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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

A partir de agora é a sério

Benfica sofre primeira derrota da pré-época frente ao Fulham, de Marco Silva

Sabia-se que o Fulham, de Marco Silva, seria o adversário mais forte que o Benfica encontraria nesta pré-época. Uma equipa do meio da tabela da Premier League é sempre um adversário forte para qualquer equipa. 

A primeira parte do jogo que acabou de terminar no Estádio do Algarve - cheio (tanto quanto foi permitido) de benfiquistas - deixou a ideia que a equipa londrina é mesmo mais forte que a do Benfica, que nos deixara eufóricos com aquela exibição e aqueles 5-0 perante o Feyenoord, no domingo passado. Tudo é relativo, como se sabe. Mesmo no futebol.

Por isso, na primeira parte, vimos um Fulham com uma defesa intransponível e com um contra-ataque demolidor. Marcou o golo num lance (que começa com uma falta não assinalada sobre o Bah) em que chegou à área de Trubin com quatro para dois, e teve ainda mais duas oportunidades em que poderia ter marcado. E um Benfica com bola, mas sem argumentos para contrariar o poderio do adversário. Sem conseguir sequer uma única ocasião de golo, um único remate digno desse nome. 

O Benfica da segunda parte provou que o Fulham nem é assim tão forte, nem é sequer mais forte. Que a sua defesa é ultrapassável em movimento, e que o contra-ataque é anulado com a pressão certa e o posicionamento correctos.

Com os mesmos jogadores - as trocas de Tomás Araújo (que fizera uma boa primeira parte, os erros tinham vindo de Morato que, bem, Roger Schmidt manteve em campo) por António Silva, e de Beste por Carreras não mexeram no essencial, nem na estrutura, da equipa - foi outro Benfica que entrou para a segunda parte. Dominou o jogo, criou uma mão cheia de oportunidades para marcar, e apresentou belos nacos de futebol. Que só não foram mais constantes e prolongados pelas sucessivas interrupções do jogo. Juntando a pausa para hidratação às da inúmeras substituições, nunca houve 10 minutos seguidos de futebol.

Por isso, no fim, prevaleceu o golo que Iwobi marcou na primeira metade da primeira parte. Por isso e porque Prestianni - mais uma belíssima exibição - voltou a não ter uma pontinha de sorte (num dos remates a bola bateu num poste, foi bater no outro, e não quis entrar), porque o árbitro não viu um penálti sobre o Bah, Leno defendeu tudo (os remates de kokçu e Matim Neto eram de golo), e quando foi ultrapassado (por Aursenes) teve um companheiro de defesa a tirar a bola de entro da baliza.

No último jogo da pré-época, a primeira derrota. E o primeiro jogo sem marcar. Mas a confirmação que há ovos. Muitos, e bons, para fazer boas e variadas omeletes. De um chef  não se pode falar de falta de dedo para a cozinha!

Em honra de Eusébio

Benfica marca quatro em 18 minutos e conquista Eusébio Cup com goleada ao Feyenoord

A Eusébio Cup voltou a homenagear o King, na Luz, como deve ser, com mais de 54 mil benfiquistas nas bancadas.  Foi mais uma oportunidade de honrar a memória do nosso imortal Eusébio, mas foi também o quinto jogo desta pré-época, com uma primeira parte de grande nível, com um grande futebol, e com 18 minutos de uma eficácia rara. Quatro golos, em quatro oportunidades!

Todos obra das novidades desta pré-época: Prestiani, Pavlidis (por duas vezes) e Beste. Este num livre - outra novidade, temos de volta um jogador para as bolas paradas - que desviou num adversário e traiu por completo o guarda-redes do Feyenoord, o adversário desta Eusébio Cup, atropelado pelo vendaval de futebol do Benfica. 

O quarto golo, aos 18 minutos, fechou o resultado. Mas não fechou as portas por onde entrava aquele vendaval. Esse continuou até ao intervalo, a gerar novas oportunidades (como aquela bola de Prestianni na barra), com a equipa de Roterdão completamente atordoada com as recuperações de bola de Tomás Araújo, Morato e Florentino, a circulação de bola de Leandro Barreiro, João Mário e Aursenes, as entradas de Bah e Beste, a magia de Prestianni e a competência técnica e posicional de Pavlidis.

Na segunda parte foi diferente. Era virtualmente impossível que não fosse. E não apenas pelas substituições, de um lado e de outro. A equipa do Feyenoord conseguiu equilibrar o jogo, teve mais bola, rematou até mais. Ainda assim foi com naturalidade que, à beira do fim, Arthur Cabral, fixou o 5-0 final.

Hoje o futebol do Benfica apresentou mais qualidade que nos jogos anteriores, mas tudo o que há para concluir deste jogo já dera para concluir dos anteriores. Que Pavlidis é o ponta de lança que encaixa no futebol da equipa. Que Prestianni não é um miúdo de 18 anos, para rodar por lado nenhum. É um craque de 18 anos para jogar no Benfica. Provavelmente por pouco tempo. Que há miúdos de muita qualidade no plantel, que terão de ser aproveitados e geridos. E que não voltaremos a ver o João Neves com o manto sagrado por dentro dos calções!

 

Não é bom perder, mas ...

Benfica derrotado pelo Burnley em Lisboa

E ao quinto jogo (de preparação) o Benfica perdeu. Com o Burnley, da Premiere League, no Restelo. E, também pela primeira vez, não marcou.

Nunca é bom perder, mais a mais quando na época passada se sucederam jogos e meses sem perder. Mas, se perder nunca deveria ser um drama - mas é! -, perder nestes jogos de preparação dá sempre para relativizar. 

Roger Schemidt seguiu à risca as normas que determinou para esta pré-época: um onze na primeira parte, e outro, completamente novo, na segunda. E regressou à norma do da primeira parte ser constituído pelos prioritários, desta vez já com Aursenes e Kökçü, e o da segunda pelos outros.

Só que desta vez a diferença de desempenho do primeiro para o segundo foi bem mais evidente. Tanto que aquela ideia de um plantel profundo, com duas opções de idêntica valia para a maioria das posições, ficou um pouco abalada. Do onze da segunda parte, hoje, não mais que três ou quatro jogadores mostraram poder aspirar a ser opção, e nem sequer regular, para o onze titular. E, à excepção de Ristic, nem esses - Neres, João Neves (a experiência a lateral direito não correu nada bem) e Florentino - estiveram propriamente à altura.

Mas pode ser que tenha sido só um jogo menos conseguido para a maioria dos jogadores escalados para a segunda parte.

Claro que o adversário também conta, e este Burnley, de Vincent Kompany, a antiga estrela belga do Manchester City, mostrou ser uma equipa forte e muito competitiva, como é próprio da Premiere League.

Mas o que nos interessa é o Benfica, e a verdade é que tem equipa mais que suficiente para ganhar a este Burnley. E que poderia perfeitamente ter ganhado. Jogou e criou oportunidades suficientes para isso mas, porque as desperdiçou todas, e porque o (excelente) guarda-redes Muric defendeu tudo, muitas vezes em modo milagre.

A equipa da primeira parte, com os prioritários, lidou bem com a pressão no campo todo da equipa inglesa - a lembrar o que aí vem, já dentro de poucos dias - e conseguiu, com muitos momentos de magia, anular essa pressão e construir belos lances de futebol, e suficientes oportunidades de golo para sair para o intervalo com vantagem de dois ou três golos.

 A da segunda parte até nem lhe ficou atrás no que respeita a criação de oportunidades de golo. No resto sim, ficou bem atrás. Especialmente nas que consentiu, e que acabaram em golo. Nos dois com que os ingleses ganharam o jogo, ambos resultantes de erros graves. O primeiro de erros de muita gente, mas também de processo. O segundo, por um erro inaceitável de Samuel Soares.

Não é bom perder. É mesmo muito mau. Mas se der para tirar conclusões que venham a ser úteis no futuro próximo, dá para relativizar.

Teste perfeito

No segundo e último jogo do Torneio do Algarve - que se iniciou com o minuto de silêncio pela morte de Jacinto, talvez o mais esquecido daquela fantástica equipa dos anos 60 do século passado -, e quarto de preparação para a nova época, com o Celta, de Vigo e agora de Rafa Benitez, que sucedeu a Carlos Carvalhal, Roger Schemidt optou por alterar o que vinha sendo a lógica de constituição dos onzes nos jogos anteriores.

Nesses tinha apresentado na primeira parte uma equipa com os que aqui chamei jogadores prioritários e, na segunda, outra com os outros ... que contam. Ontem, no segundo jogo em dois dias, também mudou a equipa por completo ao intervalo, mas já uma e outra foram mistos das opções anteriores. 

Na primeira parte, Samuel Soares foi o guarda-redes. Na segunda, Vlachodimos. Os laterais foram os prioritários, Bah e Jurásek, com João Vítor (de novo a deixar boa impressão e uma inovação táctica na transição defensiva) e Ristic na segunda parte. As duplas de centrais foram nova, com Tomás Araújo e Morato, ficando Lucas Veríssimo e António Silva, com a novidade de o miúdo jogar na esquerda, para a segunda parte. No meio campo a mistura foi completa, com João Neves, Aursenes, Chiquinho e João Mário e, na frente, Rafa e Gonçalo Ramos, na primeira parte. E, na segunda, com Florentino, Kokçu, Neres e Di Maria, no meio campo, e Musa e Tengstedt na frente.

O adversário constituiu um bom teste. Rafa Benitez nunca consegue apresentar um futebol entusiasmante, nem mesmo quando dispõe de grandes equipas (e daí o seu no Real Madrid), mas é um autêntico mestre a montar as suas equipas. É a partir daí que tem atingido o sucesso, e isso é mais valia clara em equipas da classe média

O Celta que, teoricamente, na Liga Portuguesa estaria pelo nível do Braga, e na disputa de lugares entre o terceiro e o quinto da classificação, confirmou isso. E foi, como dizia, um bom teste, num jogo muito disputado e com poucos espaços.

O Benfica foi sempre melhor, e nunca permitiu ao adversário oportunidades, nem grandes nem pequenas, de ameaça. Mas, na verdade, na primeira parte não construiu mais que uma oportunidade para marcar, num cruzamento de Bah que Gonçalo Ramos não conseguiu desviar para a baliza, aos 27 minutos. Dominou, foi melhor, mas a estratégia de Benitez foi sempre suficiente para anular as melhores intenções dos encarnados, e em especial de Rafa e Gonçalo Ramos.

Na segunda parte foi diferente, mesmo que, nos minutos iniciais, a exemplo do que sucedera na primeira, o Celta tenha entrado a pressionar ainda mais o portador da bola, e a fase de construção do Benfica. Com Di Maria a continuar a brilhar, num reportório inesgotável, a equipa foi tomando conta do jogo e somando oportunidades de golo.

Umas quatro ou cinco, ainda antes do remate de Lucas Veríssimo à trave, já á entrada dos últimos 10 minutos. O primeiro golo surgiria apenas já em cima do minuto 90, num penálti cobrado (com a habitual classe) por Di Maria, a penalizar uma falta sobre Tengstedt, três minutos antes, que o árbitro tinha deixado passar (até nisso, no por(maior) da arbitragem, foi um bom teste), mas o VAR não.

E o segundo logo na reposição de bola em jogo, com Musa a intrometer-se, a ganhar a bola, a correr para a baliza, a suportar a carga do adversário (teria sido - ou não! - novo penálti se se tem deixado cair) e a concluir com classe. Tudo perfeito!

Até a expressão dada ao resultado, assim bem mais próxima do que se passara no campo!

Hino da alegria

Hoje, no Estádio do Algarve, o Benfica realizou o terceiro jogo da pré-época, contra a equipa de Ronaldo, a contar para o Torneio do Algarve, que junta ainda o Celta de Vigo. Que no primeiro jogo, no início da semana, goleou o Al Nassr (5-0), e defrontará amanhã o Benfica.

E ao terceiro jogo, a magia do futebol encarnado continua a encantar-nos. A divertir-nos, e a divertir os jogadores. Felizes, e também eles encantados com o futebol que produzem.

Di Maria é o dínamo da alegria com que jogam estes jogadores às ordens de Roger Schemidt. Apostaria que nunca se terá sentido tão feliz a jogar futebol, como se estivesse a jogar à bola com os outros miúdos lá no bairro pobre de Rosário. Foi o chefe da orquestra no "hino da alegria"que foi a primeira parte. 

Marcou o primeiro, a meio da primeira parte, quando o Benfica já tinha desperdiçado quatro boas oportunidades para marcar. A primeira, no entanto, até coube à equipa dos petrodólares, e da ditadura saudita, logo nos primeiros segundos, num remate que João Neves desviou, quase acabando a trair Odysseas. Ficou-se por aí a equipa de Ronaldo. Por aí e por uma agressividade que chegou a passar das marcas. Cristiano Ronaldo acabou por ser notado pela maldade que Di Maria lhe fez, pela falta com reagiu, e pela vontade de marcar o seu primeiro golo ao Benfica. Nem que fosse de penálti. É pena, mas foi por aí que mais se notou.

Do recital da primeira parte ficaram três golos - o de Di Maria, e mais dois de Gonçalo Ramos - em 10 oportunidades claras. E o golo da equipa saudita, num aproveitamento do deslumbramento dos jogadores do Benfica, ditado por um excelente passe de Talisca, ainda um dos poucos jogadores da milionária equipa a merecer algum destaque. O outro foi Marcelo Brozović, recém-chegado do Inter, mais pela dureza com que entrou sobre Rafa e Di Maria, mas também pelo que, aqui e ali, conseguiu produzir. 

Para a segunda parte Roger Schemidt mudou de novo toda a equipa. Desta vez foi todo um onze novo. Até Odysseas deu o lugar a Samuel Soares.

Neste onze, dos prioritários para Schemidt, apenas Aursenes (novamente), João Mário e Florentino. A "música" não foi a mesma, mas nem por isso as ideias foram outras. O mesmo futebol, bonito de ver, apenas um bocadinho menos empolgante. Até o mesmo desperdício.

Não fora isso, e o resultado não se teria ficado por apenas mais um golo, de Schjelderup, o miúdo que começa a aparecer. Até porque também nesta equipa da segunda parte não houve elos mais fracos. Ristic confirmou o que tem prometido, e João Vítor até já parece lateral direito. Lucas Veríssimo parece a caminho do regresso e Tomás Araújo confirma-se a cada jogo. 

E é isto. O Benfica joga que se farta, cada vez mais bonito, e o plantel dá garantias. A dinâmica está lançada. Se ainda for possível melhorar, óptimo. Se não, só é preciso não estragar!

"E isso nos envaidece..."

Benfica vence Basileia sem problemas no segundo teste da pré época. Di María, Jurasék e Gonçalo Ramos marcaram

E ao segundo jogo (de preparação) o regresso de Di Maria... A sério, com a bola nos pés, de camisola 11 vestida. E como assenta que nem uma luva nesta equipa, e neste futebol do Benfica, acrescentando-lhe magia e classe. Classe pura!

Em Basileia, no St. Jakob-Park vestido de vermelho e completamente mergulhado na onda benfiquista, o Benfica 2023/2024 mostrou-se pela segunda vez. E como gostamos do que vimos!

Na primeira parte, com um onze próximo do que serão as opções prioritárias de Roger Schemidt, vimos um Benfica já bem próximo do esperado. De muito bom nível, a deixar crescer água na boca. Se é assim ao segundo ensaio, como será a estreia?

A expectativa é grande, mas ... é preciso que até lá não saia ninguém daquela gente. 

Dos que vêm da equipa que foi campeã há dois meses - e eram 8 daqueles 11- nada de novo. Todos ao seu nível. Faltava Otamendi, mas lá estava Morato. E como esteve, impecável e imperial. Faltavam Aursenes e Neres, reservados para a segunda parte. Lá estavam todos os outros - Vlachodimos, Bah, António Silva e João Mário como se não tivessem tido férias; Gonçalo Ramos, agora de 9 nas costas, como se nada se esteja a passar, e Rafa como se não tivesse sido metido na telenovela deste Verão.

Depois lá estava Jurásek, que nem parecia em estreia. E a estrear-se com um golo. E que golo, aquele terceiro!

Kokcu já se tinha mostrado, e foi o primeiro logo a tentar o golo. Aquele futebol geométrico não engana. E logo que a máquina estiver ainda mais oleada, aquele jogo de primeiro toque irá ser uma delícia para a vista.

E Di Maria? É talento puro, a elevar o futebol da equipa para outra dimensão. Quem se lembra dele há 13 anos não o reconhece. É outro jogador, de classe pura. Marcou o primeiro golo, esteve nos dois restantes, encheu o campo e espalhou magia.

Com 3-0 ao intervalo, para a segunda veio outro onze, com outros 10, porque Odysseas manteve-se na baliza. E esta outra equipa nova mostrou que Roger Schemidt tem agora mais soluções no plantel, e deixa-nos a perspectiva de poder agora deixar de ser tão conservador nas suas opções. Ristic mostrou que pode alternar com Jurásek e, ambos, podem fazer esquecer Grimaldo. O teste não foi muito exigente - é verdade - mas os centrais (Lucas Veríssimo e Tomás Araújo) confirmaram a sua elevada qualidade. Aursenes e Neres, já são conhecidos e entram naturalmente nos prioritários. E até Schjelderup e Tengstedt, os nórdicos que tinham chegado em Janeiro, mostraram que não estão ali para fazer número.

O jogo não teve a qualidade da primeira parte, mas isso deveu-se mais à falta de eficácia, especialmente de Neres e dos dois jovens nórdicos - que, de resto foi o único ponto negativo desta segunda apresentação da equipa - e às quebras no ritmo de jogo provocadas pelas substituições na equipa do Basileia (ficou-me a ideia que nunca se jogaram mais de 5 minutos sem interrupções para substituições) que propriamente à qualidade exibicional deste onze do Benfica.

Por isso, pela falta de eficácia, e pela quebra do ritmo de jogo, podendo marcar mais 3 ou 4 golos, o Benfica não voltou a marcar. E acabou por sofrer um golo, já perto do final, no único remate do Basileia à baliza de Vlachodimos na segunda parte. E creio mesmo que do jogo!

São muitos e bons, os jogadores à disposição de Schemidt. Já sabemos do que é capaz de fazer com eles, "e isso nos envaidece"!

 

Bons sinais e boas sensações

Rafa fez miséria e Enzo já brilha: as notas do Benfica diante do Fulham

Com o país deprimido e derretido pelos incêndios e pela incúria generalizada, valha-nos o futebol - quer dizer, o Benfica. Que, ao terceiro jogo desta pré-temporada, começa a empolgar-nos e alimentar a esperança benfiquista que, como se sabe pelos últimos anos, não é a última a morrer.

Roger Schemidt está a cumprir. Não tanto o que prometeu - não é o bazófias - mas o que se prometia: um futebol virado para a frente, dominador e atraente. Bonito de se ver.

O jogo de ontem, com o Fulham (5-1), de Marco Silva, deu sequência mais prolongada à excelente primeira meia hora do jogo de sexta-feira, com o Nice (3-0). E já começam a não ficar dúvidas que o futebol deste Benfica é feito de muita pressão sobre o adversário, sempre bem alta, de agressividade competitiva, de muita circulação a um a dois toques, e de movimentos tácticos muito interessantes. Incluindo as bolas paradas.

Em ambos os jogos Roger Schemidt apresentou duas equipas diferentes em cada parte, apenas os guarda-redes cumpriram o jogo completo - Helton Leite, no primeiro, e Odysseas, no de ontem. O onze das primeiras partes será o que mais perto está da equipa base, e foi sempre o de maior rendimento e qualidade. Flagrantemente no jogo com o NIce, com menor distância no de ontem, com o Fulham, onde aquele onze "secundário" conseguiu atingir momentos de muito boa qualidade.

A opção por duas equipas distintas é claramente justificável em contexto de pré-época. Seja pela necessidade de observar os jogadores em contexto competitivo, seja pela própria exigência física do modelo de jogo. Não é possível que, neste momento, os jogadores tenham condição física para 90 minutos daquele futebol. E provavelmente alguns dificilmente chegarão a ter, tal é a exigência.

Com muito por definir no plantel, especialmente nas saídas, há indicações que não escapam às primeiras impressões. À parte os muitos que nem sequer tiveram oportunidade para deixar impressão - uns porque estão evidentemente à espera de solução para o seu caso, como especialmente Seferovic, André Almeida, Meité, Taarabt, Diogo Gonçalves, Gabriel e Rodrigo Pinho, outros por se encontrarem lesionados, Veríssimo, João Victor e Ristic, e ainda Musa, não sei bem por quê, parece claro que Pizzi não encaixa de todo no sistema do treinador alemão. Que Weigl e Paulo Bernardo dificilmente encaixarão. E que Gil Dias e Chiquinho estão aquém da qualidade exigida para permanecer no plantel. Do outro lado, do das boas sensações, há muitos a destacar.

Começando pelas novas contratações, Neres não engana e é muito mais jogador que o Cebolinha. Bah não é certo que ganhe o lugar a Gilberto, mas não desilude. E Enzo Ferandez pega de estaca naquele futebol. O regressado Florentino ... parece que desta é que é. 

Dos jovens da formação, António Silva é a maior revelação. Que central! A concorrência é grande, mas tem tudo para ser o que de melhor de espera de um defesa central. Como Henrique Araújo , embora deste já soubéssemos muito, tem tudo para ser um grande avançado. Completo. Diogo Moreira tem muita qualidade, mas também ainda muito para aprender a melhorar.

Gonçalo Ramos, eleito o MVP do jogo de ontem, com dois golos, dentro do que se lhe conhece, é um jogador que conta. Se não vier a sair, evidentemente. E faz a ponte para os que transitam da equipa anterior. Onde João Mário, que tem estado bem, será o que mais dificuldades terá em integrar-se neste sistema de jogo. Tem actuado sobre a esquerda, e dado boa conta do recado, mas... 

Rafa é o caso sério desta equipa. Desequilibra, como sempre, e marca golos. É fundamental, e só precisa de ser acarinhado, e eventualmente de algum trabalho psicológico para manter a alegria e ser um jogador feliz. Porque,  jogar à bola, faz ele como poucos. Parece-me que também Yaremchuk precisa de trabalho e apoio para explodir esta época, já mais ambientado. Também ele precisa de recuperar a alegria do jogo, e de ser feliz a jogar à bola, para poder lembrar (ou fazer esquecer) Darwin. No jogo de ontem já fez isso, e em alguns momentos  fez esquecer a tristeza da última época, e lembrar a profundidade e até a capacidade de assistência do jogador que partiu para o Liverpool.

E por último, Grimaldo. Não há ninguém no plantel como ele. Impõe-se que Rui Costa tudo faça para, dentro de critérios razoáveis, assegurar a renovação do seu contrato, agora que terá a cabeça limpa de Barcelonas e afins.

Os sinais são bons, os melhores das últimas pré-épocas. 

 

 

 

 

A partir de agora é que é a sério...

Por Eduardo Louro

 

Tal como ontem, frente ao Arsenal, o Benfica sofreu três golos em dez minutos e afundou. Depois de uma primeira parte que nem foi má de todo, e donde, através de um golo logo aos dois minutos – o primeiro de Derley –, até saiu a ganhar.

Logo no arranque da segunda parte entraram Rodrigo e André Gomes…para o Valência. Para o Benfica entrou uma invenção chamada Luís Filipe, e saiu João Cancelo. Pode parecer um pormenor, mas não é. O Valência começou a jogar à bola e o Benfica sem ninguém a defender o flanco direito. E o Artur regressou à sua verdadeira condição de guarda-redes sem ponta por onde se pegue, com dois frangos monumentais…

Para que a equipa voltasse minimamente a estabilizar e limitar os danos, Jesus teve de retirar do campo esse tal de Luís Filipe, uma contratação que é um verdadeiro atentado à inteligência dos benfiquistas, e de chamar André Almeida, que jogava a trinco, para o lado direito da defesa.

E assim se junta à destruição da equipa, a destruição de qualquer réstia de equilíbrio emocional aos jogadores, que saem da pré-época completamente de rastos. E de repente se dá cabo do prestígio internacional que tanto custou a recuperar…

Ah... E o Jara lá vai continuando a sua saga... E o Jesus o seu festival de comunicação!

E no meio disto tudo a BTV lá vai tentando lavar o cérebro a quem gosta de se deixar lavar… Ou levar!

E pronto, a partir de agora é a sério. Mesmo que até agora também devesse ter sido...

 

Surreal

Por Eduardo Louro

Arrisco garantir que, desde o longínquo Verão (quente) de 1993 - há 20 anos -, o Benfica não passa por uma pré-época tão estranha. Foi, e continua a ser, Cardozo. Foi, e é, Oblak. Foi Roberto, que afinal regressara sem que ninguém soubesse, para voltar a ser vendido por mais milhões que ninguém percebe, transformados em metade do passe de um jogador que nem chega a entrar no Seixal: Pizzi, um jogador de 12 milhões de euros que pretendia continuar no futebol espanhol. E que, talvez por isso, foi direitinho ao Espanhol, de Barcelona.

São os números que se anunciam ter de ser feitos em vendas... E é - sem que nada nos faça supor que se fique por aqui - Fariña, o jovem (22 anos) e promisor médio argentino contratado há menos de um mês - dizia-se que em saldo por estar em final de contrato - por 2,3 milhões de euros. Que, se calhar por ter dito que "o Benfica é o maior clube da Europa", foi, sem ter feito um único de tantos jogos de pré-época, emprestado para... o Dubai. Exactamente, nem mais nem menos que para o Banyas Futebol Club, onde irá evidentemente encontrar as melhores condições de progressão e crescimento para valorizar um jovém de 22 anos...

Surreal!

Continua a desafiar-se a lei de Murphy... Dir-se-á que esse Verão quente de há vinte anos acabou em título. É verdade. Tão verdade como ter sido o do canto do cisne: o último do tempo em que o Benfica ganhava, e o primeiro (de três, em 20 anos) do tempo em que deixou de ganhar...

Futebolês #36 Pré-época

Por Eduardo Louro

   

 

Tal como há a época balnear, agora no auge, a época de saldos - que já não safa ninguém da crise –, a época tauromáquica - mesmo na Catalunha onde a época é, mais do que nunca, de contestação a tudo o que possa cheirar a hispânico -, ou a época da caça, que apesar de também já contestada lá vai sobrevivendo, também há a época do futebol.

O que nenhuma das outras tem é a pré-época. Têm defeso, mas não pré-época!

A época do futebol, a mais longa de todas, vai de Agosto e Maio. A pré-época é assim como que um período antes da ordem do dia, que se espalha pelo mês de Julho, mesmo nos anos em que há fases finais de europeus ou mundiais. Ano sim, ano não!

 A pré-época consegue ainda ser mais animada que a própria época. Só encontro paralelo na maternidade: quando ser pré-mamã é muito mais animado que ser mamã. Calma, falo apenas de animação!

São as contratações dos grandes craques todos os dias nas primeiras páginas dos jornais que, evidentemente, precisam de vender e sabem muito bem como é que isso se faz. São as vendas das nossas jóias da coroa, bem seguras pelas famosas cláusulas de rescisão que entraram na moda em tempo de vacas gordas mas que não servem para nada quando as vacas são magras.

Alguns ainda tentam uns artifícios para aproximar o preço de venda ao da cláusula de rescisão, mas nem assim.

O Sporting, que nunca deixara sair Veloso e João Moutinho, agarrado a cláusulas de rescisão de gente grande, acabou por deixá-los passar do prazo de validade. Um apodreceu mesmo, ao que se disse! O Porto está agora a repetir em dose dupla a experiência de Quaresma de há dois anos. O Benfica lá deixou ir o Di Maria por valores bem abaixo da dita, a lembrar também a saída da última jóia – o Simão! O Ramires não tinha cláusula de rescisão, aí nem foi necessário invocá-la. Como metade do passe já tinha sido vendido a uns tipos cujo negócio é números, tinha que se lhes fazer a vontade. Sob pena de, na próxima curva de aflição, não haver ninguém disposto a antecipar uns cobres

A pré-época do Benfica fica, no entanto, indiscutivelmente marcada pela polémica em torno do novo guarda-redes – Roberto – que o futebolêsaqui abordou. Não se fala mais nisso, pronto. Até porque uns tipos lá na Sport TV, a pensar que ninguém os ouvia, também resolveram brincar com isso e o Benfica não gostou. E a Benfica TV ainda menos!

Mas também fica marcada pela necessidade de alterar a matriz táctica e a estratégia de jogo. Porque o Di Maria lá foi, a tempo e horas, para o Real Madrid de Mourinho e o Ramires já está, a esta hora, em Londres. No Chelsea de Abramovich. Foram-se os jogadores das alas. Claro que ainda por cá está o Fábio Coentrão, que corre o risco de, depois da revelação da época passada a lateral esquerdo, se transformar na revelação desta época na ala esquerda. E fica ainda marcada pelo ponto final na discussão de Cardoso: sem ele não há golos. Com ele parece que marcar golos é mesmo a coisa mais fácil do futebol. Sem ele é a mais difícil!

A pré-época do FCP fica marcada pela contratação da maçã podre e pela pose dos seus números 2 e 3 junto da caixa registadora. Pose abandonada agora pelo capitão Bruno Alves, rumo á longínqua Rússia. Para o Raul Meireles é que não há fumo branco!  

Também por mais um roubo ao Benfica – o miúdo colombiano, James Rodriguez. Mas há ainda quem ache que fica marcada pela contratação de mais um novo craque, um brasileiro de 20 anos, Walter de seu nome. Que permaneceu umas largas semanas no Porto sem assinar nem dar sinais de vida. Eu não acho: é que, como o moço é analfabeto – veio do Brasil sem saber ler nem escrever – apenas esteve a aproveitar as novas oportunidades e a aprender a escrever o nome, para então poder assinar o contrato.

Mas a marcar mesmo a pré-época portista ficará seguramente a saída do Vítor Baía! Veremos!

A pré-época Sporting fica antes de mais marcada pelo sucesso das vendas de Moutinho e Veloso, dois objectivos perseguidos há alguns anos. Um sucesso que começou a ser preparado logo no arranque da pré-época quando a nova equipa técnica, sob a batuta firme do director desportivo, atacou o problema que bloqueava toda a máquina do futebol leonino: a questão do capitão de equipa!

Mas seria injusto se não referenciasse como a principal marca da pré-época do Sporting a preparação não de um, não de dois, mas de três sistemas de jogo alternativos. É isso mesmo. O Paulo Sérgio conseguiu implementar três sistemas tácticos na equipa. O adversário nunca saberá o que vai encontrar. Os treinadores adversários não farão outra coisa que não seja correr atrás da táctica do Sporting, sempre em mudança. Quando, no primeiro Benfica-Sporting, virem o Jorge Jesus andar a correr ao longo da linha lateral já sabem: anda a correr atrás da táctica do Paulo Sérgio!

O problema é que em Alvalade parece que não dão assim tanto valor à paleta de tácticas. Ainda vamos na pré-época e não há quem os convença a parar com os assobios. Quando chegar ao Natal...

Mas eu não acompanhei apenas a pré-época em Portugal. Também dei um saltinho a França! E gostei mesmo da pré-época do Paris Saint Germain, o PSG do nosso Pauleta! Confesso que gostei do que fizeram…

E, já agora, repare-se nos mercados dos três grandes: o Benfica vendeu para o Real Madrid e para o Chelsea. O Sporting, para o Porto e para o Génova. E o FCP para o Zénit, da antiga cidade de Lenine. É sintomático! Apenas o glorioso tem acesso ao primeiro mercado!

E pronto, a pré-época chegou ao fim – aí está, com a supertaça, a nova época 2010/2011. Já amanhã. Eu gostaria que começasse bem. Pelo menos sem pedras! E sem isqueiros! E sem vidros partidos...

 

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