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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Atentado de Moscovo

Atentado em Moscovo: número de mortos sobe para 182 | Rússia | PÚBLICO

O que aconteceu na sala de concertos de um complexo comercial (Crocus City Mall) em Moscovo, que provocou 137 mortos já confirmados - o número final ultrapassará provavelmente a centena e meia - é um atentado terrorista, tenham sido quem foram os seus autores. Mas é também um festival de desinformação e de manipulação.

Notou-se desde as primeiras notícias, e em pequenos detalhes. Por exemplo: para uns, o atentado ocorreu em Moscovo; para outros, nos arredores. Não é um pormenor, percebe-se bem a diferença. 

Desde o primeiro momento, Putin quis integrá-lo na guerra - sim, agora já é guerra, e não a "operação especial" que não podia continuar a ser - acusando a Ucrânia.  Foi reivindicado pelo chamado "Estado Islâmico", mas não é evidente que "as peças encaixem". Ao não encaixarem, abrem a porta a teorias da conspiração. Já, com Putin a retirar óbvio proveito do acto terrorista e, sabendo-se como é capaz de tudo o que o beneficie, admitir o dedo dos serviços secretos do Kremlin, não pode ser reduzido a uma simples teoria da conspiração.

 

Morrem todos!

Where Is Alexei Navalny Now? Vladimir Putin's Biggest Critic Goes Missing

"Morreram todos" - foi com esta expressão, que se tornou viral, que o José Rodrigues dos Santos abriu um telejornal, aqui há tempos, referindo-se àquela malograda experiência do submersível Titan. Não sei se será ele a abrir o de hoje mas, se o for, bem poderia repeti-la mudando apenas o tempo do verbo.

Morrem todos! 

Com Putin, é assim. Morrem todos os que se lhe oponham. Morrem todos, e em todas as circunstâncias. Caem de uma janela, ou de um avião. Comem ou bebem o que não devem. Morrem até na prisão, onde a única perurbação que lhe podem causar é ... estarem vivos. 

A Navalny aconteceu tudo isso, menos cair de uma janela. Aconteceu-lhe de tudo em aviões, mas nenhum caiu. No último em que viajou, o voo foi desviado para ser preso pela última vez. Hoje foi conhecida a notícia que morreu na prisão.

Não tenho a certeza que Navalny fosse exactamente dos bons, nem isso agora importa. Mas era o rosto internacional da oposição a Putin. Tenho a certeza que Prigozhin não era melhor que Putin, mas bastou enfrentá-lo para ter idêntico destino.

Morrem todos porque Putin tem medo. Mata-os por medo de estarem vivos. Não faltará muito para que tenha também medo dos mortos!

Nada bate certo, mas no fim dá certo ...

Prigozhin annuncia la rivolta. Putin risponde: "Chi ha tradito verrà  punito" | LA7

Ainda ninguém percebeu nada do que se passou naquelas 36 horas que mediaram entre o momento em que Prigozhin pôs uma coluna de 400 viaturas de guerra a caminho de Moscovo, no sábado, e aqueloutro, a meio de domingo, mais de mil quilómetros de estrada depois, e a apenas 200 do destino, em que, para evitar derramamento de sangue - estranha preocupação de uma criatura destas - pôs fim à marcha, rendido às negociações de Lukashenko.

Se calhar não há muito para perceber. Ali nada bate certo. Nem nada é que o que querem que pareça que seja. Afinal, o que se percebe é que o poder militar da Rússia se esgota num botão. Que a Putin basta o medo que o botão mete. E que Prigozhin haverá, mais dia menos dia, de lançar a mão à moleta de uma porta, pegar numa chávena de chá, ficar ao alcance da ponta de um chapéu, ou abeirar-se de uma janela num qualquer quinto andar.

Dia histórico na Ucrânia

Cidadãos de Kherson celebram regresso das tropas ucranianas

Um mês depois do referendo fantoche de Putin, Kherson caiu. As tropas russas simplesmente retiraram, e a cidade e a região estão em festa. Como Kiev, e toda a Ucrânia. 

A bandeira da Ucrânia - e também, sintomaticamente, a da União Europeia - está de novo hasteada em Kherson. 

Que a guerra tinha virado há muito, já sabíamos. Que tinha virado tão decisivamente é que não. Mais do que a importância da vitória ucraniana em Kherson, é a forma como as tropas russas retiraram que confirma a viragem decisiva no percurso da guerra. Que, contudo, ainda não acabou. E poderá nem estar perto disso.

Mas que hoje, como disse Zelensky, é um dia histórico, lá isso é! 

 

A escalada da loucura para a cobardia

Rússia planeava ataques "desde o início de outubro", diz a Ucrânia

Os ataques de mísseis russos hoje lançados sobe Kiev, e outras cidades, todos contra alvos não militares, áreas residenciais e locais mais movimentados - os maiores desde o início da invasão - não são uma resposta ao acto de sabotagem do fim de semana, sobre a ponte que liga a Rússia à Crimeia. Até porque um ataque desta dimensão teria que já estar preparado. São, antes, a resposta de Putin às sucessivas derrotas das suas tropas no terreno de batalha, e à onda de contestação interna que inequivocamente enfrenta. É um acto de cobardia!

Sem capacidade de resposta, interna e externa, à guerra que desencadeou, Putin reage como os cobardes. Se até aqui se temiam os actos de um louco, agora acresce o terror e medo que um cobarde acrescenta a um louco! 

 

Dia D

Destino incerto para os ″heróis″ da Azovstal após a rendição

A guerra na Ucrânia aproxima-se do seu terceiro mês, e é hoje absolutamente claro que se prolongará por muito mais tempo. Quanto, não se sabe, mas será muito. 

Com muita História para contar. Do que já mudou o mundo, e do muito que ainda tem para mudar. Basta pensarmos na escassez e nos preços dos cereais para imaginarmos quanta guerra estará ainda para vir em muitas das regiões mais pobres do mundo.

Da História da invasão da Ucrânia fazem já parte Bucha, Hostomel ou Irpin. Mas será Mariupol, e Azovstal - o complexo siderúrgico de Mariupol transformado em campo de batalha - que certamente a História irá perpeptuar. Renderam-se hoje os últimos militares das forças ucranianas de Azovstal, e serão estes quase três meses que hoje terminaram que serão contados em livros, e que alimentarão a indústria de Hollywood por muitos e bons anos. 

Hoje poderá ser o dia D desta guerra. Mas porque é bem capaz de ser o dia em que Putin celebra a sua vitória de Pirro!

 

 

 

 

"Arruinaram o nosso feriado sagrado"

Embaixador russo na Polónia é atacado com tinta durante homenagem

 

Celebra-se hoje o dia da Europa, assinalando a Declaração de Schuman, a 9 de Maio de 1950, em que o então ministro dos negócios estrangeiros do governo da França propôs, em plena reconstrução da Europa do pós-guerra, que França e a Alemanha - duas nações com uma longa e sangrenta história - juntassem a produção do carvão e do aço. O objectivo era acelerar a modernização dos dois países, depois da devastação económica e humana da Segunda Guerra Mundial, evitando uma potencial corrida de disputas concorrenciais nessas indústrias críticas e, com isso, evitar condições para o ressurgimento de uma nova guerra.

Um ano depois, a 18 de Abril de 1951, representantes de França, Alemanha, Itália, Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo assinaram o Tratado de Paris e estabeleceram a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), uma organização pioneira baseada no princípio do supra-nacionalismo. Depois Comunidade Económica Europeia (CEE) e agora União Europeia (UE). 

Passam hoje 72 anos, assinalados em guerra. Mas num clima de união como há pouco se tinha por imaginável, bem diferente do de há 10 anos, como se pode ver abaixo.

Não era no entanto esta celebração que mais marcava este 9 de Maio. Era a que celebra este mesmo dia, mas de 1945. O dia em que a Alemanha nazi se rendeu à União Soviética, dois dias depois da rendição à Aliança Ocidental. A Guerra, essa, só terminaria 4 meses depois, a 2 de Setembro, com a rendição do Japão, menos de um mês depois das bombas atómicas americanas sobre  Hiroshima e Nagasaki.

Aguardava-se que Putin puxasse por uma qualquer carta da manga. Da "operação especial" já não tinha nada para tirar, ao contrário de tudo o que teria esperado. O melhor que tinha para apresentar seria um desfile em Mariupol, encabeçado pelo  líder separatista da auto-proclamada República de Donetsk. Nada mais!

Afinal, para a parada militar da Praça Vermelha, Putin não tinha nada. Nem na manga. Não teve nada mais para apresentar que não fosse o seu discurso repetido e repetitivo. A novidade foi nada. Foi nada de meios aéreos, o habitual prato forte da manifestação do poderio militar russo, neste dia, na Praça Vermelha. Que, sendo nada, não é uma novidade menor. Nem nada que se pareça...

Não correu nada bem a Putin neste 9 de Maio, com muitas brechas abertas. Sem aviões e com vários artigos publicados contra a guerra em sites sob o seu controlo, onde era definido como “ditador paranóico deplorável” e responsável pela “guerra mais sangrenta do século XXI”. Com três estações de televisão a serem alvo de ataques informáticos, substituindo as designações da programação por declarações contra a guerra, e com legendas a denunciar que "as vossas mãos estão cheias de sangue de milhares de mortos de ucranianos e crianças". Da cor do sangue foi também a tinta que manifestantes projectaram para a cara do embaixador russo em Varsóvia, à chegada a uma cerimónia de homenagem aos soldados soviéticos mortos durante a II Guerra Mundial.

"Arruinaram o nosso feriado sagrado" - declarou o embaixador, na mais lúcida declaração da diplomacia russa dos últimos largos tempos!

 

 

 

A absurda obstinação do PCP

SEMANÁRIO#2583

Há cerca de um mês a embaixadora da Ucrânia denunciou a participação de associações pró-russas na recepção de refugiados ucranianos, que assim teriam acesso aos seus dados, e aos dos seus familiares que ficaram na Ucrânia, em serviço militar, que entregariam à espionagem russa. Essa denúncia foi feita numa entrevista à CNN Portugal, e não teve grande eco no restante espaço mediático. 

Era uma declaração generalista e pouco precisa mas hoje, um caso concreto e fundamentado é notícia de primeira página no Expresso. E passa-se na Câmara Municipal de Setúbal, de gestão comunista. Mais precisamente da CDU, já que o presidente, André Martins, é do PEV. Que já reagiu, negando que os refugiados sejam questionados sobre os seus familiares que ficaram na Ucrânia, e garantido que está assegurada a confidencialidade dos seus dados pessoais, obtidos por fotocópia dos respectivos documentos, cuja necessidade não explica. Não nega, nem perante os factos o poderia fazer, o envolvimento de um casal russo - a mulher intervém como técnica superior da Câmara, recrutada através de concurso público em Dezembro passado; e o marido intervém sem qualquer ligação funcional ou profissional com os órgãos do Município - ao serviço de uma associação pró-regime russo, num gabinete que o Município criou para o efeito, a  Linha Municipal de Apoio aos Refugiados — LIMAR. E já adiantou que retirou a senhora do processo acolhimento de cidadãos ucranianos, não negando, assim e no mínimo, o desconforto e o evidente contra-senso de entregar pessoas que fogem a pessoas que identificam com as de que fogem.

O PCP é que não perde tempo para negar o que quer que seja. A Câmara de Setúbal ainda deixa entender que ... "ups", alguma coisa pode ter corrido mal. Para o PCP nada de anormal aconteceu em Setúbal, pelo que não há nada para negar, nem nada a esclarecer. Para o PCP "o trabalho com imigrantes que há muito se desenvolve no município de Setúbal caracteriza-se por critérios de integração e amizade entre os povos onde não prevalecem nem exclusões nem sentimentos xenófobos". Para o PCP, um refugiado ucraniano, acabado de chegar da sua terra ocupada e martirizada pelas tropas de Putin, que encontra pela frente pessoas a falar russo, a pedir-lhe os documentos e fazer-lhe perguntas sobre os familiares que deixou para trás, não tem que sentir medo. Tem que se sentir "integrado" e entre "amigos". Para o PCP,  evitar a participação de cidadãos russos - sejam eles quem forem, e façam eles as perguntas que fizerem - na recepção e integração destes refugiados ucranianos, não é simples bom senso. É "exclusão" e "xenofobia".

Não há limites para tão absurda obstinação. 

 

 

 

A mesa do desentendimento

A longa mesa de Putin: espanhol e italiano disputam a autoria da peça | CNN  Brasil

 

É uma mesa, mas mais parece um muro. Podia até chamar-se-lhe o nome dado a tantos muros - a mesa da vergonha.

São seis metros de comprimento por quase três de largo. O tampo é uma peça única de madeira, lacada a branco e, dizem, que com folhas de ouro e  pintada à mão.  Obra do italiano Renato Pologna, dono da Oak, uma empresa familiar italiana, de Como,  que diz tê-la feito em 1995-96. Ou será do espanhol Vicente Zaragozá, dono de uma empresa homônima com sede na localidade de Alcàsser, na Comunidade Valenciana?

Se nem quanto à sua autoria há entendimento, como poderia não ser esta a mesa do desentendimento. Não admira que Putin apenas a utilize para encontros a dois com quem não se entende. Lá não se vê gente que seja visita habitual. Nunca se viu por lá Lukashenko. Nem Bolsonaro... Naquela mesa Putin só recebe gente com quem não se entende. Que lá vai fazer coisas que não se entendem!

 

 

A mesa do tudo na mes(m)a

Putin diz a Guterres que ainda acredita em solução diplomática

 

Putin recebeu Guterres, lá na ponta da intimidatória mesa de 6 metros. E disse-lhe que ele estava a ser enganado sobre o que se estava a passar em Mariupol, como já tinha sido enganado sobre o que tinha acontecido em Bucha. Guterres também lhe disse que ele estava enganado, que a Ucrânia não é palco de uma operação militar especial mas de uma invasão. O mesmo que já tinha dito ao ministro dos negócios estrangeiros, mas sem o gancho com que, segundo boa parte da imprensa portuguesa, deixara Lvarov completamente grogue: «Há um facto verdadeiro e óbvio: não há tropas ucranianas na Federação Russa, mas há soldados russos na Ucrânia!». O Luís Delgado, na Visão, até diz que "Lavrov engoliu, ficou roxo, e sem pulsação visível"... 

Querem dizer que correu tudo bem para Guterres, e tudo mal, para o Kremlin. E no fim com tudo na mesma. Parece um bom resultado para uma negociação de paz transmitida em directo!

Francamente...

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