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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O tolo

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(Roubado do Der Terrorist)

 

É mais mais um tesourinho deprimente de Trump, esta carta que fez entregar ao presidente turco e que anunciara de “muito poderosa”.

Mesmo sabendo tudo o que se sabe "deste imbecil eleito presidente da maior potência mundial", por mim, nunca imaginaria que, ao nível mais alto da diplomacia, num contexto de grande exigência formal como é o de uma guerra internacional, a indigência pudesse atingir esta dimensão. 

Não é apenas a habitual boçalidade, que Trump sempre disfarça com os excessos de informalidade e com linguagem de negócios de merceeiro. É também a completa ausência de tacto que, mesmo no final, não poderia deixar de ser mais expressiva: "Não seja um tipo difícil". Não seja tolo"!

Aí está o que, para o tolo-mor do planeta, é uma carta “muito poderosa”. Podemos ficar descansados. Não ficam dúvidas que Erdogan manda já retirar as tropas da Síria, e deixa os curdos em paz... 

Coisas dos dias que correm

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Enquanto por cá, entretidos a fazer (de) conta(s) à geringonça, vemos ressurgir Miguel Relvas, e logo a reclamar ar fresco para o partido - ao contrário do que poderia à primeira vista parecer, faz todo o sentido: os mais bafientos são os que mais precisam de ar fresco - no outro lado do Atlântico, Trump continua na  sua espiral de loucura, ao ritmo da sua profunda ignorância e da sua ilimitada imbecilidade.

Depois de decidir retirar as tropas da Síria, abrindo espaço a Ancara para avançar sobre a minoria curda no território, isto é, de abandonar os curdos, que usou para derrotar o daesh e que deram a única vitória militar aos americanos dos últimos anos, à sua sorte e às mãos de Erdogan, Trump surge no Twitter - of course - a ameaçar que, se a Turquia intervier militarmente na Síria para além dos limites definidos pela sua própria, enorme e incomparável sabedoria, destruirá e aniquilará completamente a sua economia.

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Mais

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Sabe-se que, em resposta a mais um recurso à utilização de armas químicas, no passado domingo, Trump ameaçou atacar a Síria. E que Putin, que impede qualquer iniciativa da ONU para esclarecer e apurar responsabilidades pelo ataque químico, não deixou essa ameaça sem resposta. O mundo está assustado. Há mais medo e há todas as razões para isso!

Por cá, nem tanto. Por cá, o assunto é mais quem é, e quem não é, Centeno. Porque, por cá, as coisas são sempre tratadas assim - reduzidas à sua mais simples expressão. Tão simplificadas que acabam sempre reduzidas a um fulano... Que diz que tem sempre dado mais dinheiro à saúde, que o orçamento tem crescido à razão de 3% ao ano. Respondem-lhe: "mas não chega, tem que ser mais".

Só que nunca ninguém sabe quanto "mais". Certo e sabido é que, por mais paradoxal que pareça, com estas nossas manias minimalistas, nunca há "mais" que chegue!

 

 

A tragédia do século

 

(OMAR SANADIKI-REUTERS)

 

Começou com a esperança da Primavera àrabe, há apenas 7 anos, e transformou-se na mais sangrenta e complexa guerra deste século. Interminável. Acontece na Síria, mais um país parido pela primeira guerra mundial, desenhado à revelia das diferentes tribos e das autonomias das diferentes regiões, e não admite tréguas, por breves horas que sejam, para assistência humanitária. À responsabilidade de uma ONU que tem no terreno agentes capazes de a trocar por sexo, deixando às pobres mulheres sírias a trágica opção entre salvar os filhos ou salvar a sua própria reputação.

Uma ONU polticamente ineficaz e ignorada, bloqueada no seu Conselho de Segurança, onde têm assento todos os interesses na guerra. Com os interesses geo-estratégicos da Rússia à cabeça. Os dos Estados Unidos, porque lá está o terrorismo islâmico, mas porque lá está a Rússia. E os da China, porque lá está o Irão, do xiismo e donde lhe vem o petróleo. 

Lá está também a Turquia, porque lá está a oportunidade de atacar os curdos e as suas aspirações independentistas. Lá está a Arábia Saudita, porque lá estão os xiitas do Irão. E lá está até a Coreia do Norte, com as armas químicas que mais ninguém quer mostrar, mesmo que bloqueada pelas sanções internacionais, que não pelo cinismo da guerra.

E cá está a União Europeia, aqui tão perto, impávida e hipócrita: os que lá estão a morrer já não passam o Mediterrâneo para cá. São centenas de milhar!

 

Parabéns à Síria? Esta não lembrava ao diabo...

 

No meio da esquizofrenia que tomou conta do mundo vamos encontrar uma carta do secretário-geral da ONU - sim, sim ... António Guterres - para Bashar al Assad, felicitando-o por mais um aniversário da independência, no passado dia 18 de Abril.

Na carta, António Guterres “exprime nesta ocasião as mais calorosas congratulações ao povo da Síria e ao seu governo”. Acrescenta depois que “conta com o envolvimento da Síria para construir uma ONU mais forte”. Valha-nos isso!

Valha-nos isso, valha-nos esse acrescento,  porque é isso que nos permite perceber que, sendo grave, a esquizofrenia tem mais contornos. Tem nouances

Já tínhamos percebido que, se a ONU conta para pouco, o seu chefe máximo, o secretário-geral, conta ainda para menos. Na verdade, para o mundo, esquizofrénico como está, não conta mesmo nada. E como não conta nada, não vale a pena fazer nada. Coisa nenhuma. O que se calhar nem é coisa que desagrade assim tanto a António Guterres...

O que não tínhamos ainda confirmado, embora já todos tivessemos desconfiado, é que lá dentro, bem dentro das suas quatro paredes, também não conta para nada. Daí que ache que, também aí, dentro de casa, o melhor é deixar passar o tempo sem grandes incómodos, às ordens da soberana burocracia e ao serviço do seu reino incontestável.

Só assim se percebe que uma fonte oficial do seu gabinete venha esclarecer o que a tal nouance, do tal acrescento, deixara perceber. Que aquela é uma carta genérica, destinada a celebrar os dias nacionais de todos os países espalhados pelo mundo. E que António Guterres, no meio de toda esta esquizofrenia, não se tenha ao menos lembrado de lembrar à máquina burocrata que há muitos países a que se não pode dar parabéns. Sob pena de se tornar obsceno para as pessoas decentes que ainda há por este mundo fora. E de acabar por destruir as pequenas gotas de prestígio que ainda possam restar numa função que já não tem mais nada...

 

Decorar não é agir!

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Assinalam-se hoje os 100 dias de Guterres como Secretário Geral da ONU. Ontem viram-se algumas críticas à sua (in)acção, em especial da parte de uma directora da Amnistia Internacional, que falou mesmo de "completa inacção". 

Ontem, também, reunidos em Madrid, os primeiros ministros dos sete países europeus do Sul, entre os quais naturalmente António Costa, apressaram-se a revelar "compreensão" pelo ataque americano à Síria. "Compreensão" complementada pela advertência que "não pode haver solução militar para o conflito".

Se "compreender" um ataque militar num "conflito que não pode ter solução militar", é obra; "compreender" o brusco e unilateral ataque americano, sem "compreender" os interesses e as motivações pessoais de Trump, não o é menos. E vem isto de pequenos países do marginalizado sul da Europa, bem longe de serem potências instaladas, que ainda há semanas, o melhor que tinham para dizer de Trump era falar de um burgesso mentalmente instável.

Por isso, e voltando ao princípio, pode ser fácil acusar Guterres de completa inacção. Mas a verdade é que, como estávamos fartos de saber, ninguém liga nenhuma ao lugar que ocupa. É uma figura decorativa que às vezes dá jeito ter à mão. Mais nada, e sem novidade nenhuma. Decorar não é agir!

Hoje, o mundo acordou mais perigoso!

 

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Não sei se hoje é o dia em que a política externa de Trump, se é que existia, mudou. Sei que o ataque americano desta madrugada na Síria é, mais que um enfrentamento, um afrontamento a Putin. Tido por aliado de Trump. Que, por sua vez, só apontava para a China quando lhe falavam de inimigos geo-estratégicos. E que acontece poucas horas antes de receber o líder chinês, com os olhos postos em Pyongyang...

Mas sei que o mundo hoje acordou mais perigoso!

Não tem é nada a ver com o Natal!

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Em Ancara, na Turquia de Erdogan, um polícia supostamente em folga mata e exibe a morte do embaixador russo numa pacata exposição de fotografia. Em Zurique, um indivíduo ainda não identificado entrou numa mesquita, onde gente rezava, e disparou a matar. Em Berlim, um terrorista que também é jovem refugiado - a ordem é arbitária - tomou de assalto um camion, matando o camionista, para o usar como arma de terror e morte por um espaço comercial dentro. Matou doze pessoas, e deixou largas dezenas feridas, muitas ainda em  perigo de vida.

Há mesma hora, em Alepo, gente, muita gente, continua a morrer enquanto foge sem saber donde e muito menos para onde. Apenas perdidos no meios de escombros e bolas de fogo em que ditadores, assassinos, e diplomatas transformaram a outrora maior e mais cosmopolita cidade Síria.

No mesmo dia, mais hora menos hora de todas estas horas, em Paris, um tribunal  provava que a conduta negligente de Christine Lagarde, enquanto ministra das finanças de Sarkozy, num processo com essa figura acima de toda a suspeita chamada Bernard Tapie, custara aos cofres franceses 404 milhões de euros. Mas que isso não tinha importãncia nenhuma... Já não tinha grande importância para a lei, que previa uma moldura penal de um ano de prisão, e uma multa simbólica de 15 mil euros.  Teve ainda menos para o Tribunal que a aplica, que entendeu que tão destinta personagem, mesmo que culpada, não poderia sujeitar-se a qualquer tipo de sanção.

Pode ser que nada tenha nada a ver com coisa nenhuma. Mas a mim parece-me que tudo tem um bom bocado a ver com tudo...

Não tem é nada a ver com o Natal!

 

PS: O jovem refugiado paquistanês suspeito de ter tomado o volante do camion, e nessa qualidade detido, foi já posto em  liberdade por não ter sido provada essa suspeita. As minhas desculpas pela imprudência de ter assumido por notícia o que não passava de uma suspeita.

 

 

 

 

 

 

O póquer

Por Eduardo Louro

 

O senado americano deu luz verde a Obama para lançar o ataque à Síria. Uma deliberação muito séria, como não podia deixar de ser. E como se percebeu pelo senador e antigo candidato republicano à presidência, John McCain, que jogava póquer no seu iPhone enquanto Obama convencia a câmara.

Porque já estivesse convencido - é conhecido que McCain, como falcão que se preze, defende a actuação americana na Síria, para depor o presidente Bashar Al-Assad - ou porque ache que o póquer seja bem mais entusiasmante? 

A resposta encontra-se no que escreveu na sua conta de Twitter: "Escândalo! Apanhado a jogar no iPhone durante uma audiência no Senado de mais de três horas – o pior é que perdi!".

 

 

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