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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Um teste ao respeito por nós próprios

Por Eduardo Louro

 

 

Passos Coelho é capaz de tudo. É até capaz de chegar à Madeira e bater todos os recordes de aldrabice de Alberto João Jardim... Capaz de fazer do primeiro Chão da Lagoa sem Jardim, o mais charlatão de todos os Chão da Lagoa. 

Podemos dizer que esta gente perdeu o último pingo de vergonha. Podemos dizer que nunca ninguém foi tão longe no descaramento. Podemos indignar-nos com a falta de respeito pela nossa inteligência. Podemos ficarmo-nos pelo simples "é preciso ter lata"...

Mas também podemos achar que isto é apenas um teste ao respeito que temos por nós próprios... Com resultados a conhecer lá para 4 de Outubro!

 

 

 

 

Não saber respeitar os outros. Nem a si próprio...

Por Eduardo Louro

 

Paulo Portas é capaz de tudo. Até de dizer que o rendimento social de inserção só foi retirado às pessoas que tinham depósitos acima dos 100 mil euros

Se tivesse o mínimo sentido de responsabilidade, Portas já teria a esta hora publicado a lista das pessoas nessas circunstâncias. Já sabemos que nem o tem esse sentido nem faz ideia do que seja. E por isso se está nas tintas que pensemos que somos governados por perigosos loucos e criminosos, que impunemente atribuiram subsídios sociais a gente rica, de riqueza bem à vista, que não estava escondida debaixo de colchão nenhum. Mas também por isso, e em alternativa, se está igualmente borrifando que pensemos que é ele próprio um irresponsável, um aldrabão que mente e engana sem olhar a meios, nem que sejam disparates destes…

Não respeita os outros, mas também não se respeita a si próprio. O que também não é exactamente uma grande novidade!

 

Que falta de respeito...

Por Eduardo Louro

 

Depois de três anos a dizer, inclusive ao Tribunal Constitucional, que os cortes nos salários e pensões eram provisórios, e medida temporária para fazer face a uma situação de excepção, Pedro Passos Coelho, que se tornou primeiro-ministro igualmente depois de prometer que cortar salários e pensões era coisa que nunca faria, completamente fora de causa, declarou ontem na Assembleia da República, nessa excrescência da democracia que são os debates parlamentares quinzenais, que esses cortes são mesmo definitivos. Que nenhum português pense que voltará ao seu salário ou à sua pensão de 2011!

É claro que não havia praticamente um português que não soubesse disso. Já toda gente tinha percebido que o obejctivo era justamente esse: baixar salários o mais generalizadamente possível, cortar a economia, empobrecer o país e os portugueses. O governo desmentia sistematicamente essa a sua estratégia mas, ao mesmo tempo, dava já por adquirido que os portugueses já a tinham incorporado. E explorava essa resignação sem qualquer pudor…

Terá sido por isso mesmo, por excesso de confiança, que Passos Coelho deu ontem um passo que qualquer analista político considerará de tiro no pé. Não tinha, aparentemente, qualquer necessidade de se expor e fragilizar dessa maneira!

Mas fê-lo, e ao fazê-lo em plena Assembleia da República, num debate quinzenal do governo, nunca poderia passar em claro. Pelo que percebi, a deputada Catarina Martins não deixou que isso acontecesse. E disse que a palavra do primeiro-ministro não valia nada…

Rapidamente Passos Coelho armou um dos seus números. Fez-se vítima e invocou a sua honra e mesmo a do Parlamento para não dar nem mais uma resposta àquela deputada, o que provocaria mesmo o abandono do plenário por parte da bancada do Bloco de Esquerda.

Não faltou quem embarcasse no número do primeiro-ministro. E, uns por alguma inocência e outros por dever de ofício, muitos foram os que enfileiraram em sua defesa, dando por inaceitável a linguagem usada pela deputada.

Sejamos razoáveis. E mesmo honestos. Que adjectivos há para um tipo que em campanha eleitoral diz que salários, pensões, subsídios de natal e de férias são sagrados e, chegado ao poder, desata a cortar neles a torto e a direito? Que vai dizendo que é apenas uma emergência, que logo serão repostos, mas que depois diz que nada disso, que nunca mais os verão de volta?

Será que alguém encontra algum menos excessivo que a expressão usada pela deputada?

O mínimo que se poderá dizer de um tipo desses é que não tem palavra. Ou que a que tem não vale nada!

Então um chefe do governo diz no Parlamento, a que deve resposta, exactamente o contrário do que tem andado a dizer, isto é, confirma ele próprio que andou sempre a mentir, e ninguém tem nada a dizer. Ninguém lhe diz que é mentiroso. Que não tem palavra?

Dizer-lhe Isso é desrespeitoso? Mas mentir, enganar, ludibriar é certamente altamente respeitoso!

Como se pode dar ao respeito quem nada respeita? Francamente…

Respeito. Ao menos isso...

Por Eduardo Louro

 

Esta é uma notícia verdadeiramente fantástica. Nenhuma outra diria tanto sobre o estado a que chegou o Benfica!

É simples: se foi o Benfica a escolher Pedro Proença, fica tudo dito sobre a organização da SAD; se foi o Conselho de Arbitragem, fica tudo dito sobre o respeito que o Benfica lhe merece.

E é sempre assim: não merece respeito quem não se sabe dar a ele. Ao respeito, o princípio e o fim de todas as coisas…

Dar-se ao respeito. É isso...

Por Eduardo Louro

 

Não aplaudo os protestos nas galerias da Assembleia da República. Mas também não os dramatizo, até porque não me parece que alguma vez se tenha verdadeiramente passado das marcas, nem nunca as ordens de evacuação terão deixado de ser acatadas sem problemas de maior.

Dito isto, acho que estes incidentes têm o seu quê de folclórico e pouco mais… Têm a importância que têm, e não a que lhe querem dar!

Não têm claramente a importância que a Presidente da Assembleia da República lhe emprestou hoje com um comportamento – esse sim – desajustado e destituído de bom senso. Na forma – histérica e destrambelhada – e no conteúdo. Aquela dos carrascos é um insulto!

Um insulto grande ao povo e um insulto - que não é menor - a Simone de Beauvoir, que não seria nunca capaz de semelhante coisa. Um insulto de alguém que ocupa o lugar de segunda figura do Estado, a quem, em vez de histerismo, se exige sentido de Estado. Coisa que alguém que, ainda menina e moça, se instalou nos mais apetecíveis lugares da política, sem não mais os largar, que se reformou aos 42 anos e que, impedida de acumular a pensão com o vencimento, descarta o vencimento pelo exercício da função, para ficar com a pensão de uma reforma para que não contribuiu, nunca poderá ter! 

Claro que estas coisas ferem a legitimidade. E se não legitimam o protesto indiscriminado, onde quer que seja, deixam-no por lá perto…

Quem não se dá ao respeito nunca se fará respeitar!

O RESPEITO PERDIDO

Por Eduardo Louro

 

Há muito que não se via - creio mesmo que no Ocidente nunca se terá visto - o FMI tão interventivo como acontece actualmente em Portugal. O FMI opina sobre tudo, aconselha como se não houvesse amanhã, mete-se em tudo... Nunca visto, nem num protectorado!

O pior é que, nesta ânsia de intervenção - parece que ninguém quer ficar atrás, não deve haver tipo que não queira dar o seu palpite -, diz tudo e o seu contrário.

Admite que a situação social e política atingiu os limites. Mas diz que há ainda que cortar mais deduções fiscais, que ainda subsistem uns subsídios para tributar, volta a insistir na redução da contribuição patronal para a TSU, e diz até que ainda há taxas de IVA para aumentar. Mas, como aquelas cabeças não param, também diz que há taxas que podem ser eliminadas. Que alguns aproveitam para anunciar que, afinal, o FMI quer reduzir o IVA ... Teria graça se não fosse dramático!

Diz até quem é que deve mandar no governo. Em que mãos deve ficar a condução da sua política: surpresa - nas de Vítor Gaspar!

Foi o governo que se não deu ao respeito. Mas é o país que deixou de ser respeitado...

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