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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Há racismo na sociedade portuguesa, sim senhor!

Racismo nas redes sociais portuguesas é sintoma social? | NOTÍCIAS ...

 

Não há dúvida que as manifestações de ódio racista se voltaram a instalar no nosso mundo ocidental, onde volta não volta se põem à vista coisas que não gostamos de ver. Mas que existem.

Não é por Rui Rio afirmar que não há racismo na sociedade portuguesa, que não constatamos todos os dias evidências que a descriminação étnica está enraizada em Portugal.  No último Eurobarómetro sobre racismo, 67% dos portugueses inquiridos indicavam isso mesmo, que a discriminação com base na origem étnica estava profundamente difundida na sociedade portuguesa.

Quando ouvimos responsáveis políticos, como Rui Rio, dizerem que não há racismo na sociedade portuguesa podemos sempre admitir que estão mesmo convencidos disso, ou que estão deliberadamente a desvalorizar o tema. na expectativa que, não lhe dando importância, se mantenha mais ou menos adormecido, e limitado a ocorrências mais mediáticas, que de vez em quando o tragam para o topo da actualidade.

Nenhuma das razões é boa. E se uma declaração não está suportada por boas razões, não vale para grande coisa. Se numa determinada declaração política o seu autor nega a existência problema, nunca poderá ter a solução. Ninguém procura soluções para o que não é problema. Se o quer manter adormecido, vai dar no mesmo: o problema existe, mas como se quer esconder, é como se não exista.

Há coisas que têm de ser enfrentadas com coragem. Esta, do racismo na sociedade portuguesa, é uma delas. Porque a Constituição, se não se fizer cumprir, não basta. E nem sempre se consegue escapar por entre os pingos da chuva...

 

Causas e coisas

Portugal juntou-se ao resto do mundo nas manifestações contra o ...

 

As manifestações pela morte de George Floyd, asfixiado aos joelhos de um polícia de Minneapolis, no Minnesota, espalharam-se pelas cidades de todos os estados americanos, voaram sobre o Atlântico e chegaram à Europa. E a Portugal, a Lisboa e ao Porto.

Lá, foi mais uma acha para a fogueira em que Trump transformou a América. Por cá foi, como não poderia deixar de ser, mais um foco de polémica à nossa maneira. Aquela maneira que sempre temos de tapar o fundamental com o circunstancial. 

Conciliar uma manifestação com as regras de distanciamento que a pandemia continua a requerer, mais a mais em Lisboa, onde ocorrem mais de 90% das contaminações, seria difícil. Isso só o PCP sabe fazer. Mas, ssperar de uma manifestação contra o racismo e a violência policial, outra coisa que não fosse gestos e palavras de animosidade para a polícia, nunca seria mais fácil.

 

O populismo não precisa de argumentos. Basta-lhe a atoarda!

Cigano7Online-->Dedicated To RICARDO QUARESMA

 

O sombrio André Ventura vai espalhando impunemente a sombra do racismo que apregoa pela sociedade portuguesa. Desta vez saiu-lhe ao caminho um cigano. Com voz, que é coisa que os ciganos não têm.

Chama-se Ricardo Quaresma, e é jogador de futebol. Internacional português. Tem voz e soube usá-la, o que não é menos meritório. E deixou o mais que tudo do Correio da Manhã sem argumentos de resposta. O discurso populista é assim, não tem argumentos. Não precisa, basta-lhe a atoarda.

Sem argumentos, o deputado, líder auto-suspenso do Chega, e candidato presidencial declarou "lamentável que um jogador da selecção nacional se envolva em política" e apelou às autoridades do futebol para não deixarem passar em claro um intromissão destas. Logo ele que fez do pior que o futebol tem o trampolim para a política. Naturalmente para o pior que a política tem...

 

Marega

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O racismo chegou oficialmente ao futebol português. Não é a primeira vez que manifestações racistas acontecem nos estádios portugueses. Nunca é à primeira que estas manifestações tomam a dimensão do que aconteceu hoje em Guimarães. 

Hoje, Marega pôs bem à vista a vergonha do racismo. E digo que pôs porque tomou corajosamente a decisão certa de abandonar o campo. E porque o fez expressando toda a sua indignação de uma forma que não permite mais que se continue a fingir que isto não acontece.

Pena que o árbitro, a quem competia agir, e que teve nas mãos a possibilidade de prestar um serviço que prestigiasse a arbitragem e limpasse, por um bocadinho que fosse, a imagem deste triste futebol português, tenha fingido que não percebia o que estava a acontecer.

Pena, já que o árbitro não cumpriu com a sua obrigação, que todos os jogadores, de ambas as equipas, em vez de tentar impedir a saída de Marega, não tenham abandonado o campo com ele.

Pena, muita pena, que da PGR não tenha saído uma ordem para que a Polícia de Guimarães não permitisse a saída de ninguém das bancadas sem primeiro ter identificado os autores do crime.

E pena que tudo continue na mesma, com o ódio a alastrar na sociedade portuguesa e em especial no futebol.

 

Não havia necessidade...

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No final do ano, no preciso espaço de uma semana, dois jovens, um cabo-verdeano e outro português, foram assassinados na rua.

O português, de 24 anos, a 28 de Dezembro, no Campo Grande, em Lisboa, por um grupo de três jovens guineenses, com idades entre os 16 e os 20 anos, apunhalado nas costas depois de ter reagido ao assalto que esteve na origem do crime.  Perdeu a vida no local e foi logo notícia nos jornais e televisões.

O cabo-verdeano, de 21 anos, a 21 de Dezembro, em Bragança, brutalmente agredido na cabeça à saída de um local de diversão nocturna, numa rixa em que, com mais dois amigos e compatriotas, se viu envolvido com um grupo de portugueses. No alarme dado aos bombeiros o jovem caído inanimado no chão foi referenciado como profundamente embriagado. Estava sim às portas da morte, já tapadas para a saída. Morreu a 31 de Dezembro, e foi então notícia nos jornais e nas televisões.

As duas lamentáveis ocorrências, bem como os crimes praticados, não têm qualquer relação entre si. As circunstâncias em que ocorreram são tão distintas como a geografia em que aconteceram. Em Lisboa, aconteceu um assalto numa zona em que acontecem todas as noites. Ao que se sabe, o jovem assaltado era praticante de karaté, e isso não deve ter ajudado nada... Em Bragança, os contornos do crime não estão ainda bem definidos, mas o que se conhece aponta para a futilidade de um simples encosto numa rapariga provocado por uma escorregadela na fila para a caixa, com uma "espera" na saída.

O que não impediu que rapidamente os activistas do costume corressem a rotular o crime de Bragança de racismo, em mais um "tiro no pé", ajudado também pelas autoridades de Cabo Verde que, esquecendo-se que o crime de Bragança só se tornou crime, e depois notícia, com a morte do jovem, a 31 de Dezembro, vieram apresentar críticas ao tratamento mediático do tema, em evidente contraponto com a relevância informativa dada ao crime do Campo Grande. 

A luta contra o racismo não é isto. Este tipo de reacções apenas contribuem para extremar posições, tornar mais difícil o combate ao preconceito, e engrossar as correntes xenófobas e racistas. Que - já se está a ver - ficam com mais uma "pérola" para usar: "há racismo quando brancos matam um preto, mas já não há quando são pretos a matar um branco". 

Não havia necessidade...

Estragar a festa*

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Acabadas as eleições, contados os votos – não todos, estranhamente, quase uma semana depois, ainda não estão contados os da emigração – analisam-se resultados e perspectiva-se o que estará para vir.

É o que sempre acontece na semana seguinte ao dia da festa dos votos - sim, apesar de tudo continua a ser dia de festa!

E nesta semana ninguém se poderá queixar de falta de tema, até porque os resultados deste domingo dão pano para mangas. Três novos partidos entraram pela primeira vez na Assembleia da República, fazendo aumentar para 10 (em mais de 40%) os partidos com assento parlamentar, e um, à segunda participação, quadruplicou a sua representação. Os dois partidos da anterior direita parlamentar – mais um que o outro - não evitaram um descalabro anunciado; e as coisas também não correram exactamente bem – também mais a um que a outro – aos parceiros do governo na geringonça.

Há sempre contas sobre quem ganhou e quem perdeu, quem votou em quem, e quem deixou de votar em quem, para passar a votar em quem… Há uma maioria para desenhar que sustente politicamente o governo, e há uma guerra de sucessão a vislumbrar-se à volta as feridas abertas nos principais partidos da direita.

No entanto houve gente para quem nenhum destes temas teve suficiente interesse. Houve gente para quem a única coisa digna da sua preocupação foi a eleição de uma afro-descendente, nascida em Bissau e cidadã portuguesa desde os oito anos, em cujos festejos surgiu uma bandeira da Guiné-Bissau. De tal forma que lançaram uma petição pública, ao que dizem já assinada por nove mil pessoas para, por impatriotismo, impedir a sua tomada de posse. Impatriotismo – evidentemente – denunciado pela presença da bandeira daquele país africano a que, como a todos os outros de língua portuguesa, chamamos irmão. Isto é imbecil, mas não é inocente … Nem novo. Nem novidade nos métodos, nem nos meios, nem nos fins…

Há quem não goste que as eleições sejam uma festa. E há, depois, gente que tem especial gosto em estragá-la!

 

*Aminha crónica de hoje na Cister FM

A mesma América

Polícias a cavalo transportam negro com uma corda

 

Mais uma imagem que nos envergonha. Vem de Galvestone, no Texas. Por acaso - ou talvez não - no mesmo Estado em que, dois dias antes, em nome da supremacia branca, um rapaz de 21 anos desatou aos tiros num supermercado, matando mais de 20 pessoas e ferindo outras trinta.

Donald Neely - assim se chama o homem negro - atado por uma corda a dois polícias montados em cavalos, é conduzido sob prisão à esquadra da polícia local...

Mais uma vez, isto pode nem ser Trump, já vimos imagens destas noutras presidências. Mas com Trump é mais fácil...

Sempre se minimizou a perigosidade de Trump justamente por ser na América. Das instituições. Da maior e mais avançada democracia. Dos "checks & balances". Mas, depois... temos imagens destas ... E o que temos para dizer é: "só nos Estados Unidos". Ou: "tinha de ser nos Estados Unidos". Na mesma América!

 

A epidemia*

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Na América, Trump refinou o que chama de tolerância zero contra os imigrantes ilegais, mesmo que para isso arrancasse crianças às famílias e as prendesse em jaulas, que uma senhora do seu governo, com a pasta da imprensa, comparou a campos de férias. No fundo, são campos de férias para as crianças, garantiu a senhora. Coisa que, rezam as crónicas, lhe valeu sérios incómodos num restaurante em que jantava um destes dias. Se é que é senhora para se deixar incomodar…

Sim, porque nesta administração Trump não há muita gente para se deixar impressionar por estas coisas, havendo até quem, perante hipóteses de comparação com os nazis, negue qualquer semelhança: na Alemanha nazi, eles queriam evitar que os judeus partissem; agora, na América, pretende-se evitar que entrem. Não os judeus, evidentemente… Ou até quem, de mãos erguidas, invoque a Bíblia para justificar as suas monstruosidades. Soube-se que Melanie Trump se sentiu fortemente incomodada mas, como se sabe, não pertence à administração. É apenas primeira-dama. E mesmo assim só quando convém…

Em plena União Europeia, em cujo coração a Srª Merkel, outrora inimiga da Europa e agora sua última esperança, trava uma dura luta de sobrevivência com o seu ministro do interior exactamente por causa destas coisas, o Sr Viktor Orban, anteontem, em pleno dia mundial dos refugiados, fez aprovar no parlamento da Hungria um pacote legislativo que criminaliza, e pune com prisão, qualquer auxílio a qualquer imigrante ilegal ou refugiado. Ou quem ouse auxiliar alguém a pedir asilo.

Na Europa, um país membro da União Europeia, não se limita a inscrever na Constituição que “uma população estrangeira não pode fixar-se na Hungria”. Persegue quem defenda ou preste qualquer tipo de auxílio a estrangeiros que pretendam entrar no país de onde muitos cidadãos tiveram que sair para procurar melhores condições de vida. Como George Soros, hoje um dos maiores investidores e filantropos do mundo, e um dos maiores financiadores das organizações de defesa dos direitos dos imigrantes, também na Hungria.

Mas de tal forma objecto da ira fascista do líder húngaro que o regime não encontrou melhor designação oficial para esta legislação agora aprovada que, justamente, “STOP SOROS”.

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Marketing, xenofobia e racismo

Supermercado elimina produtos estrangeiros e dá 'lição' aos clientes

 

Um supermercado em Hamburgo, da cadeia alemã de supermercados Edekana, tomou a iniciativa de, por um dia, colocar nas prateleiras apenas produtos alemães.

Os seus clientes foram surpreendidos com prateleiras, quando não vazias, despidas da variedade a que estão habituados. No lugar em que faltavam os produtos que procuravam, encontravam muitas vezes frases alusivas à circunstância: "tão vazia fica uma prateleira sem estrangeiros"; ou "a nossa seleção conhece fronteiras hoje".

A notável iniciativa deste supermercado não tem apenas o mérito de confrontar os seus clientes com o racismo e a xenofobia. Mostra como estes preconceitos são absurdos, e contrários ao nosso próprio modo de vida. Mostra, de uma forma simples, como o racismo e a xenofobia não cabem no tempo que vivemos. 

 

 

Polémicas da semana*

Imagem relacionada

 

Enquanto o país real continuava a arder, o país digital foi tomado por duas polémicas daquelas que o rasgam ao meio.

Um conceituado médico, de ineludível referência, numa entrevista a um jornal também de referência, tornou públicas posições sobre a homossexualidade em termos que, se à luz da sua condição de conservador possam ser compreensíveis, serão porventura mais dificilmente aceitáveis à luz da sua condição de médico. A sua condição de médico não constitui qualquer limitação à sua liberdade de manifestar as suas convicções, mas obriga-o ao rigor da argumentação. Apenas aí, ao nível do rigor dos argumentos evocados, será objecto de censura. Só e apenas isso.

Um candidato autárquico, que uma pequena parte do país só conhecia como comentador desportivo, que os lamentáveis programas da especialidade com que as televisões o intoxicam transformam rapidamente em figuras públicas, assumiu posições racistas tendo os ciganos como alvo.

Homossexualidade e racismo não são apenas temas fracturantes que, se para uns dividem direita e esquerda, conservadores e progressistas, para outros, são aspectos básicos e fundamentais da cidadania e da civilização.  

Embora no mesmo quadro de fundo, as duas polémicas que marcaram a semana constituem, no entanto, quadros completamente distintos. No primeiro estamos perante a manifestação de uma opinião pessoal, mesmo que feita de forma infeliz. No segundo, e por muito sério que o problema seja, e é, por muito que deva ser discutido, e deve, estamos no domínio do calculismo político e do recurso ao mais desprezível populismo. Só isso. Só que, aqui, isso é tudo.

 

*Da minha crónica de hoje na Cister FM

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