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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Civilização*

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Ainda mal refeito da polémica lançada pelo outro senhor no “Prós e Contras”, cada vez mais o velho lavadouro público da aldeia transportado para a televisão, que deixou o país em alvoroço com a tal coisa escandalosa das crianças não deverem ser obrigadas a dar beijos aos avós, o país voltou a entrar em ebulição com as fotografias da detenção de três suspeitos de roubos e agressões as idosos na zona norte do país, que dias antes haviam fugido em pleno tribunal.  

Claro que uma não tem nada a ver com a outra, mesmo que as acções na origem de cada uma, e as posteriores reacções, tenham, e muito, umas a ver com as outras.

A questão levantada pelo tal senhor que, dizem, é professor numa universidade da praça, até faz sentido. O problema começou logo por não ter sido posto dessa maneira. Por não ter sido levantada como questão, mas lançada com a arrogância de uma certeza absoluta e indiscutível. A partir daí… valeu tudo. Porque nas redes sociais nada se perd(e)oa, tudo se transforma ... em crueldade cega e ilimitada.

A publicação da fotografia dos fugitivos acabados de deter, poderá perceber-se à luz da óbvia humilhação da polícia na fuga. Deixar fugir gente dada por perigosa pela janela de um tribunal é das maiores humilhações por que pode passar uma polícia. E daí a tentação da ostentação na recaptura, como um troféu redentor.

Só que a Polícia não serve para isso. A Polícia não serve nem para deixar fugir presos, nem para os expor como troféus. A Polícia serve, tem de servir, para preservar e defender os valores do Estado de Direito. Ao contrário, mais uma vez, da cultura das redes sociais, onde impera a lei de Talião, de “olho por olho, dente por dente”, a mais antiga lei da história da humanidade, anterior aos esforços de milhares de anos de civilização.

Os avanços civilizacionais são o resultado de milhares de anos a contrariar e sublimar os instintos mais básicos e primitivos do homem, para que a convivência harmoniosa seja possível em comunidades cada vez mais alargadas. Em sociedade!

O valor da dignidade humana é um desses resultados, porventura o maior. E justamente o que as redes sociais mais reiteradamente atropelam, de forma muitas vezes selvática.

 

Até para a semana. Ah… já me esquecia: “se Deus quiser”. Até para a semana, se Deus quiser!

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Medo. Muito medo!*

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Há muito que muita gente desconfia das novas tecnologias e em particular das redes sociais. Uns por cepticismo militante, desconfiam de tudo e desconfiam mais de tudo o que é novidade. Não é a esses que me refiro, até porque os coloco no mesmo saco dos outros, no outro extremo, que nunca desconfiam de coisa nenhuma e se entregam acriticamente, de alma e coração, a tudo o que de novo lhes apareça pela frente.

Outros porque vêm outros utilizá-las como janelas escancaradas para a sua vida, mesmo que para lá espreitem como espreitariam por qualquer buraco de fechadura. E outros porque, reconhecendo-lhe um potencial inesgotável, desconfiam da utilidade que a perversidade, nas suas mais diversas formas, lhe possa dar.

Notícias dadas esta semana por dois jornais de referência mundial, o New York Times e o London Observer, a partir de investigações que levaram a cabo, fizeram disparar todos os alarmes destes últimos.

Não deixaram apenas o Facebook em alvoroço. Em alvoroço e sem umas larguíssimas dezenas de milhares de milhões de dólares. Deixaram-nos com medo. Com muito medo. E no entanto apenas confirmavam aquilo que há muito corria: que o Facebook tinha sido usado para eleger Donald Trump, no ano passado, na América. A novidade, nestas notícias, é que identificou quem e como – uma empresa inglesa, a Cambridge Analytica, já a espalhar o negócio pelo mundo fora, pronta a intervir na manipulação de tudo o que seja eleições por todos os continentes – e através da apropriação dos dados de 50 milhões de americanos, utilizadores da rede, com o envolvimento de gente da ciência e da Universidade.

Sabe-se que o mesmo já tinha acontecido no Brexit. Que os catastróficos resultados do referendo à continuidade britânica na União Europeia tinham sido manipulados a partir das redes sociais. Que o mesmo aconteceu mais recentemente nas eleições no Quénia, ou acabou de acontecer em Itália. Disse-nos Matteo Salvini, o líder da extrema-direita italiana, quando, conhecidos os resultados, se apressou a agradecer: “Graças a Deus internet, graças a Deus redes sociais, graças a Deus Facebook.”

Olhamos para este fabuloso mundo da conectividade digital e vemos Trump, brexit… Rússia, Putin, cibercrime e ciberespionagem … Fake news… E temos medo. Muito medo…

Porque jornalismo sério, como este do New York Times e do London Observer, capaz de denunciar estes crimes contra a humanidade, a liberdade e a democracia, não passa já de um simples e raro resquício do passado…

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

 

Abuso de confiança

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Volta a falar-se do Facebook. Porque usa a infinita informação que lhe entregamos para os mais ilegítimos fins. Usa e é usado, abusando de uma estranha relação de confiança que impôs às pessoas. A ponto de lhe confiarem toda a intimidade, de com ele partilharem todos os seus segredos. Para isso, para conquistar essa relação de confiança, sempre se apresentou como pessoa de bem, nascida do bem e benfazeja.

Para a reforçar, por cada vez que falha, começa por dizer que nada de grave falhou, para logo depois jurar que vai melhorar e prometer não voltar a falhar. Como um(a) namorado(a), quando faz porcaria...

Se tudo o que se está a falar do Facebook se ficar pelos 40 mil milhões de dólares de capitalização perdidos nos últimos dois dias, é pouco. Muito pouco, rapidamente os recupera, logo que disto se deixe de falar. Muito, se calhar decisivo, seria se acabasse por romper com tão estranha relação de confiança. Se, quebrada essa relação de confiança, as pessoas se passassem a reservar mais, a expor-se menos. Mas, fundamental, e verdadeiramente importante, seria que a quebra dessa relação de confiança levasse as pessoas a deixar de acreditar em tudo o que lá vêem.  

Já era um bom ponto de partida para que este fosse apenas mais um extraordinário instrumento de aproximação das pessoas!

 

Burlas boas e más, ou exemplos que o não são...

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A "estória" do "The Shed at Dulwich", o restaurante londrino que nunca existiu e chegou ao topo da lista do TripAdvisor, tende a ser apresentada como o mais flagrante exemplo da facilidade em manipular a informação nas plataformas digitais e em particular nas redes sociais.

Mal, erradamente, do meu ponto de vista. Por duas razões fundamentais: a primeira é porque se trata de uma burla. e as burlas existiram no passado, continuam a existir na actualidade, e seguramente que continuarão a existir no futuro. Existem na rua, nos mais sofisticados escritórios, ou nos melhores hotéis. Mas uma burla bem feita, mesmo que não tenha tido por fim  lesar objectivamente ninguém para obter qualquer vantagem. Uma burla boa, e ainda por cima bem feita. O que leva à segunda: não é fácil. Não é nada fácil fazer isso bem. Exige muito e múltiplo talento, como uma boa burla sempre exigiu. 

Diferente, mas também burla, e burla a sério para prejudicar uns e beneficiar outros, são as "fake news", que nem sequer são um exclusivo - nem de perto, nem de longe - das paltaformas digitais e das redes sociais. Outra ainda, e essa sim toda a débito das redes sociais, são as notícias que não são notícia. Mas essas são normalmente tão mal feitas que não têm grande futuro, mesmo quando transformadas em bola de neve, que tudo leva à frente.

 

Um retrato a cores*

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Parece uma história de crianças, mas é simplesmente a história de dois cadernos para crianças, entre os 4 e os 6 anos, publicados pela Porto Editora: um para meninos, azul, e outro para meninas, cor-de-rosa. Os cadernos de exercícios, ou blocos de actividades como gostam mais de lhes chamar, não têm nada a ver com livros escolares e estavam no mercado já há um ano, coisa que na história é omissa.

Começou a ser mal contada pelo Público, passou para as chamadas redes sociais, e pronto… A onda estava lançada e ninguém mais a parava. Como é costume, ninguém olhou para os ditos blocos, nem ninguém parou para pensar. Houve até uma senhora, investigadora e especialista na matéria, que, embora não poupando no choque nem na estupefacção, referiu que só tinha visto duas páginas. Que lhe bastaram para formular a grande preocupação sobre a representação social trazida para aqueles blocos.  

E, claro, a coisa teria de ir para à Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. Que foi lesta a, evocando a recomendação do ministro, solicitar à Editora que retirasse os blocos do mercado. Que foi ainda mais lesta a cumprir a ordem. Ou o pedido.

Tudo sem que ninguém parasse um minuto à procura do bom senso, e para reparar que o preconceito não morava nos ditos blocos de actividades, mas apenas num certo jornalismo militante de uma imprensa especializada em manipular a realidade, e em instituições acéfalas e sem qualquer espécie de pudor em seguir a manada nas redes sociais. 

Esta história é um retrato a cores do Portugal de hoje. Mesmo que a azul e rosa. É uma pena, mas é assim: um país com a agenda nas redes sociais, uma imprensa igualmente inorgânica, e empresas sempre a abanar o rabo ao Estado.     

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Está tudo doido?

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É notícia que anda aí pelas redes sociais um "jogo" que destroi a auto-estima dos jovens, desafia-os à automutilação e acaba a lançá-los para o suicídio.

No meio do disparate em que se tornaram os dias que vivemos, a notícia até nem surpreende muito. O que surpreende é vermos alguns especialistas - há sempre especialistas com opiniões muito especializadas sobre estas notícias - justificarem o sucesso do "jogo" com a particular apetência dos jovens pela auto-flagelação, para infligirem dor a si próprios com o fim de avaliarem a sua própria resistência a diferentes níveis da dita.

Jovens a quem ninguém pode tocar, que cresceram sem uma palmada, nem no momento certo nem no errado, súper protegidos, gostam de testar a dor? E por isso se entregam a "jogos" que lhes manipulam o corpo e a mente até à destruição total?

Mas está tudo doido?

Incontinência verbal

Por Eduardo Louro

 

A Drª Isabel Jonet é assim uma coisa como o Dr Ulrich. Ou como o Sr Soares dos Santos. Não há meio de perceber que … cada tiro, cada melro. Que talvez não fosse má ideia calar-se!

Bem sei que a intelligentsia do regime sai logo em sua defesa, incapaz, porque não quer ou porque não lhe convém, de perceber que o que irrita mesmo é aquela maneira meio estúpida de fazer generalizações, de criar categorias preconceituosas, de falar de cátedra, de dar sermão…Apressa-se logo a esclarecer o que a senhora disse, dizendo não o que ela disse mas qualquer coisa mais perto do que lhes convinha que ela tivesse dito.

Uns dizem que a incontinente verbal e patroa do Banco Alimentar não criticou os desempregados, mas apenas a vida de ilusão que as redes sociais lhes provocam. Lá porque estão ao computador até pensam que estão a trabalhar… Outros acham que a senhora apenas peca por ser franca e falar do que sabe, coisa que ninguém lhe perdoa por não ser politicamente correcta, quer dizer, de esquerda. Não colhe, acho eu!

A senhora pode ser de direita, isso não tem mal nenhum. Pode até ser tia de Cascais. Pode ser tudo o que quiser, e até gostar de brincar aos pobrezinhos… Pode até preferir que as pessoas desempregadas, em vez das redes sociais, ocupem o tempo na televisão dos Gouchas, das Júlias e dos Baiões …O que ela e os seus não podem é achar que dar sermões a desempregados, quando o desemprego anda perto dos 20%, é a mesma coisa que criticar o que quer que seja noutras circunstâncias. Nem deixar de perceber que já não há paciência para esses registos!

 

Eusébio, Sócrates e "os perigos da internet"

Por Eduardo Louro

 

O que chamei de momento Eusébio de Sócrates, que ontem inundou as redes sociais, teve hoje resposta que, se não teve a mesma repercussão, não andou muito longe.

Perguntarão – e darão logo a resposta - alguns: onde é que está a surpresa?

- O que não falta a Sócrates é uma legião de especialistas prontos a correr em sua defesa!

Pois é. Mas não foi essa legião de adeptos a responder. Essa limitou-se a projectar, difundir e valorizar a resposta que veio de Domingos Amaral, insuspeito – diria eu - de Socratismo. E que sustenta a tese da maledicência das redes comerciais – que primeiro divulgam e só depois investigam – em factos que o próprio noticia sem investigar. Nem antes, nem depois!

Diz ele que naquele tempo havia aulas ao sábado de manhã e outras actividades escolares à tarde. É verdade: havia aulas de manhã e actividades da Mocidade Portuguesa à tarde. Mas isso no liceu, não exactamente na escola primária, para que remetem os então 8 anos de Sócrates. E diz que naquele tempo as aulas prolongavam-se até ao fim de Julho, e isso é que nem sequer é verdade: as férias grandes eram então mesmo grandes, e começavam no fim da primeira quinzena de Junho!

Não é de estranhar que as hostes Socráticas tenham chamado um figo a este texto de Domingos Amaral e se tenham apressado a propagá-lo pelas redes sociais. Estranho é que mais gente o tenha replicado esquecendo exactamente o que condenava, pondo toda a pressa na notícia de factos que não resistem ao mínimo contacto com a realidade. Estranho é que se alerte para os "os perigos da internet" entrando por eles dentro. E multiplicando-os!

Por mim, repito que um mentiroso é um mentiroso. Está-lhe na massa do sangue, como o escorpião...

 

UMA HISTÓRIA PARA CONTAR

 Por Eduardo Louro 

 

É sabido que a blogosfera e as redes sociais desempenham hoje uma importante função social. É claro que, como meios de massas que são, nem tudo o que por lá passa é elogiável e que nem todos fazem destes poderosos meios as melhores das utilizações. Nem sempre para os melhores fins! Mas isso é a vida, como diria o outro.

Sabe-se da influência que têm no mundo de hoje, onde até revoluções fazem.

E sabe-se como as empresas, particularmente as de maior exposição pública, pela sua dimensão ou pela repercussão social que perpassa pelos seus negócios, olham com especial atenção o que por lá se passa e que possa beliscar a sua imagem: corporativa ou pública. Ficou célebre, há uns tempos, uma ocorrência que atingiu a INTEL. Foi a força da blogosfera que resolveu um contencioso entre essa a empresa e uma consumidora que rapidamente saltou dessa esfera para se tornar num problema de cidadania e de liberdade de expressão.

Toda a gente tem más experiências com algumas das grandes empresas com posições dominantes no mercado, que lhe advêm da sua dimensão mas particularmente da natureza dos bens ou serviços que fornecem, hoje de primeira necessidade. Quem não tem histórias para contar de um operador de comunicações, da um fornecedor de energia ou de um banco? Quem não passou já pelas mais inenarráveis e absurdas situações desses malfadados call centers, impessoais e robotizados, que nunca têm resposta para coisa nenhuma e repetem até à exaustão a mesma fórmula acrítica e acéfala?

A blogosfera e as redes sociais desempenham hoje papéis mais importantes na mediação e resolução destes conflitos que qualquer associação de defesa do consumidor. É a forma de essas grandes empresas se aperceberem de problemas que, de outro modo, nunca chegariam ao seu conhecimento, perdidos que ficam na fina e opaca malha dos call centers.

Pois eu tenho uma história destas para contar. Já teve uma primeira parte – que não correu lá muito bem – e entrou hoje na segunda. Precisamente por isso, porque acabo de sair do intervalo de uma primeira parte que não correu bem, e ainda estou um bocado desconfiado, vou esperar pela segunda parte. No fim hei-de trazê-la aqui. Espero que com um final feliz!

 

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