Na semana passada falei aqui de palermices, para manifestar a minha desilusão com o José Nuno Martins, um profissional da comunicação da minha geração que me habituei a admirar e respeitar. Terminava dizendo que "ninguém está imune ao erro" e que a diferença não se faz entre quem erra e quem não erra, mas "entre quem assume e enfrenta os erros e quem se julga acima deles". E rematei que ao José Nuno Martins cabia "pedir desculpa e demitir-se da direcção do jornal do Benfica".
Penitencio-me, também eu, pelo pelo excesso: basta pedir desculpa. Com a elegância das pessoas educadas, e com a humildade das pessoas de bem.
E foi precisamente isso que o José Nuno Marins fez, na primeira oportunidade que teve, no mesmo local, no mesmo espaço de comunicação. No programa Benfica 10 Horas, da BTV, nestes termos:
"Na semana passada fui muito incorreto, mesmo grosseiro. Não é meu hábito usar linguagem imprópria. Envergonhei-me do que disse e hoje tenho de pedir desculpa às pessoas que magoei, de modo involuntário".
"Magoei três pessoas. O presidente do Sporting, Bruno de Carvalho e o seu ilustre sócio Rogério Alves, que não são pessoas das minhas relações nem havia motivo para qualquer ofensa sobre elas, e Diamantino Miranda, meu amigo há anos, acerca de quem usei linguagem que não é própria, e deixo-lhe um abraço sentido".
"Não posso criticar quem usa petardos para depois usar expressões incorretas e tão simbolicamente explosivas como um petardo. Espero não voltar a repetir. Essa não é a maneira de defender o Benfica".
Este sim. Este é o José Nuno Martins que eu conheço... De novo de cabeça levantada á frente do jornal do nosso clube do coração!
Há muito quem, de ambos os lados, entenda que rivalidade a sério é entre Benfica e Sporting que, ao contrário do que muitos pensam, vem do ciclismo - dos intensos duelos entre Trindade e Nicolau (na foto) - e não do futebol. Às vezes, e com a hegemonia portista dos últimos 20 anos, não se dava muito por ela, mas ressurgiu em força a partir do momento em que na cadeira mais alta de Alvalade se sentou este presidente/adepto/rambo.
Basta à massa adepta leonina, vulgo lagartagem, imaginar que está na mó de cima para já ninguém os poder aturar. É verdade!
Por exemplo, para a lagartagem, não importa nada que o golo anulado ao Rio Ave na última jornada tivesse sido obtido em fora de jogo. E portanto bem anulado. Não, o que importa é que o árbitro assistente estava mal colocado, e que por isso não tinha condições de ajuizar correctamente. Também não importa nada que, tendo de tomar uma decisão, e com 50% de probabilidades de tomar a certa, tenha acertado. O que importa é que de maneira nenhuma queria que o golo fosse validado.
Ou ainda agora nesta jornada da champions. Não lhes interessa nada que o Jardel tenha sido empurrado dentro da área, ali à frente do árbitro de baliza, sem que o árbitro tenha assinalado a falta. O que para a lagartagem importa é que o defesa do Benfica, como fazem todos os jogadores naquelas circunstâncias, muitas vezes para pressionar o árbitro a assinalar a falta, fez duas tentativas de agarrar a bola e, tocando-lhe, fez penalti que o árbitro não assinalou. Mesmo tratando-se de um jogo da champions, para a lagartagem não conta o erro do árbitro ao não assinalar a falta sobre o Jardel, que tudo teria resolvido. Só conta que, depois, houve penalti… Como no penúltima jogo da Liga, em Braga, não conta que o árbitro tenha deixado passar um fora de jogo flagrantíssimo, só conta que, depois, porque erradamente deixou prosseguir a jogada, houve motivo para penalti na área do Benfica.
Tudo isto não é mais que pequenos episódios, sinais da rivalidade e da clubite que leva os adeptos a ver tudo com óculos de lentes pintadas com as suas cores. Não tem importância nenhuma... São palermices toleráveis. Que os adeptos, de um e outro lado, muitas vezes amigos e até familiares, se piquem, é normal. Os adeptos também servem para isso!
Que, aqui, eu diga que o Bruno de Carvalho não se sabe comportar, que é um presidente, adepto e membro da claque, com a mania que é Rambo, que dispara para todo o lado incluindo o próprio pé, é uma coisa. Outra, completamente diferente, seria entrar na ofensa pessoal. E outra ainda, já intolerável, seria fazê-lo numa qualquer qualidade de representação institucional do meu clube que se sobreporia á minha simples qualidade de adepto. Foi isso que o José Nuno Martins, director do jornal do Benfica, fez ao chamar palerma ao presidente do Sporting.
E isso eu não aceito. O José Nuno Martins é, para além de benfiquista e de director do jornal do nosso clube, uma referência da comunicação da minha geração. É um profissional da comunicação que me habituei a admirar e a respeitar, mas que agora foi, ele sim, um palerma.
Ninguém está imune ao erro. Todos erramos. A diferença não está por isso entre quem erra e quem não erra - está entre quem assume e enfrenta os erros e quem se julga acima deles. Ao José Nuno Martins cabem agora duas simples atitudes: pedir desculpa e demitir-se da direcção do jornal do Benfica. Depois, se assim o entender, pode continuar a chamar palerma ao presidente do Sporting!
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