Como é costume por esta altura aí estão os rankings das Escolas. Como é costume, enchem as primeiras páginas da imprensa, e abrem telejornais. Como é costume, misturando "alhos com bogalhos", os colégios privados arrasam.
Nesta altura do ano, tão certo como o regresso do solstício é o regresso do ranking das escolas. O solstício chega na próxima quarta-feira, o ranking chegou hoje. E é uma festa!
Compara o incomparável, mas isso não importa nada. Compara escolas onde não há dinheiro, com colégios onde nada falta. Escolas onde não há professores, ou estão em greve, com colégios com quadros de docentes estabilizados, do primeiro ao último ano de escolaridade. Escolas com calendários escolares de meio dia, e ainda assim sujeitos às intermitências dos humores dos sindicatos e do ministério, com colégios com oito horas de ensino curricular, e pausas preenchidas com actividades extra-curriculares para todos os gostos e necessidades. Escolas com filhos da desgraça, e enteados de um país desigual, com colégios que disputam os alunos entre os filhos das melhores famílias.
Mas é assim, e viva o ranking!
No deste ano, o primeiro é o Grande Colégio Universal, no Porto, que atingiu a média de 16,6 nos exames nacionais. Nada que, para o respectivo director, tenha alguma coisa a ver com assimetrias sociais e elitismos. Diz mesmo que “é preciso desconstruir a ideia de que o ensino privado é elitista”, e que "a diversidade social [no seu estabelecimento de ensino] é uma riqueza que sempre tivemos.”
A avaliar pelo valor da mensalidade, que informou não ir muito para além dos quatrocentos euros, percebe-se "a riqueza da diversidade social"...
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