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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Poderosa ambiguidade

Resultado de imagem para mario centeno saida limpa da troika

 

As declarações de Mário Centeno sobre, finalmente, a saída da Grécia do(s) programa(s) da troika gerou grande polémica no quadrante político que suporta (nunca uma palavra conseguiu ser tão poderosamente ambígua!) o governo. Na verdade, o paternalismo de Mário Centena não é nem mais, nem menos, que a hipocrisia do presidente do eurogrupo.

Sempre foi assim. E sempre assim será, com nomes mais ou menos fáceis de pronunciar... E já se sabia que teria de ser assim quando Centeno ficou com a guarda da capoeira... 

É como estas saídas... são sempre limpas. Ou a poderosa ambiguidade em todo o seu esplendor!

O ano de todas as expectativas*

Convidado: Clarisse Louro

 

Está a chegar ao fim este que, depois de um longo e duro período de dificuldades e privações, era o ano de todas as expectativas.

Fosse para mera expiação dos nossos pecados, como muitas das nossas elites políticas sugeriam, fosse como convicta estratégia de salvação do país, para trás teríamos deixado três anos de degredo e privação a que chamaram austeridade. E, tivéssemos expiado todos os nossos pecados ou salvo o país, esperava-se que neste ano os portugueses pudessem abrir as janelas e deixar entrar os primeiros raios de sol.

Os que nos governam sabiam disso. Era a libertação, o novo 1640, os impostos a baixar, o milagre económico, os ganhos de competitividade, o turismo, as exportações …

Era o desemprego a cair, a cair… E a economia a crescer ao ritmo alucinante de 0,0% ao trimestre. Não era apenas a credibilidade recuperada, era a credibilidade do país nos máximos de sempre. E por isso as taxas de juros caem, caem …

As janelas estavam bem abertas, de par em par. O raio de/do sol é que teimava em não entrar… E alguém descobriu porquê: afinal era apenas o país que estava melhor. O país estava melhor, os portugueses, não. Ainda não!

Andávamos nisto, percebendo que afinal tanto sofrimento, tantas dificuldades e tantas privações não tinham dado em nada. Que estes três anos não foram afinal mais que apenas mais três anos perdidos. Que nenhuma alteração estrutural tinha ocorrida na economia e na sociedade portuguesa que permitisse a entrada do sol. Que apenas tínhamos empobrecido muito: perdemos salários, serviços do Estado, emprego, empresas… Perdemos nosso parco património, que já só tem valor para a famigerada Autoridade Tributária, a quem pagamos muito mais IMI. E muito mais IRS!

Andávamos nisto quando descobrimos que uma só família rebentou com um grande banco e, criminosamente, estourou com milhares de milhões de euros da economia, asfixiou centenas de pequenas empresas e destruiu ainda uma das maiores empresas do país, e uma referência internacional no mundo das telecomunicações. E que, governo e entidades de regulação e supervisão bancária e financeira, não só permitiram que tudo isto acontecesse como, com conivências múltiplas, entre as quais a do próprio Presidente da República, enganaram ainda milhares de cidadãos no aumento de capital do Banco que a seguir extinguiriam.

Que o primeiro-ministro em funções, durante muito tempo recebeu mensalmente dinheiro, sem saber ou sem se lembrar, de uma empresa, através de uma fundação, com ligações a fundos europeus, onde tinha a função de “abrir portas” (palavras do patrão, que lhe não estava a chamar porteiro). Viria mais tarde a lembrar-se que esse dinheiro se referia ao pagamento de despesas, e o que pareceria mais um caso de fraude fiscal acabou por servir como justificação, calando tudo e todos.

E que dois antigos ministros, e figurões do regime, eram condenados a prisão, no chamado processo face oculta. Pouco depois era a operação labirinto que levava à prisão uns quantos altos funcionários do Estado, e amigos e sócios de ministros, suspeitos de corrupção na corrupção aberta de um Estado que decide fazer negócios com vistos de residência. Logo de seguida, sem dar sequer para respirar, na operação marquês, é preso o anterior primeiro-ministro, suspeito de corrupção, de branqueamento de capitais e de fraude fiscal. Não ficaria por aqui – nem o ano ainda acabou – e Duarte Lima, uma das figuras – mais uma – do cavaquismo, era condenado a 10 anos de prisão…

E foi isto, este ano … O ano de quem tanto esperávamos acabou afinal por nos levar tudo. Já não há raio de sol!

 

*Publicado hoje no Jornal de Leiria

Propósitos escuros, que são claros

Por Eduardo Louro

 

Quatro dias depois de conhecido o acórdão do Tribunal Constitucional – que deixava passar umas e impedia outras das muitas medidas que toda a gente, governo incluído, sabia que eram inconstitucionais – em vez de começarmos a conhecer as alternativas que o governo deveria ter preparado, assistimos a um processo de dramatização com propósitos que, sendo escuros, estão claros.

Evidentemente que o governo tinha um plano B. O pano A é o de mandar barro à parede do Constitucional. É o B que contém as medidas a implementar, sempre sob o espectro da inevitabilidade.

Só que desta vez Seguro não lhe abriu apenas mais uma janela de oportunidade, escancarou-lhe as janelas e as portas todas. Por isso Passos Coelho empata, pede aclarações, deixa andar e dramatiza. Conta para isso, como sempre, com a imprensa, particularmente com a especializada, que invariavelmente faz do Tribunal Constitucional o mais odioso órgão de soberania. Que se substitui ao executivo, que bloqueia o país, que não permite cortes na despesa e obriga o governo a aumentar de impostos. Que impedem o crescimento que estava lançado e manda o país de regresso à banca rota… Falam de novo resgate – seguem a Bíblia, o  Financial Times, que de imediato lembrou a persistência dos “riscos de um novo empréstimo de resgate”- quando até aqui entregavam os foguetes ao governo e iam depois apanhar as canas  da  saída limpa. Apregoavam o sucesso do programa, o milagre económico, o crescimento mesmo quando não existia e tantas outras maravilhas.

A coisa está hoje tão preta que nem os números do desemprego – não importa agora se há emigração, limpeza de ficheiros, desistência de procura de emprego ou formação disfarçada de emprego – hoje apresentados merecem qualquer nota. Fosse há uma semana atrás e ninguém calaria tamanho feito, cantado por toda a parte, tanto quanto ajudassem o engenho e a arte…

Não. Agora é que o “país está bloqueado, e tem de haver uma solução política, eventualmente a partir de Belém, e de Cavaco Silva”

Bem me parecia. É curioso como me apercebi logo dessa tentação irresistível!

Cautelas, caldos de galinha e trancas na porta...

Por Eduardo Louro

 

Enquanto o governo continua com o regabofe da saída limpa, Cavaco perde os últimos pingos de vergonha que supostamente ainda lhe restariam e Portas volta a apresentar o mesmo Guião para a Reforma do Estado cheio de nada, que já apresentara em Outubro, o Diário Económico dizia ontem que, caso se verifique um agravamento significativo das condições de financiamento nos mercados externos, o Executivo de Pedro Passos Coelho, estará a ponderar apresentar o pedido de um programa cautelar depois das eleições europeias.

A tal saída limpa que alimenta o festim da campanha eleitoral que aí está, e ainda mais umas insanas e inenarráveis provocações no facebook do inquilino de Belém, poderá não ser limpa. Mais, poderá não ser sequer saída. Como, de resto, muita gente suspeita…

Resta saber se esta ideia de recorrer à posteriori a um programa cautelar é de geração espontânea no governo ou se, pelo contrário, resulta de um acordo preestabelecido com a União Europeia – leia-se com a Alemanha – como contrapartida da saída limpa que, em véspera de eleições, a todos convinha.

Em qualquer dos casos estamos perante mais um gritante caso de batota. Um programa cautelar, como de resto ainda recentemente o presidente do eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, referia em entrevista ao Expresso, tratando de cautela, implica antecipação. Se for pedido quando e porque as coisas correm mal é tão só um novo pedido de resgate.

A ser verdade, e nestas coisas o Diário Económico é pouco menos que insuspeito, veja-se o embuste que por aí vai…E o carácter de um presidente que não lembraria a ninguém…

Seja como for, a verdade é que ninguém quis nada com cautelas e caldos de galinha. É tudo gente mais dada às trancas na porta, mas depois de casa roubada...

Tudo está bem quando acaba em bem

Por Eduardo Louro

 

Dei hoje com uma notícia curiosa. Jim O´Neil, o economista britânico que foi até há pouco presidente da Goldman Sachs, anuncia hoje numa publicação económica espanhola que Portugal, Espanha, Itália e Grécia são agora os melhores países para investir na Europa. Ao ver isto lembrei-me da imperdível rábula que por aí apareceu há uns tempos a explicar a origem de tudo isto - a crise do subprime - que acaba justamente com o especulador a dizer que tudo está bem, e tudo acaba em bem, logo que lhes devolvam o dinheiro que eles perderam, para que possam voltar ao mesmo.

Quando o governo festeja por todo o país a saída limpa do programa da troika, com uma enorme legião de analistas, comentadores e jornalistas a apanhar as canas, não deixa de ser interessante constatar como este Jim O´Neil, o banqueiro da Goldman Sachs, encarna o George Parr, o banqueiro da rábula!

Saída à pescada

Por Eduardo Louro

 

Há muito que a saída limpa estava anunciada. De tal forma que foi mesmo Paulo Portas a dizer que a saída seria sempre limpa: seria uma saída limpa directa para o mercado, ou seria uma saída limpa com um programa cautelar, ou com um seguro, como também dizia.

Era mesmo um segredo de polichinelo, como o Marques Mendes – e de segredos ninguém sabe mais que ele – não se percebendo por isso tão grande cerimonial, e menos ainda razão de tanta festa. Saída à pescada (antes de ser já o era) é que lhe deveriam chamar!

A festa de Passos, a festa de Portas e a festa de cada um dos membros do governo, até do Maduro, e de cada um dos deputados da maioria, percebe-se. Claro, é campanha eleitoral, e em campanha vale tudo, como já estamos fartos de saber. A festa da comunicação social, dos jornais e das televisões, é que se tem mais dificuldade em perceber. Ou será que também estão envolvidos na campanha eleitoral? Se calhar estão…

É que ninguém diz que a saída do programa é só isso: saída deste programa. Que não há programa cautelar nenhum. Que não há, nem nunca houve, porque quem manda nisto não está mais para isso. 

Quem ficou um bocado entalado foi o Seguro que, assim, não morre de velho. No sentido político, bem entendido!

Uma saída cheia de graça

Por Eduardo Louro

 

Há muito que se anda a falar da saída do programa de assistência. Teve uma data, ainda antes das eleições – e até e um relógio em “count down” –, mas surgiu já outra data, lá para o fim dos festejos dos santos populares. Paulo Portas, o relojoeiro, já veio dizer que o relógio está certo: se é a 17 de Maio que se perfazem os três anos, e se o programa era para três anos, não há dúvida nenhuma. Há uma, mas insignificante, diz ele: 17 de Maio é sábado, as portas podem estar fechadas, e a saída poderá ter que passar para segunda-feira!

Não deixa de ter graça… Mas como se poderia achar muita graça a isto, nada melhor que arranjar umas coisas com mais graça ainda.

A saída era limpa, à irlandesa, como também se dizia mas se deixou de dizer. Saída directa para os mercados, sem programa cautelar, que ninguém sabe o que é masque a gente, cá deste lado, começa a perceber o que seja. Não é nada de linhas de crédito à cautela, de almofada, que nisso os finlandeses nem querem ouvir falar. É apenas e só um programa que garanta a continuação da austeridade – nem mais, nem menos!

E é por isso que já entrou no discurso de Paulo Portas – é sempre ele que fica nos cornos do boi, vá lá saber-se porquê – uma outra coisa ainda com mais graça: a saída, seja lá como for, é sempre limpa. Só um segundo resgate – ideia agora recuperada pela negativa, para logo dizer que, dado por certo há poucos meses, está agora completamente fora de cenário – seria saída suja. Como se com um novo resgate houvesse sequer saída!

Uma saída cheia de graça, é o que é!

Danados para a brincadeira

Por Eduardo Louro

 

Afinal a troika diz que só irá embora a 29 de Junho. Percebe-se – foliões como são, tudo rapaziada danada para a brincadeira, querem aproveitar bem os santos populares, e só vão embora no fim, quando tudo acabar lá pelo S. Pedro…

O Paulo Portas, mesmo que também dado à brincadeira, é que não está a achar graça nenhuma: isto de lhe dar a volta aos fusos horários não é partida que se faça. Já não lhe bastava ficar com o relógio baralhado como ainda lhe dão cabo do 1640… É que assim já vai passar para 1641!

E por falar em Portas: afinal aquela estória do corte permanente das pensões, daquele Secretário de Estado que só queria ser fonte do Ministério das Finanças, sempre é mesmo assim. O costume, como toda a gente sabia!

 

Faz hoje três anos

Por Eduardo Louro

 

 

Faz precisamente hoje três anos que a troika foi chamada. Chegou logo, pouco depois. E apesar do relógio em contagem decrescente, mais uma criação do populismo de Paulo Portas para, trocando as voltas ao calendário, trocar as voltas à realidade e dar a volta aos portugueses, não vai embora tão cedo. Podem bem dizer que vai a 17 de Maio, pode até Portas dizer Maio é Dezembro, de que 17 é o primeiro, e que 1640 é em 2014. Mas mesmo que  vá embora, a troika vai por cá ficar... E por mais limpa que digam, a saída é bem suja. De mãos e pés bem sujos, a deixarem marcas e rasto para muitos anos!

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