junta à destruição da equipa, a destruição de qualquer réstia de equilíbrio emocional aos jogadores, que saem da pré-época completamente de rastos. E de repente se dá cabo do prestígio internacional que tanto custou a recuperar…

Ah... E o Jara lá vai continuando a sua saga... E o Jesus o seu festival de comunicação!

E no meio disto tudo a BTV lá vai tentando lavar o cérebro a quem gosta de se deixar lavar… Ou levar!

E pronto, a partir de agora é a sério. Mesmo que até agora também devesse ter sido...

 

Surreal

Por Eduardo Louro

Arrisco garantir que, desde o longínquo Verão (quente) de 1993 - há 20 anos -, o Benfica não passa por uma pré-época tão estranha. Foi, e continua a ser, Cardozo. Foi, e é, Oblak. Foi Roberto, que afinal regressara sem que ninguém soubesse, para voltar a ser vendido por mais milhões que ninguém percebe, transformados em metade do passe de um jogador que nem chega a entrar no Seixal: Pizzi, um jogador de 12 milhões de euros que pretendia continuar no futebol espanhol. E que, talvez por isso, foi direitinho ao Espanhol, de Barcelona.

São os números que se anunciam ter de ser feitos em vendas... E é - sem que nada nos faça supor que se fique por aqui - Fariña, o jovem (22 anos) e promisor médio argentino contratado há menos de um mês - dizia-se que em saldo por estar em final de contrato - por 2,3 milhões de euros. Que, se calhar por ter dito que "o Benfica é o maior clube da Europa", foi, sem ter feito um único de tantos jogos de pré-época, emprestado para... o Dubai. Exactamente, nem mais nem menos que para o Banyas Futebol Club, onde irá evidentemente encontrar as melhores condições de progressão e crescimento para valorizar um jovém de 22 anos...

Surreal!

Continua a desafiar-se a lei de Murphy... Dir-se-á que esse Verão quente de há vinte anos acabou em título. É verdade. Tão verdade como ter sido o do canto do cisne: o último do tempo em que o Benfica ganhava, e o primeiro (de três, em 20 anos) do tempo em que deixou de ganhar...

Futebolês #36 Pré-época

Por Eduardo Louro

   

 

Tal como há a época balnear, agora no auge, a época de saldos - que já não safa ninguém da crise –, a época tauromáquica - mesmo na Catalunha onde a época é, mais do que nunca, de contestação a tudo o que possa cheirar a hispânico -, ou a época da caça, que apesar de também já contestada lá vai sobrevivendo, também há a época do futebol.

O que nenhuma das outras tem é a pré-época. Têm defeso, mas não pré-época!

A época do futebol, a mais longa de todas, vai de Agosto e Maio. A pré-época é assim como que um período antes da ordem do dia, que se espalha pelo mês de Julho, mesmo nos anos em que há fases finais de europeus ou mundiais. Ano sim, ano não!

 A pré-época consegue ainda ser mais animada que a própria época. Só encontro paralelo na maternidade: quando ser pré-mamã é muito mais animado que ser mamã. Calma, falo apenas de animação!

São as contratações dos grandes craques todos os dias nas primeiras páginas dos jornais que, evidentemente, precisam de vender e sabem muito bem como é que isso se faz. São as vendas das nossas jóias da coroa, bem seguras pelas famosas cláusulas de rescisão que entraram na moda em tempo de vacas gordas mas que não servem para nada quando as vacas são magras.

Alguns ainda tentam uns artifícios para aproximar o preço de venda ao da cláusula de rescisão, mas nem assim.

O Sporting, que nunca deixara sair Veloso e João Moutinho, agarrado a cláusulas de rescisão de gente grande, acabou por deixá-los passar do prazo de validade. Um apodreceu mesmo, ao que se disse! O Porto está agora a repetir em dose dupla a experiência de Quaresma de há dois anos. O Benfica lá deixou ir o Di Maria por valores bem abaixo da dita, a lembrar também a saída da última jóia – o Simão! O Ramires não tinha cláusula de rescisão, aí nem foi necessário invocá-la. Como metade do passe já tinha sido vendido a uns tipos cujo negócio é números, tinha que se lhes fazer a vontade. Sob pena de, na próxima curva de aflição, não haver ninguém disposto a antecipar uns cobres

A pré-época do Benfica fica, no entanto, indiscutivelmente marcada pela polémica em torno do novo guarda-redes – Roberto – que o futebolêsaqui abordou. Não se fala mais nisso, pronto. Até porque uns tipos lá na Sport TV, a pensar que ninguém os ouvia, também resolveram brincar com isso e o Benfica não gostou. E a Benfica TV ainda menos!

Mas também fica marcada pela necessidade de alterar a matriz táctica e a estratégia de jogo. Porque o Di Maria lá foi, a tempo e horas, para o Real Madrid de Mourinho e o Ramires já está, a esta hora, em Londres. No Chelsea de Abramovich. Foram-se os jogadores das alas. Claro que ainda por cá está o Fábio Coentrão, que corre o risco de, depois da revelação da época passada a lateral esquerdo, se transformar na revelação desta época na ala esquerda. E fica ainda marcada pelo ponto final na discussão de Cardoso: sem ele não há golos. Com ele parece que marcar golos é mesmo a coisa mais fácil do futebol. Sem ele é a mais difícil!

A pré-época do FCP fica marcada pela contratação da maçã podre e pela pose dos seus números 2 e 3 junto da caixa registadora. Pose abandonada agora pelo capitão Bruno Alves, rumo á longínqua Rússia. Para o Raul Meireles é que não há fumo branco!  

Também por mais um roubo ao Benfica – o miúdo colombiano, James Rodriguez. Mas há ainda quem ache que fica marcada pela contratação de mais um novo craque, um brasileiro de 20 anos, Walter de seu nome. Que permaneceu umas largas semanas no Porto sem assinar nem dar sinais de vida. Eu não acho: é que, como o moço é analfabeto – veio do Brasil sem saber ler nem escrever – apenas esteve a aproveitar as novas oportunidades e a aprender a escrever o nome, para então poder assinar o contrato.

Mas a marcar mesmo a pré-época portista ficará seguramente a saída do Vítor Baía! Veremos!

A pré-época Sporting fica antes de mais marcada pelo sucesso das vendas de Moutinho e Veloso, dois objectivos perseguidos há alguns anos. Um sucesso que começou a ser preparado logo no arranque da pré-época quando a nova equipa técnica, sob a batuta firme do director desportivo, atacou o problema que bloqueava toda a máquina do futebol leonino: a questão do capitão de equipa!

Mas seria injusto se não referenciasse como a principal marca da pré-época do Sporting a preparação não de um, não de dois, mas de três sistemas de jogo alternativos. É isso mesmo. O Paulo Sérgio conseguiu implementar três sistemas tácticos na equipa. O adversário nunca saberá o que vai encontrar. Os treinadores adversários não farão outra coisa que não seja correr atrás da táctica do Sporting, sempre em mudança. Quando, no primeiro Benfica-Sporting, virem o Jorge Jesus andar a correr ao longo da linha lateral já sabem: anda a correr atrás da táctica do Paulo Sérgio!

O problema é que em Alvalade parece que não dão assim tanto valor à paleta de tácticas. Ainda vamos na pré-época e não há quem os convença a parar com os assobios. Quando chegar ao Natal...

Mas eu não acompanhei apenas a pré-época em Portugal. Também dei um saltinho a França! E gostei mesmo da pré-época do Paris Saint Germain, o PSG do nosso Pauleta! Confesso que gostei do que fizeram…

E, já agora, repare-se nos mercados dos três grandes: o Benfica vendeu para o Real Madrid e para o Chelsea. O Sporting, para o Porto e para o Génova. E o FCP para o Zénit, da antiga cidade de Lenine. É sintomático! Apenas o glorioso tem acesso ao primeiro mercado!

E pronto, a pré-época chegou ao fim – aí está, com a supertaça, a nova época 2010/2011. Já amanhã. Eu gostaria que começasse bem. Pelo menos sem pedras! E sem isqueiros! E sem vidros partidos...

 

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