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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Pródigo e prodígio

Por Eduardo Louro

 

Prodígio em Saragoza, onde jogava emprestado, chegou num dos negócios com o Atlético de Madrid em que o Benfica é pródigo. A preço de prodígio – 8,5 milhões – que afinal não era.

Não sendo prodígio logo foi pródigo – o filho pródigo de regresso a Saragoza. Num negócio de prodígio, explicado em 8,6 milhões!

Voltou a filho pródigo - o bom filho que a casa torna - e ei-lo de volta ao Atlético de Madrid. De passagem, com caminho certo para Atenas, para que volte a regressar. A filho pródigo, de mais negócios de prodígio. Porque afinal o negócio de prodígio que o fez pródigo pela primeira vez, era ainda mais que um prodígio de negócio. Tanto que o Benfica ficara ainda com uma parte do passe, decisiva agora em mais um negócio em que são pródigos: não fora isso e outro galo cantaria no negócio de Pizzi. Provavelmente mais um prodígio de negócio!

Quem diria que a história de Roberto se ficaria por umas dúzias de frangos?

Estórias de encantar

Por Eduardo Louro

 

 

Há coisas fantásticas: aos 3 minutos Cardoso marca. O Benfica pressiona como ainda se não tinha visto. Pelo estádio começam a passar novas sensações arrancadas à memória de há um ano atrás, na mesma terceira jornada e como o mesmo Vitória de Setúbal. Sonha-se com a goleada, lembram-se os 8-1!

Já não há fantasmas. Respira-se fundo: Roberto não está lá. Finalmente Jesus colocara ponto final na teimosia. No entanto ele está no banco! Por que carga de água?

Não interessa… no pasa nada!

De repente, um disparate: Maxi Pereira e Júlio César, o guarda-redes substituto a quem se pedia o exorcismo de todos os demónios deste arranque de época, provam que eles existem e estão lá. Penalti, expulsão e, de repente, vinte minutos depois, lá estava ele de novo: o Roberto de todos os pesadelos!

Bola a 11 metros, ali à frente do mais odiado de todos os jogadores em campo – Hugo Leal, um velho traidor

São 40 mil almas no estádio e mais uns milhões á frente do ecrã à espera do milagre. À espera que o guarda-redes que não defende uma bola tivesse alma para defender o penalti…

Todos partilhavam dessa secreta esperança. Cenário mais adverso nem em pesadelos: o Setúbal estabelecia o empate (1-1) e tinha 70 minutos de jogo pela frente com mais um jogador e … com Roberto na baliza.

Não podia ser. Já bastavam os dois jogos anteriores!

Não estaria tudo isto combinado? Não seria esta a forma magistral de Jesus resolver de vez o problema Roberto? Claro, só assim se percebia que fosse ele a estar no banco e não o Moreira!

Combinado? Não podia ser! Então o Maxi e o Júlio César iam numa dessas?

Não. Combinado não era seguramente! Mas era o que estava escrito nas estrelas. Só podia…

Nisto, o Hugo Leal parte para a bola, debaixo de um ruído gigante onde uma chuva de apupos disfarçava uma gigantesca onda de preces. Na baliza está agora um Roberto de calção azul e camisa branca, com um ar estranhamente tranquilo. Ninguém ali reconhece o Roberto dos frangos, o Roberto em pânico todo de amarelo vestido.

Voa para a bola e defende-a. Não a segura. Ela fica ali à frente e, quando os aplausos hesitam, presos na angústia de que alguém acabaria por a empurrar para a baliza, o Roberto volta a voar. Voa que nem a águia Vitória e enrola-se nela, não mais a largando…

Jogar-se-iam mais 70 minutos. Roberto só voltaria a fazer uma defesa no último …

estórias assim! Nunca uma travessia do deserto foi tão curta: apenas 22 minutos!

Futebolês #34 FRANGO

Por Eduardo Louro

 

 

 Se há expressões do futebolês com algum grau de dificuldade, como a atitude da passada semana, aqui está uma expressão que não apresenta qualquer dificuldade: toda a gente sabe o que é um frango!

Daí que nem valha a pena especular o que quer que seja à volta do frango. Mas sempre adiantaria alguma coisa sobre a essência do frango. Há quem a vislumbre numa certa semelhança entre a forma como a bola foge das mãos do guarda-redes e a agilidade como o propriamente dito foge dos seus perseguidores. Pela minha parte, não negando essa analogia e reconhecendo-lhe mesmo algum mérito, sugeriria algo semelhante que passa precisamente pela analogia com aquela posição de alguém que, de rabo para o ar e procurando apanhar o frango à saída da capoeira, o deixa passar entre as mãos e as pernas ficando, quanto muito, com as mão cheias de penas. Não quero puxar a brasa ao meu frango mas esta analogia parece-me bem que faz mais sentido!

Os frangos fazem parte de uma história à parte na história do futebol. E constituem, muitas vezes, um espectáculo á parte dentro do espectáculo do futebol. Basta procurar no youtube

Ainda agora, no mundial da África do Sul, foi uma verdadeira festa de capoeira. Então aquele do keeper inglês, Green de seu nome, frente aos Estados Unidos…

Todos guardamos na nossa memória frangos monumentais. Eu nunca mais me esqueço – era ainda muito miúdo – daquele frango do saudoso Costa Pereira que, em 1965, tirou ao Benfica a terceira Taça dos Campeões Europeus para oferecer ao Inter a sua primeira … e única até há pouco! Curiosamente seria outro português – Mourinho – a oferecer-lhes a segunda, 45 anos depois!

Este é, todavia, um frango já pouco apoquenta a memória dos benfiquistas. Já foi há tanto tempo e, afinal, a história do glorioso também é feita destas coisas!

Hoje, para os benfiquistas, frango traz-lhe outras recordações e … outras preocupações. Frango é … Roberto! É 8,5 milhões! E é até, vejam bem, Jorge Jesus!

O Quim tinha feito uma grande época – parece que só Carlos Queiroz é que não deu por isso – mas, para Jesus, não era guarda-redes que desse pontos. Daí que se tivesse apressado a despedi-lo, mesmo pela televisão. O titular da selecção – Eduardo, que Jesus bem conhece por tê-lo treinado na penúltima época – não era opção, também não dava pontos!

O guarda-redes que vinha dar pontos estava em Espanha. Era o terceiro guarda-redes (!) do Atlético de Madrid e fora emprestado ao Saragoça na segunda metade da época passada: 24 anos e 1,94 metros de altura. Alto, como Jesus gosta!

Um problema logo à partida: tinha custado 8,5 milhões de euros. Um valor inimaginável para um guarda-redes e para o mercado português. A mais cara contratação da época!

Nada que a imprensa não tratasse logo de resolver: o Benfica tinha-se antecipado à armada britânica. Um clube inglês oferecia 12,5 milhões. Logo outro oferecia 14 milhões. O Roberto só podia ser muito bom. Só podia dar mesmo muitos pontos!

Começam os jogos e as coisas não correm nada bem. Pior, já nenhum benfiquista consegue ver como é que poderão correr bem! Um frango é um frango, ninguém está livre. Calha aos melhores! Mas só frangos?

Está lançado o pânico nas hostes benfiquistas. A imprensa, que quisera ajudar, só desajudou. Afinal apenas fizera subir a fasquia!

Por muito que Jorge Jesus resista ao pânico e não se canse de tentar pôr água na fervura, aos benfiquistas apenas resta uma dúvida: se o Roberto pode vir a ser um guarda-redes sofrível, se é apenas um equívoco incompreensível ou se é um negócio estranho.

Ontem à noite, sem paciência para continuar a ouvir disparates sobre a revisão da Constituição, ao fazer um zapping pela tv, dei comigo no canal Q, num programa com um nome sugestivo: “Sacanas sem lei: ponta de lança em África”. Lá estavam a Leonor Pinhão – a pivot e, como se sabe, benfiquista empedernida – o José Fialho Gouveia (o filho, por quem eu tenho um carinho especial e que já trouxe aos meus escritos em algumas ocasiões), igualmente benfiquista e César Mourão, um humorista da nova geração e sportinguista. A missão do programa estava anunciada: reabilitar Roberto. Uma missão impossível, reconheciam os próprios!

Entre os diversos instrumentos de reabilitação surgiu um vídeo (terá sido o mesmo que venderam ao Rui Costa e ao Jesus?) com as famosas defesas do Roberto no Saragoça. Defesas atrás de defesas. Impressionante! Na maior parte das vezes a bola ia-lhe direitinha ao corpo…

Veio-me logo à cabeça um nome: Moreto!. É isso. Aí temos outro vez o Moreto. Só que desta vez chegou sem cenas no aeroporto! E o FCP deve andar distraído, o que também ajuda!

 

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