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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O balde de água fria

Por Eduardo Louro

 

Em plena festança, no meio do foguetório contratado para abrilhantar as festividades que se presumiam durar até Maio, com um segundo fôlego já preparado para o próximo ano, começaram a cair alguns pingos grossos para arrefecer os ânimos. Nada a que não estejamos habituados, tanta tem sido a chuva, tanta tem sido a àgua...

Quando ontem ouvimos o ministro Pires de Lima retratar-se do seu milagre económico, reconhecendo que se excedera e que não há milagre nenhum, lembrá-mo-nos logo do soldado fiel e obediente. Afinal o chefe máximo tinha-se demarcado da expressão na sexta-feira passada, no debate quinzenal... Não nos lembramos - nem poderíamos - que o FMI tivesse reservado para hoje a divulgação do Relatório da X avaliação que viria despejar um enorme balde de água gelada na festa que por aí corre. Percebemos agora que Pires de Lima não é apenas um soldado obediente, é também um soldado informado!

Mais informado que o seu chefe de partido que ainda hoje continuava a deitar fogo de artifício com as exportações quando, com o mesmo relatório, o FMI as tinha deixado completamente enxarcadas de água bem fria. A verdade é que poderá nem ter sido por falta de informação, Paulo Portas é bem rapazinho para pensar que ninguém dará por isso. Sabemos que é bem capaz de estar convencido que consegue falar por cima da realidade, fazendo-se ouvir ao mesmo tempo que a abafa!

Uma coisa é certa. Por  muitos nomes que agora venham a chamar ao FMI, por muito que agora digam que eles não percebem nada do país, que nunca aprendem e outras coisas semelhantes, é muito difícil que a festa não fique estragada. Porque eles podem não preceber nada de receitas - e acho mesmo que não acertam uma única - mas vêm o que todos vemos, e que esta gente, para continuar a festa, não queria que ninguém visse. Vêm, e dizem-no com todas as letras - como aqui se anda a dizer há não sei quanto tempo - que o grosso das exportações vem do petróleo, que nenhuma reforma foi feita, que tudo o que o governo conseguiu foi com impostos colossais e insuportáveis e que o equilíbrio das contas externas se deve excusivamente à quebra conjuntural do consumo interno.

Já todos tínhamos percebido que a Comissão Europeia não estava para aí virada, que estava mais interessada em participar também  na festa, impeturbável. Também o BCE estava mais interessado em manobras de diversão, arranjando até uma terceira via de saída do programa. Chamou-lhe monitorização reforçada, e bem poderá ser a bissectriz entre o ar de festa estampado na cara da Comissão Europeia e o ar carregado do FMI, a reclamar mais cortes e mais liberalização nos salários, menos Tribunal Constituicional (que acaba de inviabilizar, como se esperava, o referendo à co-adopção) e mais, muito mais austeridade!

 

 

GENTE EXTRAORDINÁRIA XXXI

Por Eduardo Louro

 

Foi notícia há uma ou duas semanas, quando se descobriu que um dos autores daquele Relatório do FMI sobre o corte da despesa, o nuestro hermano e mui socialista Carlos Mulas Granados, era também conhecido por ser opositor da política de austeridade.

Por cá, poucos – se não mesmo ninguém – conheciam este economista espanhol. Ficaria conhecido – e, por que não dizê-lo, famoso – justamente por, ao serviço do FMI, propor e defender a austeridade enquanto assumia, na qualidade de economista, ou mesmo de guru, posição contrária. E, como fama traz fama, ficou agora ainda mais famoso por, com o encapotado nome de Amy Martin vender, muito bem vendidos, uns textos a uma Fundação - a Fundação Ideas, na esfera do seu partido, o PSOE - de que era vice-presidente!

Gente séria – e extraordinária - está bem de ver…

GENTE QUE NÃO BRINCA EM SERVIÇO

Por Eduardo Louro

 

Recuemos até à entrada do último Outono: Vítor Gaspar começou por falar de um enorme desvio entre o que os portugueses esperam do Estado e o que por isso estam dispostos a pagar e, logo a seguir, Passos Coelho introduzia a refundação. Com grande confusão – como é hábito – começou em refundação do Memorando da Troika e logo passou a refundação do Estado, ou das suas funções!

Daí ao corte dos 4 mil milhões foi um ver se te avias. Um passo de anão… O número entrava rapidamente na cabeça dos portugueses, com os comentadores do regime a fazerem as contas que não existiam para, mais que o explicar, justificá-lo. Metê-lo - e mantê-lo - bem nas nossas cabeças!

Como numa boa receita de culinária ficou a marinar. Até que ontem, de repente e vindo de uma fuga de informação encomendada, surgia um Relatório do FMI com um role de medidas assustadoras, que representam qualquer coisa como 10 mil milhões de euros de corte nas funções sociais do Estado.

Seguem-se explicações e até desmentidos. Que não, que não é nada daquilo. Que se trata apenas de sugestões, o documento servirá tão só  para ajudar à discussão pública… Mas que está muito bem feito, lá isso está – apressou-se a adiantar o inefável Carlos Moedas!

Mas ele aí está, a fazer livremente o seu caminho. A entrar na cabeça das pessoas, com a ajuda dos fazedores de opinião que vão construindo o edifício da inevitabilidade. E da oposição, que nada faz. Que se limita a chavões de ocasião na mesma lástima de sempre!

Um caminho aberto para o objectivo do governo, onde se chegará mas, então, por obra do esforço e boa vontade de Passos e Portas. A quem haveremos de ficar eternamente gratos por conseguirem que ficássemos por metade daquilo que o FMI recomendava!

É este o guião!

Mesmo o que às vezes parece desorganização e incompetência, faz parte do guião. Bem preparado por gente que não brinca em serviço!

 

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