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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

A guinada à esquerda de Costa

Por Eduardo Louro

 

 

À falta de PODEMOS – fenómeno impossível em Portugal, com uma sociedade civil amorfa e em estado de anestesia permanente, como sempre se desconfiou e como desde Setembro de 2012 toda a gente ficou a saber – e com o Bloco, por implosão, e o PC, por História e por crença, definitivamente encostados à parede da não solução, arrumados no cantinho do protesto, abre-se ao Livre, de Rui Tavares, uma janela de oportunidade única. Em boa verdade essas condições não lhe abriram a janela toda, deixaram-na apenas entreaberta para que António Costa pudesse meter a mão para lha deixar escancarada.

Parece-me que pouca gente está a perceber isto, e que são ainda menos os que estão a perceber a dimensão dessa janela que se está a abrir. Devo no entanto reconhecer que não está a ser ignorado por boa parte da direita. Nota-se isso na onda de solidariedade que os sectores bem pensantes da direita estenderam a Francisco Assis. E nas anunciadas perspectivas de volte face das sondagens, na própria presunção hoje revelada por Rui Rio que, com a prisão de Sócrates e com a chamada viragem à esquerda de António Costa no Congresso, o PS deixa de estar em condições de ganhar as eleições. Diz Rui Rio que, se há umas semanas se poderia falar de maioria absoluta para o PS, hoje se fala na vitória do PSD.

Esta é a perspectiva que convém à direita, a ideia que no fundo nada mudou, que tudo continua na mesma, que alternativa e alternância são a mesma coisa. Que as eleições se irão continuar a decidir ao centro, nessa enorme franja eleitoral que ora vota PS ora PSD. E que o balanceamento de Costa para a esquerda empurra essa franja do PS directamente para os braços do PSD.

Ora, isso era assim no passado. Antes de Passos Coelho ter dizimado a classe média. As classes médias portuguesas poderão não ser de sair à rua, como os espanhóis ou os brasileiros, mas não são estúpidas. Nem masoquistas. Têm memória curta, bem sabemos, mas o que, desta vez, a direita lhes fez é muito difícil de esquecer.

António Costa também sabe que é assim. Que não há eleitorado seu que fuja para a direita por ele se encostar à esquerda. Tão bem como sabe que, nessa mesma franja, há eleitorado que ainda não perdoou todo o passado ao PS, que o co-responsabiliza pela situação do país, e que espera por qualquer coisa nova. Que, à falta de melhor, poderia até ser o partido de Marinho e Pinto…

Com o Bloco e o PC fora de combate – porque os portugueses sabem que têm de encontrar uma solução governativa – o Livre é o coelho que António Costa tira da cartola. Ninguém sabe quanto é que o partido do Rui Tavares vale. Vale pouco certamente, mas poderá vir a valer muito…

O que se sabe é que o Livre, a fazer lembrar o apelo de Cunhal aos comunistas em 1986 – “votem no homem” (Mário Soares) “com a mão direita e tapem-lhe a fotografia com a mão esquerda” –, vai ser o voto no PS dos que nunca votariam na mãozinha. Mas que votariam Bloco, ou Marinho e Pinto, ou branco… Ou que nem votariam!

António Costa escancarou esta a janela de oportunidade a Rui Tavares. Espera que a partir de agora as mulheres e os homens do Livre façam o resto. E que por lá entre uma gigantesca lufada de ar fresco…

Que não dê em pneumonias... Para isso já basta Sócrates!

O Exemplo

Por Eduardo Louro

   

Rui Tavares é deputado no Parlamento Europeu. Foi eleito pelo Bloco de Esquerda nas últimas eleições, em Junho de 2009: precisamente o terceiro e último a ser eleito, num ambiente de suspense, surpresa e, finalmente, festa!

Pouco depois de chegar a Estrasburgo, no final do seu primeiro ano de mandato, soube-se da sua intenção de oferecer parte do seu salário de deputado europeu – um salário suficientemente generoso que, em tempo de constituição das listas para essas eleições, transforma as sedes partidárias em verdadeiros sacos de gatos assanhados – para bolsas de estudo. Não sei – nem me interessa – se essa decisão teve alguma coisa a ver com o cenário de suspense daquela noite eleitoral, ou mesmo com a surpresa desse êxito eleitoral decorrente de uma eleição à partida tida como muito pouco provável. Sei é que ainda há pessoas que têm da vida uma visão diferente daquela que faz carreira.

Soubemos agora, e apenas seis meses depois, em plena semana de Natal que, prescindindo de um quarto do seu salário, financiou quatro projectos de investigação de outros tantos jovens concidadãos. Ficamos a saber que o Rui Tavares, licenciado em História da Arte e a terminar um doutoramento em Paris (sobre a censura no tempo de Marquês de Pombal) é um político que cumpre o que promete – o que, como sabemos, devendo ser a coisa mais natural é a mais extraordinária do mundo. E que cumpre a partir do seu próprio bolso, o que é ainda mais extraordinário! Mas mais: ao que parece não pretende tirar dividendos políticos disso!

Simplesmente – ao que diz – ajuda porque quer, porque pode e porque acha que é seu dever. Diz que não quer outra leitura para além dessa. E que não está fazer nada que não lhe tenham já feito, ele próprio bolseiro da Fundação da Ciência e Tecnologia e licenciado na qualidade de ex-bolseiro da Universidade Nova!

Mas ficamos a saber mais: ficamos a saber que a ideia lançou amarras. Que outros políticos lhe seguiram as pisadas? Não! Evidentemente que não! Mas que três elementos dos Gato Fedorento se lhe associaram permitindo duplicar o valor das bolsas!

Tudo isto sem parangonas. E, sem que queira dar o exemplo, seja de facto o exemplo! Nem que seja apenas o exemplo de que “eles” não “são todos iguais”. Ou que não “querem todos o mesmo”

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