Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Rio a caminho da foz

 

Rui Rio acabou com o tabu que não existia e anunciou a recandidatura à liderança do PSD. Bem anunciada, e no momento certo. Esperou que os adversários saíssem da toca, aparecessem e dissessem ao que vinham. Depois de lhes tirar as medidas, anunciou o que não poderia deixar de anunciar e fechou o lote de candidaturas às directas de Janeiro. E já ninguém o poder acusar de demorar mais tempo a tomar a decisão que António Costa a formar um governo... Que ontem ficou também concluído, com mais 50 Secretários de Estado. Se o tamanho importa...

Anunciou que não o fazia por interesse pessoal mas pela obrigação de "impedir um PSD de perfil eminentemente liberal", liderado pelo "cinismo e a hipocrisia do politicamente correto" e tomado por "grupos organizados e pouco transparentes". 

Nem mais. Os adversários, com muito pouco para dizer e nada para acrescentar, não lhe exigiam mais. Perdoam-se-lhe até os eufemismos ... E aproveitou para anunciar que até ao congresso - e obviamente até às directas, que o antecedem - acumularia com a liderança parlamentar. Voltou a acertar, o palco parlamentar e os debates com o primeiro-ministro, garantem-lhe suficientes ganhos de visibilidade para os adversários. 

Desta vez Rio está a fazer as coisas bem... Pelo menos corre a caminho da foz, seja lá ela no centro ou lá onde for...

 

 

O debate... e as pequenas coisas

Resultado de imagem para debate costa rio

 

Não sei se Rui Rio ganhou o debate - e até tendo a achar que sim, na medida em que superou as expectativas gerais - mas não tenho dúvida que ganhou o pós-debate: "combinamos que não falaríamos no fim, e eu cumpro"!

António Costa veio depois e falou. E por isso perdeu. Não cumpriu!

Sabe-se que a nossa política não prima pela valorização do cumprimento. Mas, ao falar - rompendo um compromisso - sem dizer nada, Costa perdeu mesmo! 

Acho eu... que valorizo estas pequenas coisas... Nem sempre assim tão pequenas, mas enfim...

Diálogos curtos

Resultado de imagem para diálogos curtos

 

- Rui Rio afirmou que não se sente particularmente entusiasmado pela função de deputado. Está a dar mais um tiro no pé?

- Não. Está a ser totalmente sincero, e a reproduzir mais um momento de honestidade.

- E isso é bom para a política?

- Claro que não. Por isso é que, a seguir, haverá de vir dizer que não foi nada disso que disse...

"Optimista e superficial"

Resultado de imagem para marcelo e rui rio

 

Fosse para agitar as águas, fosse para reforçar ainda mais o espaço para a sua recandidatura, o Presidente Marcelo falou de crise na direita, admitindo a "forte possibilidade de haver uma crise na direita portuguesa nos próximos anos" que a arrede do poder por muito tempo.

Fosse para se fazer desentendido, e continuar a assobiar para o lado como que não seja nada com ele, fosse porque não percebe mesmo nada do que se diz e nem nada do que se passa, Rui Rio achou-o "optimista e superficial". O "superficial" compreende-se. Serve para desvalorizar. E, seja para continuar a assobiar para o lado, seja para disfarçar as suas insuficiências de percepção, Rui Rio precisa mesmo de desvalorizar os conteúdos críticos.  O "optimista" é que não há mesmo forma de compreender. 

Das duas, uma: ou Rui Rio falou para não estar calado, e mais uma uma vez "nem as pensa", ou, ao dizer que o Presidente é optimista ao prever que PSD e CDS estão condenados a um longo jejum de poder, tem claro na sua mente que o cenário, para a direita portuguesa, é de mera sobrevivência. Pior que ficar afastada do poder por muito anos só mesmo desaparecer da esfera do poder!

Parece-me que não será assim tanto. Que Rui Rio é que, depois de se tornar irrelevante, está agora em vias de desaparecimento... 

 

 

É difícil, mas pode sempre fazer-se pior...

Resultado de imagem para luís filipe menezes na campanha eleitoral nas europeias 2019

 

Fica-me clara, a mim e à generalidade dos portugueses, a avaliar pelos resultados das sondagens, a ideia que dificilmente o PSD poderia fazer pior nas últimas semanas desta campanha eleitoral. Só assim se percebe que no início oficial da campanha tenha estado empatado com o seu principal adversário e que agora o veja a fugir, e já à distância de 10 pontos. Mesmo que não seja apenas por isso que o partido no governo vá ganhar umas eleições que invariavelmente penalizam quem está no poder...

Assistimos neste momento final da campanha eleitoral à maior desorientação por que que já se viu passar um partido de poder. Ontem, depois de Passos e de Ferreira Leite nas vésperas, foi a vez de surgir Luís Filipe Meneses. E que veio ele acrescentar?

Serviu para introduzir o tema das desavenças com as anteriores lideranças, lançando o mote para Paulo Rangel lançar o sound byte do PS unipessoal. Logo ele, de quem Rui Rio fugiu o tempo todo para que em nenhuma circunstância se pudessem sequer cruzar...

Rui Rio que já diz que tudo o que seja acima dos 20% (desmontando os resultados da coligação, e atribuindo ao CDS um valor eleitoral de 7%) de Passos Coelho de há cinco anos, é um bom resultado. É crescer!

Hoje chega Francisco Pinto Balsemão. Não vem a tempo de pôr ordem em coisa nenhuma... Mas pode sempre piorar.

 

 

Manual de política portuguesa

Imagem relacionada

 

Este fim de semana constitui um manual teórico-prático da forma de fazer política em Portugal.

António Costa percebeu depressa que a atitude suicidária do PSD e do CDS, na aprovação do projecto de contagem do tempo total dos professores, lhe abria uma oportunidade única de inverter toda uma situação adversa, onde tanta coisa estava a correr tão mal. Ainda na sexta-feira, como era de esperar, carregou nas cores do dramatismo, foi de urgência a Belém e, cavalgando a irresponsabilidade da oposição à direita, ameaçou com a demissão.

 PSD e CDS saltaram a acusar António Costa de chantagem, gritando aos sete ventos que não havia impacto orçamental. Que nem um cêntimo a mais representava. Só no sábado os dois partidos cairam em si, e perceberam o impacto do seu tiro no pé. E no domingo apareceram a roer a corda: Cristas, primeiro, e Rui Rio, depois, e depois 48 horas "desaparecido em combate". Ambos com o mesmo e fantástico argumento. Ambos dizendo agora que não aprovarão a lei na generalidade se nela não constarem condições de sustentabilidade e de salvaguarda do equilíbrio financeiro, que impeçam qualquer impacto orçamental. 

Que não existem no documento que aprovaram. Mas, pior, que ainda no dia anterior davam por absolutamente desnecessário. Se o que aprovaram não acrescentava um cêntimo à despesa, para quê condições de salvaguarda do equilíbrio financeiro? Não se restringe o que não existe!

Está aqui tudo o que é a política portuguesa: oportunismo, mentira, demagogia, farsa e falta de vergonha!

Quem primeiro alça...

Resultado de imagem para rui rio montenegro relvas

 

A História do PSD não foge disto: ou está confortavelmente sentado à mesa do poder, e vive na paz dos anjos, com toda a gente feliz e contente como uma família em completa harmonia  (a excepção de Pacheco Pereira é só para confirmar a regra); ou, caso contrário, se tem que cheirar de longe a mesa ocupada pelo rival, revela-se no saco de gatos que nunca deixou de ser.

Sem poder, não há líder que resista, venha de onde vier, acabando todos a provar do seu próprio veneno. Rui Rio esperou anos a fio para lá chegar, numa sólida estratégia de conquista do poder. Começou por criar uma aura messiânica para, a partir dela, construir pacientemente, gerindo aproximações e afastamentos, o mito do desejado que, numa qualquer manhã de nevoeiro, lhe haveria de garantir a unanimidade, dentro e fora do partido. E manhãs de nevoeiro, sabia bem, não faltam neste nosso cantinho... Mas nem assim resultou!

E lá está de novo o PSD em guerra civil, na sua História de autofagia onde tudo faz lembrar o Sporting... Até a convocação de um Conselho Nacional destitutivo, no primeiro passo de Luís Montenegro, o rosto do intocável aparelho do sportinguista Miguel Relvas. Porque nestas histórias "quem primeiro alça, primeiro calça"!

Como Frederico Varandas mostrou, há poucos meses ...

 

Tema da semana*

Imagem relacionada

 

Tenho para mim que, como a natureza tem horror ao vazio, a política tem horror à seriedade e à ética.

Sempre que alguém aparece na política a invocá-las … corre mal. Há sempre alguma coisa que salta das entranhas da política para lhe dar cabo das ideias.

Repare-se em Rui Rio. Tenho-o, como - creio – a generalidade das pessoas, por uma pessoa séria, que coloca a honra e a honestidade no topo da sua pirâmide de valores. Fez disso, e de uma auréola de competência e de independência, trazida da presidência da Câmara Municipal do Porto, os atributos de legitimação das suas ambições políticas. E chegou, assim, à liderança do maior partido português (na perspectiva da representação parlamentar), anunciando um banho de ética.

A primeira coisa que fez foi escolher para Secretário-Geral do partido, o responsável pelo funcionamento da máquina partidária, Feliciano Barreiras Duarte, logo à perna com uma série de aldrabices curriculares muito próprias dos aldrabões, especialmente na política. Como se não bastasse, logo a seguir, foi denunciado por aldrabice na morada, muito comum na actividade política, onde as pessoas não moram onde moram mas onde dá mais subsídio morar.     

Depois de deixar que o problema se arrastasse de forma penosa durante tempo de mais, sempre a tentar justificar o injustificável, Rui Rio substituiu-o por José Silvano, trocando um carreirista dos corredores do partido por um transmontano rijo e sério.

Deu no que deu. Só não aldrabou na morada porque não precisava. De resto, valeu tudo. E Rui Rio volta a assobiar para o lado, chamando-lhes “questiúnculas” de “pequena política”, encharcado até aos ossos pela água suja do seu banho de ética.

É isto: a política tem horror à seriedade e à ética, o mesmo que Aristóteles descobriu na natureza pelo vazio.  

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Fora de prazo

Imagem relacionada

 

Rui Rio, metido em mais um beco sem saída, desta vez no beco do Silvano, diz que a sua palavra não é como o iogurte. 

Pode não ser, a validade o iogurte é mesmo muito curta. O problema de Rui Rio pode não ser de validade, mas de prescrição. O Rui Rio que enfrentou o PS do Porto, e que se impôs ao poder do FCP e de Pinto da Costa, prescreveu ao fim de uma década... 

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics