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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Tudo a bater mal

Depois da entrega do Orçamento do Estado, PSD ganha terreno face ao PS – O  Jornal Económico

 

Rui Rio já anunciou que o seu partido vai votar contra o Orçamento. E explicou que, se o primeiro-ministro tinha afirmado claramente que o negociaria o Orçamento à esquerda, e que o governo cairia quando precisasse dos votos do PSD para o fazer passar, não poderia ser de outra maneira. 

Só que, a ser assim, não precisava de todo este tempo para anunciar esta posição. A ser assim, a resposta teria que ter sido imediata. Como não foi, não é assim.

Em resposta, o PS, através do seu secretário-geral adjunto, José Luís Carneiro, acusou o líder do PSD de “ter deixado cair o valor do interesse nacional”. Mas também disse não ter ficado surpreendido, porque isso só prova que o Orçamento é de esquerda.

Com tudo o que era público só tinha que contar com o voto contra do PSD.  Como não foi assim, o que era público não era assim.

Posso até ser eu a não estar bem da cabeça mas, ou é impressão minha, ou já anda tudo a bater mal

 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Ora aqui está uma expressão capaz de surpreender: máquina de calcular ou calculadora, um verdadeiro sinónimo. Claro que para o futebolês a calculadora não é a mesma coisa que na linguagem comum. Não é aquela coisa agora diabolizada e responsável pela ignorância matemática das nossas crianças que, no seu imenso sentido prático, entenderam simplesmente que, se havia máquinas que resolviam os problemas tão depressa e tão bem, para quê estarem a maçar-se e a gastar energias a decorar coisas tão aborrecidas como a tabuada?

Confesso que acho que quem pensa assim tem razão. Tudo se resume a uma questão de prioridades e … de pragmatismo! Não é seguramente por deixarem de saber cantar a tabuada, simplesmente cantada, de letra estranha e música monocórdica e pobre, que as crianças deixaram de saber matemática. Se isso aconteceu, se deixaram de saber matemática – o que não tenho como adquirido – será por outra razões. As mesmas que, no final das contas, permitiriam aprender a tabuada sem recurso àquela cantilena!

Mas, e retomando o fio à meadaa máquina de calcular comporta uma inequívoca alusão à matemática: fazer contas! Fala-se em máquina de calcular quando, depois de sucessivos desaires, a esperança em atingir os objectivos fixados se reduz a um verdadeiro lugar comum do futebolês: “enquanto for matematicamente possível”!

Acontece com aquelas equipas tipo cigarra, que não querem ser formiguinhas, ou mesmo com aquelas tipo lebre, que só acordam quando vêm a tartaruga já em cima da meta. Não fazem o seu trabalho a tempo e horas, desperdiçam pontos atrás de pontos e … começam a fazer contas. Umas contas invariavelmente curiosas. A maior curiosidade é o seu ponto de partida, verdadeiramente atípico: uma premissa insólita que passa pela expectativa do êxito total no futuro absolutamente contrariada pela realidade histórica do passado recente. A lógica que lhe está subjacente é fantástica: os que perderam jogos atrás de jogos passarão a ganhá-los todos daí para a frente e os que até aí os ganharam todos, uns atrás dos outros, irão passar a perdê-los todos, ou perto disso.

Nós, os portugueses, somos muito dados à matemática. Mas só a esta! Gostamos muito de fazer contas, seja com a selecção seja com o nosso clube do coração, muito na tradição sebastianista que nos marca. Da mesma forma que esperamos que há-de sempre vir alguém para nos resolver os problemas, aqueles que em tempo oportuno não soubemos ou não quisemos ultrapassar – vejam bem que agora, para muitos de nós, até o FMI já nos servia para resolver esta trapalhada em que estamos metidos – também achamos que, através de uma qualquer varinha mágica, é possível inverter todo um trajecto de desempenho.

Este percurso de expectativas, é também ele, curioso. As coisas não estão a correr bem, percebe-se onde aquilo vai parar, mas não há problema: dependemos apenas de nós próprios! As coisas não mudam: deixa de se depender de si próprio e começa a fazer-se contas. De calculadora em punho especula-se sobre as mais disparatadas hipóteses, as tais que garantam o matematicamente possível!

É o que se passa neste momento com o Benfica. Na Liga interna, por força daquele arranque inacreditável, continua a não depender de si próprio, apesar de dentro do matematicamente possível. Ainda estamos longe do fim e, por isso, é cedo para pegar na máquina de calcular!

Na Champions, a três jogos do final desta fase de grupos, é já de máquina de calcular em punho que se conclui que só muito remotamente depende de si própria.

O Benfica da época passada não precisava de usar máquina, desconfio que tenha feito um trabalho diferente e que até tenha aprendido a tabuada. Deslumbrava enquanto este, desiludindo, transforma a época passada num mero ponto de chegada, em vez do ponto de partida que os benfiquistas desejavam!

Tenho uma teoria sobre esta metamorfose, mas fica para outra vez! 

A bem do regime

Rui Rio apoia atuação de Marcelo e António Costa na banca nacional - DV

 

Com os resultados eleitorais de 2015, a esquerda encontrou a oportunidade para dizer ao regime que também contava. E o regime respondeu-lhe que sim. Que contava. Tanto que lhe iria entregar a nobre missão de aprovar orçamentos. 

Emergiu a novidade que viria a ficar conhecida por geringonça, e seguiram-se quatro anos de harmonia, com a esquerda a levar a preceito a missão que lhe fora confiada. Vieram novas eleições e os resultados eleitorais confirmavam a nova fórmula que o regime tinha encontrado.

Mas já não era bem a mesma coisa. A esquerda tinha dúvidas se tinha ganho alguma coisa com a missão, e o governo do PS e de António Costa, inchado com mais umas dúzias de votos, achou que tinha posto aquela tropa em sentido. Impávida e serena à espera de ordens.

A missão reservada à esquerda era a mesma - aprovar os orçamentos - mas agora menos por missão e mais por obrigação. O regime entendeu que era assim. Que António Costa e Rui Rio se entenderiam em tudo o que de fundamental houvesse para decidir, e repartiriam pelos seus dois partidos todas as instituições do Estado, nem que para isso tivessem que inventar os mais fantasiados simulacros, como aconteceu na distribuição das CCDR, para recorrer a exemplo recentíssimo. A esquerda ficava com a obrigação de aprovar os orçamentos, porque o bloco central não é bom para o regime. 

É neste ponto que estamos, no momento em que o regime exige à esquerda que cumpra a missão que à socapa lhe atribuiu.

O regime vive de alternância, mas só tem uma. E por isso tem que a preservar, custe lá o que custar. A bem da Nação. A bem do regime!

E depois admiram-se com os populismos e os extremismos... 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

 

Eduardo Catroga é a personalidade que vai liderar a delegação do PSD nas negociações com o governo. Qual é a novidade?

Bem, não há propriamente novidade: é, finalmente, a entrada em campo de Cavaco.

Estávamos avisados por Marcelo Rebelo de Sousa do anúncio da recandidatura do Presidente: dia 26, no Centro Cultural de Belém! Era evidente que Cavaco não partiria para o anúncio sem o problema do Orçamento resolvido. Era o que faltava… Isto é tudo muito mau mas ainda há coisas que têm de fazer algum sentido!

O que saía da reunião do Conselho Nacional do PSD não parecia muito animador. Pedro Passos Coelho precisava de salvar a face, de encontrar uma saída de que não tivesse de voltar a pedir desculpa. Pôs-se a jeito, e Cavaco encaminhou as coisas para que lhe corressem a jeito! Porque também lhe vinha a jeito…

Escolheu um dos seus para ocupar esta posição central nas negociações. E, evidentemente, nada vai falhar! O orçamento continuará mau. Os problemas continuarão por resolver. A recessão continuará incontornável e o desemprego a aumentar ao ritmo do aumento do nosso empobrecimento. Mas teremos orçamento!

Sabia que seria este o desfecho, há muito que o venho dizendo. A fórmula é que só a descobri no domingo à noite!

Às vezes, apenas às vezes e em certos momentos, os interesses particulares de alguns cruzam-se com os do país. É a nossa sorte, porque a maioria das vezes apenas se cruzam entre si! Entre eles!

Há sempre qualquer coisa a não bater certo

Marcelo Rebelo De Sousa - Leva vacina da gripe sem camisa e vira meme |  VIP.pt

Com as infecções pelo coronavirus a terem já atingido 1% da população, e a baterem recordes desde o início da pandemia,  e com a ameaça do regresso ao confinamento cada vez mais real, o tempo é agora de vacinação contra a gripe.

Foi montada uma vasta campanha de sensibilização para a campanha de vacinação, por fases, de acordo com os segmentos alvo. Primeiro os profissionais de saúde e, depois, os idosos. Arrancou ontem a fase de vacinação dos mais mais velhos, e o presidente da República, como não podia deixar de ser com o Professor Marcelo, correu a vacinar-se em público. Para reforçar a campanha, evidentemente. As imagens não terão sido as mais felizes, e deram mesmo para a inevitável sucessão de memes nas redes sociais, mas o objectivo era o mesmo - mobilizar a população, e particularmente a mais vulnerável, para a vacinação contra a gripe.

Mobilizadas por todas estas campanhas as pessoas começaram a procurar a vacina. Começaram a ligar para os Centros de Saúde, ou para as Unidades Familiares de Saúde, mas do outro lado ninguém atende o telefone. Deslocaram-se pessoalmente, mas só encontraram filas a dobrar o quarteirão. Foram procurar a vacina às farmácias, e ... nada. Tinham recebido uma ínfima percentagem das que haviam encomendado, insuficientes até para o próprio pessoal da farmácia.

É assim. Há sempre coisas que não batem certo. Até numa simples vacina para a gripe. Que, de resto, se não houvesse sempre qualquer coisa a não bater certo, deveria este ano ter menos procura. Se o vírus da gripe se propaga de forma idêntica à do coronavirus, e se temos em vigor uma série de medidas de protecção contra este último, entre as quais o uso da máscara, o natural seria que as pessoas estivessem mais defendidas da gripe que nos anos anteriores. 

 

Indicadores e opções

Eleições gerais na Nova Zelândia adiadas por quatro semanas - Plataforma  Media

 

Este foi um fim-de-semana de eleições em vários países do mundo. Entre eles na Nova Zelândia, onde a primeira-ministra Jacinda Ardern foi reeleita com 50% dos votos, que lhe garantiram a maioria absoluta.

A economia neozelandesa é das mais afectadas pela pandemia. A quebra na actividade económica foi a mais expressiva entre todos os países da OCDE, do primeiro para o segundo trimestre do ano o PIB caiu mais de 12%. As exportações afundaram, e o turismo, a principal actividade económica do país, ficou paralisado com o fecho das fronteiras. E o desemprego cresceu como nunca.

É da teoria política que, em condições económicas desta natureza, não há governo que possa ganhar eleições. E no entanto Jacinda Ardern não só ganhou as eleições como reforçou substancialmente a sua votação. Porque é jovem? Porque rompeu com as velhas e bafientas regras de fazer política? Porque quebrou barreiras entre governantes e governados? Porque protagoniza uma liderança estimulante?

Por tudo isso. Porque foi com com tudo isso que conseguiu os melhores indicadores do planeta nos resultados da pandemia: 1900 casos positivos, e 5 mortos. Num país de 5 milhões de habitantes!

Quando tanto se fala no equilíbrio, e que as medidas de protecção à saúde não podem colocar a economia em causa, Jacinda Ardern não teve dúvidas que a sua prioridade era a saúde. Que se afundasse a economia, se esse era o preço a pagar para combater o vírus.

E os eleitores também não tiveram dúvidas em trocar os maus indicadores económicos pelos excelentes indicadores na pandemia.

Porquê? Porque podem. E esse é o melhor de todos os indicadores!

Solidez acima de tudo

A BOLA - Benfica vence Rio Ave e reforça liderança (Liga)

 

Não foi uma exibição de nota (artística) 20, mas foi a mais sólida deste campeonato, esta que hoje o Benfica realizou em Vila do Conde. 

Com a possibilidade de, logo à quarta jornada, aumentar a vantagem sobre os principais adversários na luta pelo título, e particularmente para alargar para 5 pontos a diferença para o maior rival nessa compita, o Benfica não vacilou, ao contrário do que acontecera na última jornada. Sabendo bem o que teriam de fazer para contrariar o futebol do Rio Ave, os jogadores iniciaram o jogo com grande pressão sobre a saída de bola do adversário, nunca lhe permitindo qualquer tipo de conforto e, acima de tudo, retirando-lhe a confiança que é sempre a alma de qualquer equipa.

De tal forma que, quando o Rio Ave passou pela primeira vez a linha do meio campo, já perdia por 1-0, com o primeiro golo de Waldschmidt, aos 7 minutos. E nem a primeira contrariedade - e grande - da grave lesão de André Almeida, mesmo que a entrada de Gilberto tenha sido assustadora (acabando por remediar com o decorrer do jogo, e até por convencer os adeptos que poderá ser solução), introduziu qualquer grão de areia na engrenagem da exibição do Benfica.

Nem isso nem o tamanho dos pés dos jogadores do Benfica, grandes demais para o VAR anular dois golos e um penalti. Quando nos atiram para os olhos linhas com foras de jogo de 10 centímetros, como aconteceu no segundo golo anulado, ficamos na dúvida. Presos ao absurdo, mas na dúvida. Quando nos querem impingir linhas de mais de 40 centímetros - 42 e 46, mais precisamente - como aconteceu no primeiro golo anulado, e no penalti transformado em fora de jogo, vemos bem que não vimos nada daquilo.

Apesar de golos e penaltis anulados, de faltas e faltinhas que não matam mas moem, e de amarelos que destabilizam, a equipa nunca se perturbou, manteve o jogo controlado, e prosseguiu sempe na procura do golo. E o segundo, de novo por Waldschmidt, surgiria no período de compensação da primeira parte.

Na segunda parte o Benfica não foi tão pressionante, até porque o Rio Ave, percebendo que não poderia continuar a tentar sair a jogar, passou a optar por um jogo mais directo. Mas nem aí alguma vez perdeu o controlo do jogo, acabando por revelar a solidez que ainda se não tinha visto.

E o terceiro golo, por Gabriel - também ele, e  inesperadamente,  com uma grande exibição - acabaria por, já  aos 86 minutos, dar uma expressão ao resultado mais condizente com aquilo que se passou no jogo.

João Almeida - um campeão!

 

O desporto nacional tem um novo ídolo. É ciclista, é cá da região, e chama-se João Almeida. Mantém a camisola rosa, símbolo da liderança do Giro de Itália, ao fim da segunda semana da competição. E vai passar com ela o último dia de descanso, que é amanhã.

Depois de um contra-relógio sensacional, ontem, em que, com o sexto lugar, ganhou tempo a toda a concorrência, hoje foi dia de sofrimento, do sofrimento dos campeões, na 15.ª etapa, uma duríssima etapa de montanha, entre Rivolto e Piancavallo, na distância de185 km. Hoje, foi de campeão!

No momento decisivo da etapa, a mais de 15 quilómetros da meta, sempre a subir, João Almeida ficou sozinho, sem colegas de equipa para a sempre necessária ajuda, no grupo da frente. A Sunweb, de Wilco Kelderman, um dos candidatos e segundo na geral, atacou a corrida, endureceu-a e construiu um grupo reduzido na frente. Irremediavelmente para trás ficaram todos os grandes nomes do Giro.

O corredor português seguiu montanha acima, agarrado ao grupo, mas sem protecção de qualquer espécie. O grupo acaba reduzido a quatro, Hindley e Kelderman, ambos da Sunweb, e Geoghegan Hart, da Ineos, com João Almeida a acabar por ceder, a cerca de 9 km da meta. A partir daí foi uma luta de campeão contra o tempo. Sozinho, escalada a cima, a ver os segundos a fugir, ora de dentes cerrados, ora de língua de fora.

Sofreu como têm de saber sofrer os campeões. E foi como um grande campeão que chegou à meta, em quarto lugar. Atrás Geoghegan Hart, que ganhou, e de Kelderman, a quem Hindley ofereceu as bonificações da segunda posição, segurando a maglia rosa por 15 segundos.

Aconteça o que acontecer na terceira e última semana, João Almeida é, aos 22 anos, um campeão. Nada apaga o que já fez na sua estreia na elite mundial do ciclismo!

 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

O primeiro-ministro garante que o Orçamento do Estado para 2011 "protege o País da crise internacional, protege a economia, protege o emprego e protege o modelo social em que queremos viver". Primeiro li no Diário Económico, mais tarde ouvi na Antena 1, e não queria acreditar!

Quando qualquer pessoa com um mínimo de vergonha e de respeito, por si próprio e pelos outros, no lugar dele estaria escondido em casa, donde não sairia por vergonha, Sócrates tem o despudor de proferir declarações deste teor: protege o país, protege o emprego e protege o modelo social!

Ter lata para isto já não é lata, é completo non-sense. Já não é não ter vergonha, é loucura. Já não é faltar ao respeito aos portugueses, é a irresponsabilidade de um inimputável.  

Um orçamento que, independentemente de neste momento – face à ao estado a que este primeiro-ministro, mais que qualquer outro, no fez chegar – ter que ser pouco menos que inquestionável, lança a economia portuguesa numa prolongada recessão (a premissa de 0,2% de crescimento é a mais insustentável das variáveis macroeconómicas). Um orçamento que parte de premissa explícita de aumento do desemprego para uma taxa de 10,9%, que todos percebermos que será ultrapassada. Um orçamento cujo corte na despesa incide apenas em salários e prestações sociais. Um orçamento que penaliza, quer com agravamento fiscal quer com redução de apoios sociais, as famílias logo a partir dos mais baixos rendimentos. Um orçamento, cuja entrega no parlamento constituiu mais uma rábula de descrédito, e que só será viabilizado a partir de uma das mais miseráveis campanhas de pressão e, porque não chamar os bois pelos nomes, de chantagem.

Pois é este orçamento que vai proteger o país, o emprego e o modelo social…

Andam loucos à solta. E perigosos…

Abanões*

Uso obrigatório da app StayAway Covid divide constitucionalistas - TSF

 

Já ultrapassamos a barreira dos 2 mil infectados por dia, e é a própria ministra da saúde a dizer-nos que estamos a poucos dias de chegar aos 3 mil.

Terá sido isso a fazer sentir ao primeiro-ministro “que era preciso haver um abanão”, palavras com que, numa entrevista ao Público, terá tentado justificar, mais que a declaração do estado de calamidade, algumas medidas altamente controversas com que fez acompanhar essa declaração.

Provavelmente muita gente estará de acordo que é preciso um abanão. E às vezes, momentaneamente, os abanões funcionam. Mas não resolvem nada que passe desse momento, no essencial deixam tudo na mesma. E podem até resultar num empurrão para o desconhecido. Incontrolável.

A ideia de tornar obrigatório o uso de máscara sempre que no espaço público não estejam garantidas as condições de distanciamento entre as pessoas é tolerável. Trata-se de impor o uso de um meio de protecção através da lei, e não é nada de novo. Pelo contrário, para trás há toda uma história de instrumentos de protecção que hoje damos por inquestionáveis, mas que apenas entraram nas nossas rotinas porque tiveram força de lei.

Já a ideia de obrigar a instalar um determinado software no telemóvel de cada um não lembraria a ninguém. A não ser nos regimes totalitários da China ou da Coreia do Norte. Uma coisa é fazer uma campanha, como o primeiro-ministro de resto já tinha feito, para convencer as pessoas a usarem uma aplicação – uma app, como se diz – de livre vontade. Outra é fazer uma lei a obrigar ao seu uso!

Isto não é um abanão. É um empurrão para o escuro. E é, do ponto de vista da democracia e da liberdade, o absurdo. É absurdo no plano dos princípios, porque ofende direitos e liberdades individuais, e é absurdo à luz da realidade porque, no limite, obriga todas as pessoas a possuir equipamentos capazes de receber a aplicação. É uma impraticabilidade, e a impraticabilidade é desde logo absurda. Se seria absurdo obrigar todas as pessoas a usar telemóvel, fosse a que pretexto fosse, mais absurdo será obrigar todas as pessoas a disporem os telefones inteligentes – smart phones, como se diz – que muitas nem sabem usar.

Polícias a vigiar o uso dessa aplicação, e polícias a poder entrar em casa dos cidadãos sem mandato judicial, são apenas dois dos pesadelos deste inaceitável empurrão para o escuro.

Esperemos agora que, no Parlamento, a oposição dê um valente abanão ao governo, e enterre de vez esta ideia absurda e perigosa.

* A minha crónica de hoje na Cister FM

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