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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Dérbi em dia de recordes

Rafa decide o dérbi e deixa Benfica com sete pontos de vantagem na liderança

 

Metade do campeonato já lá vai. Para as quatro principais equipas do panorama nacional, provavelmente as quatro primeiras da classificação quando tudo acabar, lá para Maio, a primeira volta deste campeonato terminou hoje.

E de que maneira!

Com um dérbi, que não é só de Lisboa. É o dérbi. Desta vez em Alvalade, onde o Benfica entrou depois do Porto ter jogado e perdido, no Dragão, com o Braga, e portanto com a possibilidade de alargar para 7 pontos a sua vantagem para o segundo.

Não terá sido por isso, pelo menos a crer nas palavras de Bruno Lage - que disse que os jogadores, tal como ele próprio, apenas tinham tomado conhecimento do resultado do Dragão ao intervalo -. que o Benfica entrou pressionante e intenso no jogo. Mas foi assim que a equipa surgiu no jogo, mandão.

Na primeira meia hora só deu Benfica. Mas não deu golos, e até poderia ter dado um para o Sporting, num remate ao poste de Rafael Camacho, aos 25 minutos. Toda essa superioridade no jogo não deu golos porque os jogadores mais decisivos na fabricação de golos, como Pizzi, Vinícius, Chiquinho ou Grimaldo, estão agora longe da forma de há umas semanas, antes da paragem. E como a equipa não remata de fora da área - parece que a ordem é entrar com a bola pela baliza dentro - é preciso que os jogadores estejam todos no top de forma, para que o passe saia no ponto, o drible na medida certa e o faro de golo em alto grau de apuro.

No último quarto de hora, abandonada a pressão e a intensidade que não tinha dado golos, e que não pode durar sempre, o Sporting começou a libertar-se desse domínio e a ficar perto de equilibrar o jogo, muito à custa de um jogo esticado a partir dos passes longos, principalmente de Bruno Fernandes, que agora já pode partir para Manchester.

A segunda parte começou mal. Pior era difícil. Os energúmenos do costume, que há em todos os clubes, resolveram começar a despejar tochas e petardos para o relvado, mesmo para cima da baliza do seu próprio guarda-redes. O jogo tardou, primeiro, a recomeçar e, depois, a ganhar ritmo, e interesse.

O Benfica nunca mais voltou à superioridade da primeira parte, mas fazia sempre melhor o que havia a fazer. A superioridade individual dos jogadores do Benfica vinha sempre ao de cima, e mais ao de cima veio quando, aos 64 minutos, o regressado Rafa, inspirado, entrou para o lugar do discreto Chiquinho.

Bastaram-lhe 6 minutos para fazer o que ninguém tinha conseguido - o golo. Havia ainda muito tempo para jogar - Hugo MIguel, o árbitro, de que ainda não falei, e de quem não há nada a dizer, porque não tem nada a ver que o Jorge de Sousa, no VAR, tenha demorado alguns cinco minutos para validar um golo sem mácula,  deu 10 minutos de tempo extra - mas percebeu-se que o Sporting não tinha argumentos para fazer perigar a vitória do Benfica. E que corria riscos de voltar a sofrer, como viria a acontecer já perto do fim, em mais um golo de Rafa, de excelente execução, que selaria a excelente e porventura decisiva vitória benfiquista. Que, na última jornada de uma primeira volta marcada por recordes (recorde de pontos, recorde de vitórias, e recorde de vitórias sucessivas fora de casa), deixa o Benfica numa liderança com 7 pontos de vantagem. Tantos quantos há um ano tinha de desvantagem. Acho que ninguém se esquece! 

 

 

De morrer a rir

            capa Correio da Manhãcapa Públicocapa Jornal de Notícias

 

Hoje é notícia as buscas no Montepio, e muitas das irregularidades apontadas a Tomás Correia que têm barbas. Créditos sem garantias, fraudes em aumentos de capital e ... José Guilherme, que deu prendas a Ricardo Salgado com dinheiro que foi buscar ao Montepio. E é notícia que o governo se prepara para injectar no Novo Banco os últimos 1.400 milhões de euros. Sabíamos que o Orçamento que ainda está por aprovar contava com metade disso, mas parece que a ideia do governo é acabar com isto, e entregar de vez tudo o que, à luz dos brilhantes negócios daquele Sr Sérgio Monteiro, de que já ninguém fala, ainda falta para que a Lone Star venda o Banco, ganhe muito dinheiro e morra a rir de nós todos. Como riu Berardo e anda certamente a rir José Guilherme há uma porrada de anos.

Porque isto é mesmo de morrer a rir...

Czar da República

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Sem lata para continuar a saga de Mr Dupont e Mr Dupond, como já aqui lhe chamei, com a rotação entre a chefia do governo e a da República para contornar a limitação de mandatos, Putin parte para outra. E começa logo por descartar o seu Mr Dupond, o seu peão Medvedev, agora na chefia do governo. 

Parece assim, mas talvez não seja bem assim. Putin não estará propriamente a deitar Medvdev fora, nem sequer a pedir-lhe um último sacrifício. É preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma, e Putin quer mude muita coisa para que tudo fique ainda mais na mesma. Muda, para já, o governo. E depois muda a constituição, retirando poderes ao Presidente, que já não será ele, mas o que lhe suceder em 2024, e que não será mais Medvedev. O que está por saber é que figura institucional inventará para si próprio para receber esses poderes que, obviamente, que não vão para a Duma (o parlamento) como pretendeu Putin que ficasse subentendido.

Talvez czar da República não ficasse mal...

Objectivo(s) conseguido(s)

Seferovic salta do banco para colocar Benfica nas meias-finais da Taça de Portugal

 

Já não dá para disfarçar o cerco que se aperta à volta do Benfica. É a calendarização dos jogos, são as consecutivas nomeações cirúrgicas dos árbitros, seja para o campo seja para o VAR, e são, por fim, os seus desempenhos. A seguir a Carlos Xistra, há quatro dias, hoje Artur Soares Dias, que há os mesmos quatro dias, desbloqueou o jogo ao Porto, validando inacreditavelmente o golo que o resolveu, e começou a resolver o próximo, com o Braga, expulsando o Corona, para trocar esse jogo com o de hoje, com o Varzim, para a Taça.

É impossível dizer o que quer que seja deste jogo sem falar de Artur Soares Dias e de Tiago Martins, o VAR, outra escolha cirúrgica. Começaram logo por transformar um hipotético 2-1 no 1-2 quando decidiram não assinalar o penalti claríssimo sobre o Chequinho, na sequência do que o Rio Ave saiu em contra-ataque para fazer o segundo golo. Por marcar ficaram mais três penaltis a favor do Benfica. Um que Soares Dias, bem posicionado, sem nada a tapar-lhe a visibilidade, assinalou sobre Taarabt, mas que Tiago Martins fez reverter, sem qualquer dificuldade em convencer o árbitro de campo, que nem precisou de recorrer às imagens para reconhecer que afinal se havia equivocado. Outro sobre Pizzi, e outro ainda quando um defesa do Rio Ave desviou para a barra, com o cotovelo, um remate de Chiquinho.

Dêm-se as voltas que se derem, foi assim. E mesmo assim foi um bom jogo de futebol, com o must da emoção que, assim, o resultado lhe acrescentou. 

O Rio Ave joga bem, já se sabe. E chegou ao golo logo a abrir, aos 3 minutos, na cobrança de um livre directo, depois de uma falta sem nexo de Rúben Dias. Mais uma. Percebeu-se logo que tudo seria muito difícil. E foi, mais ainda por tudo o que acima foi dito. O Benfica reagiu bem ao golo madrugador e chegou ao empate, por Cervi, dez minutos depois. Só que à meia hora de jogo, no tal contra-ataque depois do penalti sobre o Chiquinho, o Rio Ave voltou a marcar (assinalar a grande penalidade implicaria anular o golo) , e a passar para a frente do marcador.

O Benfica não fez uma grande exibição. Com o abaixamento de forma de Pizzi e de Carlos Vinícius é difícil a equipa fazer melhor. Mas também não jogou mal, longe disso. Voltou a lutar contra a adversidade, com todos os jogadores a darem o máximo, cheios de alma, e criou mais de meia dúzia de oportunidades claras de golo.

A segunda parte foi de pressão constante, encostando o Rio Ave lá atrás, completamente sufocado. Seferovic entrou já passava da hora de jogo, e desta vez foi descisivo: em sete minutos (64 e 71) virou o resultado, com dois bons golos, especialmente o da vitória, numa grande execução.

O Benfica segue com mérito para as meias finais da Taça. Mas foi um jogo de enorme desgaste, que deixará certamente marcas para o dérbi, daqui a menos de 72 horas. Poucos acreditarão que o objectivo não fosse esse!

O ano da Justiça

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Há poucos dias, antes da entrada no ano novo e quando toda a gente era auscultada sobre a adivinhação do que aí viria, dizia-se que 2020 seria o ano da Justiça. Não que se quisesse dizer que este fosse o ano em que, por obra e graça do que quer que fosse, tudo passaria a funcionar bem. Apenas porque este tem de ser o ano do "sim ou sopas" para processos judiciais de grande exposição mediática, dos que se arrastam há demasiados anos, como o Monte Branco, a Operação Marquês ou BES, aos mais recentes, como Tancos, Alcochete ou Rui Pinto.

Ao 14º dia do ano, à entrada para a sua segunda semana, os jornais de hoje parecem querer confirmar essa ideia, que este ano é que é. Com mais ou menos parangonas todos aparecem hoje nos jornais. Todos hoje são notícia. Até a Operação Marquês, há muito com paradeiro desconhecido, mesmo que a notícia seja apenas que Joaquim Barroca, o ex-presidente do ex-Grupo Lena, vai ser ouvido daqui a um mês e tal... Pode estar em profunda agonia, mas ainda está vivo... Refiro-me ao processo, naturalmente. 

 

Más sensações ... e maus sintomas

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As más sensações para o jogo desta noite, na Luz, começaram a desenhar-se bem antes do seu início. Começaram logo que foi conhecido o árbitro: o nome de Carlos Xistra gera de imediato ansiedade. Está no seu último ano, mas ainda temos que levar com ele... E agravaram-se com a constituição da equipa, com quatro alterações em relação ao jogo anterior, que já não tinha sido famoso.

Dessas quatro alterações só uma era esperada, porque obrigatória, pelo quinto amarelo que Tarabt havia pedido no fim do jogo em Guimarães. Esperada também era a substituição, notava-se uma certa pressa para a estreia de Weigl, e notou-se que foi apressada. A de Tomás Tavares pelo capitão André Almeida poderá perceber-se, mas o miúdo estava a jogar muito bem. As outras duas, Seferovic em vez de Vinícius e Jota na de Cervi, é que não lembrariam a ninguém.

Com o apito inicial de Xistra as más sensações passaram a ganhar a vida. E que vida!

Os jogadores do Benfica entraram a dormir, convencidos que para ganhar ao último classificado bastava estarem lá. Foi assim durante vinte minutos, e quando acordaram estavam a perder. 

É certo que, depois, passaram 70 minutos em cima da baliza do Desportivo das Aves. Mas raramente a jogar bem. Jogaram muito e correram ainda mais. Não lhes faltou vontade, nem garra, nem regatearam gota de suor, mas aos adversários também não. E como a inspiração nunca apareceu, o jogo passou a oferecer dificuldades que durante muito tempo pareciam inultrapassáveis.

Os remates sucediam-se - foram 34, mais um máximo da competição - mas a bola saía invariavelmente uns centímetros ao lado, ou por cima, da baliza. Quando iam à baliza lá estava o guarda-redes avense, o francês Bernardeau, a defender o possível e o impossível. Defendeu 10 remates, outro recorde desta Liga. E quando lá não estava ele, estava lá outro. E outro...

No início da segunda parte, já com Vinícius no lugar de Jota, quando a nulidade fora, e continuava  a ser, Seferovic, tudo parecia piorar ainda, com Xistra, à Xistra, a expulsar o André Almeida. Valeu o VAR, que viu o que todos víramos: que o capitão do Benfica, mesmo que com uma entrada imprudente, nem tinha tocado no adversário. A decisão foi revertida, e evitaram-se males maiores.

O golo do empate lá acabou por aparecer à entrada do último quarto de hora, num penalti (já tinha ficado outro por marcar aos 38 minutos da primeira parte) sobre Vinícius, que Pizzi converteu. E o da vitória - finalmente - já no minuto 89, em mais um bom trabalho do avançado brasileiro (o que é que terá passado pela cabeça de Bruno Lage para o deixar no banco?) a deixar a bola para André Almeida a fazer passar por baixo do corpo do guarda-redes, deixando a Luz, incansável no apoio à equipa, em ambiente de perfeita loucura.

Sintomático, tanto quanto os vinte minutos iniciais, foi que o Benfica não conseguiu controlar o jogo nos 5 minutos de compensação, permitindo duas ou três jogadas perigosas ao adversário, que poderiam até ter roubado uma vitória que tanto tinha custado a conquistar. E que foi, com os três pontos que vale, iguaizinhos aos das grandes vitórias com grandes exibições, a melhor coisa que ficou deste jogo de más sensações. E de sintomas preocupantes para esta altura do campeonato... 

 

Oito minutos de pose*

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Dificilmente se poderia admitir uma primeira semana do ano mais agitada. Trump achou que, com um impeachment em curso e a dez meses das eleições, o melhor que tinha a fazer era incendiar o Médio Oriente e deixá-lo arder como arde a Austrália.

Sem consultar as instituições, sem estratégia e sem justificação, mandou assassinar altas figuras da estrutura militar do Irão, entre as quais o General Soleimani, mais que uma proeminência do regime, o número dois da teocracia no poder. Acto contínuo disse ao mundo que, para fazer a guerra, não precisava de consultar ninguém. Que lhe bastava informar pelo seu twitter, e que já tinha definidos 52 alvos iranianos, entre os quais lugares históricos e património da humanidade, para atacar em caso de retaliação iraniana. Que, timidamente é certo, aconteceu logo de seguida, com o ataque às bases americanas em Bagdad. Obra das milícias iraquianas, que não exactamente do Irão, mas daria no mesmo…

É então que, pela primeira vez, num mandato que vai já no último ano, com uma assertividade sem paralelo, e em apenas oito minutos, a América apresenta ao mundo o seu famoso sistema de checks & balances.

Oito minutos foi quanto durou esta demonstração. Foi o tempo que Trump demorou a ler o discurso que lhe mandaram ler. Oito minutos de Trump em pose de Estado, mesmo que em cuecas!

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

 

Checks and balances

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A eleição de Trump para o topo do poder na maior potência mundial foi vista com preocupação em grande parte do planeta, mas nunca como uma irremediável catástrofe. É que a opinião pública mundial acreditava na rede de checks & balances do sistema político americano, uma democracia institucionalmente bem dotada, ao contrário, por exemplo, do que aconteceria depois no Brasil, com a eleição de Bolsonaro.

À entrada do último ano do mandato, e mesmo com um processo de empeachement em curso, haveria certamente quem pudesse duvidar desta fé no funcionamento das instituições americanas, e quem achasse que Trump fez, e fará, tudo o que lhe apeteceu, e lhe apetecer, e ainda lhe sobrou, e sobrará, tempo. 

Oito minutos bastaram para convencer os últimos resistentes. Foi quanto durou o discurso de Trump de ontem. Um discurso - ninguém terá dúvidas - que não escreveu. Um discurso que lhe mandaram ler, e que leu a preceito e com inatacável pose de Estado. Oito minutos em que saíram da boca de Trump palavras que ninguém acreditaria vir a ouvir, numa postura de todo incomportável com a figura.

Depois dos ataques de anteontem à noite, à hora a que fora assassinado o general Soleimani, às bases americanas no Iraque, esperava-se que tivesse sido dado o mote para a retaliação que Trump desejaria, e para a uma escalada de violência no Médio Oriente de limites incontroláveis. Inesperadamente, em vez de um Trump furioso a confirmar os 52 alvos iranianos a atingir, incluindo as relíquias históricas e de património da humanidade, que anunciara na véspera, surge um presidente americano a dizer que os Estados Unidos "estão disponíveis para abraçar a paz com aqueles que a procuram", a desejar um "óptimo futuro" para o Irão, e até a falar num regresso ao acordo nuclear que unilateralmente rasgou.

Poderão dizer que nada disto passa da mais profunda hipocrisia. Mas não é isso que está em causa, e a hipocrisia é parte integrante da política. Em causa está apenas que a intensa pressão interna e internacional obrigaram Trump, num Momento Histórico decisivo, a fazer tudo ao contrário do que naturalmente, por si só, faria.

Desta vez os checks & balances levaram o presidente americano a evitar a guerra que Donald Trump irresponsavelmente precipitara. Não é coisa pouca!

 

 

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