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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Maldita covid

 

O Benfica regressou hoje às vitórias, ganhando por 2-0 na Luz, ao Rio Ave, mercê da sorte do jogo na primeira parte, e de uma exibição já aceitável na segunda.

Na primeira parte, à excepção dos primeiros 10 minutos, em que até teve uma bola nos ferros, precisamente no ângulo entre o poste (direito) e a barra, num remate de Everton que merecia golo,  o Rio Ave foi sempre melhor em todos os capítulos do jogo, mesmo que apenas com um terço da posse de bola.

Nos insucessos desta época, e particularmente na Luz, o Benfica tem sempre podido queixar-se de o adversário marcar sempre na primeira vez que chega à baliza. Foi quase sempre assim, a jeito de cada cavadela cada minhoca. Tivesse hoje sido assim e provavelmente estaríamos agora a lamentar mais um desaire. Não foi. O Rio Ave teve - também - uma bola no poste, e teve ainda mais três oportunidades claríssimas para marcar. Quatro, ao todo, contra apenas aquela do Everton para o Benfica. 

Mas nem foi só isso, nem o Rio Ave apenas rematou o dobro do Benfica. Deu um verdadeiro banho de bola. 

Sabemos que a culpa é do covid. É pelo covid que a equipa não joga nada e é vulgarizada por qualquer adversário. É também por culpa do covid que a equipa não sabe o que fazer com as bolas paradas,  as únicas ocasiões que, depois dos 10 minutos iniciais, o Benfica teve para responder ao melhor futebol do Rio Ave. Foi simplesmente ridícula a forma como foram cobrados os cantos e os três ou quatro livres laterais de que a equipa dispôs.

Sabe-se lá por quê, o covid foi para os balneários ao intervalo e ficou lá. Não regressou, e a segunda parte foi outro jogo completamente diferente. Mesmo sem nunca chegar - nem lá perto - a um nível exibicional que satisfaça os adeptos e galvanize os jogadores, o Benfica superiorizou-se claramente ao adversário que, pelo tempo que demorou a regressar ao relvado, parecia estar a adivinhar o que iria suceder. A não ser que se tenha atrasado apenas para não se cruzar com o covid que tinha ficado nas cabines.

No primeiro quarto de hora da segunda parte o Benfica fez o dobro dos remates que fizera na primeira, e criou o triplo das oportunidades de golo, com o Rio Ave sem conseguir sair da sua área. Porquê tamanha diferença? Pelo covid?

Não. Apenas porque os jogadores puseram intensidade no jogo, coisa que nunca tinham feito na primeira parte. O primeiro (Seferovic) chegou mesmo no fim desses primeiros quinze minutos, e já era sobejamente justificado. Esperar-se-ia que o golo espevitasse os jogadores, e os fizesse embalar para uma exibição bem conseguida. Fosse pelo tempo que demorou a validar, que arrasa por completo os factores motivacionais do golo, fosse pelo covid da primeira parte, o que se seguiu ao golo não bateu certo com o que o antecedera, e o Rio Ave teve oportunidade de se mostrar e de lembrar o que fizera até ao intervalo.

Foi sol de pouca dura, o Benfica conseguiu reequilibrar-se, também com as substituições que, desta vez viradas para o desgaste da condição física dos jogadores, bateram certo. Mesmo que a saída de Waldschmidt, que não está fisicamente muito castigado, e que estava então a jogar bem, tivesse sido pouco compreensível. 

O segundo golo (Pizzi, que entrara na primeira leva para o lugar de Taarabt) apareceu já à entrada do quarto de hora final, depois de dois ou três falhanços (de Seferovic e do próprio Pizzi), e antes de outros tantos e de mais duas ou três grandes defesas do guarda-redes vila-condense, que até é polaco, nos dez minutos finais.

Pode ser que o covid se vá embora de vez. E que agora só falte mesmo jogar mais um bocado à bola.

Solidez acima de tudo

A BOLA - Benfica vence Rio Ave e reforça liderança (Liga)

 

Não foi uma exibição de nota (artística) 20, mas foi a mais sólida deste campeonato, esta que hoje o Benfica realizou em Vila do Conde. 

Com a possibilidade de, logo à quarta jornada, aumentar a vantagem sobre os principais adversários na luta pelo título, e particularmente para alargar para 5 pontos a diferença para o maior rival nessa compita, o Benfica não vacilou, ao contrário do que acontecera na última jornada. Sabendo bem o que teriam de fazer para contrariar o futebol do Rio Ave, os jogadores iniciaram o jogo com grande pressão sobre a saída de bola do adversário, nunca lhe permitindo qualquer tipo de conforto e, acima de tudo, retirando-lhe a confiança que é sempre a alma de qualquer equipa.

De tal forma que, quando o Rio Ave passou pela primeira vez a linha do meio campo, já perdia por 1-0, com o primeiro golo de Waldschmidt, aos 7 minutos. E nem a primeira contrariedade - e grande - da grave lesão de André Almeida, mesmo que a entrada de Gilberto tenha sido assustadora (acabando por remediar com o decorrer do jogo, e até por convencer os adeptos que poderá ser solução), introduziu qualquer grão de areia na engrenagem da exibição do Benfica.

Nem isso nem o tamanho dos pés dos jogadores do Benfica, grandes demais para o VAR anular dois golos e um penalti. Quando nos atiram para os olhos linhas com foras de jogo de 10 centímetros, como aconteceu no segundo golo anulado, ficamos na dúvida. Presos ao absurdo, mas na dúvida. Quando nos querem impingir linhas de mais de 40 centímetros - 42 e 46, mais precisamente - como aconteceu no primeiro golo anulado, e no penalti transformado em fora de jogo, vemos bem que não vimos nada daquilo.

Apesar de golos e penaltis anulados, de faltas e faltinhas que não matam mas moem, e de amarelos que destabilizam, a equipa nunca se perturbou, manteve o jogo controlado, e prosseguiu sempe na procura do golo. E o segundo, de novo por Waldschmidt, surgiria no período de compensação da primeira parte.

Na segunda parte o Benfica não foi tão pressionante, até porque o Rio Ave, percebendo que não poderia continuar a tentar sair a jogar, passou a optar por um jogo mais directo. Mas nem aí alguma vez perdeu o controlo do jogo, acabando por revelar a solidez que ainda se não tinha visto.

E o terceiro golo, por Gabriel - também ele, e  inesperadamente,  com uma grande exibição - acabaria por, já  aos 86 minutos, dar uma expressão ao resultado mais condizente com aquilo que se passou no jogo.

Finalmente!

Rio Ave 1-2 Benfica: Weigl estreia-se a marcar e 'empurra' encarnados para a igualdade com o FC Porto

Finalmente uma vitória. Sofrida, mas consoladora.

E esperemos que libertadora, que seja o ponto final no caminho desastroso que o Benfica vinha a trilhar há quase seis meses, onde se incluem os três do defeso forçado que nada mudaram. Antes pelo contrário, o regresso foi ainda mais penoso.

Na verdade este jogo de hoje com o Rio Ave, em Vila do Conde, não foi - nem ninguém esperava que fosse - de retoma, nem sublimou grande coisa do que de mau o Benfica tem vindo a fazer. Os pecadilhos continuaram lá todos, mesmo que haja que assinalar que os jogadores se bateram, correram e lutaram como já haviam feito na primeira parte do último jogo, em Portimão. Desta vez o jogo todo, talvez porque nunca tivesse estado ganho.

Bruno Lage voltou a mexer no onze inicial. Teria sempre que o fazer face às lesões de Grimaldo e Jardel, e ao impedimento, por amarelos, do André Almeida. As estas três trocas, juntou ainda o regresso de Gabriel e a incompreensível estreia a titular de Dyego Sousa.

Nenhum dos que entraram esteve especialmente bem e o avançado esteve até especialmente mal. Esteve no golo do Rio Ave, provocou a anulação do que seria o golo do empate, ainda na primeira parte, e não fez rigorosamente nada mais. Os outros tiveram altos e baixos, com mais altos de Nuno Tavares, mas também com alguns baixos. E mais baixos do Ferro. 

O Benfica até entrou bem no jogo. Escolheu começar a favor do vento - que no campo do Rio Ave é sempre factor importante - a demonstrar que queria desde logo tomar conta do jogo e ganhá-lo.

Não criou grandes oportunidades de golo, é certo. Mas pressionou, jogou e impediu o Rio Ave de fazer o que sabe e faz bem - jogar à bola. Estava o jogo nisto, submetido ao domínio do Benfica quando, pouco depois de a primeira parte chegar a meio, na primeira vez que o Rio Ave chegou à frente, marcou.

O costume. E também na forma do costume. Um lançamento da linha lateral, Ferro aborda mal o duelo com o Taremi e comete falta. Livre lateral, defesa aos papéis, e Dyego Sousa assiste o mesmo Taremi, para fazer o golo, sozinho em frente a Vlachdymos.

E mais uma vez o costume. A equipa caiu, e foi o Rio Ave que passou a mandar no jogo. Naqueles vinte minutos finais apenas aquela arrancada de Taarabt, concluída no bom golo do Rafa, anulado pelo árbitro (!!!) em consulta ao monitor por fora de jogo do Dyego Sousa, que não tocou na bola. Mas tentou disputá-la.

O Benfica voltou a entrar melhor na segunda parte, com Seferovic no lugar do Dyego, que nunca deveria ter entrado. Pressionante, mais rápido e a encostar o Rio Ave, que agora desfrutava dos favores do vento, lá atrás.

O melhor marcador da última época mexeu com o jogo, e começou a fazer a diferença. A diferença no jogo, e nas decisões de Bruno Lage. Que esteve quase a lançar a Zivkovic, o que só não aconteceu porque o golo da vitória chegou primeiro. E valeu o regresso de Samaris.

Logo de entrada cabeceou para golo, mas bola bateu com estrondo na trave. Não entrou aí, e tardou a entrar. Tardou um quarto de hora, em simultâneo com a primeira expulsão, por segundo amarelo indiscutível, de um jogador do Rio Ave. Marcado por Seferovic, pois claro. Apenas o terceiro neste campeonato do melhor marcador do anterior.

Dispôs ainda de mais duas grandes oportunidades para aumentar o seu score, mas ficou-se por um golo apenas, e muita influência no jogo que a equipa fazia por ganhar.

Pouco mais de dez minutos depois, e ainda com cerca de vinte para o apito final, por vermelho directo claro, mas que o árbitro só mostrou por indicação do VAR, o Rio Ave ficou reduzido a nove. E ficou-lhe ainda mais difícil evitar a derrota.

O golo da vitória surgiria apenas a três minutos dos 90, e a sete do fim do jogo. O primeiro de Weigl. Num canto. Dir-se-ia improvável, tal a ineficácia da equipa nas bolas paradas. Mas já tinha sido também de canto que Seferovic rematara à trave!

Agora, que pela primeira vez aproveitou os também sucessivos deslizes do Porto, que nem os penaltis que lhe continuam a oferecer aproveita, só é preciso aproveitar esta vitória para não voltar a falhar. E esperar que o concorrente continue a jogar o que não está a jogar.

Objectivo(s) conseguido(s)

Seferovic salta do banco para colocar Benfica nas meias-finais da Taça de Portugal

 

Já não dá para disfarçar o cerco que se aperta à volta do Benfica. É a calendarização dos jogos, são as consecutivas nomeações cirúrgicas dos árbitros, seja para o campo seja para o VAR, e são, por fim, os seus desempenhos. A seguir a Carlos Xistra, há quatro dias, hoje Artur Soares Dias, que há os mesmos quatro dias, desbloqueou o jogo ao Porto, validando inacreditavelmente o golo que o resolveu, e começou a resolver o próximo, com o Braga, expulsando o Corona, para trocar esse jogo com o de hoje, com o Varzim, para a Taça.

É impossível dizer o que quer que seja deste jogo sem falar de Artur Soares Dias e de Tiago Martins, o VAR, outra escolha cirúrgica. Começaram logo por transformar um hipotético 2-1 no 1-2 quando decidiram não assinalar o penalti claríssimo sobre o Chequinho, na sequência do que o Rio Ave saiu em contra-ataque para fazer o segundo golo. Por marcar ficaram mais três penaltis a favor do Benfica. Um que Soares Dias, bem posicionado, sem nada a tapar-lhe a visibilidade, assinalou sobre Taarabt, mas que Tiago Martins fez reverter, sem qualquer dificuldade em convencer o árbitro de campo, que nem precisou de recorrer às imagens para reconhecer que afinal se havia equivocado. Outro sobre Pizzi, e outro ainda quando um defesa do Rio Ave desviou para a barra, com o cotovelo, um remate de Chiquinho.

Dêm-se as voltas que se derem, foi assim. E mesmo assim foi um bom jogo de futebol, com o must da emoção que, assim, o resultado lhe acrescentou. 

O Rio Ave joga bem, já se sabe. E chegou ao golo logo a abrir, aos 3 minutos, na cobrança de um livre directo, depois de uma falta sem nexo de Rúben Dias. Mais uma. Percebeu-se logo que tudo seria muito difícil. E foi, mais ainda por tudo o que acima foi dito. O Benfica reagiu bem ao golo madrugador e chegou ao empate, por Cervi, dez minutos depois. Só que à meia hora de jogo, no tal contra-ataque depois do penalti sobre o Chiquinho, o Rio Ave voltou a marcar (assinalar a grande penalidade implicaria anular o golo) , e a passar para a frente do marcador.

O Benfica não fez uma grande exibição. Com o abaixamento de forma de Pizzi e de Carlos Vinícius é difícil a equipa fazer melhor. Mas também não jogou mal, longe disso. Voltou a lutar contra a adversidade, com todos os jogadores a darem o máximo, cheios de alma, e criou mais de meia dúzia de oportunidades claras de golo.

A segunda parte foi de pressão constante, encostando o Rio Ave lá atrás, completamente sufocado. Seferovic entrou já passava da hora de jogo, e desta vez foi descisivo: em sete minutos (64 e 71) virou o resultado, com dois bons golos, especialmente o da vitória, numa grande execução.

O Benfica segue com mérito para as meias finais da Taça. Mas foi um jogo de enorme desgaste, que deixará certamente marcas para o dérbi, daqui a menos de 72 horas. Poucos acreditarão que o objectivo não fosse esse!

As chaves apareceram

(Foto de A Bola)

Há uns tipos que passam uma vida a apitar jogos com o único objectivo de infernizarem a vida ao Benfica. Sempre que lhes surja a oportunidade de apitar um jogo do Benfica o foco fica logo fixado. Carlos Xistra, o árbitro do jogo hoje, desta décima jornada que fecha o primeiro terço do campeonato, é um deles. Fábio Veríssimo é outro. E Tiago Martins outro ainda. Como era há vinte e há trinta anos Jorge Coroado.

Poderão estar a pensar que me estou a esquecer de Pedro Proença. Não estou, esse era de outro calibre. Era mais cirúrgico, sem muito alarido atingia no sítio certo à hora certa. Não fazia a vida do Benfica num inferno, como estes. Mandava-o para o inferno directamente.

Acharão estranho que num jogo que marca o regresso do Benfica desaparecido, com uma grande exibição, do melhor que se tem visto, tenha começado a falar do árbitro. Pois é... só que Carlos Xistra fez tudo para que esse regresso não acontecesse.

Logo no primeiro minuto disse ao que vinha, anulando uma jogada de golo ao assinalar jogo perigoso num lance em que o Vinícius simpelsmente picou a bola sobre o adversário. Logo a seguir um defesa do Rio Ave, no chão, cortou com a mão uma bola do Cervi, e Xistra nada. Nada? Não, mostrou o amarelo ao jogador do Benfica, que  apenas levantou o braço a assinalar a mão do adversário. Logo a seguir não assinalou uma falta claríssima de um defesa vilacondense sobre o Chiquinho, deixando que daí surgisse um contra-ataque perigoso para a baliza do Odysseas. E imediatamente depois não viu, nem quis ir ver as imagens, depois de alertado pelo VAR, um penalti sobre o André Almeida. O que é verdadeiramente singular: se o VAR interveio é porque considerou lance de penalti. O VAR não teria intervindo para lhe dizer que tinha dúvidas se aquilo não seria penalti, porque não é isso que está definido. Ora, mesmo com o colega a garantir-lhe que havia penalti, Xistra não quis ir ver as imagens, e ignorou o penalti.

Aconteceu que do canto com que Xistra mandou seguir o jogo surgiu o golo, numa grande cabeçada do Rúben Dias. Mais um, numa nova especialidade que se saúda. O relógio marcava 32 minutos. Mais que a resistência do Rio Ave, quebrou-se aí a resistência de Carlos Xistra!

E o Benfica estava finalmente lançado para uma grande exibição.

Para trás ficava um terço do jogo, sempre com aqueles condicionalismos. Na primeira metade desse período, no primeiro quarto de hora, estava aquilo a que Quinito chamava um jogo entretido, em que o Rio Ave esteve até ligeiramente por cima, pelo menos com mais bola. Jogava-se benzinho, de parte a parte. Sem colocar intensidade no jogo o Benfica permitia ao Rio Ave jogar o que sabe, e como gosta.

Parece que rapidamente o Benfica percebeu isso, e à entrada do segundo quarto de hora, com maior intensidade e maior pressão sobre a saída e a circulação do Rio Ave - o Filipe Augusto, que mexia todos os cordelinhos da equipa, deixou de gozar da liberdade dos primeiros 15 minutos - tomou definitiva e incontestavelmente conta do jogo. E foi construindo uma exibição de grande categoria, que atingiria momentos de grande fulgor durante toda a segunda parte.

O segundo golo chegou logo no início da segunda parte, numa grande jogada de futebol, concluída de forma soberba por Pizzi (na imagem). Mas poderia ter chegado ainda antes. Como o terceiro poderia ter chegado por tantas vezes e acabou por nunca acontecer, deixando no marcador uma expressão muito limitada do que foi esta exibição do Benfica.

Há três dias, com o Portimonense, o Benfica tínha-nos deixado um sabor adocicado na boca. Hoje é um doce forte que nos enche toda boca. Com todos os jogadores a confirmarem a subida de forma, os que na quarta-feira tinham marcado a diferença voltaram a mostrar que fazem mesmo a diferença. Chiquinho e Grimaldo (esperemos que a lesão não seja nada, porque seria demasiado azar) estão num grande momento. Pizzi regressou ao seu nível. Florentino já lá está, no ponto. A defesa está tranquíla e perfeita. E Cervi está a fazer a ressurreição que faz a imagem de marca de Bruno Lage. Estava fora dos planos, como no passado estavam Taarabt e Samaris. E está a ser importante, como importantes tinham sido aqueles na última época.

"Perdemos as chaves de casa, andamos ali aos gritos à procura das chaves, e de repente as chaves apareceram" - disse Bruno Lage na conferência de imprensa. É isto, até o treinador do Benfica regressou!

Título à vista

 

Sabia-se da importância e do grau de dificuldade desta penúltima final, em Vila do Conde. Não era uma final mais importante que as anteriores, mas as outras já faziam parte do passado, e esta ainda estava por disputar. Era a seguinte, e a seguinte é sempre a mais importante. Como agora é a próxima, a grande final. A que é finalmente decisiva!

A cada final ultrapassada  não aumentava apenas a importância da seguinte, aumentava também o grau de dificuldade. Porque a pressão sobre os jogadores, e a ansiedade, aumentavam, mas também a pressão sobre tudo o que é a envolvente do jogo, mesmo daquilo que nunca o deveria envolver.

A entrada do Benfica no jogo teve o seu quê de regresso ao passado - a um passado recente, é certo, mas passado - com o golo a surgir logo no arranque, ao contrário do que vinha sucedendo nos últimos jogos, em que  Benfica começou sempre menos bem, tendo mesmo de proceder a sucessivas reviravoltas no marcador. Logo aos três minutos, naturalmente na primeira oportunidade do jogo, Rafa marcou.

Para confirmar que as primeiras partes mais tremidas faziam parte do passado, que não deste jogo, regressando à pressão alta e às asfixia do adversário logo junto à sua área, o Benfica tomou conta do jogo. O Rio Ave não conseguia se não cheirar a bola, e correr atrás dela. Só que isto durou quinze minutos e ... acabou-se.

Quando o Benfica, por estratégia ou por qualquer outra despercebida razão começou a levantar o pé, o Rio Ave começou a crescer e a dividir o jogo, levantando de novo a dialéctica da bola que aqui tenho trazido nas últimas semanas - "uma equipa joga aquilo que a outra deixa". A verdade é que nunca mais o Benfica se sentiu confortável no jogo, mesmo que as poucas oportunidades de golo do jogo lhe tenham sempre pertencido, e nunca ao Rio Ave.

Em cima do intervalo -. é sempre boa altura para marcar, mas esta é normalmente tida por uma das melhores - o Benfica chega ao segundo, por João Félix, numa jogada muito reclamada pelo Rio Ave (e mais ainda por outros). A história conta-se em poucas palavras: Florentino em carga de ombro fora da área desequilibrou o adversário com quem disputava a bola, acabando por lhe tocar nas costas, então já dentro da grande área e quando ele ia já em queda. Não lhe provocou a queda com a mão nas costas pela simples razão que ele já estava claramente em queda e, a partir daí, não há qualquer falta, como - bem - ajuizaram árbitro e VAR. Dessa recuperação de bola surgiria a jogada que acabou nesse segundo golo do Benfica.

A segunda parte foi lançada em bases muito semelhantes às da última meia hora da primeira metade, com o Benfica longe da atitude do início do jogo, e o Rio Ave chegou ao golo, logo aos 5 minutos. Aí, sim, o Benfica apressou-se a regressar à pressão sobre o adversário e a tomar conta do jogo. E a criar sucessivas oportunidades de golo, até chegar ao terceiro, em mais uma bela jogada de futebol, concluída com um excelente remate de Pizzi.

Com a vantagem de novo em dois golos, e mesmo por cima por do jogo, nem assim o Benfica podia descansar. O Rio Ave não deixava... E acabou por voltar a marcar, a seis minutos do 90, deixando no ar a ameaça de repetir o que fizera há duas semanas, com o Porto, quando chegou ao empate nos últimos 5 minutos. 

Apesar disso, e do sofrimento de jogadores e adeptos, foi ao Benfica que couberam as duas melhores oportunidades até ao fim do jogo. Recebido naturalmente em festa!

Mesmo que a festa, a grande festa, esteja agora, com o título à vista,  marcada para o próximo fim de semana. Que nada a possa estragar!

Foto de A Bola.

Sinais de vida nova num grande jogo de futebol

Bruno Lage:

 

Era grande a expectativa para este primeiro jogo pós Rui Vitória, na primeira apresentação de Bruno Lage. A convocatória tinha revelado algumas surpresas, o que aumentava as expectativas sobre as opções de Bruno Lage para o onze inicial.

Com poucas surpresas, no entanto. Com Jonas castigado, teria de entrar Seferovic, mesmo com Ferreyra e Castillo na convocatória. Gedson, muito mal nos últimos jogos, também não foi surpresa que ficasse de fora, ao contrário do que aconteceu com Zivkovic, substituído pelo inconsequente Salvio. 

Novidade, talvez nem tanto surpreza, foi o 4-4-2, que levou João Félix para a sua posição natural pela primeira vez, ao lado de Seferovic. Que grande exibição fizeram ambos! Repartiram os quatro golos da equipa, todos de grande qualidade, mas fizeram muito mais.

Quando o árbitro Luís Godinho - de muito pouca qualidade e especialmente vocacionado para fazer maldades ao Benfica, vocação que voltaria a confirmar - apitou para iniciar a partida percebeu-se logo que o Rio Ave, também a estrear treinador (Daniel Ramos), vinha disposto a dar sequência ao bom futebol que tem apresentado, jogando com a qualidade que se lhe vira em Braga e no Dragão - onde, então com o José Gomes no banco, foram melhores que os adversários - mas com mais intensidade e maior agressividade na disputa da bola.

O Benfica também entrava muito melhor, especialmente na intensidade que colocava no jogo e na entrega dos jogadores. Estava até a fazer algo que há muito não se via, pressionando alto e sufocando o adversário quando, à entrada para o segundo quarto de hora, ao primeiro remate, o Rio Ave chegou ao golo.

O Benfica sentiu o golo, perdeu o tino e, ao segundo remate, 3 minutos depois, o Rio Ave fez o segundo golo, gelando os 50 mil que estavam na Luz. Curiosamente pareceu que a equipa sentiu mais o primeiro que o segundo golo. Este foi apenas o toque a reunir!

Se em três minutos sofreu dois golos, em quatro marcou outros tantos, e à entrada do último quarto de hora da primeira parte o jogo ficava empatado, e o público da Luz ao lado da equipa.

A segunda parte arranca com uma jogada sensacional de Grimaldo que passou em drible por cinco jogadores do Rio Ave dentro da área, acabando com o poste a cometer um crime de lesa futebol. Depois seguiu-se um período em que o Rio Ave parecia querer adormecer o jogo, para melhor surpreender o Benfica. Mas foi sol de pouca dura, com o terceiro golo do Benfica (João Félix) depressa voltaram a acelerar... E nem o quarto lhes tirou o ânimo e a vontade de discutir o jogo palmo a palmo.

No fim ficou um grande jogo de futebol, com muita qualidade, emoção e golos. E duas certezas: uma é que os jogadores não estavam, de todo, com Rui Vitória. A outra é que é urgente trabalhar a forma como a equipa (não) defende. É por demais - e há muito - evidente que o Benfica não sabe defender. Hoje, muita coisa mudou só porque mudou o treinador. Mas a equipa não passa a defender bem só porque mudou o treinador!

Para Bruno Lage, só isto: que saudades eu tinha de ouvir um treinador do Benfica a saber o que está e o que tem a dizer! 

Quando se tira tudo, não fica lá mais nada para tirar

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Muito tempo depois, o Benfica regressou aos jogos da Taça da Liga. Nunca o interregno tinha sido tão grande.

Anunciavam-se muitas estreias e um ou outro regresso. Mas nem foi tanto assim, tal como o futebol apresentado não diferiu muito daquilo que se tem visto até aqui. Com as mesmas virtudes e os mesmos defeitos. E, na mesma, muito desperdício: desperdício de muitas oportunidades de golo, mas desperdício também de muitas ocasiões para definir melhor. Daí que tenha ficado na diferença mínima mais um jogo que poderia ter acabado em goleada.

O 2-1 final é um resultado apertado, mas nunca o jogo esteve apertado. O Rio Ave fez o golo aos 60 minutos, no primeiro remate à baliza de Svilar, na jogada seguinte a mais um desperdício flagrante do Benfica, no caso de Seferovic. E, com mais meia hora para jogar, regressado ao jogo, como se diz na gíria, fez apenas mais outro remate à baliza e teve, então sim, uma oportunidade de golo ao minuto 89. 

Mais nada, num jogo com uma arbitragem péssima, uma verdadeira lástima. E com uma moral, como as histórias: quando se lhe tira tudo, ninguém fica com nada para dar. 

E a Samaris até o número da camisola tiraram... Claro que não tem lá nada para dar!

 

Um resultado com duas caras

 

Não há como não começar pelo resultado deste Benfica-Rio Ave que abriu a jornada 21, hoje, na Luz. Bem composta, mas não cheia. Mesmo assim, num dia de chuva e frio, e no fim de uma semana não muito mobilizadora, 54 mil benfiquistas disseram "presente". Chegaram a assobiar, mas passou... Tem a ver com o resultado, por onde ia começar, e donde já estava a fugir.

O resultado, o 5-1 final, não espelha as dificuldades por que o Benfica passou no jogo. E no entanto é curto, muito curto mesmo, para o que se passou no jogo. O Benfica podia perfeitamente ter marcado o dobro dos golos. Pois é, o futebol tem destas coisas... E os resultados, às vezes, também têm duas caras.

Os campeões nacionais entraram bem no jogo. Entraram forte, pressionantes, com o seu futebol dinãmico e envolvente. Normalmente entradas destas dão em golo. Hoje não deu, e na primeira vez que o Rio Ave chegou à area encarnada, à beira dos 10 minutos de jogo, marcou. Jardel cedeu um canto desnecessariamente. Do canto resultou um ressalto, aproveitado com classe pelo Geraldes, que entrou pela atordoada defesa benfiquista e centrou bem para a cabeça de Guedes  pôr a bola dentro da baliza do Varela, que não pareceu nada que tivesse feito tudo para o evitar.

Logo a seguir o João Novais rematou ao poste direito de Varela, e o Benfica desapareceu do jogo, e só regressou à entrada para o último quarto de hora. Pelo meio, o Rio Ave controlou o jogo, com os jogadores do Benfica a teimarem em dar espaço aos dois jogadores-maravilha da equipa adversária, os já referidos Geraldes e João Novais. E o árbitro - miserável arbitragem de um árbitro (Manuel Oliveira) que normalmente aparece por "encomenda" nos jogos do Benfica -  e o VAR (que, como se sabe, tem servido apenas para deixar cair a sílaba do meio da "verdade" desportiva) deixaram de marcar um penalti a favor do Benfica.

Não foi feliz, o "regresso" do Benfica ao jogo. Coincidiu com a lesão de Salvio, mais uma. E foi então já com Rafa que a equipa partiu para cima da baliza do regressado Cássio que, como se sabe, tem história feita nos jogos com o Benfica. E com Zivkovic que, tendo entrado de início - a segunda experiência, depois do João Carvalho, para as funções que Krovinovic desempenhava com sucesso até se ter lesionanado, há duas semanas -, ainda se não tinha visto. 

Foi um sufoco, e as oportunidades de golo sucediam-se, sempre em vão. Mas nem assim o Rio Ave era um adversário submetido. Sempre a pressionar a primeira zona de construção do Benfica e, sempre que podia, lá trocava a bola com propósito e classe, pelo menos sempre que ela passava pelos pés daqueles dois.

A segunda parte arrancou no mesmo ritmo. Mas também com o esperado golo do Benfica, por Jardel. Mas de forma inesperada, num canto. O oitavo, depois dos anteriores terem sido desperantes... Depois... Bem, depois, e especialmente depois do segundo (Pizzi) foi um festival de futebol benfiquista. Deu em mais três golos (Jonas, como não podia deixar de ser, depois Rúben Dias, o seu primeiro, e de novo num canto, e finalmente Raul, que já substituira Jonas), mas podia ter dado mais quatro ou cinco. 

As oportunidades criadas e a qualidade de jogo exibido justificavam-nos. Mas o futebol do Rio Ave não os merecia!

 

 

Sempre a pôr-se a jeito

Cássio: «Fizemos por merecer a vitória»

 

Tudo acontece a este Benfica. Mas tem de dizer-se que se põe a jeito para que todo o mal lhe bata à porta.

Entrou bem no jogo, e dominou toda a primeira parte. Mas só fez um golo. Pôs-se a jeito...

Logo no arranque da segunda parte, ao segundo minuto, Cervi escorrega à entrada da sua área e deixa a bola à mercê de um jogador do Rio Ave. E golo do empate, no primeiro remate à baliza.

O Benfica sentiu o golo, mas veio para a frente. Um quarto de hora depois o Rio Ave ganha uma bola na sua defesa, em  falta sobre Pizzi, e sai para o contra-ataque. A jogada acaba com o Guedes a fazer gato sapato de André Almeida e Luisão, e um grande golo. Mesmo que facilitado. Na segunda vez que chegou à baliza do Benfica.

O Benfica partiu de novo para cima do Rio Ave. E apareceu Cássio, um velho conhecido da casa. Rui Vitória foi acrescentando avançados à equipa, e mesmo sem jogar bem ia criando e desperdiçando oportunidades de golo. Até um penalti Jonas falhou. 

Então, e por último, entrou Seferovic e saiu Grimaldo, ficando a equipa em completo desiquilíbrio. Luisão fez o empate, faltavam perto de 10 minutos (com o tempo de compensação dado pelo árbitro) para o jogo acabar. Com a equipa desiquilibrada como estava, esse tempo tinha de ser todo aproveitado para chegar ao golo da  vitória e evitar o prolongamento, como o capitão tinha deixado claro, sem perder tempo em festejos, a correr com a bola para o centro do terreno.

Pois... nesses 10 minutos a equipa não chegou uma vez à baliza do Rio Ave. Pôs-se a jeito...

Se as coisas não estavam fáceis para o prolongamento, pior ficaram com a lesão (muscular) de Luisão. Remendada e com dez, a equipa do Benfica só podia esperar o pior do prolongamento. Para encurtar a espera, que isto não está para grandes expectativas, o Rio Ave marcou logo no arranque, de novo na primeira vez que lá foi abaixo. Numa carambola, num ressalto e com Zivkovic, completamente desalinhado da linha defensiva, a colocar em jogo o jogador do Rio Ave que fez o golo.

Depois a equipa fez das tripas coração, e mesmo só com coração criou oportunidades para, na lógica de se pôr a jeito, levar o desempate para os  penaltis. Mas Cássio chegou e sobrou para as encomendas. 

E pronto, depois da Europa também já o Jamor lá vai... Se calhar era bom que alguém pusesse mão nisto. Mas parece que o presidente anda pela China... Também ele a pôr-se a jeito!

 

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