Uma boa notícia
No fim-de-semana em que, numa América a ferro e fogo em protesto contra a barbárie policial de incidência racista, mais uma vez repetida no assassinato de Geoge Floyd, morto como dantes se matavam os porcos, astronautas da NASA, a bordo da Dragon, da SpaceX, de Elon Musk, fizeram a história do primeiro voo privado para o espaço, em Portugal a notícia foi a do homem que irá procurar dar sentido aos milhares de milhões que virão da Europa. O comboio de zeros que, como ainda ontem dizia o RAP, por enquanto não passa de zero mil milhões de euros.
É uma boa notícia, mesmo que a forma encontrada para a dar possa não ter sido a melhor. Escarrapachada na primeira página do Expresso poderá não ter sido a melhor maneira de se apresentar. E não é por ser à maneira antiga, que parece já ultrapassada. É porque assim, em letras garrafais na capa de um jornal de referência de grande circulação, a notícia ficou ali, meio despida, sem saber como se defender dos galifões prontos a atirarem-se-lhe.
É, antes de tudo, uma boa notícia porque revela a preocupação em "lidar com a bazuca". A preocupação de procurar saber muito bem o que fazer com esse dinheiro, que é uma das nossas crónicas dificuldades. A preocupação em aproveitar esta oportunidade para definir uma missão e um conjunto de ideias estratégicas portadoras de futuro para o país.
É uma boa notícia porque revela que se entrega a tarefa de encontrar a missão a uma pessoa da sociedade civil, politicamente independente, e fora do saturado jogo político. António Costa e Silva é um homem de indiscutível competência, que integrará sempre a menos discutível das short lists dos portugueses com capacidade de visão estratégica para o país.
E é ainda uma boa notícia porque mostra que há cidadãos desse quilate disponíveis a ajudar o país sem pedir nada em troca. E esta é uma grande notícia!
É tão boa notícia que rapidamente engoliu o "para-ministro", o neologismo que imediatamente lhe saltou à frente. A missão de António Costa e Silva não tem nada a ver com tutelas políticas e administrativas. Nem com negociações, nem com diálogo político. Trata-se simplesmente - o que não tem nada de simples - de traçar um plano estratégico para a utilização eficaz dos recursos que aí virão, e projectar um rumo para o país.
Que depois será obviamente objecto de discussão política. E depois de aprovação, e ainda depois de implementação. Onde conviria não estragar muito!
A notícia, é boa. O resto veremos...
