Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

FRASE DA SEMANA

Por Eduardo Louro

 

- “Nunca me engano e raramente tenho dúvidas”.

- “Ainda está para nascer alguém mais sério que eu”

- “Eu avisei…”

Todos conhecemos o autor destas frases, e o culto do ego que está por trás delas. A todas estas acrescenta-se agora aquela que foi a frase da semana:

 “…uma inspiração do 13 de Maio, é o que a minha mulher diz”.

Frase que, lida em conjunto com a que a antecedeu – “foi tomada hoje uma decisão muito importante para o futuro…” – poderá não elevar o fecho da sétima avaliação da troika a acontecimento da semana, mas eleva o seu autor, na sua própria apreciação, mais do que à simples condição de salvador da pátria, a agente de intermediação divina!

MAIS TEMPO? MUITO MAIS TEMPO!

Por Eduardo Louro

 

Como não poderia deixar de ser, aí está a catástrofe!

Passos Coelho ainda há dois ou três dias dizia que “não existe necessidade de alterar a trajectória”. Ainda ontem dizia que estava tudo bem, que a sétima avaliação tinha corrido bem, como hoje confirmaria em detalhe o ministro das finanças. Mas afinal os detalhes de hoje de Vítor Gaspar não confirmam nada disso. Confirmam a catástrofe que já se sabia, mas que a sociedade Passos & Gaspar ia tentando manter debaixo do tapete!

Isso mesmo: o inimputável Gaspar deixou de o ser. A partir de hoje não é mais inimputável!

O ministro das finanças só não meteu dó porque quem faz o que ele tem feito não consegue sequer despertar esse sentimento. E porque uma legião de jornalistas domesticados (uma única excepção para o jornalista da SIC) – serão os jornalistas presentes nas conferências de imprensa do salão nobre do ministério das finanças escolhidos pelo ministro? – pactua com aquele discurso opaco e misterioso, abdicando de perguntas assertivas e resignando-se às respostas manhosas e às omissões do ministro.

O défice é de 6,6% e não os 4,9% com que ainda há semanas Passos se cobria de glória, garantindo o cumprimento da meta do défice. Nem outro qualquer do cardápio que Vítor Gaspar hoje quis apresentar, pretendendo transmitir a ideia que, como os chapéus, défices há muitos. Que é só escolher e que o Eurostat escolheu aquele. Mas que ele escolhe outro. Ele escolhe o défice primário estrutural!

Que é coisa que não existe – e como é estranho que nenhum jornalista lhe tenha dito isto -, é virtual. Existe nas suas folhas de Excel, como se fosse em laboratório bacteriologicamente puro!

As previsões macroeconómicas são de novo revistas, confirmando a implosão do orçamento em curso. A recessão, que no orçamento está fixada em 1%, e que há um mês, logo em Fevereiro, foi revista para o dobro é, agora, um mês depois, estimada em 2,3%. Mas ainda não desta que acerta: está mais próxima da realidade, mas é ainda insuficiente. O PIB cairá mais que isso!

Gaspar já prevê o desemprego a crescer aos 19%, anunciando que lá para 2016, daqui a três anos, estaremos de regresso à actual taxa de desemprego. Isto porque lá para o último trimestre do ano diremos adeus à recessão, e em 2014 já cresceremos 0,6%. Quer dizer, e tendo em conta a falta de jeito para previsões, o país que Gaspar e Coelho criaram em menos de dois anos vai ficar com um desemprego estrutural acima de 20%!

Os PIB nominais que estão por trás destes números é que não se conhecem: diz Gaspar que ainda precisam de umas afinações antes de poderem ser divulgados. Bonito. E sério!

Ah! E em 2040 teremos acertado o passo com os níveis de endividamento requeridos pelas regras da moeda única, os tais 60% do PIB. Ridículo: quem não acerta uma previsão a dois meses, lança-se numa a 30 anos. E motivante: em excesso de dívida, e portanto sem autonomia para coisa nenhuma, por mais 30 anos!

Gaspar e Coelho criaram tudo isto em menos de dois anos. Começaram a cavar este buraco quando, logo que tomou posse, o governo foi buscar aos portugueses metade do subsídio de natal e aumentou indiscriminadamente o IVA, sem que tal fosse estritamente necessário para o objectivo do défice, garantido pela habilidade da transferência dos fundos de pensões da banca. Não foi só a primeira grande machadada no consumo interno, foi também desbaratar a confiança, mesmo que residual, que ainda existia e substituí-la pelo pânico. Generalizado!

Depois foi sempre a aprofundar, a cavar cada vez mais fundo, com uma espiral de fundamentalismo a alimentar outra espiral: a da recessão. De pouco vale hoje falar de mais tempo, o mesmo mais tempo que ainda hoje Vítor Gaspar, completamente perdido, continuava a negar. Como poderá negar mais tempo, se é tanto mais tempo que já nem cabe no tempo do programa?

Como poderá negar mais tempo, quando tempo é a única variável que manipula?

Uma variável ilimitada. Numa folha de Excel pode sempre acrescentar-se mais um, dois, três… dez anos. Até que o tempo permita esquecer quantos são…

O país é que não é ilimitado. Os portugueses - por muito que custe ao Ulrich - é que não aguentam. Não aguentam que tudo por que passaram não tenha servido de nada, nem aguentam que em cima da pobreza a que chegaram seja ainda posta mais pobreza. Todos os anos, mais em cada ano. Porque foi apenas este mais tempo a que Gaspar e Coelho conseguiram chegar!

Como vi hoje algures escrito pelo Pedro Marques Lopes: “ Um ministro das finanças consciente, no fim desta conferência de imprensa, dirigia-se a S. Bento e pedia a demissão. Um primeiro-ministro normal metia-se no carro e dirigia-se a Belém para anunciar a sua própria demissão ao Presidente da República”.

SEM NOTÍCIAS!

Por Eduardo Louro

 

Ninguém nos diz nada do que a Troika por aí anda a fazer. E a curiosidade é muita, até porque desta vez não vem para assinar o cheque.

O governo não diz coisa nenhuma. Anda calado. O primeiro-ministro vai aqui e ali, todos os dias sai e todos dias é vaiado, entre pela porta da frente ou pela dos fundos. Mas não diz mais nada que generalidades. “Que compreende os protestos, mas que não resolvem problema nenhum” – e não sai daqui!

Percebe-se que está simplesmente à espera que o 2 de Março passe. Até sábado nada se saberá: não se saberá o que anda a Troika a fazer, não se saberá nada das conclusões há muito cozinhadas e, acima de tudo, não se saberá nada do tal programa de cortes, que tinha de estar concluído em Fevereiro. Que já está em posse da Troika, destes que aqui andam ou doutros quaisquer. Se, como bem sabemos - e toda a gente quis que soubéssemos – foram até eles que o fizeram…

Hoje, que a Troika tirou o dia para os parceiros sociais, pensamos que, de patrões a sindicatos, alguém nos daria notícias. E deram. Só que foi como se não dessem…

A UGT diz que a Troika vai flexibilizar. A CGTP diz que se mantém inflexível.

A CIP diz que a Troika vai aliviar a austeridade e que se mostrou aberta ao investimento e ao desagravamento da carga fiscal. A CCP confirma-lhe a inflexibilidade, e diz-se mesmo convencida que, pelo contrário, a Troika se prepara para agravar a austeridade.

Sem ponta por onde se lhe pegue...

DAR PAI À CRIANÇA

Por Eduardo Louro

 

Aí está a sétima avaliação da troika. A do princípio do fim!

A do princípio do fim da intervenção externa, disse – ironicamente, digo eu - o ministro Gaspar. Não é! Esta só poderia ser uma avaliação fatal: os objectivos impostos pela troika estão cada vez mais longe, inatingíveis mesmo. Falhados. O orçamento que o governo - e a troika - pretendeu, contra tudo e contra todos e especialmente contra os factos e a realidade, que fosse levado a sério, implodiu: não resistiu sequer ao primeiro mês de execução. O governo já deitou a toalha ao chão, e fez o que sempre disse que nunca faria: pediu mais tempo. E mais tempo é sempre mais dinheiro!

Tudo razões mais que suficientes para Vítor Gaspar estar de coração nas mãos. Mas não está! Nota-se claramente que não está, e teve até o desplante de anunciar aquele princípio do fim…

Não sobrando grande suspense sobre os resultados desta avaliação – esta é, mais que qualquer outra, uma auto-avaliação – crescem no entanto as expectativas sobre a forma como serão comunicados. Sobre o que será dito e como será dito…

É que, como se costuma dizer, chegou a altura de dar pai à criança!

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics