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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Cautelas, caldos de galinha e trancas na porta...

Por Eduardo Louro

 

Enquanto o governo continua com o regabofe da saída limpa, Cavaco perde os últimos pingos de vergonha que supostamente ainda lhe restariam e Portas volta a apresentar o mesmo Guião para a Reforma do Estado cheio de nada, que já apresentara em Outubro, o Diário Económico dizia ontem que, caso se verifique um agravamento significativo das condições de financiamento nos mercados externos, o Executivo de Pedro Passos Coelho, estará a ponderar apresentar o pedido de um programa cautelar depois das eleições europeias.

A tal saída limpa que alimenta o festim da campanha eleitoral que aí está, e ainda mais umas insanas e inenarráveis provocações no facebook do inquilino de Belém, poderá não ser limpa. Mais, poderá não ser sequer saída. Como, de resto, muita gente suspeita…

Resta saber se esta ideia de recorrer à posteriori a um programa cautelar é de geração espontânea no governo ou se, pelo contrário, resulta de um acordo preestabelecido com a União Europeia – leia-se com a Alemanha – como contrapartida da saída limpa que, em véspera de eleições, a todos convinha.

Em qualquer dos casos estamos perante mais um gritante caso de batota. Um programa cautelar, como de resto ainda recentemente o presidente do eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, referia em entrevista ao Expresso, tratando de cautela, implica antecipação. Se for pedido quando e porque as coisas correm mal é tão só um novo pedido de resgate.

A ser verdade, e nestas coisas o Diário Económico é pouco menos que insuspeito, veja-se o embuste que por aí vai…E o carácter de um presidente que não lembraria a ninguém…

Seja como for, a verdade é que ninguém quis nada com cautelas e caldos de galinha. É tudo gente mais dada às trancas na porta, mas depois de casa roubada...

Saída à pescada

Por Eduardo Louro

 

Há muito que a saída limpa estava anunciada. De tal forma que foi mesmo Paulo Portas a dizer que a saída seria sempre limpa: seria uma saída limpa directa para o mercado, ou seria uma saída limpa com um programa cautelar, ou com um seguro, como também dizia.

Era mesmo um segredo de polichinelo, como o Marques Mendes – e de segredos ninguém sabe mais que ele – não se percebendo por isso tão grande cerimonial, e menos ainda razão de tanta festa. Saída à pescada (antes de ser já o era) é que lhe deveriam chamar!

A festa de Passos, a festa de Portas e a festa de cada um dos membros do governo, até do Maduro, e de cada um dos deputados da maioria, percebe-se. Claro, é campanha eleitoral, e em campanha vale tudo, como já estamos fartos de saber. A festa da comunicação social, dos jornais e das televisões, é que se tem mais dificuldade em perceber. Ou será que também estão envolvidos na campanha eleitoral? Se calhar estão…

É que ninguém diz que a saída do programa é só isso: saída deste programa. Que não há programa cautelar nenhum. Que não há, nem nunca houve, porque quem manda nisto não está mais para isso. 

Quem ficou um bocado entalado foi o Seguro que, assim, não morre de velho. No sentido político, bem entendido!

Uma saída cheia de graça

Por Eduardo Louro

 

Há muito que se anda a falar da saída do programa de assistência. Teve uma data, ainda antes das eleições – e até e um relógio em “count down” –, mas surgiu já outra data, lá para o fim dos festejos dos santos populares. Paulo Portas, o relojoeiro, já veio dizer que o relógio está certo: se é a 17 de Maio que se perfazem os três anos, e se o programa era para três anos, não há dúvida nenhuma. Há uma, mas insignificante, diz ele: 17 de Maio é sábado, as portas podem estar fechadas, e a saída poderá ter que passar para segunda-feira!

Não deixa de ter graça… Mas como se poderia achar muita graça a isto, nada melhor que arranjar umas coisas com mais graça ainda.

A saída era limpa, à irlandesa, como também se dizia mas se deixou de dizer. Saída directa para os mercados, sem programa cautelar, que ninguém sabe o que é masque a gente, cá deste lado, começa a perceber o que seja. Não é nada de linhas de crédito à cautela, de almofada, que nisso os finlandeses nem querem ouvir falar. É apenas e só um programa que garanta a continuação da austeridade – nem mais, nem menos!

E é por isso que já entrou no discurso de Paulo Portas – é sempre ele que fica nos cornos do boi, vá lá saber-se porquê – uma outra coisa ainda com mais graça: a saída, seja lá como for, é sempre limpa. Só um segundo resgate – ideia agora recuperada pela negativa, para logo dizer que, dado por certo há poucos meses, está agora completamente fora de cenário – seria saída suja. Como se com um novo resgate houvesse sequer saída!

Uma saída cheia de graça, é o que é!

A carta branca de Merkel

Por Eduardo Louro

 

A Alemanha apoiará qualquer decisão que o governo português tome – disse hoje Ângela Merkel, na visita que Passos Coelho lhe fez, em Berlim, com o pretexto da saída do programa da troika.

Quer dizer, Merkel decide como é, como tem que ser, mas a decisão é do governo português, que ela apoiará sem reservas… Como vai bonito este jogo de faz de conta!

Pantominices

Por Eduardo Louro

 

Ficamos ontem a saber, já sem qualquer dúvida, pela própria boca do Sr Mario Drahgi, que as pantominices e o relógio de count down de Portas não são mais que isso mesmo: pantominices.

A troika não vai embora coisíssima nenhuma e o segundo resgate aí está, travestido de uma coisa qualquer, chame-se-lhe programa cautelar - como o governo gosta -, contrato de seguro - como a ministra das finanças acabou de inventar – ou programa de assistência para a transição, como o número 1 do BCE lhe chamou.

Não há nisto qualquer novidade, há muito que se sabe que assim teria de ser. Vale simplesmente a pena salientar que, ao dizer o que disse agora, Mario Draghi, dilui o álibi do Tribunal Constitucional. O governo – e a troika e tutti quanti, incluindo as últimas imbecilidades e pantominices de Braga de Macedo – tudo tem feito para pressionar e culpar o Tribunal Constitucional. Se ainda há pouco o responsabilizava por um ameaçado segundo resgate, melhor agora o responsabilizaria.

O governo da Irlanda recusou assinar qualquer espécie de programa de transição porque, estando em condições de arriscar directamente os mercados, entendeu que não poderia aceitar as exigências da troika. Não recusou esse programa apenas porque pôde, mas também porque quis. Mas esse é o governo que já negociara um programa com um ajustamento orçamental bem menos exigente e um bem menor poder de destruição social e económica.

Andaram sempre a dizer-nos que Portugal não era a Grécia. Que nos colaríamos à Irlanda para, na carruagem de trás, seguir o mesmo percurso e atingir o mesmo destino. Tretas!

A Irlanda tem, agora que justamente concluiu o programa, acesso aos mercados financeiros a taxas de juro sustentáveis, que rondam os 3%.

Para Portugal as taxas de juro não baixam do dobro disso, e são evidentemente incomportáveis. E não é nem por especulação dos mercados, nem por nenhum Tribunal Constitucional. É porque os mercados perceberam, quando Vítor Gaspar desistiu e reconheceu que falhara, que falhara ele e tudo o que representava, ele e o programa em que acreditara. Porque, ao contrário da Irlanda, a economia foi destruída e não tem condições de crescimento. E porque ninguém consegue pagar uma dívida que, mesmo privatizando tudo o que havia para privatizar – as receitas das privatizações são para abate directo na dívida -, não tem parado de crescer, e já ultrapassa os 130% do PIB. E porque só nestas condições de austeridade, à custa da procura interna - reduzindo importações e aumentando exportações à custa do excesso de produção (face à redução do consumo) de combustíveis - Portugal consegue controlar o défice externo. E porque o país está a envelhecer, sem natalidade e com os jovens a emigrar. E porque o país empobreceu dramaticamente, e perdeu a massa crítica da classe média. E porque tem uma política de redistribuição de rendimento terceiro-mundista…

António José Seguro, passa ao lado de tudo isto, e protesta que o governo está a negociar o programa nas costas e à revelia do PS. Programa que Passos, voltando a mentir, garante ser para um ano … Para que sinta dispensado de tudo e mais alguma coisa. Até de negociar, o que quer que seja, com quem quer que seja… Mesmo que seja o novo programa. E mesmo que seja com a troika, com os técnicos ou com o topo da hierarquia!

Quando não se sabe para onde vai qualquer caminho serve

Por Eduardo Louro

 

Depois de a Irlanda anunciar que sairia do programa da troika sem mas nem meio mas, directinha para os mercados por sua conta e risco, começou a ouvir-se da parte do governo português semelhante intenção. Ouvir tal coisa a Paulo Portas até poderia não surpreender - há muito que perdeu a capacidade de nos surpreender -, mas ser Passos Coelho a pretender que levemos a sério essa hipótese ultrapassa a nossa capacidade de entendimento do que se esteja a passar.

E não é apenas por a nossa situação económica estar bem longe da irlandesa. Nem por as causas dos problemas da Irlanda (eminentemente financeiros, do próprio sistema financeiro) e de Portugal (fundamentalmente económicos) serem completamente diferentes. Nem sequer por estarmos com resultados piores do que os levaram ao resgate. É porque ainda há pouco mais de um mês o primeiro-ministro ameaçava com o segundo resgate, e há apenas duas semanas o ministro da economia informava em versão lapso que o governo estava a preparar um programa cautelar!

Ou nada disto passa de um jogo de póquer, onde a vida dos portugueses se joga como fichas de casino ou – o que não dá em nada de muito diferente -, como não sabe para onde vai, para o primeiro-ministro qualquer caminho serve…  

À cautela, o melhor é ir andando...

Por Eduardo Louro

 

A Irlanda conclui o seu programa de resgate a 15 de Dezembro e já comunicou que conclui mesmo, sem sofismas. Acabou. Ponto final!

Quer isso dizer que o célebre Programa Cautelar não é para lá chamado, com muita pena do governo português. Os irlandeses – e não me refiro ao governo, refiro-me à opinião pública – sabiam bem que era essa a única saída, que Programa Cautelar ou Segundo Resgate são uma e a mesma coisa. As pequenas nuances que os podem separar não alteram em nada a submissão e o garrote!

A Irlanda partiu de base diferente, os seus problemas eram diferentes – o seu problema era o sistema financeiro, enquanto o nosso, começando na economia, rapidamente passou também para o sistema financeiro - mas também fez diferente e esteve sempre mais bem colocada ao longo do programa. A economia irlandesa goza de uma série especificidades que fazem uma grande diferença para a economia portuguesa, mas que, comparadas com as de que Portugal poderia potencialmente dispor são pouco mais que irrelevantes. Simplesmente a Irlanda usa as vantagens comparativas de que dispõe, enquanto Portugal mantém virtuais as suas vantagens potenciais.

A Irlanda não tem os problemas do seu sistema financeiro resolvidos, coisa que os testes de stress que se avizinham virão demonstrar. Mantém um défice orçamental altíssimo, muito acima do português, e “apenas” – é isso o fundamental – leva vantagem nas actuais taxas de juro do mercado, pouco acima dos 3%, contra a nossa pouco abaixo dos 6%.

A Irlanda percebeu que o melhor programa cautelar era pôr ponto final nisto. Que, á cautela, o melhor era ir andando...

Entretanto nós por cá vêmo-nos cada vez mais gregos!

Programa cautelar

Por Eduardo Louro

 

António Pires de Lima, actual ministro da economia e ex-ministro da economia do novo ciclo, do CDS, anunciou em Londres que Portugal está a preparar o programa cautelar para começar a negociar no início de 2014.

Moreira da Silva, actual ministro do ambiente, da ordenação do território e da energia, e ex-Marco António Costa do PSD, diz que sabe o que é um programa de resgate, que é aquilo a que Portugal está sujeito até Julho do próximo ano, mas que não sabe o que é um programa cautelar. E reforça:  "Essa notícia deve ser clarificada. Programa cautelar é uma definição que ainda não existe no espaço público e por isso não me quero pronunciar".

Quer dizer: o programa cautelar - que Moreira da Silva nem sabe o que é - existe no governo, não existe é no espaço público. E quando vier a existir, Moreira da SIlva diz que não será o CDS a dar-lhe existência. Continua bem a coligação. De boa saúde, recomenda-se...

Entretanto, à cautela, Carlos Moedas reforça a equipa de "acompanhamento da execução de medidas do memorando". Com dois especialistas, de 21 e 22 anos, de "excelentes currículos académicos" e vasta experiência profissional:um estágio profissional de 3 meses no Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia e Emprego!

Não há programa cautelar que nos resgate a esta gente!

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