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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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O DIA QUE NÃO EXISTIU

Por Eduardo Louro

 

Acaba de chegar ao fim um dia que não existiu. Este dia não existiu, apenas existiu um jogo de futebol.

Ao longo do dia não ouvi nada que não viesse de Dublin: eram programações directas, com dezenas de profissionais lá instalados – não estou a falar dos que estavam afectos ao relato do jogo e às infindáveis narrativas do antes, do durante e do depois do jogo – sem que ninguém perceba o que lá estavam a fazer (era engraçado, por exemplo, serem dadas de lá as notícias sobre o trânsito de cá). Eram entrevistas com os que acabavam de chegar ou com quem já lá estava. Interessantíssimas, como se pode imaginar! E eram os inevitáveis prognósticos …

Depois veio o jogo. E os festejos… Os canais de notícias das televisões (do cabo), todos sem excepção, estavam em directo desde Dublin, do Porto ou de Braga. Durante toda a noite: uma hora, duas horas, três horas depois de o jogo ter terminado!

Que, neste dia que não existiu, se tenha ficado a saber que a taxa de desemprego subiu para 12,4%, não teve qualquer importância. Que tenhamos ouvido o responsável por esta catástrofe de 700 mil desempregados – o primeiro-ministro Sócrates, evidentemente – dizer que isso não tem importância nenhuma, que apenas tem a ver com alterações nas regras de cálculo das estatísticas (é curioso que, de repente, o INE foi obrigado a alterar todos os critérios de cálculo de todas as estatísticas, o que diz bem do que andava a ser escondido debaixo do tapete) e  que, com a crise internacional, o desemprego subiu em todos os países. E que a solução para isto são as Novas Oportunidades, a nova cassete com que, como ontem aqui se dizia, Sócrates passa agora martelar os ouvidos do país! Como também não importou nada que tenhamos ouvido o secretário de estado da tutela – o inqualificável Valter Lemos – dizer coisas tão absurdas como que a subida da taxa de desemprego está dentro das expectativas e que “o contributo mais significativo foi de pessoas que não estavam à procura de emprego e que agora estão”.

Na realidade nada disto interessou hoje às televisões. Porque nada disto existe, se bem que tudo isto seja triste. E o nosso fado!

Mas como poderia isto ter existido se nem o dia existiu? Como podia isto ser notícia do dia, se nem houve dia, se apenas houve um jogo de futebol numa inédita e gloriosa final portuguesa da Liga Europa? E nada mais… Se, como dizia a nossa rádio pública – que, de armas e bagagens, e à custa dos nossos impostos, se instalou em Dublin – hoje foi dia da Irlanda … do Norte!

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