Mais que o copo meio cheio - a Frente Nacional de Marine Le Pen não ganhou em nenhuma da 13 regiões -, ou o copo meio vazio - acabou com o bipartidarismo do sistema político em França, e tem já a expressão eleitoral do PS (28-29%) -, a segunda volta das eleições regionais francesas colocam-nos perante uma dramática interrogação: até quando?
Até quando, continuará a ser possível mobilizar frentes comuns para barrar a extrema-direita?
Até quando resistirá o dique de protecção eleitoral criado para impedir expressões maioritárias fora do sistema?
Até quando a própria radicalização da direita francesa - bem evidente em Sarkozy por estes dias - resiste a não se confundir com o extremismo xenófobo, e a acabar integrada?
Até quando será possível evitar que Marine Le Pen chegue à presidência da França?
Tem-se dito a torto e a direito que François Hollande não tem carisma, que não é um líder forte, ou mesmo que nem é líder nem é forte. Que não entusiasmou os franceses, nem será capaz de os arrastar atrás de si para fora do buraco, que por lá também é fundo.
Agora, eleições passadas, salienta-se o resultado apertado - 51,63 versus 48,37 – e faz-se graça com alguns trocadilhos, que mais não são que mais do mesmo.
Entre muitos, trocadilhos ou não, escolhi esta frase que encontrei aqui: Les partisens de Hollande convergent vers la Bastille pour célébrer la défaite de Sarkozy.
Está aqui muito do que é o estado da política por esta Europa fora. Sarkozy, foi inclusivamente, o único presidente, para além de Giscard D´Estaing, que não garantiu a reeleição. Em pouco tempo conseguiu esgotar-se e esgotar a paciência dos franceses, que ficaram fartos dele. Em Portugal passou-se o mesmo no ano passado. Muitos dos que festejaram com Passos Coelho festejaram a derrota de Sócrates, que já ninguém podia ver à frente. E as coisas apontam para que daqui a três anos suceda o mesmo com Passos Coelho.
Daqui a cinco anos poderá ser Hollande o odiado. A crise, os tempos que correm e as (não) respostas da União Europeia, também fazem destas coisas.
Vota-se para penalizar, não se vota para premiar soluções novas e mobilizadoras. Porque disso já não há!
Tudo em conformidade com as sondagens, nas eleições presidenciais francesas: Hollande à frente de Sarkozi e a extrema-direita de Marine Le Pen a continuar a engordar, com mais de 18% dos votos. Se assim continuar na segunda volta, o mordomo da Senhora Merkel falhará a reeleição e François Hollande - com 54% nas sondagens - será le nouveau President!
O que irá mudar?
Pela forma como, na campanha eleitoral, Hollande passou ao lado dos problemas – grandes, bem grandes – e pelas promessas irrealistas, mesmo demagógicas, que apresentou, diria que as expectativas não podem estar muito altas. Mas acredito que a Senhora Merkel tenha que pôr um anúncio à procura de novo mordomo…
Merkel e Sarkozy almoçaram juntos e tomaram a decisão que o momento impõe: um novo tratado, com sanções automáticas à violação da meta do défice. Dada a urgência, o tratado deverá estar prontinho em Março próximo!
E pronto, já se conhece o resultado da tão aguardada cimeira de sexta-feira. E em discussão na cimeira que tudo iria resolver estará se o tratado será a 17 ou a 27. Ou se a obrigação do cumprimento do défice será inscrita nas constituições de cada país membro…
E tudo à volta continuará a arder… E a afundar, como no Titanic!
O mundo estava suspenso da cimeira europeia de domingo. O G20 tinha avisado que agora é que teria de ser, que nada mais poderia ser adiado!
Merkel e Sarkosy trataram de a matar à nascença! Marcando uma nova cimeira para a próxima quarta-feira – prática recorrente desta dupla - já ninguém percebe para que servirá a de domingo, que o Eurogrupo está neste momento a preparar. Talvez se perceba! Percebe-se que é a UE no seu ritmo próprio, a preparar a cimeira de domingo que irá preparar a de quarta-feira… À espera de milagres!
Mas não há milagres. Ao adiar o inadiável a França e a Alemanha continuam presas às suas vistas curtas. Querem fugir com o rabo dos seus bancos à seringa do hair cut da dívida grega. Não percebem que não vale a pena! Que, assim, apenas se aproximam mais e mais seringas. Cada vez com agulhas mais compridas e - quem sabe? – se já sem rabo para tanto!
Nesta altura do campeonato já não é só o mexilhão que se lixa. Lixam-se todos, vejam lá se percebem!
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