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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Teixeira dos Santos, o ministro das finanças, ficará na História como o ministro da banca rota, ficará para sempre ligado à imagem do desgoverno, dos PEC`s - uns atrás dos outros sem que nada resolvam –, dos erros trágicos nas contas públicas que não param de corrigir défices em alta - 2008, 2009 e 2010 - e da falta de credibilidade do país. Quando olharmos para este que é um dos períodos mais negros da História de Portugal veremos sempre dois rostos: José Sócrates e Fernando Teixeira dos Santos!

Este é o resultado da capitulação do Teixeira dos Santos perante a estratégia suicida de Sócrates. Teixeira dos Santos, por razões que a razão desconhece, depressa deixou de ser um técnico respeitado e altamente prestigiado e de inquestionável competência, para se transformar num capacho político. No capacho de Sócrates! Depressa deixou de ser o ministro que carregava o governo às costas, que lhe dava substancia e credibilidade, para passar a ser um irresponsável e desacreditado funcionário de Sócrates. Quem o conhecia nem queria acreditar!

Ficou agora fora das listas do PS. Mas pior que ficar de fora é a forma como ficou: sozinho e abandonado como qualquer descartável. Como um cão abandonado pelo próprio dono, um dono a quem se havia dedicado com toda a fidelidade!

Adivinhara aqui este desfecho no próprio dia do debate parlamentar do PEC, quando ficou só, e já abandonado, a representar o governo no parlamento, enquanto Francisco Assis era aplaudido de pé e em êxtase. Mas também já o adivinhara quando o PS criou a doutrina – a primeira das muitas que se têm sucedido para intoxicar a opinião pública – de que o problema do PEC não passara de um erro de comunicação. Quando António Costa o exibiu – a lembrar o actual momento pascal – como o pior e o mais inábil mensageiro político do hemisfério norte. Disse eu então que Teixeira dos Santos merecia aquela sua condição de cordeiro pascal pronto para o sacrifício. Reafirmo-o agora, quando se sabe que o último e decisivo pontapé de Sócrates aconteceu precisamente quando o ministro das finanças, que há muito sabia que já devia ter pedido ajuda externa, teve que mandar uma resposta por escrito para o Jornal de Negócios a anunciá-la!

Teixeira dos Santos vendeu a alma ao diabo (nunca a expressão terá feito tanto sentido, Sócrates é mesmo o diabo)! Só o diabo nos quer comprar a alma, mais ninguém ousa fazer uma proposta dessas… A alma não é para ser vendida! E são negócios do diabo os negócios com o diabo...

Gente Extraordinária

SIC Notícias | Operação Olíssipus. Câmara Municipal de Lisboa alvo de buscas

Mais um caso a abrilhantar estes dias que vivemos. Desta vez na Câmara Municipal de Lisboa, alvo de buscas da Polícia Judiciária. Tem nome, como não podia deixar de ser, e chama-se Operação Olissipus 

Enquanto dela nada sabemos, ficamos a saber que o Presidente Fernando Medina, ainda antes de alguém olhar para ele, já estava a apontar o o dedo para Manuel Salgado, que já lá não está. Com o desplante de dizer que não era ele a apontá-lo, era o comunicado da PJ. Que não o fazia.

Bonito de se ver.

Como bonito foi ver Carlos Moedas a sair à pressa pata surfar a onda, comparando logo Medina a Sócrates. 

Gente de elevada estatura, digna de ser levada a sério. Aqui chamamos-lhe gente extraordinária.

Os adeptos são quem mais ordena

Torcedores do futebol protestam contra a proposta da Super Liga Europeia fora do estádio de futebol Stamford Bridge, em Londres. (Foto: Adrian DENNIS / AFP)

Tudo já indica que o projecto da Super Liga Europeia abortou. Um a um, todos os seis clubes ingleses estão a abandonar o projecto. À excepção do Chelsea, que evidentemente não poderá deixar de o fazer, todos o comunicaram já oficialmente. E Florentino Perez fica agora a falar sozinho, sem nada para dizer aos seus compatriotas do Barcelona e do Atlético, e aos italianos de Milão e Turim a quem dera boleia nesta aventura.

Os alemães, e em especial o Bayern, como aqui tinha referido, ao demarcarem-se da iniciativa, tinham dado o mote. Não foi isso que incomodou os clubes ingleses, todos propriedade dos senhores do dinheiro. Quem fez recuar os donos da bola em Inglaterra foram os adeptos. Não precisaram de mais de 24 horas para mostrarem aos donos da bola que, sem eles, não há futebol. E gostam tanto de dinheiro que não podem fazer como os meninos ricos do antigamente que, quando não aceitavam as regras, pegavam na bola e levavam-na para casa.

Os adeptos são quem mais ordena. Pelo menos em Inglaterra, onde deram mais uma lição ao mundo. Não tenho grandes dúvidas que isto não seria possível em qualquer outro país!

 

Super Liga Europeia - a caixa de pandora da UEFA

Capa Jornal A Bola

A anunciada Super Liga Europeia, uma competição para juntar os maiores colossos do futebol europeu, e naturalmente mundial, a jogarem entre si, já com doze membros, e à espera de mais três, para constituírem os quinze fundadores, que depois escolherão cinco pobres para se juntarem à mesa, está a gerar grande indignação. Em especial entre os verdadeiros agentes do jogo - jogadores, treinadores e adeptos!

As instâncias políticas reprovam também o projecto, e as instâncias máximas do futebol, UEFA e FIFA declaram-lhe guerra. E no entanto são estes órgãos do topo da pirâmide do edifício do futebol europeu e mundial os primeiros e principais responsáveis pelo surgimento desta Liga dos ricos. Podem agora até fingirem de virgens ofendidas, mas são o verdadeiros culpados desta peregrina ideia ter nascido.

São culpados desde logo quando liquidaram as competições europeias, desportivamente sustentadas nas competições nacionais, para criar a Liga dos Campeões, rendidos ao objectivo de gerar dinheiro. Mais dinheiro e mais concentrado (Inglaterra, Espanha e Alemanha e Itália, com França numa segunda linha) para alimentar a espiral de enriquecimento, que faz dos ricos cada vez mais ricos.

Ora, os ricos, querem ser cada vez mais ricos. É natural. E era por isso inevitável que, depois da porta aberta pela UEFA, os clubes mais ricos queiram ainda mais.

Já são, na sua esmagadora maioria, detidos por grandes magnatas internacionais, da finança ou simplesmente do crime, organizado ou mesmo de Estado. Gente que neles investiu apenas para ganhar dinheiro com as suas representações, e com a sua projecção nas emoções dos adeptos. Às vezes apenas mesmo para, da mesma forma, lavar dinheiro.

Por isso, repito, nada de anormal nesta iniciativa destes doze clubes. Nem de novo. Esta é uma ideia que existe há muito, e que há muito defendem.

Acresce que a UEFA e a FIFA ao abrirem aquela caixa de pandora não resistiram a meter lá as mãos. Enriqueceram com ela e, pior, encharcaram-se em corrupção. Fazem parte do problema, o que torna mais difícil fazer parte da solução.

Mais uma vez ficamos com o exemplo alemão. Não entram nisto. E se calhar vale mais essa atitude do Bayern de Munique que todas as ameaças do Sr Ceferin.

 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Suponho que nunca como agora Portugal terá estado tão debaixo de olho da comunidade internacional. O número de correspondentes dos maiores e mais influentes jornais do mundo tem engrossado nos últimos tempos.

O mundo quer saber o que se passa cá. Os credores querem saber o que fizemos ao dinheiro, como vivemos, se temos gosto pelo trabalho, como tratamos das coisas… Não se preocupam se merecemos ajuda, preocupam-se é se merecemos crédito. Se valerá a pena emprestarem-nos o seu dinheiro e, mais do que isso, se teremos condições para lho pagar de volta.

É realmente muita coisa que, aos olhos de toda esta gente que por cá vai passando, está em jogo. São todos estes correspondentes que irão levar a nossa imagem ao mundo. Uma imagem que já está viciada à partida: a maioria destes correspondentes aterra em Lisboa já com uma ideia pré-estabelecida. Com preconceitos, evidentemente! Que, como todos os preconceitos, resvalam muito frequentemente para a caricatura, que nada tem a ver com a realidade. Creio que todos nós tivemos já oportunidade de constatar muitos desses preconceitos: analfabetos, baixíssima educação cívica – o nosso comportamento nas estradas suporta o mais pesado rótulo que nos colam à testa – calões, irresponsáveis, etc.

Estes correspondentes, que se instalam nos nossos melhores hotéis e passam uma ou duas semanas entre os nossos melhores restaurantes e os mais cosmopolitas cantos de Lisboa, levam uma visão de nós que nada tem a ver com aqueloutra dos muitos estrangeiros que se fixam entre nós e connosco partilham vidas. E não me refiro sequer ao típico imigrante, aos que escolheram o país à procura de melhores condições de vida, de condições que os seus países, menos desenvolvidos, lhe não podiam oferecer, refiro-me aos muitos que escolheram Portugal depois de aqui terem vislumbrado, entre as condições naturais do país e a nossa própria cultura, verdadeiros factores de qualidade de vida. Estes, ao contrário dos primeiros, já cá se fixaram despidos de preconceitos – caso contrário não o teriam feito - e têm realmente oportunidade de nos conhecerem. De conhecerem a nossa solidariedade, a nossa forma aberta de receber e de nos relacionarmos, a nossa gastronomia, e tantas outras nossas coisas boas. E as más, evidentemente!

Mas estes poderão, quanto muito, escrever isso numas cartas e juntar umas fotografias que mandam às suas famílias. Os outros fazem chegar a sua visão, as suas experiências e os seus preconceitos a toda a gente, a todo o mundo!

E fazem-lhe chegar que os restaurantes estão cheios, que têm de esperar em fila por uma mesa na Trindade, que à noite, no Bairro Alto, não cabe uma agulha e que, chegada a semana da Páscoa – com praticamente 5 dias de feriados, onde para além dos homens da troika da “ajuda externa”, mais ninguém trabalha – os portugueses correm para o sol e esgotam a capacidade hoteleira do Algarve onde, de papo para o ar, dão uma semana de férias à crise. É isto que vai correr por esse mundo fora. Que vai alimentar as opiniões públicas da Alemanha, da Suécia, da Holanda e da Finlândia… Esses que não acham boa ideia que os seus governos nos emprestem dinheiro!

Quero crer que a meteorologia quis temperar um pouco isto. É a vingança do tempo: já que vocês não se sabem dar ao recato e dão esta imagem a estes tipos, tomem lá chuva e frio em vez de sol!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Anda tudo muito agitado com a falta de propostas eleitorais dos partidos políticos. O PSD não tem programa e o do PS é o PEC4 - é o que se ouve por todo o lado. E que quer dizer apenas isto: do PSD não sabemos nada e, do PS, o que sabemos não presta.

É verdade – sabemos pouco do PSD. Mas, do PS – e então deste PS que insistiu em apresentar-se com a mesma roupa, e nem sequer lavada – sabemos de mais. E sabemos que não presta, não é apenas o PEC que não presta!

Mas voltemos ao grande problema que preocupa hoje os portugueses – os programas eleitorais dos partidos. Ou melhor: a falta deles! Especialmente a do programa eleitoral do PSD.

No Eixo do Mal, da SIC Notícias do último sábado, era a Clara Ferreira Alves que levantava uma folha de papel para a câmara e dizia:”olhem, aqui está o programa do PSD”. Nas entrevistas deste fim-de-semana – ao Expresso e à RTP – Fernando Nobre, o homem de quem se fala, também lamentava essa falta. Mais acentuada quando chegou a correr que ele próprio teria estado envolvido na sua preparação. Ontem era ainda Freitas do Amaral, numa boa entrevista na RTP, a voltar a apontar o dedo a esta falha grave. Que não entendia, acrescentava, porque não é necessário um calhamaço de uma tese de doutoramento com 500 páginas: basta uma simples folha de papel com uma dúzia de ideias. Para o provar recorreu mesmo ao baú das suas memórias da histórica liderança do CDS, quando recordou que se era preciso apresentar qualquer coisa de um dia para o outro, tudo se resolvia numa noitada com o Adelino Amaro da Costa e o Basílio Horta (sim, sim, esse mesmo – o cabeça da lista do PS por Leiria).

Isto já para não falar do jogo politiqueiro, onde o PS já dá tanto uso a este argumento como ao da culpa pelo chumbo do PEC e pela crise política.

Confesso que também a mim me fez uma enorme confusão que, ao fim de um ano – e que ano, um ano com o governo sempre no fio da navalha – a nova liderança do PSD não tenha tido forma de delinear a tal dúzia de ideias, quando andou erraticamente a passear por becos e ruelas. Para onde entrava sem que ninguém percebesse e donde saía só depois de andar a bater com a cabeça por aquelas paredes.

Nada que entretanto não tenha percebido, e nada por que me não penalize. Afinal era preciso vistas bem largas para perceber isto. Humildemente reconheço que as minhas vistas curtas me impediram de lá chegar mais cedo. Lamento é ter de denunciar as vistas curtas de personalidades como as que acima referi!

É que, como é hoje perfeitamente evidente para a maioria dos comuns mortais, não faz qualquer sentido que um partido – seja ele qual for – apresente um programa eleitoral. Não faz sentido, mas também não pode: o programa está ainda e apenas no início da preparação. Estão só agora a decorrer os primeiros contactos com os parceiros sociais – os sindicatos foram hoje recebidos, e as organizações patronais apenas amanhã – e com os partidos políticos. Encontros que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista recusaram liminarmente!

E como a coisa não se resolve numa noitada, nem com uma dúzia de ideias numa folha A4, como preconizava Freitas do Amaral, o programa dos partidos ainda está bem atrasado. Os homens nem sequer vão gozar os feriados da Páscoa para não atrasar a coisa. Mas, mesmo assim, só lá para o final da próxima semana – que também será fim do mês - é que haverá fumo branco. Nessa altura já ninguém perguntará pelo programa de quem quer que seja!

Pelos vistos apenas ao PCP e ao BE se pode exigir que apresentem as suas propostas para o país. O Bloco já se mostrou disponível, mas a conta gotas: serão 20 pontos – mais que a tal dúzia – a apresentar ao ritmo de um por dia!

Percebe-se que o outro chegará primeiro!

 

"À justiça o que e da justiça e à política o que é da política"

 

Tendo a concordar que mais importante que o que resultar da aplicação da Justiça no caso Marquês - mesmo que continue a considerar que a resposta célere e clara da Justiça é fundamental em democracia e no Estado de Direito - é, no particular que respeita a Sócrates, o que já resultou na condenação política, ética e comportamental do antigo primeiro-ministro.

Se, sobre essas três dimensões, raras dúvidas subsistiam no final da sua governação, e muitíssimo poucas até aqui, nenhuma hoje sobra, depois do que se seguiu à pronúncia de instrução, com todas as questões jurídicas que levanta, e que são muitas, como se tem visto. 

A condenação política, ética e comportamental de José Sócrates, como pessoa e cidadão que ocupou durante seis anos o mais alto cargo executivo do Estado, é hoje unânime, incontroversa e definitiva.

Falta no entanto talvez o mais importante -  perceber como foi possível o país ter estado nas mãos de uma personagem destas e, mais importante ainda, perceber se está ou não afastado o risco de entregarmos o poder a pessoas desse calibre.

Quando coloco a questão nestes termos estou a colocá-la em termos gerais, o que significa que estou a convocar os partidos políticos - todos - mas também os cidadãos. Todos. É no entanto evidente que o PS tem aqui um papel muito particular, porque foi na sua esfera que tudo aconteceu.

Se é estranho, e perturbador, o silêncio institucional da maior parte dos partidos nesta questão, é de todo intranquilizante a falta de uma reacção clara e inequívoca do PS. Do partido, mas também das seus dirigentes que mais próximos estiveram de Sócrates, e que hoje se mantêm nas mais altas esferas da actividade política, e do poder.

Todos sabemos o que Augusto Santos Silva, Ministro dos Negócios Estrangeiros do actual e do anterior governos de António Costa, foi ao lado de Sócrates. O papel de João Galamba, Secretário de Estado da Energia do actual governo, na corte de Sócrates. Ou, ainda acima de todos, do eurodeputado Pedro Silva Pereira. E ninguém fica tranquilo se eles não tiverem nada a dizer, como não têm. Ou não tiveram até aqui.

Dos mais próximos do núcleo duro de Sócrates, e que Costa também recuperou, apenas Vieira da Silva, talvez por já não fazer parte do actual governo, se pronunciou. Mas não foi mais longe que considerar "que o titular de um cargo público tem a obrigação ética e moral de explicar de forma clara a origem de todos os seus rendimentos com toda a transparência, clareza e rigor”, e que “se isso não for feito, estamos perante uma situação grave.” Ou seja, da excepção, veio pouco. Muito pouco.

E tivemos reacções fortes e sem paninhos quentes de Fernando Medina, que mereceram a mais violenta resposta de Sócrates, de quem fora Secretário de Estado de Sócrates. Mas quando o deputado e ex-líder da JS, Pedro Delgado Alves, disse qualquer coisa que pudesse abrir as portas ao que o País espera do PS, aludindo a “um processo de autocrítica relativamente ao que correu mal e não pode voltar a correr” e que o partido “deve encarar os fantasmas cara a cara para a democracia se proteger” a direcção do partido, pela voz de Ana Catarina Mendes, a líder parlamentar que é a voz de Costa, caiu-lhe em cima.

É isso. António Costa continua a achar que lhe basta a frase batida do "à justiça o que é da justiça, e à política o que é da política" para passar entre os pingos da chuva. Não passa, molha-se. Porque agora é de política que se trata. E da mais séria, não é daquela com que está habituado a brincar. De Justiça, por muito que não o compreenda, estamos entendidos. Aconteça o que acontecer.

Agora é "à política o que é da política". É preciso explicar como é que gente desta trepa pela pirâmide dos partidos acima. Que teias tece. Que redes cria. Como vive quem vai trepando até ao topo e, se for estranho, se lhes basta a resposta que o avô tinha volfrâmio, a mãe um cofre, e um amigo muito dinheiro para lhe emprestar. 

É preciso dizer "fomos enganados" e "tudo faremos para não voltarmos a sê-lo". E é preciso que se deixem de tretas quando falam de declarações de rendimentos, de enriquecimento injustificado ou de incompatibilidades de titulares de cargos políticos.

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Com a constituição e apresentação das listas de candidatos às próximas eleições os independentes vieram para a ribalta. E de que maneira!

É, nestas alturas, inevitável. Os partidos não têm em Portugal a melhor das imagens – antes pelo contrário -, a sociedade civil tem pouco espaço, a vida pública (e política) está demasiado partidarizada, os partidos são fechados sobre si mesmos, o próprio regime é muitas vezes visto como uma partidocracia. Isto já não falando das clientelas partidárias, da tomada de assalto do aparelho de estado, da percepção que os cidadãos retêm de que são os partidos os principais bloqueadores da reforma do Estado e mais uma infinidade de argumentos – que não caberiam em duas ou três páginas – que fazem com que os partidos, chegada a hora das listas, se desdobrem à procura de independentes. Que lhes compensem alguma da credibilidade perdida, que lhes abram portas a espaços proibidos, que lhes garantam, enfim, mais uns votos. Porque é isso, ao fim de contas, que todos procuram!

E, no entanto, reflectindo um pouco e indo um bocadinho mais para além deste horizonte curto que se nos depara sempre que aceitamos a primeira vista como definitiva, começa a parecer-nos que há aqui qualquer coisa que não bate certo. Este clique surgiu-me à entrada deste fim-de-semana quando, conversando com alguém envolvido no processo de constituição das listas e presidente de uma concelhia do PSD, fui surpreendido com a mais desassombrada das reacções: “…eles só querem independentes e mais independentes nas listas então também terão que mandar os independentes fazer o trabalho que nós fazemos…” Quando poderia imaginar que esta seria a menos politicamente correcta das reacções, a observação inconveniente que nem em desabafo eu ouviria percebi, de imediato, que aquilo sim. Aquilo é que é normal e natural. Percebi aqui a primeira e grande contradição desta obsessão dos partidos pelos independentes. Não é natural – é mesmo contra-natura – que gente que dedica grande parte da sua vida a um partido - uma opção que é indissociável de uma vontade de intervenção política – quando chega a hora de se apresentar e de se submeter à avaliação por que sempre esperou, seja afastada dessa oportunidade por alguém que vem de fora. Alguém que, ainda para mais, têm de carregar às costas durante toda a campanha eleitoral.

Esta lógica tem graves consequências no processo de descredibilização dos partidos, a começar pela sua própria desacreditação. Quando um partido procura independentes está a dizer que os seus, os que lá estão, não são de confiança. E se é o partido a desconfiar deles como é que poderemos nós acreditar? Mas é também aqui que vamos encontrar a origem genética do problema do assalto ao aparelho de estado. É que os sapos que os militantes engolem neste processo terão de ser compensados… Mas quando recruta independentes está não só a dizer ao eleitorado que não tem confiança nos seus como, de alguma forma, a pedir-lhe um cheque em branco. Porque um independente é alguém que não comunga da ideologia do partido e, nessa medida, menos previsível. Que dá menos garantias de prosseguir um rumo conhecido e balizado por valores e conceitos ideológicos: veja-se o caso Fernando Nobre – o mais mediático e discutido de todos os independentes – que provocou ontem algo de verdadeiramente surreal, com Passos Coelho a reclamar-lhe clareza e que deixasse tudo esclarecido na entrevista à RTP onde, de resto, viria a reafirmar a sua condição de homem de esquerda.

Mas há ainda outro aspecto, que muito tendemos a valorizar, onde os independentes ficam a perder: a independência perante o líder. Os militantes do partido têm sempre mais por onde bater o pé ao líder que os independentes. Porque as lideranças passam e eles ficam. Ao passo que os independentes só lá estão pela vontade do líder, de quem dependem em absoluto e a quem - é assim a vida – são incapazes de dizer não.

Foi bom enquanto durou

 

Acabou. Foi bom enquanto durou, mas acabou-se. Durou pouco, apenas sete jogos, este jogo de "ses" que, depois das duas últimas jornadas do campeonato, alimentou o remoto sonho do Benfica poder vir ainda a voltar a ser campeão. Se o Benfica ganhasse todos os jogos até ao fim do campeonato, se o Sporting perder mais seis pontos... Se isso acontecesse, e mesmo que o Porto ganhasse todos os outros jogos, no final os três somariam 81 pontos, coisa inédita.
E o Benfica seria campeão. E o Sporting seria segundo e o Porto terceiro.
Com este jogo de hipóteses no ar, e com o desempenho da equipa nos últimos sete jogos, ninguém esperaria que o Benfica hoje entrasse em campo sem a convição de quem queria ganhar o jogo. De quem só poderia ganhar o jogo.
Estranhamente, se é que ainda alguma coisa se estranha neste Benfica,, não foi com esse espírito que a equipa entrou hoje na Luz, na recepção ao Gil Vicente. E acabou o sonho. Até esse mal menor do segundo lugar, de acesso directo à Champions, não passa hoje de uma miragem. E mesmo o terceiro lugar depende agora do que se seguir, onde o mais provável neste momento é voltarmos a assistir ao desmoronar da equipa.
O jogo deixa pouco para contar, para além das consequências de uma derrota que jogadores, em primeiro lugar, mas também o treinador, fizeram pouco por evitar. Começou por ser um jogo sem balizas, o que demonstra a falta de ambição do Benfica. Que convinha ao Gil, bem distribuído no campo todo, e sempre a encontrar espaços para jogar.
O Benfica não pressionava. Nem alto, nem baixo. Simplesmente deixava jogar. E pôs-se a jeito daquilo que antes acontecia, e que pensávamos que faria parte do passado. À primeira oportunidade o Gil marcou, iam decorridos 35 minutos de jogo, sem que o Benfica tivesse sequer efectuado um remate. De resto, na primeira parte o Benfica, o Benfica fez apenas duas espécies de remates. De cabeça, ambos, e ambos sem qualquer sentido.
O Gil Vicente não foi apenas melhor que o Benfica. Foi muito melhor, e nem sequer precisou de caprichar muito, perante um adversário totalmente desinspirado e negligente.
À entrada para a segunda parte Jorge Jesus desfez o trio de centrais (!) , trocando Lucas Veríssimo por Everton, que voltou a não acrescentar nada. Esperar-se-ia que a equipa mudasse de atitude e de qualidade de jogo, e que asfixiasse o Gil, lá atrás. Só que a primeira oportunidade, logo ao terceiro minuto, voltou a pertencer à equipa de Barcelos, e ficou dado o mote. Aos sete minutos surgiu a primeira oportunidade do Benfica, perdida pelo de novo desastrado Seferovic. Mas, cinco minutos depois, consentia nova oportunidade ao adversário.
Depois foi carregar sobre o meio campo adversário, empurrá-lo finalmente lá para trás, mas uma incapacidade absoluta de ultrapassar a sua organização defensiva. Com o futebol do costume. sem dinâmica, sem remates de longe, sem linha de fundo, sem presença e pressão na área adversária, e com passes e recepções errados.
No meio disto, o Gil vai lá à frente e, desta vez à terceira oportunidade, marca o segundo golo. Numa jogada que transmite tudo o que foi a equipa do Benfica, com um único jogador gilista a fugir pela esquerda sem ninguém o acompanhar, a entrar na área com o próprio Otamendi a renunciar a acompanhá-lo até ao fim, e a marcar já e, cima da linha de fundo. Quer dizer, com um ângulo fácil de cobrir pelo Helton Leite. Que não fez uma única defesa, levou dois golos, e poderia ter levado mais.
Claro que, mesmo assim, o Benfica teve oportunidades que poderiam até ter bastado para ganhar um jogo que nunca mereceu ganhar. Se as conseguisse aproveitar. Não conseguiu, e até o golo de honra, a 4 minutos dos 90, teve de ser marcado por um defesa adversário na própria baliza, mesmo que numa tabela na sequência de mais uma boa defesa do seu guarda-redes.
 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Miguel Relvas, hoje, à saída do Conselho Nacional que aprovou as listas para as próximas eleições: “Vi hoje as listas do PS e quem lá está? Os ministros e secretários de estado que quase arruinaram Portugal. Não arruinaram porque o PSD não deixou”!

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