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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Novas velhas formas de fazer política

Por Eduardo Louro

 

De golpada em golpada, de habilidade em habilidade, cada vez mais populista e cada vez mais ridículo, lá vai o Tó Zé, seguro que levará a água ao seu moinho. A sua última habilidade, o coelho que tirou da cartola – a proposta de reduzir dos actuais 230 para 181 os deputados da Assembleia da República – não é apenas a face visível do populismo em que decidiu apostar. É, para além disso, a maior evidência de que perdeu definitivamente o rumo. Não sabe onde está, nem para onde vai. Nem sequer para onde quer ir!

A redução dos deputados é, como se sabe, uma medida populista que cai bem em largas faixas do eleitorado que não estão particularmente preocupadas com o que a democracia perde com isso. Com o que se perde, com a perda de representação dos pequenos partidos, na diferença de opiniões e soluções.

Mas é, acima de tudo, uma medida que, ao reforçar ainda mais os dois principais partidos, aprofunda os problemas e os defeitos do regime esgotado justamente nesses, e por esses, dois partidos. E, francamente, não sei o que é mais desprezível: se o populismo, se o oportunismo político de António José Seguro. Que não hesita em dar o braço ao PSD para uma medida que este sempre desejou mas para a qual nunca ousou avançar.

Podia ter apresentado medidas de combate ao despesismo, tantas são as áreas com evidentes e injustificáveis excessos. Mesmo na esfera dos deputados, na Assembleia da República, como, ao que se diz, a sumptuosa cantina, as falsas ajudas de custo, ou as frotas dos grupos parlamentares. Podia falar das Fundações e Institutos que afinal, depois de tanta conversa, acabaram intocáveis. Ou nas contratações pornográficas com os escritórios de advogados, que até almoços cobram… Mas não. Tinha de seguir pela via mais vil e chamar-lhe, pasme-se, uma "nova forma de fazer politica".

Será certamente a sua "forma de fazer politica". Mas não é, longe disso, uma "nova forma de fazer politica".

 

COISAS DO FIM DE SEMANA

Por Eduardo Louro

 

O Conselho de Ministros esteve reunido durante 13 horas. Para aprontar o Orçamento, disse-se! Desconfio que tenha sido para bater o recorde do Conselho de Estado. A não ser que tenha sido o tempo necessário para Passos Coelho convencer Paulo Portas que não era dele que se ria com Miguel Relvas, quando o deputado Honório Novo mostrava no Parlamento a carta que ele escrevera aos militantes do seu partido. A dizer-lhes que não aceitaria mais impostos…

O Presidente da República, que no 5 de Outubro da bandeira de pernas para o ar falou aos portugueses sem dizer nada, resolveu, apenas dois dias depois, dizer para um jornal espanhol que a austeridade conduz à recessão e que o governo deve ouvir a voz do povo. Não lhe teria ficado mal que o tivesse dito cá, aos poucos portugueses que ainda o ouvem . Mas, como anda sempre atrasado, é possível que só agora lá tenha chegado…

António José Seguro, sempre sem saber o que dizer mas a saber que tem que dizer alguma coisa para não ficar calado, resolveu cavalgar a onda do populismo e avançar com a ideia da redução do número de deputados. Pode agradar ao povão, mas é uma ideia de inestimável alcance anti-democrático. Nesta altura de agonia do regime é esta a contribuição que Seguro tem para dar… Está tudo dito, bem pode ficar calado por muito tempo!

Também houve notícias da sociedade Relvas & Passos. Limitada… Com ambos os sócios acima de qualquer suspeita lá virão o fumo e o fogo…

Valha que, na Venezuela, Hugo Chavez voltou a ganhar as eleições. E que desta vez não foi com 90% dos votos… 

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