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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

MISSÃO PUNITIVA

Por Eduardo Louro

  

Restam cada vez menos dúvidas que este governo, e Pedro Passos Coelho em particular, entendem que estão investidos da nobre missão de punir os portugueses, essa cambada de preguiçosos e malandros que não gosta de trabalhar e que nada mais vê que feriados e pontes, folia e carnaval. Que vive há anos no dolce fare niente de sol e praia, entre festas e copos, à custa do dinheiro que foi pedindo emprestado até não poder mais!

Pedro Passos Coelho não se sente na pele do capataz da União Europeia e do FMI, que tem por missão exclusiva velar pela execução as suas ordens: sente-se na pele do carrasco que executa a pena com sádico prazer.

Sente que está incumbido da missão histórica de livrar o universo de uma espécie humana que não tem cabimento na sua visão do mundo, por acaso a mesma dos pobres coitados que, enganados e vigarizados por essa cambada, despejaram generosamente o seu dinheiro pelo pequeno rectângulo da ponta ocidental da Europa onde, ao longo de anos, se foi concentrando a última casta da humanidade que acreditou poder viver do que caía do céu. Por isso os enxota do conforto do rectângulo, pouco lhe importando o destino que tomam. Manda emigrar uns enquanto vai exterminando os outros!

É assim se percebe o discurso piegas. É assim que se percebe a estória do carnaval. É assim que se entende a extinção de feriados, mesmo que marcantes da construção da identidade nacional. E é assim que se compreende que um primeiro-ministro possa mandar dividir o PIB por 365 para saber quanto custa cada feriado!

PUNIÇÃO

Por Eduardo Louro 

 

Não tenho tido oportunidade de me aperceber das opiniões publicadas sobre a decisão do governo grego de submeter a referendo o plano de apoio financeiro comunitário, mas não me custa nada admitir que as opiniões se dividirão. Que haverá quem ache que Papandreou assumiu uma atitude com tanto de cobardia quanto de ingratidão, como quem ache que assumiu a única atitude que lhe era possível tomar: procurar a legitimidade democrática para suportar um dos mais violentos ataques à soberania e à dignidade de um povo! Que haverá quem o ache um louco e quem o ache muito esperto!

Sou dos que acham que, na realidade, não lhe restavam muitas alternativas. E também dos que acham que a democracia é sempre solução! E que os problemas crescem desmesuradamente quando se escondem dela!

Mas o ponto que me traz aqui não é esse exactamente esse. É a ironia da história!

É muito provável que o “não” ao pacote saia vencedor deste referendo, com o consequente abandono da moeda europeia e o regresso à velhinha dracma. E que os gregos venham a cair num buraco muito negro, com o empobrecimento imediato brutal e a garantia da perda contínua de poder de compra, com taxas de inflação verdadeiramente assustadoras. Cairão num inferno profundo, do qual nunca se saberá quando sairão!

Circunstâncias em que o euro, muito provavelmente, implodirá. Dificilmente resistirá a esta desgraça mas, se o conseguir, o sistema financeiro europeu sofrerá um abalo do qual demorará muitos anos a recompor-se!

Toda a gente perde. E muito! E é a vitória definitiva do espírito punitivo que marcou a estratégia que a UE escolheu para fazer frente à crise das dívidas soberanas. É a punição da Grécia por todos os seus abusos, ao longo de anos e anos. Mas também a punição da União Europeia pelas suas hesitações, pela falta de capacidade de decisão e pela ausência de liderança!

 

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