Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Deprimente - parte II

Rui Costa: "Benfica está a atravessar uma fase da época que não esperávamos"

A entrevista de ontem à noite, na TVI/CNNP, a Rui Costa é mais um exemplo da completa falência do jornalismo em Portugal. Já, nos mesmos moldes, e com os mesmos intérpretes, assim tinha sido, há precisamente um mês e uma semana, a deprimente "entrevista" a Luís Filipe Vieira, então com o parti pris apenas mais acintoso.

Seria difícil perceber outro objecto para a entrevista que não a re-candidatura do Presidente do Benfica às eleições daqui a um mês, mas não foi esse o que a benfiquista, de facção, Sandra Felgueiras, e o portista Joaquim Sousa Martins, prosseguiram. Nada disso. Sobre o projecto, a equipa, o programa eleitoral, enfim alguma coisa que tivesse a ver com o que Rui Costa tem para propor aos sócios do Benfica, nada. Roupa suja, chafurdice, isso sim. E, sim, com Rui Costa sem habilidade para se não deixar chafurdar.

Já o interrogatório entregue aos avençados da estação é uma absurda caldeirada de algazarra e incompetência, temperada com umas pitadas de oportunismo.

Mau de mais!

Rui Costa não tem culpa nenhuma disso. Mas também não tem mais para dar do que aquilo que deu ... para aquele peditório.

A decisão de Rui Costa

Oficial: Benfica anuncia José Mourinho como novo treinador

 

Independentemente do momento eleitoral no Benfica, o momento do futebol da equipa obrigava à tomada de decisões. "Entre a espada e a parede", ou na desconfortável posição de "preso por ter cão e por não ter cão", como por aqui já deixei escrito, Rui Costa tinha de tomar a decisão de despedir Bruno Lage, e tinha de tomar a decisão de contratar um treinador.

Como também já por aqui escrevi em repostas a alguns comentários, Rui Costa decidiu encurralar-se por becos sem saída. Depois disso, nunca lhe restaram com grandes alternativas.

Decidiu extemporaneamente renovar com Roger Schmidt. Depois de perceber o erro dessa decisão, voltou a errar não o despedindo oportunamente, no final da época, e decidindo arrancar para 2024/2025 com um treinador inferiorizado por resultados e exibições, e contestado pelo plantel. Teve de o despedir à quarta jornada do campeonato, no último dia de Agosto, mas já sem qualquer alternativa  que não ... Bruno Lage.

Rui Costa não tinha alternativa. Não é que não a houvesse. Haveria sempre, mas não para o perfil de Rui Costa, sem rasgo, sem ver mais além, sem capacidade de risco ... 

Bruno Lage dera-nos, a nós benfiquistas, as maiores alegrias dos nossos últimos anos. Mas também nos dera todas as razões para não o repetir.

Dera-nos a épica "remontada" de 2018/2019, numa segunda volta inesquecível, com 18 vitórias e um empate em 19 jogos, triunfos em todo o lado - Dragão,  Alvalade, Braga e Guimarães -, e um título nacional que nos fazia acreditar na hegemonia que LFV dinamitara ao abdicar do penta, que daria em hexa e hepta. Tinha lançado jogadores da formação, e lançado João Félix para o estrelato mundial. Deu-nos a goleada na Supertaça ao Sporting (5-0), a maior em dérbis nos últimos 35 anos, e que nos resgatava completamente dos maiores pesadelos nessa competição, no sinal de partida para a  extraordinária primeira volta de 2019-20, com 18 vitórias nos primeiros 19 jogos.

Depois disso, desses oito meses de 2019 distribuídos pelas duas épocas, todo o edifício desmoronou como um castelo de cartas, sem que ninguém percebesse exactamente como. Mais tarde, pela mão de Jorge Mendes, Bruno Lage foi parar a Wolverhampton. Arranque espectacular, com um futebol que era um regalo para a vista. De repente, do nada, o colapso total. Mais algum tempo depois, foi o Botafogo, nas trevas do futebol brasileiro. Novo arranque espectacular, com rápida liderança avantajada para, novamente de repente, o repetido colapso.

No regresso ao Benfica foi diferente. A exuberância já nunca voltou. Bruno Lage não aproveitou a oportunidade que se abriu com a saída de Rúben Amorim do Sporting, e com a desastrada passagem de João Pereira pelo comando do rival, mesmo com tudo o que sabemos que aconteceu, no campeonato, e na final da Taça. Ainda assim  ganhou ao rival a Taça da Liga, goleou o Porto, em casa e fora, passou por uma excelente participação na Champions, com uma notável goleada ao Atlético de Madrid, que levou o clube ao top dez do ranking da UEFA, e acabou numa participação honrosa no primeiro mundial de clubes.

Que que também terá contribuído para esconder tudo o que já vinha vindo à tona. 

Provavelmente, sem a interferência das arbitragens, e das restantes estruturas de poder de que Varandas se apropriou, o Benfica teria tido outros resultados, e conquistado até a dobradinha, e o comportamento de Bruno Lage teria sido diferente. Mas não foi assim, e Bruno Lage, que tinha passado boa parte do tempo a defender-se contra a falta de confiança, passou a restante a defender-se contra os insucessos e, pelo meio, pronto a lamber todas as botas calçadas por quem o pudesse segurar.

É claro que o tempo é factor de desgaste de Bruno Lage. Entra bem, depois esgota-se. E as equipas que comanda caem. A pique, na maioria das vezes. O que o Benfica demonstrou neste início da época nem foi bem isso. Alternou jogos razoáveis no apuramento para a Champions, e na Supertaça, que conquistou ao Sporting, com jogos deprimentes no arranque da Liga.

Atentando ao percurso de Bruno Lage parece fácil concluir que perde o grupo. Que não tem capacidade de liderança, seja para manter o grupo focado e empenhado nos resultados, seja para o manter unido em torno de objectivos. Quem olha para os últimos dois jogos, com o Santa Clara e o Qarabag, percebe facilmente que perdeu os jogadores. Que todos parecem pior que quando chegaram, sem que nenhum se tenha visto crescer.

Rui Costa repetiu com Bruno Lage o que fizera com Schmidt. Voltou a entrar no beco. E voltou a não ter alternativa. Desta vez, por todas as circunstâncias, a José Mourinho. Não é, novamente, que não a houvesse. Só que, para o mesmo Rui Costa, e agora na luta pela sobrevivência, por maioria de razão não havia.

Era, não sei se sou dos muitos, se dos poucos, benfiquistas que não concordou com esta decisão de Rui Costa. Era dos que vêm em Mourinho o copo meio vazio. Agora, que Mourinho é o treinador do Benfica, é o meu treinador. E o copo meio vazio, está agora cheio.

Eliminei todos os riscos da contratação de Mourinho, mesmo que já se tenha percebido que, ao contrário do que quiseram fazer crer, o segundo dos dois anos de contrato é mesmo para valer, com direito a indemnização e tudo. A cláusula de rescisão pode não ter em absoluta consideração as circunstâncias eleitorais do clube (é curioso que volte um quarto de século depois em circunstâncias semelhantes), e que a sua "especialidade" se reduza à reciprocidade, por ventura à luz dessas coisas da selecção nacional. Já me esqueci do futebol pouco atraente, defensivo e resultadista, para guardar na memória a apresentação como treinador do Benfica de um Mourinho maduro, mas emotivo. Emocionado com a grandeza do Benfica e com o benfiquismo. Benfiquista, como se desconfiava. E ambicioso, como um jovem.

Não espero um Benfica a jogar um futebol empolgante. Não espero uma equipa demolidora, capaz de arrasar todos os adversários, goleadora, a espalhar perfume pelos relvados. Mas espero uma equipa rigorosa e competente, com jogadores empenhados, e capaz de, a bem ou a mal, ganhar. E tenho uma certeza: com José Mourinho no banco, e nas salas de imprensa, os árbitros, e a comunicação social, dois dos agentes que nos últimos anos mais o têm prejudicado, e gozado, vão passar a respeitar o Benfica!

Comunicado do SL Benfica

Comunicado: Benfica arrasa Conselho de Disciplina!

O Benfica emitiu finalmente um comunicado digno da sua dimensão e minimamente em linha com a gravidade dos factos.

Faltou-lhe, ainda assim, no ponto 1, exigir a irradiação de toda aquela gente. Acrescentar a decisão de protestar do jogo, e a exigência da sua repetição. E acrescentar ainda, a complementar o sétimo e último ponto, que qualquer tentativa de retaliação da Federação Portuguesa de Futebol sobre a indisponibilidade do Estádio da Luz para as selecções, "enquanto a verdade desportiva não prevalecer nas competições nacionais", levaria o Clube a ponderar abdicar das competições nacionais.

Foi, por incompetência do Departamento de Comunicação - fez mais o João Gabriel num "twit" de ontem que toda a comunicação no mandato de Rui Costa -, e por falta de liderança e de rumo desta Direcção, tardia e incompleta a reacção que há muito se exigia. A ser mais oportuna, bem poderia ter evitado o assalto, decisivo e descarado, dos últimos dois meses. Quando tudo ainda havia para ganhar!

Dir-se-á que "mais vale tarde do que nunca". É bem capaz de ser mais acertado dizer que, não houvesse eleições em Outubro, e ainda nem seria desta.

 

Deixemo-nos de hipocrisias

Cortejo fúnebre vai passar pelo Dragão. Quem Pinto da Costa queria e não  queria no seu funeral

Vê-se por aí mestres da hipocrisia a perorar sobre a falta de reacção oficial do Benfica e do Sporting à morte de Pinto da Costa.

Sobre o Sporting não tenho que me pronunciar, mas há que dizer que Benfica e Porto estão oficialmente de relações cortadas. Na ausência de relações oficiais, não é suposto que o Benfica se dirija oficialmente ao FCP.  É tão somente natural. Anormal seria que o fizesse.

O resto é a hipocrisia reinante, em todo o seu esplendor por estes dias.

Alguns, compreendendo isto, dizem que caberia ao Presidente Rui Costa, em termos pessoais, manifestar-se publicamente. Nada mais errado: pessoalmente quer dizer no estrito âmbito da sua relação pessoal, que é tão só uma relação entre pessoas. Não com instituições.

Na eventualidade de haver alguma relação pessoal que levasse Rui Costa a apresentar condolências, essas seriam dirigidas aos familiares de Pinto da Costa. Evidentemente em privado, que é o domínio das relações pessoais. 

Equívocos

 Rui Costa ainda falou com Bruno Lage - Benfica - Jornal Record

Ontem disse aqui que era preciso uma explicação. Não terá sido por isso que Rui Costa, sentado na primeira fila, obrigou Bruno Lage à conferência de imprensa, hoje. 

Se não foi por isso, também não foi para isso. Para explicar coisa nenhuma. Como cantava o Zeca, o que é preciso é animar a malta. Nem que seja com equívocos.

Rui Costa voltou a fugir com o rabo à seringa, e equivocou-se, pensando que Bruno Lage o safava. Bruno Lage, com o equívoco aberto, entrou por ele dentro, a toda a velocidade: "malta, o que é preciso é o vosso apoio, do resto trato eu". Isto é, a confirmação oficial e solene do "se eu tiver o vosso apoio vou resolver esta merda".

O equívoco de Lage não é a falta de conteúdo da lamentável mensagem. O grande equívoco de Lage está em pedir apoio aos adeptos, sem perceber que só eles nunca faltam ao Benfica. Que enchem sucessivamente a Luz, e esgotam todos os campos do país onde a equipa jogue.

O que falta ao Benfica não é apoio dos adeptos. Falta é gente que faça mais alguma coisa que simplesmente tentar a safar a pele!

Prazos

Benfica Roger Schmidt Chegada Contrato Clube - SL Benfica

Os adeptos benfiquistas ansiavam pela saída de Schmidt. Todos sabem - sabemos - que, no entanto, a saída do treinador alemão pouco resolve. É um penso numa ferida a sangrar, que tapa o sangue á vista mas não cura nada. Mesmo os que há muito tempo cortaram a sua relação com o ex-treinador do Benfica, e que há muito tempo sabiam que mantê-lo só piorava, sabem que nada ficou resolvido.

Sabem - sabemos todos - que quem quer que aí venha entrará sob desconfiança. Se nunca houve treinadores unânimes, nesta altura não há sequer um nome que possa ser minimamente consensual. E isso tem menos a ver com o nome do treinador - não havendo um grande lote de nomes disponíveis, no sentido da disponibilidade própria, no das finanças do clube, e no da própria credibilidade do actual projecto do Benfica, também não se poderá dizer que não haja uma pequena lista de nomes onde encontrar um mínimo de condições para o exercício da função - do que com a depressão instalada no Benfica, consequência da desorientação geral que se foi instalando nos últimos largos anos na cúpula da "Instituição".

Do esgotamento de um modelo que, depois de ter chegado a "estar 10 anos à frente dos outros", se deslumbrou consigo próprio. E, de repente, ficou "dez anos" atrás. 

O Benfica chegou a este estado precisamente por deslumbramento. Vieira deslumbrou-se, mais com o poder que com o sucesso. Rui Costa deslumbrou-se com bem menos, apenas com uma miragem. Não a miragem do poder, que nunca teve, nem tem condições para ter. A miragem do sucesso na escolha de um treinador, que chegou com um soundbyte  - "quem ama o futebol ama o Benfica" - tão empolgante quanto o futebol que começou por apresentar.

Vieira deslumbrou-se como um soberano absolutista. Rui Costa como uma criança!

Agora não há grande volta a dar. O novo treinador virá a prazo, como a prazo está Rui Costa. Já sem razões para deslumbramentos, ao menos que Rui Costa se não confunda agora nos prazos.

 

Vuelta 2023 - Rui Costa de "vuelta"

Vuelta: Rui Costa vence a 15ª etapa da Volta a Espanha

A décima quinta etapa, corrida hoje entre Pamplona e Lekunberri, fechava a segunda semana da Vuelta. Mas não era isso que a tornava desejada pelos adeptos portugueses do ciclismo. Era porque, acreditávamos, tinha um traçado - de altos e baixos, numa espécie de montanha russa - à medida de Rui Costa, o campeão português no ocaso da carreira, e esquecido pelos feitos de João Almeida.  

Há 10 anos fez História. Foi campeão do mundo. Ganhou a Volta à Suíça e ganhou duas etapas no Tour. À porta dos 37 anos, ia em 10 sem resultados à altura do seu estatuto de grande do ciclismo mundial. Havia como que uma certeza que esta etapa estava marcada na sua agenda como a etapa a ganhar.

Ontem havia entrado na fuga certa, donde tinha saído o recital de Evenepoel. Quando abdicou deixara logo a ideia de ter sido um ensaio para hoje. E que teria decidido reservar as forças justamente para hoje. E assim foi. Agarrou a fuga do dia, de novo com o campeão belga empenhado em continuar a demonstrar que o Tourmalet não passou de um acidente em que o ciclismo é fértil. Já perto da meta, mas nem tão perto assim, saiu para a vitória, levando o espanhol Buitrago na roda. Só quis isso mesmo o espanhol. Não cooperou, apesar dos apelos do Rui Costa, e esse desafio fez com que o alemão Leonard Kamna, o mais rápido, e por isso mais perigoso adversário, se lhes juntasse, já à entrada do último quilómetro. Repetiu-se, agora a três, o que já tinha acontecido com o espanhol. Se antes se mediam a dois, agora mediam-se a três. E isso ia dando mau resultado, já que o grupo de Evenepoel se aproximava a olhos vistos. 

Rui Costa sentiu o perigo e deu uma sapatada. Os outros dois reagiram, e foi o suficiente para a evitar a chegada do grupo, e chegarem os três aos últimos metros. Buitrago, com mais dificuldades de ponta final, foi o primeiro a atacar. O alemão respondeu, e parecia ter barrado o caminho ao corredor português. Mas Rui Costa guinou para a direita e encontrou o buraco para, em cima da meta, por meia roda, ganhar.

Voltar a ganhar, 10 anos depois numa grande volta. E voltar a lembrar ao mundo o seu nome. Ainda grande!

Tour 2023 - FIM

Terminou o Tour2023 e agora é mesmo oficial: Vingegaard sagra-se bicampeão ao conquistar 110.ª edição

E pronto, desceu o pano sobre o 110º Tour. Nos Campos Elísios, como habitualmente. Mas como não será para o ano, com Paris por conta dos Jogos Olímpicos.

Na meta, Meeus fechou uns milímetros à frente do compatriota Philipsen, o rei dos sprints, e camisola verde, e do neerlandês Dylan Groenewegen, em terceiro. 

Com o prémio da montanha ontem arrumado, todas as classificações estavam já todas fechadas. No pódio, com Vinguegaard de amarelo, e Pogacar de branco (juventude) ficou Adam Yates. Por lá passaram ainda Philipsen, com a camisola verde (dos pontos) e Giccone, com a das bolinhas vermelhas (da montanha). E todos os colegas de Vingegaard na Jumbo, que ganhou por equipas.

Todos, não. Faltou Van Aert, o mais espectacular deste Tour. São muitas as imagens que dele ficam, porque ele esteve em todo o lado. Uma, no entanto, ficará gravada na memória de todos os que viram. Conta-se rapidamente: subiam-se as montanhas do Monte Branco e Van Aert terminava o seu trabalho na frente. Ficou para trás, e chegou mesmo a parar em cima da bicicleta, acabando amparado por um espectador, e desapareceu das câmaras. Para a frente do grupo passou Raphal Majca, o companheiro de Pogacar para impor o ritmo que colocasse Vingegaard em dificuldades. De repente, vindo não se sabe de onde, Van Aert estava ao seu lado, a voltar a pegar na corrida e a acabar (literalmente) com Majca, deixando Pogacar sem qualquer ajuda.

Faltou Van Aert porque há três dias foi embora, para assistir ao nascimento do seu segundo filho. Como tinha avisado desde o início. 

Espectacular, até nisto!

Espectacular não foi o desempenho dos corredores portugueses. Pelo contrário, foi bem discreto. Rúben Guerreiro foi o que mais deu nas vistas, mas acabou fora da corrida, vítima daquela queda colectiva na 14ª etapa, que provocou a neutralização de meia hora. Nelson Oliveira (53º, a 3 horas e 8 minutos de Vinguegaard) e Rui Costa (67º, com mais 30 minutos) ainda chegaram a integrar uma fuga, mas sempre sem qualquer impacto. Na realidade, só hoje, nas últimas voltas (de 7 quilómetros) aos Campos Elísios, se conseguiu ver o Nelson naquela fuga a três que acabou fracassada já na última volta, à beira do último quilómetro.

(In)capacidade de decisão

Rui Costa ganha importãncia com a chegada de Jorge Jesus | TerceiroAnel.blog

A notícia da demissão de Jorge Jesus surgiu logo pela manhã. Que o treino, o primeiro desde o jogo da última quinta-feira no Dragão, foi cancelado e que os jogadores regressaram às suas casas, não há dúvidas. As câmaras das televisões mostraram-no. Do resto, oficialmente, ainda nada se sabe. Sabe-se que Rui Costa chegou ao Seixal às 10 horas, o que, se não disser muito, diz que é tarde para o que se vive no Benfica.

E sabe-se que, se hoje é, finalmente, o dia do adeus definitivo de Jorge Jesus ao Benfica, é também o primeiro dia do resto da presidência de Rui Costa. É o dia em que - só não vê quem não quer ver, mais uma vez - Rui Costa deixa à mostra que não tem capacidade de liderança para ser Presidente do Benfica. Não há líder sem capacidade de decisão. Um líder pode não ter grandes competências, nunca pode é não ser capaz de decidir!

Rui Costa foi um dos maiores jogadores de futebol da História, com uma carreira ao mais alto nível. E está há uma dúzia de anos na estrutura directiva do Benfica, os últimos dos quais em declarada preparação para assumir a presidência natural do clube. Percebeu - tinha de perceber! -o rumo de destruição em que caiu futebol da equipa. E dispôs-se a simplesmente assistir.  Com toda a experiência de jogador e dirigente, e perante a realidade da equipa e do treinador, sabia, como todos sabíamos, que, se dependesse dos jogadores, Jorge Jesus já lá não estaria há muito. Ao permitir que estes dois jogos com o Porto do final de ano se transformassem na decisão do futuro do treinador, Rui Costa entregava nas mãos dos jogadores a decisão que só a ele cabia. Bastava-lhe jogar como jogaram o primeiro dos dois jogos no Dragão. E, se não bastasse o primeiro, haveria ainda um segundo para fazer o mesmo. Depois, ao não intervir no que se seguiu ao jogo de quinta-feira passada, deixou nas mãos de Jorge Jesus a decisão que nunca tomou.

Para um líder, uma não decisão é sempre muito pior que uma má decisão. A não decisão de Rui Costa resultou no achincalhamento do Benfica. No campo, na última quinta-feira no Dragão. E na praça pública, com um inacreditável encontro público do treinador com os dirigentes do Flamengo, a dois dias de um jogo decisivo. E com uma equipa toda uma semana sem treinar entre dois jogos que decidem uma época!

Disto, nunca mais Rui Costa se vai libertar. E o Benfica, sabe-se lá quando ... 

Os benfiquistas percebem que há muito não há um projecto para o futebol. E que esse projecto só é possível depois de uma completa vassourada nos técnicos, nos dirigentes e até no balneário. E que isso só se faz com capacidade de decisão e liderança indiscutível, atributos que Rui Costa acaba de mostrar que não possui.

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2025
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2024
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2023
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2022
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2021
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2020
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2019
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2018
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2017
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2016
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2015
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2014
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2013
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2012
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2011
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2010
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics