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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Futebolês #44 Pendurar as botas

Por Eduardo Louro

  

 

Não consegui resistir a esta expressão do futebolês. Confesso que, neste tempo em que o nosso legítimo direito à indignação é substituído por não menos legítimos sentimentos de revolta, não encontrei melhor expressão para trazer aqui a esta rubrica semanal!

Até porque nestas circunstâncias confesso que, eu que tanto gosto de falar das coisas do futebol e de brincar com expressões, tiques e até com a fauna desse mundo, hoje não me apetece mesmo falar de futebol. Acho que há alturas em que não podemos passar ao lado jogo (outra expressão de futebolês) e deixar que o futebol possa servir para aquilo que tantas vezes é acusado: ópio do povo!

Pendurar as botas significa em futebolês terminar a carreira. Chegada uma certa idade, variável de caso para caso mas mais frequentemente entre os 30 e os 40 anos, quando as condições físicas e mesmo as psicológicas – motivação, em particular – deixam de estar adequadas às exigências da competição, o jogador de futebol decide colocar ponto final na sua carreira.

Claro está que, sendo as botas o único elemento da indumentária exclusivamente usado no campo de jogo – vê-se muita gente na rua, e até no supermercado, com os calções e a camisola de jogo, mas não se vê ninguém com as botas de futebol, aquelas mesmo a sério, de pitons – quando deixam de fazer falta arrumam-se. Em Portugal penduram-se as botas. No Brasil arrumam-se as chuteiras!

É geralmente reconhecido que a decisão de pendurar as botas é das mais difíceis de tomar. Nem sempre é tomada na melhor altura. Alguns (poucos) tomam-na prematuramente, quando é visível que têm ainda muito para dar. Outros tomam-na tarde de mais, arrastando-se pelos campos a esbanjar honra e prestígio. Mas também há os que as sabem pendurar na altura certa, em plena posse de todas as suas faculdades, algumas mesmo refinadas pela experiência que só os anos trazem. Deixam saudades e o seu perfume permanece no ar durante muitos anos. Tantos quantos os que formos capazes de guardar na memória! Diz-se que saem pela porta grande: afinal aquela por onde sempre entraram!

Não é o caso do nosso primeiro-ministro. Seguramente que não!

Entrou de facto pela porta grande, mas já foi há tanto tempo e entrou num labirinto tal que nunca mais encontrou a saída. Perdeu-se num labirinto que construiu como uma teia, onde se enredou e onde nos capturou a todos, como se fossemos simples moscas incapazes de fugir de um destino que não traçamos.

Nem todos conseguem construir as condições para sair pela porta grande. São mesmo muito poucos os que têm esse privilégio. Mas muitos conseguem sair a tempo, conseguem evitar a deprimente exposição pública da sua decadência. Podem não deixar saudades, mas também não deixam no ar aquele fedor de um prazo de validade largamente ultrapassado!

O nosso primeiro-ministro arrasta-se pelos campos do poder há tempo de mais. Há muito que perdeu a validade. Há muito que perdeu o direito à respeitabilidade. Há muito que exibe a sua deprimente decadência!

Perdeu há muito as suas faculdades e limita-se a enganar-nos a torto e a direito. A ludibriar-nos permanentemente, sem ponta de respeito por quem paga tão alto preço para o manter em actividade. Mesmo que ficcionada e virtual!

Ultrapassou todos os limites, senhor primeiro-ministro! Pendure as botas e deixe-nos ver se ainda conseguimos encontrar alguma saída para isto!

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