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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Números para a recessão

FMI prevê recessão global de 3% em 2020, maior descida desde ...

 

Numa altura em que tanta gente dá palpites, e todos fazem contas à vida, havia uma certa expectativa para a divulgação das previsões económicas do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ninguém gosta muito do que de lá vem, a sua reputação não é das melhores, mas ninguém despreza os seus dotes adivinhatórios. Mais a mais numa altura destas...

No Relatório com as Perspectivas Económicas Mundiais, ontem divulgado sobre o "Grande Confinamento", como chamou aos tempos que vamos vivendo,  o FMI admite que este ano a economia mundial vá viver a sua pior recessão de sempre, depois da I Guerra Mundial e de a Grande Depressão de 1929.

Para a economia portuguesa prevê uma recessão de 8,0% - quase o triplo da quebra na economia mundial, e acima dos 7,1% previstos para a União Europeia, e dos 7,5% para a Zona Euro - uma taxa de desemprego de 13,9%, e um défice de 7,1%. 

Números terríveis, bem acima dos das últimas previsões do Banco de Portugal (26 de Março) que apontavam, no pior cenário, para uma quebra de 5.7% no PIB e para 10,1% de desemprego. Mas condizentes com as palavras de Mário Centeno quando, dizendo há apenas dois dias, em entrevista à TVI, que não há previsões que valham sem se saber quando é que este confinamento poderá acabar para colocar a economia em movimento, dizia também que cada período de 30 dias (úteis) de paralisação provocava uma recessão de 6,5%.

Querendo isto dizer qualquer coisa como 4,5% ao mês, bastam 1,8 meses para atingir o terrível número do FMI. Um mês já lá vai e, para já, vem aí mais metade de outro em renovado estado de emergência ...

Acesso bloqueado

Sérgio Godinho - O Acesso Bloqueado - YouTube

 

Adivinhar o futuro
É muito duro, é muito duro ...

Adivinhar o passado
É mais seguro, é mais seguro ...

Agora adivinhar o presente
Mesmo se fosses vidente
Isso é que é mais complicado
Tem o acesso bloqueado

Estas são as palavras com que Sérgio Godinho fez a canção a que fui roubar este título, que espelham o que se está a passar na Europa, com o bloqueamento do eurogrupo. Primeiro, Alemanha, Áustria, Finlândia e Holanda, bloquearam qualquer forma de dívida conjunta para financiar o ataque à pandemia e à recessão por ela provocada. As eurobonds, ou coronabonds como agora lhe quiseram chamar para lhe dar novidade e cortar qualquer ligação com o passado recente da crise das dívidas soberanas, propostas por Espanha, França, Grécia, Itália e Portugal morreram aí. Por muito que Itália, mas também a França, continuem a insistir na ideia. 

Não havia alternativa, e o financiamento para esta encruzilhada em que nos encontramos teria de ser encontrado no chamado mecanismo europeu de estabilidade (MME), o mesmo que tinha sido utilizado para os chamados programas de ajustamento em Espanha, e na Grécia e Portugal,  com a troika. Apuraram-se os montantes e tudo parecia que parecesse avançar. Os montantes eram claramente insuficientes, mas poderia argumentar-se que era para as primeiras impressões. Depois haveria mais...

E o grande bicho de sete cabeças do MME estaria afastado.

Na Europa tudo tem nomes bonitos, e até a um bicho enorme e monstruoso com sete cabeças, se chama, com alguma ternura, condicionalidades. Ou outros nomes igualmente ternurentos como "condições económicas". Ninguém lhe chama austeridade brutal para pagar com língua de palmo esse financiamento.

Portugueses e gregos sabem bem o que é isso. E os italianos viram-no bem de perto.

Quando Centeno esfregava as mãos, e já pegava no copo para brindar, o senhor Wopke Hoekstra - mais um nome impronunciável, de mais um ministro das finanças holandês, porque só as moscas mudam - diz que não senhor. Quem recorrer ao MME tem de se sujeitar "às condições económicas". 

A Holanda - e não é porque o senhor Wopke Hoekstra assim o queira, é porque assim quer o Parlamento holandês, e porque assim querem os holandeses, que votam - não aceita sequer que qualquer país membro recorra a estes financiamentos sem ficar obrigado a um programa de intervenção que garanta o regresso a curto prazo ao cumprimento dos critérios do défice e da dívida. 

É cada vez mais claro que este problema, único e sem precedentes, não se resolve apenas com dívida, é também necessário imprimir dinheiro. Isto, a que estamos a assistir, é como alguém, numa emergência, ter que sair de Lisboa para chegar ao Porto impreterivelmente duas horas depois e ficar bloqueado ali em frente ao Ralis.

 

 

As taxas de juro batem no fundo. E o resto também!

Por Eduardo Louro

 

 

O BCE decidiu, não diria baixar ainda mais as taxas de juro, que já estavam nos incríveis 0,15%, mas acabar praticamente com os juros. Mário Draghi fixou a taxa de juro em 0,05% – zero, na prática –, decidiu ainda cobrar sobre depósitos dos bancos centrais e avisa que não vai parar nos estímulos ao investimento.

O BCE, que tem existido para se preocupar com a inflação, só está preocupado com o investimento porque tem, agora, de preocupar-se com a deflação, que é bem pior. Que resulta da austeridade imposta pelo fundamentalismo europeu, que destruiu o consumo e o investimento. Que se deslocou para outras partes do mundo, especialmente para Ásia que entretanto começou a crescer e … a consumir.

A Europa precisa, e há muito, de incentivos à procura, e não à oferta. É, como toda a gente sabe, e os neo-liberais melhor deviam saber, a procura que motiva a oferta, e não o contrário. Estimular a oferta quando não há procura não faz simplesmente sentido. O Senhor Draghi sabe isso perfeitamente, e como sabe que tem que fazer qualquer coisa, faz o que pode. E isso, baixar as taxas de juro, ele pode. No lado da procura é que não!

Porque não tem instrumentos para isso e, mesmo que tivesse, a Senhora Merkel e o Senhor Schauble não o permitiriam. Repare-se como estes jihadistas da austeridade lhe puxaram publicamente as orelhas quando, na semana passada em Jackson Hole (EUA), ousou falar na necessidade de "impulso da procura agregada". Ou como reagem sempre que se fala na necessidade de subir os salários alemães…

A deflação está aí, e com ela nova e mais complicada recessão. O estranho é que aquele par alemão não perceba que, desta, nem a Alemanha escapará! 

 

Tentação irresistível

Por Eduardo Louro

 

Como se sabia, o orçamento em vigor, como sucedera nos anteriores, contém diversas inconstitucionalidades. Faltava apenas que o Tribunal Constitucional as confirmasse…

Conforme se esperava confirmou hoje três delas – outras, como por exemplo a CES, ficam ainda à espera – entre as quais os cortes salariais na função pública.

O primeiro-ministro, ameaçando o Tribunal Constitucional e pelo caminho todos nós, garantira que iria aumentar impostos. Com o IRS a bater no tecto, já só o IVA está à mão… Rebenta com a minúscula réstia de esperança na espécie de crescimento que alimenta o milagre económico que o Pires de Lima anda a vender… Traz de volta a recessão, que não fora embora sem deixar na porta um Volto Já

Resta a Passos e Portas a tentação enorme, tão enorme quanto o enorme aumento de impostos do sucesso da sua governação, de tirar partido imediato da situação no PS. Uma tentação que Seguro, hoje no mais desastrado dos seus dias de uma semana miserável - que, depois de completamente perdido no meio da moção de censura do PC, culminaria na patética reacção à decisão do Tribunal Constitucional – torna certamente irresistível.

Volto já!

Por Eduardo Louro

 

Contrariada, a rabujar e achando-se mesmo injustiçada – afinal 0,2% não é nada –, a recessão vai-se embora. Mas promete voltar, quem conviveu com esta extraordinária gente que somos todos nós durante tanto tempo - nunca nenhuma outra tinha desfrutado tanto do país - não consegue viver muito tempo longe de nós. É o que faz sermos hospitaleiros...

Não é um adeus. Na maçaneta da porta deixou um Volto Já

É uma mera pausa para o Inverno. Lá para o início da Primavera voltará a dar notícias. Parece-me mesmo que é capaz de dar notícias já no final do ano, só que os dois trimestres consecutivos, que fazem parte do seu ADN, impedem-na de aparecer de corpo inteiro e rosto destapado antes da Primavera.

Como eu gostaria de estar enganado, e poder dizer a esta velha rabugenta que estamos fartos dela, que vá para bem longe e não nos volte a aparecer por perto…

 

As boas notícias que (não) chegam...

Por Eduardo Louro

 

O desemprego baixou no segundo trimestre. Vamos deixar de lado se baixou muito pouco, e se o que baixou foi à conta de salários ainda inferiores ao salário mínimo.

As exportações continuaram a crescer, bem para além do que se estava à espera, e Maio foi o melhor mês de sempre no que toca a volume de transacções para o exterior. E admite-se mesmo que a economia esteja a sair da recessão!

Ora tudo isto são boas notícias, mesmo que não tão boas quanto gostaríamos que fossem. A quebra do desemprego pode resultar apenas de fenómenos de sazonalidade, de contratos de curtíssima duração que, passado o Verão, devolvem ao desemprego os números assustadores de sempre. E traduziu-se apenas nos salários mais baixos, deixando a ideia que a economia que pode estar a sair da recessão vai fazê-lo em novas bases. Em especial na base de salários baixos – ainda mais baixos!

Mas têm que ser boas notícias, porque é de boas notícias que também a economia vive. É de optimismo, que gera confiança, que a retoma se faz.

Pena é que o governo nada contribua para isso. Que, quando saem estas notícias, em vez de as potenciar, esteja paralisado por ministros e secretários de estado enterrados em aldrabices. Que, antes de serem demitidos, não poderiam ter sido admitidos. Que, quando há notícias destas para dar, dê as de cortes de pensões. E as das excepções, porque, afinal, os cortes nunca são para todos. E deixe intactas as imoralidades que todos conhecemos…

 

CUMPLICIDADES

Por Eduardo Louro

 

Não sei o que ache mais normal. Se a solidariedade dos socialistas mais socratizados com o ainda ministro Relvas, se a deste governo com os socialistas mais socratizados, ao dizer agora que a culpa disto tudo é do exterior…

Tão cúmplices que eles são!

Um a um, os mais proeminentes socratistas (já outra coisa é o que faz Fernanda Câncio, não que seja menos socratista, mas porque não usa uma mão para lavar a outra) saltam em defesa de Relvas. Ninguém quer ficar para trás, vá lá saber-se porquê. E já não é de agora que, para Passos Coelho, a recessão em que o país mergulhou é culpa dos outros. Há um ano, como agora, o mal vem de fora. Como já Sócrates dizia, e como os seus discípulos ainda agora obrigavam Seguro a reconhecer. Por escrito!

A VERDADE COMEÇA A PASSAR POR AÍ

Por Eduardo Louro

 

É agora oficial que a recessão atingiu, no ano passado, os 3,2% do PIB. Isto é, começam agora a surgir os valores do PIB de 2012 – sabendo-se, como se sabe, que há umas semanas atrás o governo festejava o cumprimento da meta do défice, a revista para os 5%: o PIB só agora vai sendo conhecido, mas o défice sobre esse mesmo PIB já foi objecto de festejo – e percebe-se agora que a queda do PIB é bem maior do que o previsto. Que esta é a maior recessão em todos estes anos de democracia!

Nos mais variados espaços, entre os quais este mesmo, tem-se alertado para o processo de destruição em curso na economia portuguesa. Aqui, já nem têm conta as vezes em que se desmascarou o embuste talhado por este governo que culminou com o sucesso do regresso aos mercados. Aqui avisamos que o défice em 2012 não seria alcançado, que o desemprego é bem superior ao que os dramáticos números oficiais dizem e que não iria parar de crescer. Que o Orçamento para este ano é impossível de cumprir, e que toda esta combinação explosiva viria a rebentar lá para Abril, quando fossem conhecidos os dados da execução orçamental do primeiro trimestre.

No entanto, o governo, irresponsavelmente alheio a tudo isto, ia anunciando a boa nova e os sucessos da sua governação. Este seria o ano da viragem, mais de três quartos do processo de ajustamento já estavam cumpridos… Ainda havia aquele pequeno imbróglio dos 4 mil milhões de euros. Que ora era corte, ora era poupança. Ora eram fortes facadas no Estado Social, ora eram simples cortes de limpeza de gorduras, conforme o lado para que, a cada momento, a comunicação do governo estava virada.

Ainda ontem o ministro Relvas – a eminência parda de um governo que cada vez mais é a sua própria cara – enquanto afirmava respeitar a já famosa expressão do ex-Secretário de Estado da Cultura, dizia que o governo tinha atingido todos os objectivos de 2012. Ainda ontem, o autorizado e respeitado Relvas era a voz do sucesso realizador do governo!

Hoje, no debate quinzenal no Parlamento, onde foi obrigado a ouvir Grândola Vila Morena, Passos Coelho já admitia estarmos perante uma espiral recessiva. Admitia ter de rever a estratégia de consolidação orçamental, rever as previsões económicas que sustentam o orçamento em vigor, e até ter de recorrer à renegociação das condições do acordo com a troika. Ao sucesso ontem anunciado por uma das caras da moeda, corresponde o insucesso hoje confirmado pela outra face da mesma moeda!

A verdade começa a passar por aí. Ainda antes do que se esperava, mas nem por isso menos dura. Nem por isso menos dramática!

OS NÚMEROS DA RECESSÃO

Por Eduardo Louro

 

No primeiro trimestre deste ano a economia caiu 0,1%. Menos que o esperado, e a permitir alimentar a ideia que se possa confirmar a quebra de 3% prevista pelo governo para este ano, em vez dos 3,5% previstos pela Comissão Europeia. Mesmo - quem sabe - a permitir a ideia que o fundo esteja perto e que lá estejamos a bater. Este conceito técnico de recessão garante-nos que ela alguma vez haverá de ser interrompida. Mas não nos garante que não haja mais fundo para além desse fundo. Basta ver que a queda da actividade económica neste primeiro trimestre é de 0,1% em relação ao anterior, mas já vai para perto dos 3% se comparada com o trimestre homólogo do ano anterior.

E o desemprego não pára de subir, bem para lá dos 14,5% que o governo estimava ser atingido lá para o final do ano. Já vai nos 15% e a procissão ainda agora saiu do adro!

Se alguém quiser festejar, se alguém quiser dizer que é apenas por uma escassa décima percentual que não saímos de recessão, e que o ponto de viragem está mesmo aí à mão, está apenas a vender banha da cobra. Mais que os números da recessão, pesam os números das suas consequências!

 

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