Depois de tanto tempo e tanta coisa dita e escrita, a renovação de Samaris, um dos grandes símbolos deste Benfica, e claramente um dos nossos, foi a melhor forma de comemorar os 25 anos daquele memorável jogo de Alvalade.
Basta lembrarmo-nos do que foi esta época. Tiraram-lhe o número, o 7 que lhe pertencia, para o entregar a um jogador que acabava de chegar, por empréstimo. Antes, já tinha sido preterido em favor de jogadores como Filipe Augusto, por exemplo. Depois, continuou a sê-lo, por jogadores como Alfa Semedo.
Nunca desistiu e continuou a trabalhar com total empenho e profissionalismo. Até que chegou Bruno Lage. Estava pronto. Preparado e em perfeitas condições para, ao lado dos miúdos de Lage, ser figura central da extraordinária recuperação da equipa, sem a qual a "reconquista" não seria mais que mais um slogan falhado.
Ao decidir não decidir, o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol só poderia acabar por decidir assim. Esta é que é a verdadeira explicação para a inqualificável decisão de inocentar o jogador argelino do Sporting, Slimani. Ao atrasar a decisão, deixando evidente que no futebol em Portugal a pressão continua a compensar - quanto mais barulho, e mais jogo baixo, melhor -, o Conselho de Disciplina (CD) deixou de ter condições, como Jesus avisadamente previra, para sancionar disciplinarmente o que, como diz Rui Vitória, toda a gente viu.
É por isso que ficam ainda mais ridículos "os factos dados como provados" pelo CD. Não sei se é mais ridículo dar por provado que Samaris não se sentiu "ofendido no seu corpo ou saúde", se dar provado que a agressão se justifica por Samaris constituir um obstáculo ao desejo de Slimani pressionar o Pizzi.
Depois disto o Benfica não pode, no meu entendimento, deixar de recorrer para o Conselho de Justiça. Mesmo que se saiba que o Slimani nunca cumprirá qualquer castigo. É mais do que certo que, se vier a ser condenado, já cá não estará para o cumprir...
Mas não é por aqui que passa toda a estratégia de quem manda actualmente no Sporting?
Foi dia de abertura de Champions na Catedral. Que não feche tão cedo, é o que se deseja.
As coisas até nem começaram nada mal com duas preciosidades logo a abrir. Primeiro Gaitan, como que a avisar ao que vinha, e logo depois o puto Nelson. Só que depois percebeu-se que a equipa estava amarrada e que, ao contrário dos ponteiros do relógio que não paravam, tardava em soltar-se. Não acelerava o jogo nem lhe trazia intensidade. As oportunidades de golo não surgiam - daquelas flagrantes, apenas duas -, a equipa casaque começava a parecer confortável naquele jogo, e o próprio árbitro, naquilo que dependia dele, só atrapalhava, ignorando por exemplo um penalti sobre o Nelson Semedo.
A esperança começou a voltar-se para a segunda parte. Tinha que ser - só podia ser - melhor. Só que logo que chegou assustou. E a sério: aquele primeiro minuto foi deveras assustador.
Foi aterrador, mas foi só um minuto. Até porque pouco depois Gaitan, numa fabulosa jogada individual, inventou o golo que só ele podia inventar. Depois, já se sabe... Depois do primeiro golo solta-se o futebol de Vitória. E veio logo o segundo, então já numa fantástica jogada colectiva. E mais e mais oportunidades, muitas, até a equipa decidir repousar o jogo. E repousar no jogo.
Bem sei que vão dizer que era o Astana, muito bons nas bicilcetas mas fraquinhos de bola. Claro que é a equipa teoricamente mais fraca do grupo. Mas se ganhar é sempre bom, na Champions é ainda melhor. E ganhar com exibições fantásticas como a de Gaitan - mas também de Samaris - está perto da perfeição. Quase perfeito!
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