Não deixa de ser extraordinário que, a acreditar na imprensa portuguesa - o que está a ficar cada vez mais difícil - o Sr Schauble se tenha empenhado tanto a convencer os comissários a votar contra as sanções a Portugal e a Espanha, sem ter conseguido convencer o do seu próprio país. É que, no fim, a favor das sanções, apenas restaram o inevitável Dombrovskis (Letónia), um inevitável finlandês (Katainen), uma sueca da nova vaga (Cecilia Malmstrom) e o seu compatriota Gunter Oettinger.
Afinal não houve sanções, o que deixou muita gente desiludida. Com o que é que esta gente haverá agora de se entreter?
Não havia jormal, nem comentador que não fizesse a sua aposta nos milhões que haveria que entregar a Bruxelas. E quando se começava a reparar que por cá não se falava noutra coisa, em contraste com Espanha, onde o tema nem era assunto, lá apareceu ontem o El País também nas apostas, e a deixar muita gente feliz. Ao que pareceu...
Quem está inconsolável é o Sr Dijsselbloem. Nem o Sr Schauble o consegue consolar...
...Tal como não há "almoços grátis", também não há sanções zero.
Até podem ser a cara do Presidente Marcelo, sempre pronto a quadrar o círculo. Até podem assentar tão bem a Centeno como o cachecol. Mas não há disso. Nem mesmo as sanções-incentivo, que lembraram ao Sr Schauble (todo um manual de filosofia política nesta ideia da odiosa personagem) antes de passarem pela cabeça de muito boa gente ...