JUIZINHO
Por Eduardo Louro
Acabei de ouvir o meu amigo José Poças Esteves – responsável da SAER (subsidiária da Companhia Portuguesa de Rating, que pode desempenhar um papel naquela ideia de uma agência de rating europeia), em declarações difundidas pela Antena 1 – chamar a atenção para a necessidade da Alemanha, finalmente, adoptar, no seu próprio interesse, uma posição de defesa dos países da União mais pobres e vulneráveis à complexidade da actual crise.
Dizia que, se o não fizer, a Alemanha põe em causa a sua própria estratégia de crescimento e começa, também ela, a empobrecer. Parece-me que toda a gente percebe isto, que também por aqui tem sido defendido. Daí que tenha recomendado à classe política alemã que se preocupe em explicar isto muito bem ao seu eleitorado. Que explicasse muito bem que a Alemanha ganha com o euro a competitividade que não ganha com uma moeda própria: com o marco!
E é aqui que, a meu ver, está o ponto!
Os dirigentes alemães não têm só que alterar a atitude institucional da sua política europeia, saindo rapidamente e em força, sem mais hesitações, em defesa dos seus parceiros periféricos e fragilizados. Têm que explicar muito bem aos seus eleitores – o que, depois de tanto tempo a fazer crer que os do sul são uns ineptos, incapazes e preguiçosos que vivem do trabalho alemão, não irá ser nada fácil – o que ganham com o Euro e com os PIGS. E o que perdem sem eles!
O risco de países como a Grécia, Irlanda e Portugal (e a Espanha, e a Itália e a Bélgica…) abandonarem a união monetária é elevadíssimo. Mas, como tenho denunciado, não é menor o de ser a própria Alemanha a fazê-lo, o que daria no mesmo: a implosão do euro!
Com eleições em 2013, nas actuais condições, creio que pouca gente terá dúvidas que, se surgir algum aventureiro a candidatar-se com um programa de restaurar o marco, terá grandes probabilidades de as vir a ganhar. Foi assim que, há perto de 80 anos, Hitler chegou ao poder. Salvaguardadas as devidas distâncias, nada nos garante que não possa surgir outro kaiser!
É por isso, meu caro Zé, que fizeste muito bem em lhes recomendar que tenham juizinho. Que eles te ouçam!