Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

MISÉRIAS

 Convidada: Clarisse Louro *

 

Vamos assistindo incrédulos ao espectáculo degradante que se desenrola aos nossos olhos: serviços secretos que supostamente se devem dedicar à protecção interna e externa do país servem, afinal, para a bisbilhotice, para espiar cidadãos ao serviço nem se sabe de quê, para investigar pessoas e negócios ao serviço de interesses privados; altos responsáveis que, no exercício de funções públicas vitais para a soberania nacional, preparam meticulosamente a sua transferência para empresas privadas, fazendo disso o seu único desígnio. Que, depois em funções privadas, continuam a dispor dos serviços que comandavam a seu bel-prazer, dando-lhe ordens como se a cadeia hierárquica se mantivesse intacta. Ordens religiosamente cumpridas, numa inquebrável e obscura teia de interesses. Teias de interesses que atravessam os partidos do arco do poder, passando de uns para outros como se fossem apenas um mesmo. Iguais nas práticas, nos interesses, nas motivações e até nas pessoas!

No meio de tudo isto organizações secretas e clientelares e duas ou três personagens centrais, mas apenas isso: centrais. Para além delas estão muitas outras e, mais que as personagens, o estado de miséria generalizada em que agonizam as instituições do Estado.

Um empresário que contrata um director dos serviços secretos do Estado para utilizar a informação, o poder, os meios e as influências que lhe vêm das funções especiais que ocupa. O mesmo director dos serviços secretos que não revela quaisquer escrúpulos e a quem nenhuns limites nem reservas são impostos. Que se comporta como dono do poder, de um poder que foi construindo em cima de informação e de informações, e cimentado em relações insinuantes que alimentam mais informação. Que ainda não foi jogada, mas que o virá a ser, destapando mais misérias. Que enterrarão ainda mais quem já esbraceja no pantanal, para onde outros mais serão arrastados!

E um ministro que não resiste a este caldo fatal feito de informação e de meios, de influências e do seu tráfico, de intriga e de poder que não conhece limites. Que não resiste a dar passos maiores que a perna, não percebendo que mais curta que a sua fica a perna da mentira. Atrás da qual anda a correr, já sem penas para a agarrar…

Mentira que o primeiro-ministro disse não tolerar mas da qual – a contragosto, quero acreditar – se não conseguiu demarcar. Porque também ele acaba por ser mais um exemplo do funcionamento em rede, de uma teia que mina a sociedade portuguesa e que produz reféns a cada esquina.

O Presidente da República, que lá de longe reclamara transparência, afirmou no passado fim-de-semana ter sido informado de todos os detalhes por “quem tem competência” e que “não tem razões para duvidar que os interesses nacionais estão a ser tidos em conta”. Que “o primeiro-ministro deu explicações na Assembleia da República prestou os esclarecimentos que considerou necessários…”

Não me tranquiliza. Mas também já não é de agora…Há muito que perdeu essa capacidade!

 

 

* Publicado hoje no Jornal de Leiria

REFORMAS ESTRUTURAIS II - SERVIÇOS SECRETOS

Por Eduardo Louro

                                                                      

Não estou em condições de quantificar os efeitos desta reforma estrutural, mas também não é grave. Os governos também não quantificam nenhuma das que apresentam e, quando o fazem não acertam!

De qualquer modo a utilidade das reformas estruturais não esgota no seu impacto financeiro. Na poupança. Se à poupança se juntar transparência, melhoria do estado de saúde da democracia, da cidadania e da preservação dos direitos fundamentais e da tranquilidade dos cidadãos, ficam poucas dúvidas sobre os méritos da reforma. Qualquer mudança – e não há reforma sem mudança -, como uma balança, tem sempre dois pratos: num pesa o que se ganha e no outro o que se perde. Se não perde nada, ou quase nada, deixa de haver qualquer razão para não a implementar.

Pois é, a reforma de que falo é a extinção completa e total dos serviços secretos!

Acabar com as secretas poupar-nos-ia dinheiro mas, mais importante, poupar-nos-ia à enormidade de dislates e de poucas vergonhas a que temos assistido.

E o que é que perderíamos?

Nada!

Porque, perdida a soberania, o que é que há para defender? Dizer que os serviços secretos são uma peça fundamental do Estado de Direito nunca foi tão ridículo. Estes serviços secretos são, como está mais que demonstrado, precisamente a negação disso.

 

PATETAS E PATETICES

Por Eduardo Louro

                                                                      

A defesa que o primeiro-ministro, a maioria e o PSD fazem do envolvimento de Miguel Relvas neste processo das secretas atinge o patético. Quando essa defesa tem Luís Filipe Meneses como protagonista, como já vi em duas circunstâncias – a última das quais há momentos na SIC Notícias – passa a tesourinho deprimente, digno da famosa e saudosa rubrica dos Gato Fedorento.

Vou deixar de lado o tesourinho deprimente para me centrar apenas no mais patético dos argumentos da defesa oficial do primeiro-ministro. Que irá conduzir a outro patético argumento do PSD.

O grande argumento que vem sendo apresentado, e que foi hoje reafirmado pelo primeiro-ministro no Parlamento, é que os pedidos feitos a Miguel Relvas através dos tais sms não tiveram consequências. Não foram atendidos e – mais - alguns dos nome sugeridos acabaram mesmo por ser demitidos das secretas. É tão patético quanto isto: se a marosca foi descoberta e divulgada pelo Expresso logo no processo de constituição do governo, a partir da nunca explicada retirada do nome de Bernardo Bairrão da lista de secretários de estado (recordo que o seu nome constava, como secretário de estado do Ministério da Administração Interna, da lista já entregue ao Presidente da República e que tinha sido anunciado por Marcelo Rebelo de Sousa no seu programa dominical da TVI, fazendo uso do seu estatuto de bem informado que tanto e tão bem lhe rende), como é que o governo, sentindo-se apanhado, iria dar os seus bons ofícios aos pedidos de Silva Carvalho?

O lobo estava ali, de boca bem aberta. Então e o governo ia meter a cabeça lá dentro?

Patético!

Um dos muitos outros patéticos argumentos do PSD é que o ministro Miguel Relvas não é tido nem achado nisto pela simples razão que não era ministro à data daqueles sms. Era então um simples cidadão que, como qualquer outro, não está livre de receber sms, mesmo que indesejados. Mesmo que não os leia! O primeiro-ministro diria hoje no Parlamento que não demite ministros por receberem sms, o que não deixando de ser igualmente patético, vai contra o patético argumento.

Que não colhe pela mesmíssima razão. Porque todos bem sabemos que quando Miguel Relvas foi empossado já lá estava o lobo com a boca toda aberta. Como todos bem sabemos que Miguel Relvas era virtualmente ministro, pelo menos, desde o discurso de tomada de posse do Presidente da República!

Que usem argumentos patéticos – e são tantos outros, como, para referir apenas mais um, o de que tudo isto não passa de uma guerra entre empresas (a Impresa, de Pinto Balsemão e a On Going, de Nuno Vasconcellos) – é lá com eles. É o que faz há muitos anos este leque de políticos que permitimos que tenha nidificado no nosso país. Que continuem a tratar-nos como patetas é que me custa mais! 

TEMA DA SEMANA #3

Por Eduardo Louro

                                                                      

Como aqui previra logo no início o tema da semana estava encontrado. Os seguimentos que estes dias lhe trouxeram confirmaram o que já era o seu destino.

Hoje é incontornável, e nem mesmo os que desde o início quiseram circunscrevê-lo ao domínio do fait divers ousam hoje mantê-lo aí. O tema tomou a verdadeira dimensão de caso. De caso sério!

Parece que, com Miguel Relvas, cada pontapé numa pedra levanta novas e gigantescas nuvens de pó. Miguel Relvas já não só ameaçou ou chantageou. Também se irritou. Também mentiu!

Mentiu na Assembleia da República. Preparou-se mal. Depois, a tal pergunta da jornalista do Público e a lei de Murphy fizeram o resto!

Afirmou ter conhecido o tal Silva Carvalho em 2010 mas, das informações irrelevantes que ele lhe dera, recordava-se de uma inócua notícia de uma visita de Bush ao México. Notícia de 2007!

Já há um cordeiro sacrificado: chama-se Adelino Cunha, do gabinete do ministro. Não se percebe muito bem para que serve esse sacrifício, mas é o costume… Há sempre raia miúda!

Por mim espero que, demita-se ou não o ministro – num país normal á há muito que isso teria acontecido -, não se esqueça que, na origem disto tudo, estão gravíssimos problemas na organização e funcionamento dos nossos serviços secretos.

Se cada macaco no seu galho, esperemos que não se esqueçam destes macacões!  

GENTE EXTRAORDINÁRIA XXI

Por Eduardo Louro

                         

                                                                                                                                                                               

Falta-me em palavras o que me sobra em indignação!

Ao que sujeitam a bandeira nacional...

POR ESTAS E POR OUTRAS

Por Eduardo Louro

 

As notícias que o Expresso tem vindo a divulgar sobre os serviços secretos da República impõem-nos a maior preocupação. Pelos factos divulgados, pela noção que nos dá de mais um Estado dentro do Estado – a falta de transparência na organização das estruturas de poder leva-nos a descobrir cada vez mais situações destas, de órgãos de poder acima da lei e de estruturas de poder impassíveis de escrutínio democrático – e, acima de tudo, pelo sentimento de impunidade que percebemos ter tomado conta da sociedade portuguesa.

Como se sabe, a figura central desta novela é, desde que foi estreada com o caso Bairrão, Silva Carvalho, o espião que deixou a Direcção do SIED para integrar os quadros da Ongoing, vá lá saber-se por e para quê. Tenho dado voltas à cabeça para tentar perceber por que razão um especialista de serviços secretos se há-de transformar num alvo apetecível e num quadro interessante para uma empresa privada – mesmo que algo estranha - e não cheguei a nenhuma conclusão que me acalmasse a inquietação.

No último sábado mais uma revelação, bem na sequência dos capítulos anteriores. Desta vez o tal Silva Carvalho tinha pedido aos serviços secretos que antes chefiara para investigarem um cidadão madeirense, por acaso produtor de vinho na Madeira. Concluía-se que esse pedido de investigação tinha sido requerido ao ex-espião, e agora quadro da Ongoig, por um dos seus novos colegas - presidente da filial angolana – que havia casado com a ex-mulher daquele cidadão madeirense.

Fantástico! Um tipo acha que, apenas porque o outro foi marido daquela que é agora a sua mulher, torna-se interessante obter informações sobre a vida dele. Não se sabe por nem para quê, mas também não é da nossa conta. Coisas pessoais, da vida privada! Traumas, quem sabe?

Mas não recorre a um detective privado, nem sequer a uma dessas empresas especializadas em bisbilhotar a vida e as contas de cada um de nós. Não! Ele sabe, ou acha, que tem agora alguém na empresa que lhe trata disso de borla! Que põe os serviços secretos do país a tratar-lhe do assunto!

Tê-lo-á em grande conta! Sem dúvida! Acha que alguém que ocupou um dos mais altos - e de maior responsabilidade – cargos dos serviços secretos do Estado não terá pejo em recorrer a pessoas e meios desses serviços para lhe satisfazer um capricho. E em grande conta terá ainda a empresa que lhe paga o ordenado, capaz de contratar um tipo que se presta a essas coisas…

Pior que isto é impossível. Mora neste episódio deste folhetim das secretas o que de pior mina e corrói a sociedade portuguesa!

Um tipo que se transfere dos serviços secretos do Estado para uma empresa privada disponível para tudo: se está disponível para estes caprichos é óbvio que não conhece limites à utilização de eventuais segredos de Estado. Os mesmos que a maioria parlamentar invoca para não permitir a audição dos responsáveis por esta escandalosa pouca-vergonha…

E um outro tipo que acha que os Serviços Secretos do Estado devem ser postos ao serviço dos seus caprichos. Um tipo com um conceito de cidadania notável que se acha um rei nesta república das bananas!

Estes sim, são os males que nos tolhem o desenvolvimento. Bem podem inventar mais impostos, bem podem rapar todo o nosso ordenado no fim do mês que não resolvem coisa nenhuma… Infelizmente sabemos bem que é mais fácil lançar impostos que acabar com gente e com coisas destas!

 

 

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics