Dulcineia numa espiral de euforia
Passos Coelho continua a surpreender toda a gente ao continuar a negar a realidade e a chamar pelo diabo, deixando a ideia de cada vez mais isolado, entrincheirado numa espécie de resistência quixostesca.
A entrevista à SIC, na semana passada, puxou pelo D. Quixote que há em Passos. E puxou tanto que trouxe agarrada a Dulcineia, travestida de Rui Ramos. Não faltam preciosidades à preciosa Dulcineia, que acha que hoje o país vive uma espiral de euforia mais perniciosa que a espiral recessiva dos tempos do seu nobre cavaleiro. E que não tem dúvidas que o facto de o país estar melhor é, não só uma, mas a maior vitória de Passos Coelho.
É "pelos três anos de ajustamento, em que só ele acreditou", que o país hoje está, mais do que melhor, eufórico. Só os mais de 4 anos - que, de tão bons, a Dulcineia pareceram apenas 3 - de empobrecimento, de desregulação social, de agravamento das desigualdades, e de inércia sobre o sistema financeiro, a correr alegremente para o abismo, permitiriam - afinal - que um governo que não ganhou eleições - aí está o Moínho das Tormentas - trouxesse aos portugueses, mais do que a simples alegria de viver, uma "espiral de euforia".
Força D. Quixote, continua determinado na tua trincheira, que a tua Dulcineia cá continua à tua espera. E vai olhando pelo Rocinante, que o Sancho Pança não dá para esse peditório e há muito que deu à sola...