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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas

Quando se fala do estado da banca espanhola, fala-se em números que batem todos os dias novos recordes.

As perdas sobem já aos 260 mil milhões de euros, e fala-se na necessidade de uma ajuda de 60 mil milhões. No Bankia – que resultou da fusão de oito Cajas de Haorro – começou por se falar de 4 mil milhões, depois nove. O Estado espanhol já lá pôs 4,5 mil milhões e, para já, o Banco pediu mais 19 mil milhões!

As agências de rating já fizeram o seu trabalho, e mandaram alguns deles para o lixo. Já vimos isto…

Rajoy grita aos sete ventos que não precisa de ajuda externa. Já vimos isto…

Ainda falta saber o que vai por aquelas autonomias fora. Não falta saber tudo, porque a mais próspera – a Catalunha – já pediu com urgência dinheiro ao governo. O presidente desta região autónoma – Artur Mas – utilizou mesmo uma expressão curiosa: “Não queremos saber como eles o farão, mas nós precisamos de fazer os pagamentos até ao final do mês”!

Pois é. As autonomias falam assim. Também já vimos isto…

A Espanha não é Portugal… Pois não. É Portugal, mais a Grécia, mais a Irlanda…

O vírus tramou o nosso campeão

Diretor de João Almeida fez as contas: ″Carapaz tem de ganhar um minuto″

 

 Depois de em 2020 se ter revelado ao mundo do ciclismo, trazendo a maglia rosa  no corpo durante duas das três semanas do Giro, e consluindo no quarto lugar da geral, e de no ano passado, mercê de uma série de equívocos da sua equipa de então, ter acabado na sexta posição, a poucos milésimos de segundo do quinto, João Almeida entrou neste Giro deste ano com aspirações a vencê-lo ou, no mínimo, ficar no pódio.

Não tinha equipa para isso - a Emirates é uma das melhores equipas do World Tour, mas os ciclistas escolhidos para participar no Giro estavam longe de formar uma equipa à medida dessas ambições, e muito longe do poderio das equipas dos seus principais adversários - mas, até à etapa de ontem, andou sempre entre o segundo e o terceiro lugar da geral. E o desenho da competição, com apenas dois contra-relógios, e curtos - menos de 30 quilómetros no total dos dois - e muitas etapas de alta montanha (opção da organização para aliciar os principais trepadores do mundo para a prova), também lhe não era favorável. 

Mesmo assim lutou que nem um herói nas etapas de alta montanha. Os adversários, o colombiano Carapaz, da Ineos, o australiano Jai Hindley, da Bora, e o espanhol Mikel Landa, da Bahrain, todos com equipas muito mais fortes, elegeram-no como alvo a abater. Mas resistiu sempre. Ficou sempre sozinho, sem a ajuda de qualquer colega de equipa, contra todos eles, e lutou como um herói para defender a sua posição, com o objectivo de se aguentar até ao contra-relógio, no fecho, no próximo domingo, onde acreditava que, mesmo com os escassos 17 quilómetros, lhes poderia ganhar pelo menos 1 minuto. Ou até mais que isso a Landa, o menos dotado de todos para a especialidade.

Ontem, na mais dura etapa de montanha, mais uma vez sem ajuda da equipa, mais uma vez sozinho contra todos, as coisas não lhe correram pelo melhor. E perdeu a 3ª posição para Landa, de que ficou a 49 segundos. Que certamente recuperaria. Depois já só ficaria a faltar a última etapa de montanha, no sábado, para garantir um lugar no pódio. A camisola branca, da liderança da juventude, essa já ninguém lhe tiraria.

Hoje corre-se a única etapa em linha desta semana, tranquila. Para roladores e sprinters. Mas João Almeida já não partiu. Resistiu às altas montanhas italianas, e aos melhores trepadores, mas não resitiu ao Covid. Testou positivo, e teve de desistir. Logo a seguir ao único dia em que realmente perdera. Já com o vírus dentro dele, mas não derrotado.

O vírus não derrota os campeões. Só os trama de vez em quando. E o João estará de volta em pouco tempo, para espalhar classe por essas estradas fora e nos dar mais alegrias.

 

 

 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas

Por muito que o segredo seja a alma do negócio – regra que no futebol vale mais que em qualquer outro lado -, que a surpresa – o tão valorizado factor surpresa – seja tantas vezes um dos grandes desequilibradores de jogo, a verdade é que lá está sempre o modelo de jogo como forma de sistematizar a abordagem do dito.

O modelo de jogo não se esgota na estratégia, e muito menos na táctica escolhida para cada jogo. Quer isto dizer que o modelo de jogo é algo de mais profundo, é aquilo que vai para além da estratégia e da táctica. Porque é a forma como se faz, como se executa uma determinada estratégia. Traduz-se numa ideia de jogo ou, mais do que isso, numa filosofia para o próprio jogo.

É, nessa medida, a matriz, o lado institucional e estrutural do jogo. Sem modelo de jogo a equipa anda à deriva, sem guião. Pode saber o que quer fazer, mas não sabe como fazer. Sem noção de colectivo, com cada jogador por si, perdido num colectivo que não comunica, sem fio condutor…

È por isso o lado do jogo que não permite surpresas nem guarda segredos. O mais famoso – e também o mais bem afinado – modelo de jogo é, sem dúvida, o do Barcelona. É tão óbvio que nem vale a penas gastar mais uma linha a justificá-lo!

A selecção nacional, que em breve irá dar o pontapé de saída no euro 2012, tem um modelo de jogo. Que há muito tempo está definido e instalado, e que só em momentos de desvario – que não têm sido assim tão poucos como isso, basta lembrarmo-nos do período de desnorte de Carlos Queiroz – é esquecido. Tem a ver com o próprio perfil do jogador português, de base mais técnica que física. É um modelo de passe curto, de posse de bola e de repentismo, de pensamento e de execução rápida.

Daí Hugo Viana. Que tinha feito uma boa época no Braga, onde foi decisivo naquele modelo de jogo e que, só por isso, mereceria, na óptica de muitos dos adeptos do futebol – e aqui sem clubismos que invariavelmente cegam e turvam a lucidez da análise -, a convocação para o europeu. Merecimento que teria de ser visto precisamente como um prémio ao seu desempenho durante a época!

Paulo Bento justificou, logo na apresentação das suas opções de convocatória, que Hugo Viana não cabia no modelo de jogo da selecção. E, friamente, toda a gente teria de lhe dar razão: Hugo Viana não se integra no modelo do passe curto e de posse da bola, do drible e da velocidade, com bola ou em desmarcação. Pelo contrário, faz da visão e da precisão do passe longo a sua grande vantagem comparativa!

Acontece aos melhores. São muitos os exemplos de jogadores de excelência que se não integram em determinados modelos de jogo. Lembramo-nos de Ibrahimovic, que não cabia claramente no modelo do Barcelona!

Claro que há jogadores que, por si só, impõem a definição de um modelo de jogo ajustado às suas características. Mas, para isso, terão que ser eles próprios maiores que a equipa. E umas vezes não o são e, outras, é a equipa que não permite que o sejam. Lembremo-nos de Jardel que, sendo nos seus tempos áureos o fabuloso goleador que o mundo conheceu, nunca teve oportunidade de jogar numa grande equipa europeia e mundial, nem de chegar à selecção do seu país.

É por tudo isto que a convocação de Hugo Viana, logo que a oportunidade surgiu, é estranha. Não pelas suas qualidades, nem sequer porque, na tal lógica de prémio, não o merecesse. Apenas porque o modelo de jogo da selecção, ao que se saiba, não vai ser alterado. E porque não fazem sentido nenhum as suas próprias palavras, segundo as quais se iria esforçar para se adaptar ao jogo da selecção!

Assim sendo, não fazendo sentido, só resta admitir que a sua convocação se deve a factores externos ao processo de decisão do seleccionador. Que não terá resistido às pressões que sofreu para o convocar!

Se o que parece é, estaremos perante o colapso de um dos principais pilares do edifício de Paulo Bento. E sabe-se como é: quando um pilar cede, os restantes não são suficientes para manter a coisa de pé.

E por falar em pé, o mais provável é que Hugo Viana não o chegue a pôr nos relvados da Ucrânia. Se assim for esperemos que o lugar que está a ocupar entre os 23 não venha fazer falta nenhuma. Que nunca nos lembremos que só lá está um lateral esquerdo... Porque o Miguel Veloso tem mais vocação para modelo (e não é de jogo) que para lateral esquerdo!

"Quem gosta de futebol, gosta do Benfica"

A chegada de Roger Schmidt: "Amo o futebol, e quem ama o futebol ama o  Benfica" - Diário do Distrito

Roger Schemidt assinou ontem o contrato para treinar o Benfica nos próximos dois anos. É o treinador do Benfica, e por isso o meu treinador. 

Nem sempre tem sido assim. Muitos foram os treinadores do Benfica que não reconheci como meus. O último foi ... o penúltimo. Mas outros houve: Pál Csernai, Ebbe Skovdahl, Ivic, Artur Jorge, Graeme Souness, Yupp Heynckes, que me lembre assim de repente ...

Mas neste caso é, assumo-o. Não seria a minha primeira escolha, mas não me cabe a mim fazer essas escolhas. Mas, tendo outras preferências e todas elas ou indisponíveis ou inacessíveis, parece-me uma boa escolha. É um treinador alemão, e os treinadores alemães estão na moda. Não tem no seu currículo nem muitos, nem grandes títulos, é verdade.

Mas os que cá chegaram com mais, e mais sonantes, títulos foram dos piores que nos calharam: Heynckes e Artur Jorge. O alemão - também alemão, mas de outros tempos - chegou cá carregado de títulos nacionais - na Alemanha e em Espanha - e com dois títulos europeus. Trazia no currículo o Borússia de Monchengladbach, dos bons velhos tempos, com uma Taça UEFA; o Bayern de Munique com dois campeonatos (onde regressaria para conquistar mais dois e uma Champions); e o Real Madrid com uma Supertaça Espanhola e uma Champions, ainda fresquinha. Já tinha ganhado tudo o que havia para ganhar. O português - o "Rei Artur", como lhe chamavam, com Porto, Racing de Paris e PSG no currículo, também já tinha ganhado tudo o que havia para ganhar em Portugal e em França, e até campeão europeu tinha também sido.

Foram os piores, ficaram a marcar os piores anos da História do Benfica, e foram escolhas das duas das três mais ruinosas presidências do Benfica. 

Não é pois por ter poucos títulos no currículo que se deve pôr em causa a probabilidade de sucesso de Roger Schemidt no Benfica, por muitos que sejam - e são - os problemas no clube. O treinador é, neste momento, o menor deles. Diria até que, se os problemas do Benfica fossem de treinador, estariam resolvidos. Não são, e estão por isso longe de estar resolvidos.

E diria também que, se o sucesso do treinador dependesse da empatia com os adeptos, estaria garantido. Chegou e conquistou os benfiquistas com uma frase: "Quem gosta de futebol, gosta do Benfica"!

Espalhou simpatia, elogiou tudo o que viu, e manifestou o prazer que é trabalhar num dos maiores clubes do mundo. Mas foi com aquela frase que conquistou os benfiquistas. Bem diferente da fanfarronice de meia tigela do "vamos arrasar e jogar o triplo"!

Benvindo Roger Schemidt. E bom trabalho!

 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas

                                                             

Como aqui previra logo no início o tema da semana estava encontrado. Os seguimentos que estes dias lhe trouxeram confirmaram o que já era o seu destino.

Hoje é incontornável, e nem mesmo os que desde o início quiseram circunscrevê-lo ao domínio do fait divers ousam hoje mantê-lo aí. O tema tomou a verdadeira dimensão de caso. De caso sério!

Parece que, com Miguel Relvas, cada pontapé numa pedra levanta novas e gigantescas nuvens de pó. Miguel Relvas já não só ameaçou ou chantageou. Também se irritou. Também mentiu!

Mentiu na Assembleia da República. Preparou-se mal. Depois, a tal pergunta da jornalista do Público e a lei de Murphy fizeram o resto!

Afirmou ter conhecido o tal Silva Carvalho em 2010 mas, das informações irrelevantes que ele lhe dera, recordava-se de uma inócua notícia de uma visita de Bush ao México. Notícia de 2007!

Já há um cordeiro sacrificado: chama-se Adelino Cunha, do gabinete do ministro. Não se percebe muito bem para que serve esse sacrifício, mas é o costume… Há sempre raia miúda!

Por mim espero que, demita-se ou não o ministro – num país normal há muito que isso teria acontecido -, não se esqueça que, na origem disto tudo, estão gravíssimos problemas na organização e funcionamento dos nossos serviços secretos.

Se cada macaco no seu galho, esperemos que não se esqueçam destes macacões!  

Armas como brinquedos ou ramos de flores

19 crianças e 2 adultos são mortos em novo massacre em escola no Texas

 

Ontem aconteceu mais um massacre na América. Neste ano já são mais de 200 tiroteios em massa. No ano passado foram 700!

Ontem foi numa escola - escolas, supermercados e centros comerciais são os locais preferidos para abates em massa - na cidade de Uvalde, no estado norte-americano do Texas. O número de mortes já vai em 21 - 19 crianças, dos primerios anos de escolaridade, e dois adultos - mas poderá ainda subir. Entre a dezenas de feridos, três correm o risco de ainda virem a morrer. O atirador era um miúdo de 18 anos, e foi morto pela polícia no local.

Joe Byden, a regressar de uma viagem ao Japão, questionou mais uma vez. "Porquê"?

Por que é que - perguntava ainda - tendo outros países problemas de saúde mental, disputas domésticas e pessoas perdidas, estes tiroteios em massa não acontecem com a frequência que acontecem nos Estados Unidos? 

E voltou a apontar a resposta para o ‘lobby’ das armas: “Onde, em nome de Deus, está a nossa espinha dorsal para ter coragem de lidar e enfrentar os lobistas?

Claro que é aí, no  ‘lobby’ das armas, que está a parte maior da resposta. Um ‘lobby’ que a política americana definitivamente não quer apoquentar, simplesmente porque é aí que os agentes políticos da maior democracia do mundo, mas também a mais imperfeita das maiores, encontram o financiamento para as suas campanhas.

É dessa imperfeição que se alimenta este poderosíssimo ‘lobby’. Mas também de uma cultura de armamento pessoal única em todo o mundo, proveniente dos primórdios da nação americana. Oferecem-se armas como prendas. Pais oferecem oferecem armas a filhos, crianças de sete, oito ou nove anos. Namorados oferecem armas a namoradas, ou vice-versa. 

Há duas semanas correu mundo a notícia da morte de Anna Moriah Wilson, uma ciclista de "gravel" de primeiríssimo plano, de 25 anos e altamente popular, encontrada morta depois de alvejada várias vezes no apartamento que ocupava, na véspera de uma competição, no mesmo Estado do Texas. As circunstâncias do crime foram agora reveladas: Mo, como era conhecida, tinha tido uma curta e passageira relação amorosa com um colega ciclista, Colin Strickland, que interrompera uma relação de três anos com a namorada, Kaitlin Marie Armstrong, uma instrutora de ioga de 34 anos, que depois veio a retomar. Nessa relação retomada ofereceu-lhe de prenda uma pistola de calibre de 9mm, justamente a arma com que Kaitlin se deslocou ao apartamento de Mo, para a assassinar depois de saber que ela e o namorado tinham jantado juntos. 

Lembro-me também de, há uns tempos - não sei precisar quanto - um pai ter oferecido uma arma a um filho de 9 anos, que logo lhe deu uso para matar a madrasta. 

Porquê?  - perguntava Joe Biden. É porque nos Estados Unidos se vendem armas como pipocas, se oferecem a crianças como brinquedos, e a namoradas como ramos de flores. 

 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas

Faz hoje 90 anos e continua em plena forma, pleno de lucidez e sem trair os seus princípios, cada vez mais actuais. Bem longe de outros exemplos que vemos por aí!

Parabéns Sr Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles. Que conte muitos mais!

Obrigado pelo que deu ao país, mesmo quando recusaram aceitar. E pelo que exemplo que vai deixando! Peço-lhe perdão por nunca lhe terem dado ouvidos, por terem estragado o nosso jardim apenas porque ignoraram os seus avisos e as suas opiniões. Peço desculpa pelo estilo de vida que seguimos, à revelia dos seus conselhos! 

90 dias de guerra

O início da guerra. As imagens das primeiras horas de invasão russa à  Ucrânia - Renascença V+

 

Passam hoje 90 dias sobre o dia em que a Rússia invadiu a Ucrânia, em 24 de Fevereiro. Três dias antes Putin tinha praticamente confirmado o que no Ocidente há muito se vinha anunciando, e que Moscovo desmentia. Declarando que a nação ucraniana não existia, nem nunca tinha existido, Putin declarava a sua intenção de eliminar a Ucrânia da lista de Estados soberanos, invadindo-a e anexando-a, tal qual Hitler fizera há mais de oito décadas.

Era quinta-feira, e Putin tinha por certo tudo deixar resolvido no fim-de-semana. Como tinha por certo que tudo se resolveria como em 2014, quando anexara a Crimeia. Que o mundo anunciaria umas sanções que nunca cumpriria, e tudo voltaria à realidade do facto consumado, e ao esquecimento em poucos dias. 

Sabe-se que não foi assim, e não se sabe ainda como será. Sabe-se apenas que o mundo já não é o mesmo que era há 90 dias ... e que também não será o mesmo que é hoje!

 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas

Portugal foi o primeiro país a ratificar a chamada regra de ouro do pacto orçamental europeu. Antes de qualquer outro, e antes das eleições presidenciais francesas, onde o esperado e confirmado candidato vencedor anunciava mandá-lo às malvas.

Um governo que dificilmente conseguirá conter o défice nos 5,5% a que este ano está obrigado, apressou-se para ser o primeiro a ratificar um tratado que o obriga a um défice máximo de 0,5%. Quando nada o obrigava a isso, e quando tudo aconselhava a uma pausa, a um prudente wait and see!

Quando a questão das eurobonds cai em cima da mesa com um estrondo nunca antes visto, imposta pelas lideranças francesa, italiana, irlandesa e mesmo as do próprio BCE e da comissão europeia, e começa inclusivamente a ver alguma flexibilidade da parte da Alemanha, o nosso primeiro-ministro chega-se à frente e afirma peremptória e inequivocamente que nem pensar. Eurobonds nunca!

Poderíamos até perceber a famosa e mil vezes repetida expressão de nem mais tempo nem mais dinheiro, ou o repetido anúncio de que iríamos para além da troika, como parte integrante da estratégia de comunicação externa. Para a Europa e o Mundo ouvirem bem alto enquanto, de baixinho e com pinças, se ia tratando com o FMI, o BCE e a Comissão Europeia dos inevitáveis mais dinheiro e mais tempo. Era isto que se esperava que, responsavelmente, estivesse a acontecer!

Dava-se até de barato que aquela camisola amarela na ratificação do tratado, apesar de injustificada e injustificável, pudesse fazer parte de um jogo de charme e sedução para levar por diante aquela estratégia. Mas, quando somos os que mais temos a ganhar com as eurobonds, vermos o nosso primeiro-ministro desalinhado com os que as estão defender e, uma vez mais, dar o passo em frente e assumir o comando desta frente de batalha, percebemos que não é nada disso. Percebemos que é mesmo assim, que todas estas atitudes nada têm de estratégico na defesa dos interesses do país. Que são apenas faces da mesma moeda ideológica!

E percebemos uma coisa verdadeiramente dramática: este primeiro-ministro, e este governo, entre a defesa do país e a dos seus princípios ideológicos, não hesitam. Preferem colocar-se ao serviço da ideologia. Isto é fundamentalismo ideológico, do mais radical!

Futebol a sério

Manchester City vs Aston Villa LIVE: Premier League result and reaction - Man  City win title | The Independent

Chegou ontem ao fim a Premier League. Manchester City e Liverpool chegaram à última jornada separados por um ponto, a favor da equipa de Guardiola. Ambas as equipas jogavam em casa, junto do seu público: o City recebia o Aston Villa, de Steven Gerrard, um dos mais emblemáticos jogadores e capitães da História do Liverpool, onde passou toda a sua vida de praticante de futebol; em Anfield Road, o Liverpool recebia o Wolverhampton, de Bruno Lage, a equipa mais portuguesa de Inglaterra. 

A possibilidade de terminarem em igualdade pontual era remota, mas no melhor campeonato nacional do mundo tudo pode acontecer. Seria necessário que a equipa de Guardiola perdesse e que a Yurgen Klopp empatasse. Mais improvável seria que esse empate pontual servisse para o Liverpool conquistase o título. O desempate far-se-ia pela diferença entre golos marcados e sofridos, e esse factor era favorável ao City. Seria necessário que fosse derrotado por uma diferença de seis golos. Pelo que o cenário verdadeiramente realista para que o Liverpool fosse campeão passava por ganhar o seu jogo e esperar que Steven Gerrard desse uma ajuda, ganhando em Manchester.

Os dois jogos arrancaram, à mesma hora, naturalmente. Em Manchester o City tomava conta do jogo, ao seu jeito. Mas as coisas não saíam bem, era evidente o peso da responsabilidade que os seu jogadores carregavam. Nem os melhores e mais experientes escapam a estes momentos. Em Liverpool tudo começou ainda pior, com a equipa de Bruno Lage a jogar muito bem, e com Pedro Neto endiabrado. Marcou logo aos 3 minutos e esteve por mais duas vezes muito perto do golo, antes de sair, lesionado, ainda antes do meio da primeira parte. E aí o jogo começou a mudar. De tal forma que Sadio Mané empatou logo a seguir, aos 24 minutos.

Pouco depois, aos 37, em Manchester o Aston Villa, que só defendia, na primeira vez que o pontapé para a frente resultou, marcou. E fez-se festa em Anfield onde, apesar de tudo, os Wolves iam discutindo o jogo e até obrigando Allison a muito e bom trabalho. O intervalo deixava tudo na mesma, e o nervosismo passou ansiedade dramática no Etihad quando mais um pontapé para a frente, desta vez do próprio guarda-redes, levou a bola a Philippe Coutinho, e o ex-Liverpool, com a classe que se lhe reconhece, marcou o segundo. Guardiola acabara de trocar Bernardo Silva por Gudogan, e a resposta era um inacreditável 0-2, a 20 minutos do fim.

Mais festa em Liverpool, mesmo que o empate por lá subsistisse. Entretanto, no Jamor começara o jogo da final da Taça, entre o Porto e o Tondela. Enquanto na Cidade do Futebol o VAR se entretinha durante cinco minutos a descortinar um fora de jogo para acabar a descobrir um penálti a favor dos do costume, em Manchester esse mesmo tempo, entre os 76 e os 81 minutos, era aproveitado pelo City para marcar três golos - dois do "herói" Gudogan, a lembrar Kun Aguero, há dez anos, com o de Rodri pelo meio -, dar a volta ao resultado e garantir o segundo campeonato consecutivo. 

Demonstrativo do que é o futebol, a sério, em Inglaterra, e o da palhaçada, em Portugal. Enquanto aqui, numa final da Taça, o VAR se entretém entre um fora de jogo e um penálti sempre a favor dos mesmos, em Inglaterra ganha-se um campeonato!

Já o Machester City tinha feito a reviravolta, e o Etihad rebentava em festa, quando Salah, aos 84 minutos, em Anfield conseguia desfazer o empate, e assegurar a vitória - confirmada com o terceiro golo (Robertson) já em cima do minuto 90 - que já não servia para nada. E na verdade, nem mesmo com o City a perder por 2-0, nunca o Liverpool esteve virtualmente campeão! 

 

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