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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Tema da semana*

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Durante toda a semana Ricardo Robles, o ex-vereador da Câmara Municipal de Lisboa em representação do Bloco de Esquerda, tomou conta do espaço mediático. Ninguém mais lhe roubou a ribalta, nenhuma outra estrela brilhou tão alto.

mainstream reservou-lhe esse espaço. Nele convergiram duas linhas de fogo que, parecendo paralelas, se cruzam nalgumas circunstâncias. Foi o caso, agora.

De um lado, a linha do status quo dominante, que não podia perder a oportunidade de ricochetear tudo aquilo que nunca lhes atinge mais que a carapaça da indiferença. Que quis dar as boas vindas ao seu território de más práticas, mas sem poupar na hipocrisia, e sem dó nem piedade na hora de cobrir tudo com o mesmo manto. Do outro, a linha do “justiceirismo“ quixotesco que se atira à corrupção como a moinhos de vento, e que por de trás de tudo o que mexa não vê outra coisa que não poderosas e tenebrosas máquinas de corrompimento, sem perceberem que, metendo tudo no mesmo saco, tornam igual o que é diferente. Perdem o foco e até a credibilidade e o respeito, e matam à nascença o que de melhor lhe poderia assistir às intenções.

No meio do que uns e outros escreveram, disseram ou mandaram dizer pouco sobrou para a verdade do que realmente aconteceu. E, a meu ver, o que realmente aconteceu, foi que alguém, fazendo da campanha contra a especulação imobiliária uma bandeira, nela se enrolou para esconder um especulador de faca em punho, que acabou espetada nas costas do partido que o acolhera e que, ainda a quente e sem dar pelos golpes, se apressou a defendê-lo, como uma mãe defende um filho.

Tinha já perdido muito sangue quando reconheceu a facada. Afastou a faca, e a mão que ainda a segurava, e partiu para um longo período de convalescença.

Talvez as férias ajudem!

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

A notícia e o feminino

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Quando notícia é a onda de calor que aí vem, a prometer bater recordes de temperatura, o aumento extraordinário das pensões mais baixas, que hoje entra em vigor, Madona na capa da Vogue, cheia de Portugal (descansem almas penadas da lusa inveja, os lugares do estacionamento ficaram pagos, e bem pagos...) ou o avião que caiu no México (não, a notícia não é a queda do avião - já quase não é notícia - a notícia é que o avião caiu com 98 pessoas a bordo e não morreu ninguém), são ainda os (e)feitos de Ricardo Robles que, por cá, ocupam o topo da actualidade.

Percebia-se que não seria fácil fazer desaparecer o tema das primeira páginas. Não era preciso o "mea culpa" de Catarina Martins, mas a verdade é que ajudou. 

Quando ontem à noite, em entrevista à Ana Lourenço, na RTP 3, Catarina Martins admitiu o erro de análise e assumiu, com toda a frontalidade, que a "contradição era grande" e impeditiva da continuidade de Robles na autarquia, fez de novo notícia. Porque notícia, como se sabe, é o homem morder o cão. E Catarina Martins "mordeu o cão". De "cão a morder o homem" é o que faz a generalidade dos seus pares, incapaz de auto-crítica.

Vejo muito de feminino nesta nobreza da líder do Bloco. Não que a tese da infalibildade seja mais masculina que feminina, ou que o "mea culpa" - ou o recuo como chamam muitos dos jornais - tenha hoje alguma coisa a ver com a distinção de género na política, muito marcada por comportamentos padronizados. Mas porque o erro de avaliação de que se penitencia não é mais que a reacção feroz, primária e instintiva de defender um dos seus.

Nas primeiras notícias - e Catarina Martins diz que desconhecia o negócio do seu colega de partido, que só teve conhecimento pelas notícias dos jornais - viu um ataque a um dos seus, e nada mais que isso. E o seu instinto de defesa, diria que maternal, da fêmea que salta em protecção da cria, sobrepôs-se à lucidez da análise, induzindo-a no erro.

E isto é profunda, genuína e instintivamente feminino!

 

Tudo natural

Catarina Martins e Ricardo Robles, no comício deste sábado, na Mouraria. Foto de Paulete Matos.

 

Ficou, ontem ao fim do dia, a conhecer-se a natural demissão de Ricardo Robles do executivo da Câmara Municipal de Lisboa e dos cargos políticos que exercia no Bloco. Sabe-se agora que já no domingo tinha transmitido essa intenção à líder do partido, contra aquilo que tinha sido a posição da comissão política, que achava que não havia razão para nada disso, que tudo não passava de uma cabala da imprensa. Mesmo que Luís Fazenda tenha, logo depois e com estrondo, dado o dito por não dito.

Não há dúvida que o Bloco se espalhou ao comprido, e a partir de agora deixa de poder puxar por uma série de galões. Percebe-se que isso não desagrada particularmente ao mainstream, e percebe-se no ar alguma sensação de naturalidade: bem vindos ao sistema!

Por isso se diz que o Bloco perdeu finalmente a virgindade. Ou que entrou na idade adulta. Ou até quem lhe simplesmente lhe chame dores de crescimento... Tudo para apontar no sentido da normalidade.

Da  lei natural da vida. Que inexoravelmente acaba na morte!

 

 

 

 

 

Robles, pois claro...

 

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Também não podia passar ao lado do famoso caso Robles, que não sai de cima da mesa. Poder-se-ia dizer que é a silly season, e que, como não dá jeito falar do fogo que arde sem se ver - não, não é amor -  por esses hospitais adentro (inspiro-me em Francisco Louçã que, no Expresso, chama à agonia do Serviço Nacional de Saúde os fogos deste verão), a notícia é esta. Não há mais!

Mas não creio que seja só isso, não creio que a silly season explique tudo. Antes de mais quero dizer que sou dos que acham que a política deve ser a mais nobre das actividades, e que o seu exercício não é compaginável com desvios entre o que se apregoa e o que se pratica. Acho que a honestidade e a ética têm que presidir a todos os comportamentos, seja na política seja nos negócios. E que, por muito injusto que até possa ser, até porque a actividade política, qual pescadinha de rabo na boca, não é bem remunerada, acho que negócios e política devem ser como água e azeite. E, por último, que eu nunca exerceria profissionalmente actividade política, nem nunca executaria funções poíticas...

Dito isto, acho que já posso dizer que, não acontecendo nada do que acabei de dizer na política em Portugal, não é a silly season a responsável pelo sucesso noticioso da casa do Robles e da irmã. O que faz o sucesso desta notícia é que, não havendo nenhum crime, nenhuma ilegalidade, e sem nem sequer nada seja ilegítimo, ela serve para ser usada por quem que não sabe, nem se calhar quer, exercer actividade de política sem chafurdar na ilegalidade e até meter a mão no crime. O crime é que o negócio legal, e até, tanto quanto parece, legítimo, foi praticado por quem diz que aquilo não se deve fazer, mesmo que seja legal e legítimo fazê-lo. É esse o factor crítico de sucesso da notícia.

As ondas de choque no partido de Robles, dividido entre o "no pasa nada" (homenagem ao nuestro hermano Iglésias) e o "é inaceitável", ou "há que tirar conclusões", só lhe acrescentam mais uma pitadinha de sal e pimenta...

 

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