Uma reformada expulsou os reformados das galerias do Parlamento. Reformada de contribuição curta (desde os 41 anos) e pensão longa (até dá para rejeitar o vencimento de direito - tal e qual a primeira figura da hierarquia do Estado) a número dois do Estado não teve vergonha de expulsar os reformados de contribuição longa e pensão curta...
Não sei se é uma questão de pudor se de telhados de vidro...
As grandes manifestações do passado sábado, que acrescentarão o 2 de Março às datas que fazem a História deste nosso país, juntaram portugueses de todas as classes, de todos os quadrantes e de todas as idades. Mas têm sido particularmente referenciados os reformados e pensionistas.
A referência a tão grande participação de reformados não surpreende. Se é certo que os idosos e pensionistas constituíam uma das bases de apoio do poder em Portugal, mesmo uma das bases de sustentação do bloco central, não o é menos que, abrangendo hoje uma significativa fatia da sociedade, é também um dos grupos sociais mais atingidos pela austeridade que tomou conta do país.
É verdade que, numa população tão fortemente penalizada pelo desemprego, pela precariedade e pelos salários baixos, não faz muito sentido procurar os mais sacrificados. Mas, à luz de direitos perdidos, de quem tem agora muito menos do que já teve, os reformados têm razões suficientes para engrossar o número de descontentes. Fizeram-no sentir nas manifestações de sábado e fazem-no sentir em associações que temos vindo a conhecer.
Que todos estão indignados já sabemos. Que quase todos têm razão para isso, também. O que surpreende é que à cabeça deste novo movimento surja um banqueiro, agora inibido, que acabou de ser condenado a pagar multas de 800 mil euros por violações graves no exercício da sua actividade na administração do BCP, a que presidiu em substituição de pensionista mais indecoroso do país – Jardim Gonçalves, seu compagnon de route na construção do maior caso de sucesso da banca portuguesa. O que surpreende é que Filipe Pinhal, com uma pensão (vá lá, está bem aquém de metade da de Jardim Gonçalves) de 70 mil euros mensais, se sinta indignado.
O que surpreende e nos deixa indignados é que se meta tudo no mesmo saco!
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