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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Euro 2020 - Back to Wembley

Euro2020: Inglaterra abdica de bilhetes e pede a adeptos para não irem a Roma

 

Os quartos de final também já lá vão. Hoje foi dia de conhecer os dois restantes semi-finalistas. 
 
Em Baku, a Dinamarca confirmou a sua boa carreira neste Europeu, depois de estabilizar as emoções fortes do seu primeiro jogo, há precisamente três semanas. Tem o futebol mais estruturado das selecções nórdicas, aliando o tradicional poderio físico do futebol desta região europeia ao perfume do futebol latino, com executantes de muito bom nível técnico.
 
Entrou bem no jogo, e marcou muito cedo, logo aos cinco minutos, por Delaney, na sequência de um canto, com os defesas checos (ou chéquios?) a preocuparem-se com as torres da defesa dinamarquesa, e a deixarem aquele médio solto. 
 
Este golo obrigou a equipa da Chéquia (!) a subir à procura do empate, deixando espaços para os dinamarqueses aproveitarem em contra-ataque. Assim fizeram, e assim foram criando as melhores oportunidades do jogo, até marcarem o segundo, já perto do intervalo, por Dolberg, depois de mais uma assistência do seu lateral esquerdo, o excelente Joakin Mahele, que não me tenho cansado de aqui elogiar. 
 
O 2-0 ao intervalo parecia ter arrumado com a questão. Mas não. Ao intervalo o seleccionador checo mexeu na equipa, e a entrada na segunda parte foi simplesmente arrasadora. Nos primeiros três minutos criaram três grandes oportunidades para marcar, sempre negadas pelo também excelente Schemeichel, e marcaram mesmo. Por Schick, novamente com classe, que assim igualou Cristiano Ronaldo no topo da lista dos marcadores da prova. E sem penaltis.
 
O jogo estava aberto, e o resultado longe de parecer fechado. Mas estava. O seleccionador dinamarquês não estava a dormir, e reagiu rapidamente. Mexeu no meio campo e em pouco tempo abafou aquela entrada diabólica dos checos, fazendo o jogo regressar aos dados da primeira parte. Ou seja, voltando a sair com frequência, e com perigo, para o contra-ataque. E voltaram a pertencer-lhe as melhores oportunidades para golo.
 
Nos últimos minutos os checos apostaram no futebol directo, à procura desesperadamente do empate. E a verdade é que poderiam lá ter chegado, mesmo sem a qualidade do futebol dos dinamarqueses. Que não terão agora tarefa fácil em Wembley. Mas não se pode exigir mais aos dinamarqueses do que aquilo que já fizeram.
 
Em Roma, a Inglaterra fez hoje o seu único jogo fora do conforto do lar. Mas não sentiu qualquer desconforto, nem deu tempo para isso. Marcou logo aos 4 minutos (grande jogada, com assistência soberba de Starling - provavelmente o melhor jogador deste Europeu, e conclusão de Kane, como só ele sabe), e matou à nascença a estratégia de Sevchenko, que os três primeiros minutos tinham deixado clara: entregar toda a iniciativa de jogo aos ingleses, e defender em bloco baixo. Esperar por eles lá atrás.
 
Aquele golo deitou essa estratégia por terra, tiveram de ser os ucranianos a fazer pela vida, e conforto maior não podiam os ingleses sentir. E gozaram desse conforto durante toda a primeira parte, jogando a seu bel-prazer. 
 
A entrada para a segunda parte foi uma catástrofe para a selecção da Ucrânia. Na bola  de saída um jogador ucraniano faz falta sobre Cane (pisadela), e o livre acabou em golo, de Maguire. Estavam passados 11 segundos. E menos de 5 minutos depois já Kane bisava (abriu o ketchup, e já é, mesmo que apenas com três golos, o principal candidato a destronar Ronaldo … e Schik), noutro belo golo, agora de cabeça. E dez minutos depois, na primeira vez que tocou na bola - mais uma bola parada, agora num canto - Henderson marcou o seu primeiro golo pela selecção inglesa, e deu ao resultado a expressão mais desnivelada deste Europeu, igualando o feito da Dinamarca, nos oitavos de final, com Gales.
 
Foi pesado para a Ucrânia? Claro que foi, e não merecia tão pesado castigo. Mas quando tudo corre mal, e sai ao contrário do que está no guião, em futebol é assim que acontece. Agora a Inglaterra regressa ao conforto de Wembley, e ninguém poderá deixar de a considerar a principal candidata a suceder à selecção portuguesa, e a conquistar o seu primeiro título europeu. Como aconteceu há 55 anos com o seu único título mundial.

Euro 2020 - A última gota de uma laranja sem pingo de sumo

Tomas Holes comemora seu gol pela República Checa na Eurocopa

Neste terceiro jogo dos oitavos de final, não foi só Budapeste que se despediu do Euro. Quando se diz que a Europa se deveria despedir da Hungria, é a Holanda - pronto, os Países Baixos - que se junta a Budapeste - que foi a casa da selecção portuguesa, onde até nem se deu nada mal - na despedida do Euro. Prematuramente, aos olhos de muita gente.

Não me incluo no grupo daqueles que ficaram surpreendidos com a eliminação dos neerlandeses - pois, já não são holandeses, e paísesbaixeses não dava muito jeito - pois, como tenho repetido desde o seu primeiro jogo, esta laranja nem é mecânica nem sumarenta.

Nunca se saberá até que ponto essa eliminação possa ter decorrido da expulsão de De Light, logo aos 10 minutos da segunda parte. O contra-factual não existe. Alguma influência terá tido, até porque Frank de Boer decidiu não recompor a defesa (a três, como está na moda), que ficou presa fácil para o ataque checo. O que se sabe é que, no que foi o jogo, a República Checa, que parece que não quer ficar atrás e também mudou o seu nome para Chéquia, ganhou. Sem espinhas!

Foi sem qualquer surpresa que, aos 68 minutos, Tomás Holes fez o primeiro golo, o primeiro golo da equipa que não foi marcado por Schick. Esperava.se, era apenas uma questão de tempo. E o segundo, 12 minutos depois, mais esperado ainda. Até porque não há vitórias da selecção checos sem golos de Patrik Schick.

Normal, portanto, este afastamento dos neerlandeses. Só não o era para as casas de apostas. Mas por alguma razão é esse o negócio deles.

EURO 2012 (XIV) - A MAGIA DO FUTEBOL

Por Eduardo Louro

                                          Grécia dá um pontapé na crise e está nos “quartos”                            

Fala-se da magia do futebol para se referir à beleza do espectáculo que produz, mas, muito mais do que isso, para referir imprevisibilidade que o integra. É por isso que arrasta multidões, desperta paixões como nenhum outro. É por isso que é o desporto-rei!

Quem assistiu ao segundo jogo do euro – Rússia vs República Checa (4-1) – à exuberância da exibição da equipa russa e, por consequência, ao descalabro checo, jamais admitiria que os russos – uma das selecções favoritas – não fossem apurados. E muito menos que os checos não só lograssem o apuramento como terminassem no primeiro lugar do grupo!

Mas que dizer do apuramento da Grécia de Fernando Santos?

Uma equipa que chegava à última jornada com um simples ponto, dizimada nas duas primeiras jornadas, por erros próprios – é certo – mas acima de tudo por um enorme conjunto de azares e por clamorosos e decisivos erros de arbitragem. Tudo o que é infelicidade lhe bateu à porta, a lembrar, como aqui se disse, o que acontece no país!

Há qualquer coisa de especial nesta selecção grega que não podemos certamente desligar da situação de revolta no país por tudo o que lhe tem acontecido. Dir-se-á que não é de agora, que a Grécia foi campeã europeia em 2004 - em Portugal, contra todas as expectativas - quando o país ainda vivia a iludir a realidade e com a crise escondida. Mas não é a mesma coisa!

Em 2004 a Grécia surpreendeu tudo e todos com um futebol retrógrado, o futebol ultra-defensivo e nada atractivo de Rehagel, e com muita sorte pelo meio. Bafejada por uma sorte que, do primeiro ao último jogo, nunca abandonou.

Neste europeu não foi nada que se parecesse. Nem o seu futebol foi ultra-defensivo nem foi a sorte a empurrá-los. Antes pelo contrário, tiveram que lutar contra tudo e também contra a sorte. Foi uma crença enorme, uma mentalidade competitiva incomum, não compaginável com a imagem que dos gregos é dada. Foi uma força de fraquezas feita, como se daí dependesse a redenção da pátria grega!

Ameaçada de expulsão deste euro desde o primeiro dia, diria mesmo que desde o primeiro minuto, a Grécia resistiu e ficou. Não conseguiram pô-la fora!

Gregos: podem votar tranquilamente amanhã. Sem receios, de acordo com a força das vossas convicções porque, do euro, ninguém vos consegue pôr fora!

EURO 2012 (VIII) - AFIRMAÇÃO DA POLÓNIA

Por Eduardo Louro

                                                                      

Grécia e República Checa abriram a segunda jornada desta fase inicial do euro, num jogo que muito prometeu e pouco cumpriu. Na verdade quem muito prometeu foi a selecção checa, a grega não prometeu nada, encontrou-se simplesmente à deriva no meio de uma tempestade com rajadas de vento a mais de 100 à hora do quadrante checo e chuvas torrenciais de erros no centro da sua defesa.

Bastaram dois minutos e doze segundos para os checos marcarem o primeiro golo, agora o mais rápido deste europeu. E, passados apenas 23 segundos dos 5 minutos, marcavam o segundo. Ambos em resultado daquelas condições climatéricas!

Pouco depois, a Grécia perdia o guarda redes Chalkias – com responsabilidades em ambos os golos, em especial no segundo – por lesão, carregando ainda mais de negro as nuvens daquele céu grego. Não se confirmariam as previsões mais pessimistas. A equipa checa foi baixando o ritmo de jogo e os gregos puderam começar a pôr a cabeça de fora.

Ao ponto de o jogo ir ficando equilibrado à medida que o intervalo se aproximava, com os gregos a marcarem, ao minuto 41, o golo que poderia marcar a viragem. Só que, pela segunda vez em dois jogos, a arbitragem invalidar-lhes-ia um golo. O árbitro francês – que arbitrara o jogo da selecção nacional – repetiu o que o espanhol já lhes havia feito, e assinalou um fora de jogo inexistente. Voltaria, mais tarde, a repetir um erro idêntico interrompendo uma jogada que bem poderia ter terminado em golo.

Ao intervalo a ideia que ficava era a de uma selecção grega infeliz e desafortunada, à imagem do país. Tudo aquilo repetia o primeiro jogo. E para que fosse assim, segunda parte foi diferente. Foi toda ela dos gregos!

Não que jogassem bem – decididamente não vale a pena esperar isso do futebol grego – e, muito menos, bonito. Mas porque põem em campo aquela vontade toda, aquela capacidade de disputar cada lance como se fosso o último. A estes gregos ninguém pode acusar preguiçosos, de pouco trabalhadores!

Mas também porque, ao intervalo, o seleccionador checo retirou Rosicky do jogo. Mais que o melhor jogador, o maestro. E a equipa ficou perdida no meio daquela turbulência que é o futebol da equipa grega.

Ainda na fase inicial da segunda parte, com 8 minutos jogados e cerca de 40 para jogar, a Grécia chegou ao golo, numa monumental fífia de Petr Chech – pareceu receoso de um choque com um companheiro, que nem seria violento, mas que eventualmente os antecedentes justificarão - aproveitada por Gekas, que entrara ao intervalo, a mostrar que, nas substituições, Fernando Santos não é tão infeliz como no resto. Não deu para mais!

E por aí se ficou um jogo que, prometendo muito, deu pouco. Não enfastiou, mas um jogo com 40 faltas e 6 amarelos, também não consegue entusiasmar ninguém!

A Grécia ainda não está fora do euro, mas tem a vida muito difícil. Como há muito se sabe, afinal!

O segundo foi um grande jogo. Com a Rússia a confirmar o perfume do seu futebol e a imagem de marca que trouxe para este europeu. E a Polónia, uma equipa de uma dimensão física extraordinária, mas com muitos bons jogadores, algo que não deixara perceber no jogo inaugural com a Grécia, apesar da primeira parte que então realizou.

Marcou primeiro a Rússia, aos 37 minutos da primeira parte - período em que foi francamente superior ao adversário e em que voltou a encantar – através de Dzagoev, que fez o terceiro golo que faz dele o melhor marcador. Empatou a Polónia aos 12 da segunda parte - período em que aproveitou a sua superior condição física para se colocar mais vezes por cima do jogo – num fantástico golo, porventura o melhor da competição até agora, de Kuba. Numa jogada que começa num passe falhado de Arshavin que, de alguma forma, revela a face mais notada da quebra da selecção russa na segunda parte: foi também por aí, pelo decréscimo do rigor de passe deste extraordinário jogador, de volta aos seus grandes dias, que a Rússia baixou de produção.

Depois da exibição de ontem da Ucrânia – e do fantástico apoio do seu público – a Polónia quis dizer que também era anfitriã. Que também joga em casa, que também tem um grande público para a empurrar para a qualificação para a fase seguinte e que nada fica a dever aos seus vizinhos e parceiros de organização.

Depois do que se viu neste jogo dificilmente deixará de acompanhar o seu adversário de hoje no apuramento para os quartos de final. Foi isso que, de forma eloquente, este jogo disse!

EURO 2012 (III) - RÚSSIA

Por Eduardo Louro

                                                                      

O primeiro dia do euro fechou a primeira jornada do grupo A, com a selecção da Rússia a golear a da República Checa (4-1), a confirmar o seu bom futebol e o favoritismo para o primeiro lugar de um grupo, onde os adversários estão a grande distância de qualidade.

Foi um bom jogo, este segundo. Aberto, jogado no campo todo e cheio de bom futebol…

O jogo até começou com inesperada superioridade dos checos, que dominaram no primeiro quarto de hora. Depois viria o festival de Arshavin e companhia, que se prolongaria pelo jogo todo, mercê de um colectivo bem oleado e recheado de individualidades de grande capacidade e maturidade, a maioria dos quais provavelmente a fazer a última fase final de uma grande competição.

Juntando jogadores que actuam no campeonato indígena - a Rússia é hoje dos poucos países com condições para garantir os seus melhores jogadores nas suas competições - com sete do Zenite no onze titular - a selecção russa revelou automatismos e um entrosamento que não estará ao alcance de muitas outras selecções.

Há grupos abertos e outros bem fechados. Abertos porque são constituídos por equipas de valia muito semelhante e fechados pela razão inversa, por integrarem equipas muito divergentes. Este grupo A era tido como um dos mais abertos. Poderá continuar a sê-lo, mas apenas para o apuramento da segunda selecção!  

A Rússia não confirmou apenas ser a melhor equipa do grupo. Confirmou o favoritismo que inicialmente lhe atribuí, que nem a forte probabilidade de encontrar o segundo classificado do terrível grupo B (da nossa selecção nacional) nos quartos de final minimamente belisca.

 

 

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