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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

É difícil, mas pode sempre fazer-se pior...

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Fica-me clara, a mim e à generalidade dos portugueses, a avaliar pelos resultados das sondagens, a ideia que dificilmente o PSD poderia fazer pior nas últimas semanas desta campanha eleitoral. Só assim se percebe que no início oficial da campanha tenha estado empatado com o seu principal adversário e que agora o veja a fugir, e já à distância de 10 pontos. Mesmo que não seja apenas por isso que o partido no governo vá ganhar umas eleições que invariavelmente penalizam quem está no poder...

Assistimos neste momento final da campanha eleitoral à maior desorientação por que que já se viu passar um partido de poder. Ontem, depois de Passos e de Ferreira Leite nas vésperas, foi a vez de surgir Luís Filipe Meneses. E que veio ele acrescentar?

Serviu para introduzir o tema das desavenças com as anteriores lideranças, lançando o mote para Paulo Rangel lançar o sound byte do PS unipessoal. Logo ele, de quem Rui Rio fugiu o tempo todo para que em nenhuma circunstância se pudessem sequer cruzar...

Rui Rio que já diz que tudo o que seja acima dos 20% (desmontando os resultados da coligação, e atribuindo ao CDS um valor eleitoral de 7%) de Passos Coelho de há cinco anos, é um bom resultado. É crescer!

Hoje chega Francisco Pinto Balsemão. Não vem a tempo de pôr ordem em coisa nenhuma... Mas pode sempre piorar.

 

 

Manual de política portuguesa

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Este fim de semana constitui um manual teórico-prático da forma de fazer política em Portugal.

António Costa percebeu depressa que a atitude suicidária do PSD e do CDS, na aprovação do projecto de contagem do tempo total dos professores, lhe abria uma oportunidade única de inverter toda uma situação adversa, onde tanta coisa estava a correr tão mal. Ainda na sexta-feira, como era de esperar, carregou nas cores do dramatismo, foi de urgência a Belém e, cavalgando a irresponsabilidade da oposição à direita, ameaçou com a demissão.

 PSD e CDS saltaram a acusar António Costa de chantagem, gritando aos sete ventos que não havia impacto orçamental. Que nem um cêntimo a mais representava. Só no sábado os dois partidos cairam em si, e perceberam o impacto do seu tiro no pé. E no domingo apareceram a roer a corda: Cristas, primeiro, e Rui Rio, depois, e depois 48 horas "desaparecido em combate". Ambos com o mesmo e fantástico argumento. Ambos dizendo agora que não aprovarão a lei na generalidade se nela não constarem condições de sustentabilidade e de salvaguarda do equilíbrio financeiro, que impeçam qualquer impacto orçamental. 

Que não existem no documento que aprovaram. Mas, pior, que ainda no dia anterior davam por absolutamente desnecessário. Se o que aprovaram não acrescentava um cêntimo à despesa, para quê condições de salvaguarda do equilíbrio financeiro? Não se restringe o que não existe!

Está aqui tudo o que é a política portuguesa: oportunismo, mentira, demagogia, farsa e falta de vergonha!

Quem primeiro alça...

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A História do PSD não foge disto: ou está confortavelmente sentado à mesa do poder, e vive na paz dos anjos, com toda a gente feliz e contente como uma família em completa harmonia  (a excepção de Pacheco Pereira é só para confirmar a regra); ou, caso contrário, se tem que cheirar de longe a mesa ocupada pelo rival, revela-se no saco de gatos que nunca deixou de ser.

Sem poder, não há líder que resista, venha de onde vier, acabando todos a provar do seu próprio veneno. Rui Rio esperou anos a fio para lá chegar, numa sólida estratégia de conquista do poder. Começou por criar uma aura messiânica para, a partir dela, construir pacientemente, gerindo aproximações e afastamentos, o mito do desejado que, numa qualquer manhã de nevoeiro, lhe haveria de garantir a unanimidade, dentro e fora do partido. E manhãs de nevoeiro, sabia bem, não faltam neste nosso cantinho... Mas nem assim resultou!

E lá está de novo o PSD em guerra civil, na sua História de autofagia onde tudo faz lembrar o Sporting... Até a convocação de um Conselho Nacional destitutivo, no primeiro passo de Luís Montenegro, o rosto do intocável aparelho do sportinguista Miguel Relvas. Porque nestas histórias "quem primeiro alça, primeiro calça"!

Como Frederico Varandas mostrou, há poucos meses ...

 

Tema da semana*

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Tenho para mim que, como a natureza tem horror ao vazio, a política tem horror à seriedade e à ética.

Sempre que alguém aparece na política a invocá-las … corre mal. Há sempre alguma coisa que salta das entranhas da política para lhe dar cabo das ideias.

Repare-se em Rui Rio. Tenho-o, como - creio – a generalidade das pessoas, por uma pessoa séria, que coloca a honra e a honestidade no topo da sua pirâmide de valores. Fez disso, e de uma auréola de competência e de independência, trazida da presidência da Câmara Municipal do Porto, os atributos de legitimação das suas ambições políticas. E chegou, assim, à liderança do maior partido português (na perspectiva da representação parlamentar), anunciando um banho de ética.

A primeira coisa que fez foi escolher para Secretário-Geral do partido, o responsável pelo funcionamento da máquina partidária, Feliciano Barreiras Duarte, logo à perna com uma série de aldrabices curriculares muito próprias dos aldrabões, especialmente na política. Como se não bastasse, logo a seguir, foi denunciado por aldrabice na morada, muito comum na actividade política, onde as pessoas não moram onde moram mas onde dá mais subsídio morar.     

Depois de deixar que o problema se arrastasse de forma penosa durante tempo de mais, sempre a tentar justificar o injustificável, Rui Rio substituiu-o por José Silvano, trocando um carreirista dos corredores do partido por um transmontano rijo e sério.

Deu no que deu. Só não aldrabou na morada porque não precisava. De resto, valeu tudo. E Rui Rio volta a assobiar para o lado, chamando-lhes “questiúnculas” de “pequena política”, encharcado até aos ossos pela água suja do seu banho de ética.

É isto: a política tem horror à seriedade e à ética, o mesmo que Aristóteles descobriu na natureza pelo vazio.  

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Fora de prazo

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Rui Rio, metido em mais um beco sem saída, desta vez no beco do Silvano, diz que a sua palavra não é como o iogurte. 

Pode não ser, a validade o iogurte é mesmo muito curta. O problema de Rui Rio pode não ser de validade, mas de prescrição. O Rui Rio que enfrentou o PS do Porto, e que se impôs ao poder do FCP e de Pinto da Costa, prescreveu ao fim de uma década... 

A importância do regime

 Foto: JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

 

Os célebres e celebrados acordos entre o PS e o PSD - ou será entre António Costa e Rui Rio? -, que tanta agitação estão a gerar, à esquerda e à dreita, em especial no próprio (ou no próximo?) PSD, como Luís Montenegro se apressou a confirmar, não visam mais que a confirmação do regime. E daí a benção do presidente Marcelo... 

Não significam que venha aí um governo do bloco central, nem sequer a consensualização das grandes opções políticas para o país. O que foi objecto de acordo é aquilo em que estamos todos de acordo - basicamente em pedir mais dinheiro à União Europeia. Mas asseguram que a governação nunca pisará o risco das linhas demarcadas pelo bloco central. Que são as que constituem o desenho do regime.

Para António Costa é bom porque lhe permite continuar a desfrutar da maioria de esquerda, sem dúvida a sua mais sólida base de apoio eleitoral para manter o poder. É como que a institucionalização da actual fórmula governativa, quase garantindo a quadratura do círculo. Diz à esquerda: "Bom, vocês sabem até onde é que podemos ir. Façam lá como entenderem, mas não se excedam". E à direita: "O regime está defendido, nunca estará em causa. Por isso, naquilo que é sagrado para a sua defesa, contamos convosco. Não podem esperar que seja competência dos nossos aliados de governação defender aquilo que nos compete a nós defender".

Rui Rio, podendo às vezes até parecer um opositor ao regime, sabe que a questão do regime é central para o PSD, e sabe que, por isso, fundamental é criar uma barreira de segurança entre o PS e a sua esquerda, e não uma barreira entre os dois, como Passos e a sua tropa entendiam. À margem do regime o PSD corre o risco de se tornar irrelevante.

Não sei se Luís Montenegro partilha desta perspectiva. Mas sei que precisa de dizer essas coisas para se manter na frente da linha para onde correu a chegar-se.

Mais do mesmo

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Temos cada vez mais diifculdade em perceber o que é a ética. Pelo menos na política.

Repare-se: Rui Rio apresentou-se como o paladino da ética, o homem que devolvia a seriedade à política, acima de qualquer suspeita. Mas começou a construir a sua liderança, logo nas eleições internas, em cima do caciquismo de Salvador Malheiro, premiando-o depois com a elevação ao topo da hierarquia partidária, de quem fez "o seu" Marco António Costa. E agora desvaloriza a fraudulenta viciação do cúrriculo do seu Secretário Geral  - não há volta  a dar, no PSD é muito difícil resistir à tentação de "armar ao pingarelho" académico - que o próprio Marques Mendes entende (como a Ordem dos Advogados já fizera público) dever ser objecto de intervenção do Ministério Público. O que para o político comentador, tal como para a Universidade usada, que denunciou o abuso, tem gravidade criminal, para o supra sumo da ética, não passa de um simples "aspecto do currículo de Barreiras Duarte que estava  a mais". Sem importância nenhuma. Já está corrigido, e não se fala mais nisso.

Já não sei se é Rui Rio que não tem muita sorte com as escolhas que faz, ou se é mesmo assim. Mais do mesmo, e cada vez pior!

Ideias falhadas

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Percebeu-se o esforço de tentar fazer sair do Congresso do PSD a ideia de unidade do partido. Do partido como um todo e do partido à volta do novo líder.

Santana Lopes foi o pivot desse processo. Quase que apareceu no Congresso como se tivesse sido ele a ganhar as directas. Baralhou, partiu e deu. E, claro, ficou com as melhores cartas... Nesse aspecto foi um congresso "à antiga", e sabe-se como Santana Lopes gosta disso.

Mas não resultou. NInguém ficou com a ideia que o PSD tenha saído deste congresso unido e com uma liderança forte e duradoura. Antes pelo contrário. Ficou a ideia de um saco de gatos assanhados onde tudo vai valer. Luís Montenegro puxou logo ali da faca, e não a vai voltar a pousar na baínha. E Rui Rio, com a meteórica ascensão de Elina Fraga (confessem lá: quem é que sabia que a senhora era do PSD? Não pensavam todos que era do partido do Marinho Pinto, se é que ainda existe?) não cedeu ao populismo, como diz Marques Mendes, cedeu à vingança. Foi uma facada nas costas do Passismo!

Mas, se o Congresso não conseguiu sequer deixar a ideia de um partido pacificado (quanto mais unido), também a ideia de um partido regenerado por uma liderança asséptica morre na fotografia do novo líder ladeado, à direita, pela imagem do populismo justiceiro e, à esquerda, pela do oportunismo promíscuo. Com Elina Fraga de um lado e José Luís Arnaut do outro, a ética de Rui Rio não cabe na fotografia!

Coisas do diabo

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A vitória de Rui Rio começou de imediato a produzir efeitos. Ou, talvez melhor, declarações.

Primeiro foi Manuela Ferreira Leite, a quem muita esquerda começara a afeiçoar-se, a dizer que o "PSD deve vender a alma ao diabo para pôr a esquerda na rua". Nem sei o que mais impressiona - se o balde de água gelada que despejou em cima dos seus mais recentes camaradas, se a dificuldade de o PSD se libertar do diabo. Se, chamado por Passos, não veio, pode ser que venha agora para lhe ficar com a alma. Comprando, é claro...      

Depois, logo a seguir, veio Assunção Cristas  dizer que “mais importante do que saber quem fica em primeiro lugar nas eleições, o que é importante é saber que partidos é que é que conseguem ter uma maioria parlamentar de, no mínimo, 116 deputados”. Aqui sei bem o que mais impressiona. Mais que o reconhecimento da legitimidade do actual governo, e o abandono de Passos, deixando-o sozinho na tese da usurpação do poder, mais que mais um negócio de alma com o diabo, impressiona que esta declaraçao não tenha impressionado a generalidade da comunicação social.

Mais que desviarem-se desta declaração como quem se desvia de qualquer coisa sem importância, abandonada na beira da estrada, fugiram dela como o diabo foge da cruz!

 

 

 

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