A recuperação da progressão na carreira dos professores tornou-se, de repente, provavelmente no maior problema político do país, capaz de condicionar fortemente o nosso futuro próximo. Não é um problema. É o problema!
Para já só temos duas certezas. A primeira é que os professores têm tanto direito a recuperar o que perderam nos anos da crise como qualquer outra categoria de portugueses. Os professores foram sacrificados nestes últimos 10 anos – e são até muito penalizados em muitas das circunstâncias em que exercem a sua profissão – mas houve muito mais portugueses muito mais sacrificados. Os que perderam o emprego e não mais o recuperaram, os que, os que perderam o emprego e quando o recuperaram nunca mais recuperaram o salário anterior e os centenas de milhares que tiveram que tiveram de abandonar o país e a família, muitos deles também professores.
A segunda certeza é que o governo tratou muito mal do problema. Com leviandade e sem frontalidade e rigor. Começou por não ser claro, por empurrar a coisa para baixo do tapete, à espera que fosse o tempo a resolver o que lhe competia a si resolver para, agora, perder por completo o senso, como se viu no lamentável episódio da referência às obras do IP3. Em política, trade off é chantagem. Quando é populista, para além de chantagem, é uma vergonha!
Não é preciso muita intuição para perceber que contrapor obras numa estrada à reivindicação dos professores, quando as divergências são bem maiores que as convergências, quando há um orçamento para aprovar, e quando começa a intensificar-se o cheiro a eleições, não é a melhor das ideias …
Claro que há azar. Mas, se nunca o azar explicou tudo, não é desta vez que o fará. Na selecção nacional há quase tanto azar como incompetência. Esta noite, no Parque dos Príncipes desta vez bem português, o azar não foi tanto quanto a incompetência, mas já esteve mais perto.
Globalmente a selecção esteve melhor neste jogo com a Áustria do que estivera no primeiro, com a Islândia. Por duas vezes a bola bateu no poste, e não entrou. Por outras tantas por pouco não quis entrar, e ainda por outras tantas o guarda-redes austríaco impediu-a de entrar sem saber bem como, para além das vezes em que o conseguiu com grande competência. E isto tem evidentemente muito a ver com azar. Mas bastante a ver com incompetência.
Jogou com um trio na frente - Nani, Ronaldo e Quaresma - sem que nunca tenha preparado essa opção táctica. E isso é incompetência. Mais uma vez rematou que se fartou, confirmando-se como a equipa mais rematadora da competição. Rematar tanto e não marcar sequer um golo, nem mesmo de penalti, é incompetência. Desenhou no relvado a mais bonita jogada de futebol que este europeu teve para mostrar, mas só o conseguiu fazer por uma vez. Como só o conseguira uma única vez no jogo anterior, que então deu o único golo que a selecção marcou na prova. Saber como se faz, mas só o fazer uma vez por jogo, é incompetência.
A selecção tem pois um problema de competência, tem azar - e basta ver como a França, por duas vezes, e a Espanha, a Inglaterra, a Itália, a Rússia, e ainda hoje a Hungria - resolveram jogos com golos marcados nos últimos momentos do jogo - e começa a ter um problema muito maior, chamado Ronaldo.
Aquele que tem sido a solução para todos os problemas ameaça agora transformar-se no maior de todos os problemas. Nada lhe sai bem. Quanto mais esbraceja para sair do buraco onde está metido mais fundo o cava. E mais difícil se torna sair de lá, ao mesmo tempo que, do outro lado do Atlântico, Messi vai enchendo os relvados americanos e somando golos na Copa América.
A selecção nacional pode ainda apurar-se, como é óbvio. Empurrou todas as decisões para o último jogo, na próxima quarta-feira, com a Hungria, mas depende de si própria. Pode até, ainda, ganhar o grupo que, como se viu, nem é sequer a coisa mais interessante. Poderá também ainda apurar-se no segundo lugar, que até seria o melhor que lhe poderia acontecer.
Mas para isso terá sempre de ganhar à Hungria. E isso é um problema. O problema não é ganhar à Hungria, o problema é mesmo ganhar. Tão só ganhar. Seja lá a quem for. Mas como é a última oportunidade...
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