Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

A POSSE E A POSE

Por Eduardo Louro

 

Cavaco tomou posse e voltamos à normalidade institucional: toda a gente na plenitude dos seus poderes, sem constrangimentos!

O pior foi o discurso! Bom, o pior não foi propriamente o discurso, foi o estado em que deixou as coisas…

Que o discurso de tomada de posse de Cavaco seria incomodativo para Sócrates – não vale a pena dizer para o governo: o governo é Sócrates, e Sócrates é o governo – já todos sabíamos. Já aqui o tinha previsto ao apontá-lo como uma das marcas de uma semana bem complicada para Sócrates: nenhuma novidade, portanto.

Também, a propósito desse discurso, aqui deixara dois votos: que limpasse o discurso de vitória e que desse sinais de que percebia a sua quota-parte de responsabilidade no estado do país, a condição sine qua non para se revelar parte da solução.

Se fui bem sucedido na previsão – não era difícil acertar – já nos votos que formulara não tive direito a nada. O que é condição suficiente para baralhar o discurso por completo!

É que, ao não limpar o discurso de vitória, este da tomada de posse confunde-se com a parte II do ajuste de contas. E, ao não deixar transparecer a mais leve responsabilidade neste estado de coisas, retira credibilidade ao diagnóstico. Que, apesar de há muito estar feito por toda a gente neste país, constituía o prato forte do discurso e o mais consensual!

Assim lá se ficou pela tareia a Sócrates com ameaças de “ainda vais levar mais”. Ah! E com os incentivos à revolta da geração à rasca… Ou da geração P…

Parece-me que, em qualquer país decente do mundo, qualquer primeiro-ministro minimamente decente teria entregue em Belém hoje, bem cedinho, logo pela manhã, um bilhetinho com a demissão!

E lembrarmo-nos que já ouvimos falar de pântano e de trapalhadas!

 

RECAVACO

Por Eduardo Louro

 

A partir de hoje voltamos a ter presidente. Valha-nos isso, à falta de tudo que, pelo menos, tenhamos presidente!

É sabido que o segundo mandato presidencial é sempre diferente do primeiro. Mais interventivo, dizem!

Em democracia os políticos agem em função de eleições. Dos calendários eleitorais, das medidas com rentabilidade eleitoral e das atitudes e comportamentos que cativem, que caiam bem no eleitorado.

Uma certa perversidade do sistema, que duplica automaticamente os mandatos presidenciais de 5 anos, faz de cada primeiro mandato um mero período de preparação da reeleição. De pouco mais que uma simples férias em Belém, dentro daquela lógica imobilista do nosso funcionalismo que premeia quem não corra riscos, quem nada faça para, assim, não cometer erros.

Espera-se por isso um segundo mandato de Cavaco diferente do primeiro. Nem seria preciso que o anunciasse. Mais, precisa-se de um mandato completamente diferente do anterior, a começar já por limpar o seu discurso de vitória, de má memória. E a passar pela assunção das responsabilidades que lhe cabem na actual situação do país, condição necessária para que, percebendo que fez parte do problema, se empenhe em ser parte da solução!

 

 

 

Pronto. Já votamos!

Por Eduardo Louro

  

 A maioria de uma parte, de menos de metade, dos portugueses reelegeu, como se sabia e conforme sempre aconteceu com os seus antecessores em democracia, Cavaco Silva.

A maioria, uma maioria cada vez mais clara, dos portugueses deixou de se interessar por estas coisas. Não é exactamente uma novidade, mas é uma realidade cada vez mais preocupante!

O resultado de Cavaco nem é a vitória esmagadora que alguns esperavam – nunca o poderia ser, mesmo que fosse bastante mais expressiva, face aos números da abstenção que não surpreendem ninguém – nem exactamente um flop que lhe belisque qualquer legitimidade!

O resultado de Manuel Alegre também não é surpreendente: o seu passado mais recente, os mixed feelings da anacrónica coligação partidária de suporte da candidatura e o seu desempenho em campanha não legitimavam aspirações mais ambiciosas.

Surpreendentes, ou pelo menos de surpresa relativa, são os resultados mais identificáveis com o voto de protesto – as candidaturas de José Manuel Coelho e de Fernando Nobre!

O atípico candidato madeirense, com um resultado nacional acima dos 4%, mas com mais de 37% na Madeira (ai se isto fosse transponível para as eleições regionais…), representa não o anedotário com que facilmente se poderia rotular, mas o puro protesto. Parece-me que nas próximas legislativas poderá até chegar ao parlamento. O que, a suceder e ao contrário do que se possa esperar, não é lisonjeiro para o sistema!

O resultado de Fernando Nobre, acima dos 14%, tem, na minha modesta opinião, um significado muito importante. Manifestei-me aqui como um dos muitos decepcionados com a sua candidatura, uma decepção que provinha do cruzamento da enorme esperança numa candidatura vinda de fora do sistema, da mais despretensiosa e genuína cidadania, com o desencanto de uma campanha absolutamente frustrante.

Não acredito que a maioria dos portugueses que decide não ir votar o faça apenas por comodismo e por desinteresse. Acredito que isso se aplique a uma boa parte deles, em resultado da vil tristeza em que a nossa democracia caiu. Mas não tenho grandes dúvidas que a outra boa parte o faz porque não se reconhece em qualquer projecto político do cardápio que lhe é apresentado e, mais ainda, porque não reconhece credibilidade a nenhum dos protagonistas que lhe aparecem à frente!

Este resultado de Fernando Nobre abre uma janela de esperança: se com uma campanha já de si fraca e ainda escandalosamente "esquecida" pelos media, e com um candidato que, ao contrário do que muitos esperavam, não soube (ou não pôde) fazer o melhor para potenciar as raízes de uma candidatura civil desta natureza, se chegou até aqui, onde é que não chegaria noutras condições?

Pois é! Este resultado de Fernando Nobre pode levar-nos a admitir que é possível recuperar muita dessa gente que já desistiu de acreditar e, com eles, começar mudar a face deste país. Começando logo por demonstrar que não há fatalidades. Que não é fatal que tenhamos de nos resignar àquilo que, sem alternativa, nos impingem!

Desencantos

Por Eduardo Louro

  

 

Há um ano atrás, em Fevereiro de 2010, por altura da apresentação da candidatura de Fernando Nobre, escrevi isto e isto!

Para quem não leu, nem esteja disposto a perder tempo a fazê-lo agora, direi apenas classifiquei então a notícia da candidatura de Fernando Nobre de uma excelente notícia. Excelente notícia por duas razões fundamentais: pela esperança na regeneração da política, ou na forma de fazer política, e pela contribuição para o exercício da cidadania!

Numa vida política excessivamente partidarizada, diria mesmo que sufocada pelos partidos que vivem de e para clientelas, surgir um homem com o prestígio pessoal de Fernando Nobre à margem dos partidos e mesmo contra eles, disponível para mostrar que ainda há cidadãos dispostos a dedicar-se à causa pública por exclusiva responsabilidade de cidadania, não podia deixar de ser uma excelente notícia.

Passado todo este tempo, e passada esta campanha eleitoral, tenho que declarar o meu desencanto. Sou dos que ficaram absolutamente desapontados com o desempenho do candidato Fernando Nobre, como se tem podido nas Frases de Campanha que por aqui tenho trazido.

Não está em causa a sua seriedade, evidentemente. Nem o seu empenho. Apenas juntou à falta de capacidade (e de um mínimo jeito que seja) para a intervenção política os piores tiques dos políticos profissionais. À falta de clarividência e de clareza política os equívocos do jogo político convencional. À confusão nas ideias a intermitência no discurso. E à falta de naturalidade e de presença um quixotismo muitas vezes bacoco!

Foi mau de mais para que fosse possível confirmar aquela excelente notícia. Afinal há sempre notícias que não se confirmam. Mas quando isso acontece com as boas … temos mais pena!

 

BALANÇO DA CAMPANHA

Por Eduardo Louro

  

A campanha eleitoral está a chegar ao fim. Ou ao intervalo, quem sabe?

Pela minha parte creio mesmo que está a chegar ao fim… Não há volta a dar-lhe!

É um destino há muito traçado!

Traçado pela História e traçado por todos nós, que fazemos a História. Ou que a não sabemos desfazer…

Esta, como de resto vem sendo comum a todas as campanhas eleitorais – provando, também elas, que a nossa democracia se afunda mais depressa que o submarino do Coelho Tiririca – uma campanha em que toda a gente bateu. Porque grande é o deserto de ideias. E pequeno o respeito pela sanidade mental dos cidadãos eleitores, sempre vistos (se calhar com alguma razão!!!) como atrasados mentais. Porque muita é a demagogia e pouca a importância dada a tudo o que importa. E por mais uma catrefada de coisas sem jeito nenhum e uma ninharia de coisas com pouco jeito, como as Frases da Campanha, por exemplo, ilustram.

Tenho por isso que reduzir o balanço da campanha ao seu único mérito: conseguiu explicar-me uma coisa que eu – deficiência minha, reconheço – por mais voltas que desse, não conseguia entender.

Eu não conseguia perceber o que é que o Presidente Cavaco tinha andado a fazer estes anos todos do seu primeiro mandato. Tinha dado por ele duas vezes: sempre no início do Verão – não, não foi quando ele “carregava o jipe” com os diplomas todos que levava para férias! Foi quando se lhe deparou um grande problema nos Açores, verdadeiramente o maior problema nacional destes últimos cinco anos; e, logo no Verão seguinte, quando teve de enfrentar a mais vil campanha de espionagem de que há memória, desencadeada pelo governo inimigo da sua República, que pôs em causa a segurança do seu computador e a própria independência nacional.

Agora, que estou a avivar a memória, a relembrar estes dois mega acontecimentos históricos que marcarão para sempre o legado de Cavaco, acabo por me ver obrigado a reconhecer que dei por ele poucas vezes – é certo – mas, caramba, o que importa é a qualidade. Não é a quantidade!

Mas mesmo assim, e até admitindo que pudesse haver aqui um pouco de má vontade da minha parte, eu continuava com grande dificuldade em perceber muito bem o que ele tinha andado a fazer. As poucas, mesmo que boas, a mim não me chegavam! Não fosse esta campanha eleitoral e aí ficaria eu para sempre devedor (de reconhecimento, claro) do nosso Presidente. Sentir-me-ia um ingrato para o resto da vida!

Mas também não há nisto nada de surpreendente. Afinal uma campanha para uma reeleição serve mesmo para isso! Para avaliar o desempenho e, depois nas eleições, premiá-lo ou penalizá-lo. Básico em democracia, mesmo em Portugal!

Como Cavaco não se tem cansado de nos avisar, o país está á beira da explosão. Portugal é hoje um autêntico barril de pólvora que se não pode dar ao luxo de dispensar a experiência, o conhecimento, a credibilidade, o equilíbrio e o bom senso de que é ele o único fiel depositário. Numa situação destas não se pode arriscar no desconhecido. Não é tempo para fazer experiências. Belém não pode ser um laboratório cheio de tubos de ensaio mas um banco de conhecimento maduro e testado. Onde ninguém se engane e onde não hajam dúvidas!

E foi aí que percebi que Cavaco, afinal, não se limitou no seu mandato àqueles dois fogachos. Não. Foi todo um trabalho diário incansavelmente desenvolvido ao longo de todos estes cinco anos para, precisamente, chegarmos a este ponto.

Pois é! Cavaco empenhou-se em permitir que o governo conduzisse o país até aqui, à beira da explosão – nas suas próprias palavras – para que, agora e aqui chegados, não nos baste elegê-lo. Seja necessário aclamá-lo para aí com 70% dos votos!

Enfim… mas eu que tenho cá esta irreprimível má vontade, fico a pensar que ainda bem que só há dois mandatos… Mas por que é que não há apenas um?

 

Frases da campanha #5

Por Eduardo Louro 

 

     “Só um tiro na cabeça me impede de chegar à Presidência”.

   

Fernando Nobre, ontem, algures.

 

 

    “Os portugueses conhecem-me há 30 anos e sabem que eu não diria aquilo se não tivesse razões” 

 

Fernando Nobre, hoje, algures: esclarecendo que essas razões são telefonemas anónimos!

 

 e, já que se fala em telefonemas, vai daí:

 

    “Senhor Professor Cavaco Silva, daqui é o Senhor Professor Fernando Nobre …”

 

Fernando Nobre, hoje, algures, a avisar Cavaco que irá ter de se ver com ele na segunda volta.

 

 

 

mais três semanas de campanha … e acaba-se o crédito às empresas e às famílias...

 

Cavaco a fazer pela vida … e a fazer a vida num inferno à segunda volta!

 

 

Enquanto isto Alegre vai dizendo que estas eleições recordam as de Humberto Delgado!

 

Frases da campanha #4

Por Eduardo Louro 

 

     “Desafio daqui Manuel Alegre, olhos nos olhos, a dizer que abdica da segunda volta a meu favor…”

   

Fernando Nobre, no Porto, dizendo não se sabe bem o quê!

 

Então mas abdica-se da segunda volta? Mas a segunda volta não é disputada entre os dois candidatos mais votados desde que nenhum obtenha a maioria dos votos?

Então quem é que abdica de quê?

 

 

“Na situação económica e financeira em que se encontra, Portugal não aguenta mais umas semanas de campanha eleitoral”.

 

Cavaco Silva, em Coimbra, apelando à vitória à primeira!

 

E por que não acabar com eleições? Assim já não é preciso qualquer campanha eleitoral!

Isto também é demagogia. Ou será outra coisa, ainda pior?

 

Frases da campanha #3

Por Eduardo Louro 

 

     “O nosso país não precisa só de doutores, engenheiros, arquitectos ou advogados. Precisa das peixeiras, dos pescadores e dos canalizadores”.

 

Fernando Nobre, hoje no Porto, no Bolhão.

 

Muito profundo! Alto conteúdo político! Isto sim, são ideias novas e uma maneira diferente de fazer política!

 

 

  “Ele não tem perfil. Não é pessoa fina!”

 

José Manuel Coelho, hoje em Gondomar sobre ele próprio.

Frases da campanha #2

Por Eduardo Louro 

 

 O governo tirou as ambulâncias aos pobres …”

 

Idosa em Sines, na campanha de Francisco Lopes

 

“Aqui foi onde tive o meu banho de multidão!”

 

José Manuel Coelho, em Viana do Castelo

 

  “O Dr Defensor de Moura é o representante do socialismo cristão, contra Manuel Alegre, representante do socialismo radical”

 

Militante socialista apoiante da candidatura de Defensor de Moura

Frases da campanha #1

Por Eduardo Louro 

 

     “A minha mulher tem um casaco de cortiça e uma mala de cortiça e sente-se muito bem com estas peças de vestuário de senhora feitos em cortiça”.

   

Muito profundo! Alto conteúdo: cortiça! Adivinhem quem a proferiu?

     

     “Os políticos são como as fraldas: de vez em quando têm de se mudar!”

 

 E esta, de quem é, de quem é?

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics