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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

"Killer instinct"

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Quando há uma semana António Costa, na já célebre visita de ambos à Auto-Europa, lançou a recandidatura de Marcelo declarando-lhe o apoio e a certeza da reeleição, a maior parte dos observadores da coisa política fixou-se na oportunidade e na mestria política do primeiro-ministro para desviar as atenções do conflito aberto com Mário Centeno.

Não foi preciso sequer uma semana para percebermos que foi bem mais que isso. E que terá até sido este dispensável conflito a constituir-se na oportunidade certa para Costa fazer o que tinha de ser feito. E que se calhar não era fácil de fazer.

Como qualquer mortal entende o PS não tinha qualquer candidato que pudesse verdadeiramente disputar as eleições a Marcelo. Em rigor não tem o PS como não tem mais ninguém. Se na História desta terceira república nunca apareceu ninguém a impedir uma reeleição, não será agora, com um presidente que bate recordes de popularidade e que tem como aposta estabelecer um novo máximo eleitoral, e bater os 70,35% de votos de Mário Soares, em 1991, que tal venha a acontecer.

Marcelo vai ser reeleito, e seria sempre reeleito, fossem quais fossem os adversários. Com um governo minoritário, com a geringonça arrumada num canto esquecido, com um historial de bom relacionamento institucional, e à beira de uma das maiores - se não mesmo a maior - crises económicas desta República, António Costa estava obrigado a colar-se à recandidatura de Marcelo.

Não tinha simplesmente alternativa e, nessas circunstâncias, o pior é mostrá-lo. Quem, em qualquer circunstância, mostrar que não tem alternativa perde todo o espaço. Ao tomar a iniciativa, no momento em que o fez, ainda antes do próprio anunciar a recandidatura, António Costa ganhou o que de outra forma perderia. E em política, como em tudo na vida, para uns ganharem outros terão de perder.

Não poderia ter sido mais oportuno. É claro que não foi elegante com o seu partido, mas é assim com os partido no governo. E a contestação passará depressa e sem mossas. Até porque junta pessoas que não dá para misturar, deixando que o oportunismo faça o seu próprio trabalho... 

O PSD deixou-se mais uma vez apanhar e cair no ridículo de andar à procura de um adversário para o seu candidato natural. Ridículo que Alberto João Jardim caricatura na capa de um jornal de hoje...

É certo que as coisas não correram muito bem quando, em 1991, Cavaco fez com Mário Soares algo que, podendo parecer idêntico, era no entanto substancialmente diferente. E é certo que os segundos mandatos são sempre mais rasgadinos, quando não de confronto aberto. Mas, agora, António Costa fez apenas o que tinha que fazer quem sabe o que anda a fazer.

Há quem lhe chame killer instinct

 

"Optimista e superficial"

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Fosse para agitar as águas, fosse para reforçar ainda mais o espaço para a sua recandidatura, o Presidente Marcelo falou de crise na direita, admitindo a "forte possibilidade de haver uma crise na direita portuguesa nos próximos anos" que a arrede do poder por muito tempo.

Fosse para se fazer desentendido, e continuar a assobiar para o lado como que não seja nada com ele, fosse porque não percebe mesmo nada do que se diz e nem nada do que se passa, Rui Rio achou-o "optimista e superficial". O "superficial" compreende-se. Serve para desvalorizar. E, seja para continuar a assobiar para o lado, seja para disfarçar as suas insuficiências de percepção, Rui Rio precisa mesmo de desvalorizar os conteúdos críticos.  O "optimista" é que não há mesmo forma de compreender. 

Das duas, uma: ou Rui Rio falou para não estar calado, e mais uma uma vez "nem as pensa", ou, ao dizer que o Presidente é optimista ao prever que PSD e CDS estão condenados a um longo jejum de poder, tem claro na sua mente que o cenário, para a direita portuguesa, é de mera sobrevivência. Pior que ficar afastada do poder por muito anos só mesmo desaparecer da esfera do poder!

Parece-me que não será assim tanto. Que Rui Rio é que, depois de se tornar irrelevante, está agora em vias de desaparecimento... 

 

 

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