As campanhas eleitorais tendem a aprofundar o que de mais deprimente existe naquilo a que alguns chamam política.
Ontem, no seu "Isto é gozar com quem trabalha", Ricardo Araújo Pereira caricaturou-nos um primeiro-ministro, na qualidade de líder do seu partido, ao nível do mais rasca vendedor da banha da cobra. Nada a que não estejamos habituados, nele e noutros.
Não é bonito, nem é digno. Mas de alguma forma já incorporamos estes estereótipos eleitorais. Pode estranhar-se que se transformem campanhas eleitorais em feiras onde aos berros se vende tudo, mas a verdade é que as coisas funcionam assim. Entre umas promessas que nunca são para cumprir, umas aldrabices mais ou menos intencionais, umas sandes de porco assado, umas minis e o barulho de música mal amanhada lá se vão conquistando uns votos.
Não é assim que se faz política. Nem deveria ser assim que se fizessem campanhas eleitorais. Mas quando vimos os candidatos do Chega às Câmaras da Covilhã e de S. Braz de Alportel que o "Isto é gozar com quem trabalha" nos mostrou, perdoamos tudo.
Tínhamos percebido que o André Ventura apostara nestas autárquicas para cobrir todo o território nacional, com vista a somar totais nacionais que lhe sirvam o objectivo primeiro de se encostar o PSD à parede. Tudo o que era preciso era distribuir candidatos pelo país, não importava como nem quem, porque o resto era resolvido com a cara de Ventura em todos os cartazes. Todos serviam - alucinados, idiotas, chalupas, indigentes. Tudo servia como, apesar de tudo o que têm procurado esconder, se tem visto.
O Chega é isto, não é outra coisa. É um "chico-esperto" que aproveita todas as oportunidades do jogo democrático para acabar com a democracia. Mas nem nisso inova. Todos no passado fizeram assim!
O juiz Neto é um incompreendido. Coitado, nada lhe sai bem. Veja-se bem como uma simples partida de Carnaval o transformou num alvo de todas as partidas de Carnaval. O homem só queria também ele brincar ao Carnaval. Ainda pensou em comprar uma daquelas bisnagas de plástico para atirar água às pernas das mulheres mais descuidadas... Que se põem a jeito, de perna ao léu... Depois achou que não, que processar a malta toda tinha muito mais piada... e não constipava ninguém.
Mas nem assim... Até um jogo de computador inventaram a atirar merda para cima da criatura. O que vale é que ... "é Carnaval, ninguém leva a mal"!
Hoje foi, de há 40 anos a esta parte, o primeiro sábado em que, estando no país, não comprei o “A Bola”. Por solidariedade com o Ricardo Araújo Pereira (RAP) que, por sua vez, se solidarizara com o Zé Diogo Quintela (ZDQ)!
Já aqui referi diversas vezes a minha forte ligação a este jornal e aos seus grandes mestres, com quem aprendi, não só a ler e a escrever, como a gostar de escrever. Por isso esta minha decisão de hoje não foi nada fácil. Pareceu-me estar a separar-me de muitos anos da minha vida, como que a deixar para trás uma boa parte de mim. E isto não é fácil!
O RAP escrevia em “A Bola” aos sábados. O ZDQ fazia-o aos domingos e, às terças, o Miguel Sousa Tavares (MST).
O MST não é exactamente uma personalidade pacífica no panorama mediático. Antes pelo contrário, é uma personagem dada à conflituosidade o que, obviamente e por si só, não é mal nenhum. A não ser quando se não consegue ser absolutamente coerente e quando se muda de posição ou de barricada. O MST é portista! Nada de mal, mais uma vez. Fanático! Bom, aceita-se. Afinal nestas coisas dos clubismos há sempre muito exacerbo, frequentemente próximo do fanatismo.
Perde a razão e fica com a vista turvada quando escreve sobre futebol. Bom, não é bonito! Nem sequer muito abonatório para a personagem que pretende interpretar neste jogo da vida, mas, se ainda por cima lhe pagam… E, claro, esquece-se da coerência, uma velha pecha. Daí que, se isso lhe interessar para o argumentário do seu clubismo cego, hoje diga o contrário do que disse ontem. Hoje defenda o que ontem atacou ou desminta a sua verdade de ontem…
Claro que as famosas escutas do Sr Pinto da Costa são palco privilegiado para esta peça!
O RAP, perante tão repetidos e grosseiros atentados à coerência, provavelmente porque teve meios para a necessária pesquisa, resolveu começar a revelar na sua coluna dos sábados as verdades/mentiras do MST: em tantos do tal escreveu isto para em tal dos tantos escrever exactamente o contrário…
O MST ia respondendo na sua coluna das terças-feiras. Como podia. Quase sempre mal, no estilo de pior a emenda que o soneto. E ia-se enterrando, dando o flanco e expondo-se. Até que começou a expor insuspeita ignorância, logo aproveitada pelo RAP para dar uma lição sobre a matéria.
Foi aqui que acabou a paciência do MST. Por falta de argumentos, porque contra factos não os há, passou ao ataque pessoal. Bem, até foi ao ataque colectivo – aos Gatos Fedorentos. Aí, entrou em cena o ZDQ, na sua coluna do domingo, expondo ainda mais as fragilidades do MST. Que não resistiu a ameaçar com o abandono!
No último domingo a crónica do ZDQ foi censurada. Sim. CENSURADA! “A Bola” cortou o que entendeu e, evidentemente, o ZDQ tomou a única atitude que os nobres de carácter podem tomar. E o RAP foi solidário e deixou também de escrever em “A Bola”.
O MST faz alarde em declarar-se feroz opositor das redes sociais e da blogosfera. Tenho a impressão que, se fosse ele a mandar, até a Internet proibiria. Até aqui eu não percebia porquê, só agora entendi: é que na blogosfera ele não pode ordenar a nenhum director, nem a ninguém, que corte e censure o que se escreve. A blogosfera não lhe garante a imunidade que os jornais e as televisões lhe asseguram, nem lhe protege o estatuto que o berço lhe deixou. Na blogosfera até os plágios se descobrem! Que chatice!
PS: Esta matéria traz a nação benfiquista em ebulição, como se pode ver aqui e ali.
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