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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Mútuo acordo, prazo e indemnização

Mário Centeno fica a prazo no Governo

 

Mantendo o registo na metáfora do futebol pode dizer-se que António Costa e Mário Centeno acordaram as condições da rescisão e, como sucede quando os presidentes reafirmam a confiança nos treinadores, Centeno foi ontem despedido. A prazo. Sim, não há só contratos a prazo, também há despedimentos a prazo.

Não sendo naturalmente conhecidas as condições de rescisão acordadas, há no entanto uma certeza. É que o orçamento suplementar, e o fim de dois mandatos - os do governador do Banco de Portugal e do presidente do eurogrupo - têm encontro marcado na mesma estação do calendário, algures ali por volta de Junho -Julho. 

E esta certeza dá como certo o prazo. Com o comunicado divulgado, esta certeza dá como certa a indemnização: o lugar de Carlos Costa no Banco de Portugal. Que não é menos que absolutamente lamentável!

Notícias de um fim-de-semana sem notícias

Criando botão estilo interruptor com CSS3

(Foto daqui)

 

Quando logo pela manhã, bem cedinho, dei uma vista de olhos pelos jornais fiquei com a ideia que este foi um fim-de-semana em que, sem que tivesse acontecido grande coisa, muita coisa aconteceu. 

Admito que esta ideia construída assim tão à pressa tenha a ver com a forma como gastei o tempo num fim-de-semana bem generoso, que me abandonou aos pequenos prazeres da vida. E, naturalmente como condição indispensável, com os botões todos no "off". E como nem o Benfica jogava...

Às vezes estamos de tal modo formatados para esponja que, sempre que ostensivamente viramos as costas à actualidade, acabamos capturados num certo complexo de culpa. Depois de "hoje não quero saber de nada do que se está a passar" vamos querer saber tudo o que se passou e parece-nos que não perdemos grande coisa. Mas ficamos desconfiados...

É certamente por isso, por ter ficado desconfiado, que no fim desse passar dos olhos pelos jornais fiquei com essa ideia.

O fim-de-semana começara com o anúncio du uma moção de censura. A apresentação de uma moção de censura ao governo é sempre um acontecimento político relevante, como não pode deixar de ser. A não ser que seja apresentada por Assunção Cristas...

Trata-se de mais uma entrada maldosa de Cristas às penas de Rio. Que nem se queixou, entretido que estava lá com o seu CEN (Conselho Estratégico Nacional), novidade e inovação. E que, tanto quanto deu para me aperceber, correu bem. Pelo menos as hostes vinham animadas, e com o segredo bem guardado de uma certa fezada. Até já dizem que agora é que é!

A remodelação do governo também nunca pode deixar de ser um acontecimento. A não ser que que não toque em nada do que está sob os holofotes da crítica e da contestação... Um remodelação só para substituir ministros premiados nas listas das europeias, é meio pífia.

Pois é. Aconteceu muita coisa. Mas não aconteceu grande coisa... Diz-se que a popularidade de António Costa está nos mínimos da legislatura, e a maioria absoluta há muito que deixou de passar nos sonhos do primeiro-ministro. Que o PSD está a subir nas sondagens. E que, na Aliança de Santana Lopes, há um vice com uns problemas que vêm dos tempos em que foi presidente da Câmara da Covilhã. Que também nunca foi uma Câmara fácil, como nos lembramos...

Tema(s) da semana*

Imagem relacionada

 

A passagem da semana anterior para esta foi verdadeiramente vertiginosa. Alucinante!

Começou com a demissão do ministro da defesa, por causa de Tancos. De que, quanto mais se sabe, mais sabemos que falta saber, e mais desconfiamos que vai acabar mal. Com a demissão do ministro, e agora com a do Chefe do Estado-maior do Exército, nada acabou nem nada se esclareceu, e é grande a probabilidade de estarmos perante um sério problema de regime.

Logo a seguir veio o furacão Leslie, com os primeiros estragos a acabarem por acontecer nas televisões, com imagens degradantes de um jornalismo desesperado, à espera de bater no fundo. Insuficientes no entanto para esconder os empurrões do Bloco e do PCP, acotovelando-se para ver quem se chegava à frente para apresentar primeiro a sua medidazinha no Orçamento que aí haveria de vir. Não bastava que se tivessem colocado em posição de terem de se contentar com umas migalhazitas, foi ainda preciso prestarem-se a esta triste representação, talvez a mais deprimente imagem da geringonça, a fazer finalmente jus ao nome que Vasco Pulido Valente lhe deu.

De seguida, e sem pausa para um café que fosse, apanhamos com a remodelação do governo, logo engolida pela entrega do Orçamento. À maneira antiga, como manda a tradição, à última da hora e com muito aparato, muitos carros, muitos jornalistas, muitas câmaras, muitas máquinas fotográficas e … uma pen, essa relíquia de museu transformada em estrela da noite, posando envergonhadamente para as câmaras no alto do braço erguido da segunda figura do Estado.

Finalmente uma pausa, um bocadinho para olhar para o Orçamento…

Pura ilusão. O alto da actualidade era já dominado pela maior inquietação dos jornalistas. E de repente o problema principal da República, que já rasgava o país a meio, era o de confirmar que o orçamento era eleitoralista. Era já só o que faltava…

Valeu-nos - como sempre, o que seria de nós sem ele? - o Presidente da República. Rapidamente sossegou os jornalistas, e tranquilizou o país: “não é um orçamento eleitoralista, mas pode estar contaminado pelo clima eleitoral”.

Ainda bem. Ainda bem que é só isso. Com contaminações sabemos nós lidar…

Com algoritmos é que não!

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

 

Ainda vai a ministro...

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Fica hoje concluída a remodelação do governo, com a tomada de posse de quinze secretários de Estado. Entre eles, João Galamba, a estrela da companhia, com a pasta da energia. Mesmo quando a companhia inclui Raquel Duarte Bessa, na Saúde, que recentemente se demitiu do Hospital de Gaia, em protesto contra a falta de condições no SNS. Ou João Correia Neves, na Economia, que foi chefe de gabinete de Manuel Pinho, quando este por lá passou em part-time, no governo de Sócrates, dividido entre o ministério, a EDP e Ricardo Salgado, como agora se sabe.

Vir-lhe-á o estrelato da pasta da energia?

Provavelmente, não. Estrela rima com energia, como se sabe, ou não fossem justamente as estrelas as mais poderosas fontes de energia. Mas, em Portugal, energia quer simplesmente dizer EDP, China Tree Gorges e, agora também, Paul Singer, especulador americano da Elliott Management Corporation, acabado de chegar e de se tornar no 2º patrão da energia em Portugal... E rendas e cmecs...

E tanto quanto se sabe, Galamba não percebe muito disso.

Arriscaria que a sua fama vem de trás. E que, se calhar, tem a ver com a sua exposição na máquina da propaganda de Sócrates, circunstância que depressa o transformou num belo exemplar daquilo a que alguns gostam de chamar tralha socialista. Que depois reforçou quando o renegou que nem Pedro, e sem que o galo cantasse.

Ainda vai a ministro. E não faltará muito!

 

 

As voltas da remodelação

 

 

Resultado de imagem para remodelação do governo

 

Não faço ideia se António Costa quis aproveitar o Leslie para tão grande grande remodelação no governo. Nem se os ministros deitados fora pela madrugada, já coheciam do seu destino ao fim da noite por que se prolongou o sábado de trabalho nos últimos retoques no Orçamento. O que sei é que o primeiro-ministro é especialista em dar a volta às coisas, faz isso bem, mesmo que nem sempre depressa. Mas isso, depressa e bem...

O ministro da economia não se soltava, mantinha-se preso, acanhado. Do da cultura, nem falar... O da saúde estava de rastos, e o da defesa já tinha ido, pelo seu próprio pé. Antecipando-se ele próprio, e obrigando também António Costa a antecipar-se... 

O Bloco e o PC andavam numa roda viva a dar notícias do orçamento. As suas notícias... As notícias das sua pequenas vitórias: livros gratuitos até ao 12º ano, dizia um, num dia; redução das propinas, dizia o outro, noutro. Ao aumento extraordinário das pensões, respondia o outro com a despenalização da antecipação das reformas nas carreiras contributivas com 40 anos. E por aí fora...

Era mais ou menos neste pé que as coisas estavam, quando se anunciava que o Leslie entraria por Lisboa e levaria tudo à frente. Nada melhor que remodelar o governo, e ... não se fala mais nisso - terá António Costa pensado. E nada melhor que reforçar o seu círculo mais apertado, porque o que aí vêm eleições, umas atrás das outras. Nem que para isso tenha de mexer na própria orgânica do governo: se Pedro Siza Vieira, agora também na economia, tem alguns conflitos de interesses com o sector energético - leia-se EDP e China Three Gorges - nada como passar a energia para a tutela do ambiente. 

Tudo sem uma palavra aos parceiros de geringonça. Bem feito! Pelos vistos, não podem saber de nada...

Animalidade política*

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A tragédia que voltou a abater-se sobre o país, no domingo e na segunda-feira passados, acrescentando mais 43 mortes às 64 ou 65 de Pedrogão, quatro meses antes, destruindo o que faltava destruir da nossa floresta, incluindo agora o nosso Pinhal do Rei, aperta-nos o coração, mas também nos enche de revolta e de vergonha.

E mudou a face do país. Literalmente, porque toda aquela vasta mancha verde é agora negra. Porque o verde da esperança que renascia, se transformou num negro profundo de incertezas e dúvidas. No tal tão anunciado diabo, que de repente virou do avesso a situação política do país. 

A dimensão da tragédia, pondo a nu fragilidades, se não desconhecidas pelo menos esquecidas, e confrontando os cidadãos com a incapacidade do Estado para os proteger, era já suficiente para romper com a confiança dos cidadãos no Estado e nas suas instituições. Que, como se sabe, é o mais forte cimento da estabilidade social e política. A forma desastrada como o primeiro-ministro (e deixemos de lado a já ex-Ministra e o Secretário de Estado da Administração Interna), lidou com a tragédia dinamitou completamente a sua relação com o país.

António Costa é invariavelmente apresentado como o mais hábil e experimentado líder político da actualidade. Percebemos hoje melhor o que isso quer dizer. Percebemos que corresponde a um estereótipo à medida do entendimento que nos querem impingir do que é a política.

A sua desastrada reacção - desastre que a intervenção do Presidente da República acelerou em progressão geométrica - foi o melhor exemplo disso mesmo. Afinal, a ideia que António Costa transmitiu foi que reduziu a dimensão da tragédia a uma maçada que atrapalhou o que estava a correr tão bem.

O que se seguiu não foi melhor. Na substituição da ministra finalmente demissionária, António Costa não procurou competência para a mais sensível e a mais destroçada pasta política do seu governo. Procurou amigos, e procurou lealdade!

Ora, isto é a animalidade da política em todo o seu esplendor!

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Mistérios... ou um slogan pouco original

Resultado de imagem para portugal é um país cheio de mistérios

 

O material roubado de Tancos apareceu. Tão - ou mais - misteriosamente como havia desaparecido, há perto de 4 meses...

A Lone Star, o tal fundo imobiliário a que alguns chamam de abutre, já ficou com o Novo Banco. Correu tudo bem mas, misteriosamente, Bruxelas autorizou o Estado português a responder às necessidades de capitalização que se vierem a colocar ao Banco... da Lone Star.

O primeiro-ministro já substituiu a ministra da administração interna. Depois do que se passou, esperava-se que António Costa reforçasse o governo com alguém com competência e provas dadas nas matérias da mais fragilizada pasta do executivo. Misteriosamente, em vez de reforçar o governo em competência, António Costa reforçou-o em amiguismo e lealdade pessoal 

Não há dúvida - Portugal é um país cheio de mistérios. Talvez dê um bom slogan de promoção turística, mas parece-me pouco original!

Ora aí está o governo...

Por Eduardo Louro

 

Ainda há pouco pôs o governo debaixo de fogo, com a moda dos currículos selectivos, sempre que em causa esteja o BPN - não se sabe se  Rui Machete, muito a jeito para, também ele, permanecer debaixo de fogo, pagou direitos de autor a Franquelim Alves, é dele que se fala -, e já está de saída. Não havia necessidade!

Ainda ontem entrou aquela gente toda no governo, e já hoje há gente de saída. Não havia necessidade: Pires de Lima, o novo ministro que anunciam como milagreiro, bem podia ter evitado isto, tanto foi o tempo em que foi ministro em stand by... Podia tê-lo logo mandado com o Álvaro, que tanto, mas também tão cinicamente, elogiou à saída da tomada de posse. 

Onde também a Ministra das Finanças teve o seu momento, garantindo nunca ter tido divergências com Paulo Portas. Ela que, entretanto, lá continua a ser frita no lume brando dos swaps. A cada dia a chama aumenta mais um bocadinho: hoje vêm a lume os mails do anterior Director Geral do Tesouro. À cause…

À falta de melhor, a ministra vai dizendo que não mente. Mas já ninguém acredita muito nisso!

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