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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O paradoxo

Suécia 0-2 Portugal | À lei de CR101, o insaciável - ZAP

 

A selecção nacional de futebol ganhou na Suécia, e lidera o grupo à frente da França, mesmo que ambas  com o pleno da pontuação no fim da segunda jornada. Com os mesmos adversários, e nas mesmas circunstâncias, a selecção nacional sofreu menos um golo no jogo em casa, com a Croácia (4-1, contra 4-2, ontem, dos franceses) e tem mais um golo marcado no jogo fora, com a Suécia (2-0, contra 1-0 dos gauleses no passado sábado).

Ganhar fora numa competição tão apertada como esta, é sempre um bom resultado. Ganhar na Suécia por 2-0 é por isso um bom resultado. Ganhar claramente, sem deixar espaço para dúvidas na justeza do resultado, é mesmo muito bom. No entanto a qualidade da exibição da selecção nacional não teve nada a ver com o que tinha acontecido no sábado passado, frente à Croácia.

A selecção jogou bem menos. E bem menos bem, expondo o paradoxo da presença de Cristiano Ronaldo na equipa. Fernando Santos manteve 10 jogadores que tinham iniciado o jogo com a Croácia. Não mudou mais nada, acrescentou-lhes apenas "o melhor do mundo".

Cristiano Ronaldo respondeu, e fez o que se lhe pedia: golos. E dos bons. Dois golaços, o primeiro num espectacular livre directo, e o segundo, mais espectacular ainda, numa execução soberba a finalizar uma das poucas bem sucedidas jogadas de futebol corrido da equipa. Teve mais uma noite de glória, chegou aos 100 golos pela selecção. E passou aos 101, a oito de um tal iraquiano de que ninguém sabe o nome (não vale ir cabular ao Google) que, com 109, é quem mais golos marcou por uma selecção. E no entanto a equipa não jogou bem...

A pergunta já é se será possível encaixar uma grande exibição de Cristiano Ronaldo numa grande exibição da selecção nacional. Estranhamente a resposta parece que é - não! E é por isso que Fernando Santos repete até à exaustão que "com o melhor do mundo qualquer equipa é mais forte".

As equipas que jogam melhor nem sempre são as mais fortes, é verdade. Mas as que jogam melhor estão sempre mais perto de ser as mais fortes. 

Nada disto pretende pôr em causa a presença de Cristiano Ronaldo na selecção. Nem quer dizer que a selecção nacional deveria descartá-lo, impedindo-o de bater o último recorde que tem pela frente. Mas apenas que a incompatibilidade entre a qualidade de Cristiano Ronaldo e a do colectivo da selecção é o grande paradoxo desta selecção.

Não sei como se resolve. Mas não tenho dúvidas que não se resolve com a espécie de "regime de vassalagem ao melhor do mundo" que Fernando Santos lançou.

 

Compatibilidades

Portugal entra na Liga das Nações com vitória convincente sobre a Croácia -  O Jogo

A selecção nacional de futebol iniciou hoje a participação na Liga das Nações, no Dragão, precisamente onde, há pouco mais de um ano conquistou o troféu da última edição da competição. Que até foi a primeira.

Num grupo que junta o campeão e o vice-campeão do mundo, e o campeão da Europa e da própria Liga das Nações - justamente Portugal -, e ainda a Suécia, o apuramento para a fase final será bem discutido, e o cartaz de jogos rico e apetecível.

Começou a Croácia, a vice-campeã do mundo, e senhora de um futebol atractivo de bom nível técnico. Desfalcada de três dos seus nomes mais sonantes - Modric e Rakitic fora da convocatória, e Perisic no banco - a selecção das Balcãs entrou bem no jogo, e pertenceu-lhe até o primeiro remate do jogo. E logo um remate a sério. 

Depois a selecção nacional, sem Cristiano Ronaldo, começou por equilibrar o jogo - não durou mais que um quarto de hora essa sensação de equilíbrio - e passou depois a dominá-lo por completo. E até ao fim!

Quando João Cancelo marcou o primeiro golo, aos 41 minutos -e que golo! - já a bola tinha ido por três vezes aos ferros da baliza croata, e para trás já estavam cinco ou seis oportunidades de golo.  O jogo correu sempre a um ritmo relativamente baixo, e com baixos níveis de agressividade - na primeira parte as duas equipas não cometeram mais que cinco ou seis faltas - o que favoreceu claramente o jogo da equipa nacional, com os jogadores portugueses a terem tempo e espaço para exibir o talento que reconhecidamente lhes não falta.

Foi por isso um jogo agradável de ver, com jogadas de bom recorte técnico, e com a equipa das quinas - a estrear o novo equipamento alternativo que, de gosto discutível, mas não feio de todo - a praticar um futebol compatível com a qualidade dos jogadores. O que, com Fernando Santos, como se sabe, nem sempre acontece. Diria mesmo que raramente acontece.

O jogo acabou para dar para tudo. E até para matar saudades do futebol de João Félix. E para João Félix matar saudades de si próprio, finalmente numa equipa que lhe permite expressar o seu futebol.

O resultado poderia ter atingido números vexatórios, e a expressão da goleada (4-1, com estreias a marcar de João Félix e Diogo J, e com o golo de André Silva no último lance do jogo a atenuar o golo sofrido, na única oportunidade dos croatas) acaba por ser lisonjeira para o vice-campeão do mundo.

Não é politicamente correcto mas, mais uma vez, fica a ideia que a selecção joga muito melhor futebol sem Cristiano Ronaldo. Não retira nada a Cristiano Ronaldo, nem apaga nada do muito que ele fez pela selecção, mas acontece demasiadas vezes para ser apenas coincidência. 

Mas sabe-se que é pecado questionar se nesta altura Cristiano Ronaldo tira mais à selecção do que lhe dá. E ninguém está para pecar. Muito menos Fernando Santos, como se sabe!

 

Apuramento de credo na boca

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À última da hora, e com o credo na boca, a selecção nacional acabou por se apurar para o europeu do próximo ano, depois da vitória (2-0) de hoje no Luxemburgo, com mais uma pobre exibição, desta vez justificada pelo estado do lamaçal onde a partida se disputou.

A exibição  da passada quinta feira, com a Lituânia no Estádio do Algarve (6-0), uma das poucas deste apuramento condizente com o valor individual dos jogadores portugueses, pese embora a fraca valia do opositor, não era obviamente repetível naquele batatal luxemburguês, mas também não é aceitável tão fraco desempenho, com um resultado feliz e muito melhor que a exibição. A selecção do Luxemburgo foi inclusivamente, em largos períodos jogo, especialmente na primeira parte, até superior à portuguesa.

Chegou ao fim uma fase de apuramento que não começou bem e que não esteve longe de acabar mal. Na realidade, e descontando a exibição neste penúltimo jogo com a Lituânia, último classificado do grupo, apenas no jogo da Sérvia a selecção nacional esteve ao nível do estatuto que já alcançou.

A continuar assim, com estratégias de contenção de danos, pouco ambiciosas e ronaldocentradas, dificilmente a selecção nacional fará boa figura na fase final do Europe, em versão all over the Europe. Porque... há milagres, mas não é todos os dias. E nunca duas vezes seguidas! 

CR 700. Nada mais!

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A selecção nacional disse definitivamente adeus ao primeiro lugar no seu grupo de apuramento - e com isso ao sempre desejado pote 1 no sorteio da fase final - ao perder (1-2) na Ucrânia - que garantiu já o apuramento e o primeiro lugar da qualificação - o jogo que não podia perder. Mas que nunca mereceu ganhar!

A equipa portuguesa, que já na passada sexta-feira, onde tinha feito a fraquinha selecção do Luxemburgo parecer uma equipa quase temível, foi pouco mais que sofrível. E fez parecer a equipa ucraniana uma selecção do topo do futebol europeu.

É verdade que poderia não ter perdido o jogo, e tendo em consideração as oportunidades de golo, o remate de Danilo com a bola na trave, as defesas de Piatov (que está lá para isso) e que, depois de beneficiar do penalti que fez o 1-2 (e o desejado golo 700 do Cristiano), jogou os 20 minutos finais em superioridade numérica, poderia até tê-lo ganho. Mas não é menos verdade que, pese embora tudo isso, não mereceria tê-lo ganhado. A Ucrânia foi sempre melhor equipa, e mesmo com menos um jogador, nos últimos 20 minutos e com o resultado apertado, foi a única equipa a jogar futebol que desse gosto ver.

A selecção nacional continua sem futebol. Só a espaços Fernando Santos conseguiu pôr a equipa a jogar bem, e curiosamente foi sempre na ausência de Crsitiano Ronaldo. A regra tem sido um futebol lento, sem intensidade e desligado, exclusivamente dependente de iniciativas individuais. Em regra tem sido a inspiração dos jogadores, individualmente, a resolver as coisas. E mesmo aí as coisas não têm sido fáceis, até porque é grande a tentação de Fernando Santos para não pôr os melhores a jogar.

Os regressos de João Mário e João Moutinho para esta dupla jornada confirmam essa tentação do seleccionador. Parece que já só faltam Adrien e Cedric! 

Tudo isso se confirmou no jogo de hoje, que apenas valeu pelo golo 700 de Cristiano Ronaldo, e pelo significado de tão especial marca ser atingida na selecção. Opções muito discutíveis na constituição da equipa, jogadores desligados, desconcentrados - o que custou dois golos na metade inicial da primeira parte -, e ausência completa quer de velocidade quer de dinâmicas colectivas.

O apuramento da selecção nacional não está em risco, nem se espera que venha a estar. Mas o prestígio da selecção, e o dos nossos melhores jogadores, não sai a ganhar com exibições como esta.

Bem encaminhado

Lituânia 1-5 Portugal: 'Show' de Ronaldo coloca Seleção mais perto do Europeu

 

A selecção nacional cumpriu hoje a sua obrigação em Vilnius e "despachou" a selecção da Lituânia com uma goleada (5-1), acertando o passo para o apuramento para a fase final do Euro 2020. Que, sem nunca ter estado em causa, também não tinha começado muito bem, com dois empates em casa nos dois primeiros jogos, contra os dois principais adversários no apuramento.

A obrigação foi cumprida, no fim fica a goleada, mas nem tudo foi bom. Depois de marcar cedo, logo no arranque do jogo, de penalti e ainda sem muito ter feito para isso, os jogadores portugueses deverão ter pensado que ... estava feito. Não era preciso fazer mais nada. 

Enganaram-se, como sempre acontece neste jogo de que tanto gostamos. E as coisas complicaram-se, tanto quanto é possível que uma equipa tão fraca como este adversário de hoje, complique. Os lituanos empataram - num canto, só podia, mesmo que uma equipa como esta nossa selecção não possa sofrer dois golos em pontapés de canto em dois jogos consecutivos - e, como corriam mais e os jogadores portugueses o permitiram, levaram o empate até para lá da hora de jogo, já bem dentro da segunda parte.

É certo que a entrada para a segunda parte revelou que os jogadores tinham percebido que teriam de mudar de registo. E de mudar o jogo. Mas foi aquele golo ao minuto 62 que mudou tudo. Porque acabou com o empate, mas acima de tudo pela forma como aconteceu, com a bola a fugir das mãos para as costas do guarda-redes, e daí para dentro da baliza. Contou - claro - e contou para Cristiano Ronaldo. Que faria ainda o terceiro e o quarto, antes de sair, na segunda substituição (Gonçalo Guedes) de Fernando Santos. Na primeira, quando as coisas ainda estavam cinzentas e o jogo empatado, tinha tirado Bruno Fernandes - não é para meter veneno em ninguém, mas talvez as dificuldades na selecção expliquem algumas coisas que alguns dizem inexplicáveis - para fazer entrar Rafa. Também essa alteração contribuiu para mudar o jogo.

E com Bernardo Silva a espalhar perfume pelo campo, e João Félix à procura do seu primeiro golo na selecção A - e como tentou, e como o guarda-redes sempre lha negou - acabou por ser William Carvalho a marcar de novo - dois golos em dois jogos - e a fechar as contas. Finalmente bem encaminhadas, para concluir como iniciamos.   

  

Servia um jogo. Mas foram três!

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(Foto ANTÓNIO COTRIM/LUSA)

A selecção nacional acabou de conquistar em Belgrado o único resultado que lhe SERVIA, numa exibição que, não tendo sido brilhante, teve momentos suficientemente brilhantes para garantir a vitória.

O jogo teve várias caras. Parece até difícil caberem num único jogo tantos jogos diferentes.

Na primeira metade da primeira parte foi um jogo entre duas equipas de níveis completamente diferentes, e de aspirações antagónicas. Como se costuma dizer um jogo entre uma equipa grande e outra pequena. A equipa portuguesa era a grande, e parecia dominar por completo o jogo, com 75% de posse de bola. A da Sérvia era a pequena, apenas preocupada em defender, sem sair do seu meio campo. 

Pode parecer paradoxal, mas a verdade é que a equipa nacional jogou pouco bem esse jogo. Teve a bola mas não fez nada de interessante com ela. Nem um remate, nem uma oportunidade para marcar. Nada, e o jogo acabou empatado, a zero. Como não poderia deixar de ter sido!

Ao entrar na segunda metade da primeira parte iniciou-se outro jogo, com duas equipas completamente diferentes. Se o anterior não tinha corrido bem, este esteve bem perto de correr ainda pior, com a selecção sérvia a superiorizar-se a olhos vistos. Partiu para a frente e mostrou que possui jogadores para jogar este jogo, e não o anterior. A equipa portuguesa passou por alguns maus bocados, mas nem tudo foi mau: mesmo á beirinha do fim o guarda-redes sérvio chocou com um colega, e a bola ficou ali á frente de Wiliam Carvalho, em cima da linha de golo. Foi só empurrar e, na primeira oportunidade, um golo. O da vitória. Nesse jogo.

Com a segunda parte iniciou-se outro jogo, aquele que verdadeiramente todos estávamos à espera. Incluindo Fernando Santos, surpreendido no primeiro pelo adversário e, no segundo, pelo primeiro.

E aí, sim. A equipa portuguesa fez finalmente um bom jogo, e deixou claramente vincada a superioridade sobre um adversário cheio de bons jogadores, mesmo que nenhum de verdadeira excelência, que se aproxime dos nossos melhores.

Cedo, Gonçalo Guedes - de novo aposta do seleccionador, em detrimento de João Félix, mantendo a mesma equipa que há três meses venceu a final da Liga das Nações -, depois de Cristiano Ronaldo ter ameaçado por duas vezes, com a bola a sair escassos centimetros ao lado do poste direito do guarda-redes, já claramente batido, fez o primeiro golo deste jogo, e o segundo no agregado. E que golo!  

Tudo parecia resolvido, mas dez minutos depois, num canto, a defesa portuguesa devolveu a gentileza do fim da primeira parte. Com o golo a Sérvia cresceu, e poderia até ter chegado ao empate, pouco depois, negado por Rui Patrício. Outro tanto tempo depois, Cristiano Ronaldo marcou o seu golo da ordem, a concluir com classe mais uma excelente jogada de futebol. Que, com VAR, teria sido provavelmente anulado.

De novo com um resultado confortável a equipa jogava então bem, e controlava verdadeiramente o jogo. Só que, cinco minutos depois... mais um brinde, e a Sérvia chegava ao segundo golo, só não voltando a lançar a dúvida no resultado porque, no minuto seguinte, Bernardo Silva - o melhor dos melhores - fechou-o, com a classe. 

Faltavam 4 minutos para os 90, e o jogo já só teria para mostrar a qualidade de João Félix, que substituíra Gonçalo Guedes, em duas ou três ocasiões. 

No fim deste último dos três jogos num jogo só, ficam quatro golos em quatro remates enquadrados com a baliza. Pobre guarda-redes!

O resultado poderia até ser mais desnivelado. Mas isso só se não tivessem acontecido os tais erros defensivos...   

Agora sim

Portugal regressa ao topo da Europa. Liga das Nações fica em casa

Foto: GABRIEL BOUYS / AFP

A selecção nacional conquistou a primeira edição da nova Liga das Nações, ao vencer (1-0) a selecção holandesa, no Dragão. E deixou o país em festa, na véspera do seu dia nacional.

Tendo por referência o jogo com a Suíça, na última quarta-feira, que ditou o apuramento para a final de hoje, esta foi uma selecção diferente. Com um futebol melhor, bem melhor e bem mais próximo daquilo que é legítimo esperar deste extraordinário conjunto de jogadores.

Para o jogo de hoje o seleccionador Fernando Santos promoveu três alterações em relação à equipa inicial do jogo anterior. Para além mudança obrigatória, por força da lesão do Pepe, com a entrada de José Fonte - que já o substituira na altura em que o luso-brasileiro fora obrigado a sair - trocou ainda Rúben Neves por Danilo, e João Félix por Gonçalo Guedes.

Mas não é nessas alterações, e em particular nestas duas últimas, porque a primeira não decorreu de qualquer iniciativa de mudança do seleccionador, que se devem encontrar os motivos da melhoria. A grande alteraçao, e que, em boa verdade, justifica a enorme melhoria no futebol da equipa, foi colocar os jogadores nas suas posições naturais. Onde mais rendem.

À primeira vista, a entrada de Danilo - que, de resto, estava impedido por motivos desciplinares de alinhar no jogo anterior - parecia corresponder a uma ideia mais defensiva, uma espécie de mais do mesmo de Fernando Santos. E a de Gonçalo Guedes à penalização de João Félix, pelo seu fraco rendimento no jogo da meia-final, vítima precisamente dos evidentes equívocos posicionais do seleccionador nesse jogo.

E no entanto, à medida que a partida se ia desenrolando ficava a ideia que, naquele jogo, fazia falta o futebol de João Félix. Que, a jogar assim, o futebol do miúdo do Benfica acrescentava. Mas Gonçalo Guedes não só esteve bastante bem, e bem enquadrado no esquema mental de Fernando Santos como, ao marcar o golo único do jogo, acabou por ser o herói da final. E quando assim é... entramos naquela velha máxima: contra factos, não há argumentos!

Da mesma forma, exactamente da mesma forma, também a exibição de Danilo, e acima de tudo o resultado final, acabou a dar razão ao seleccionador.

Posto isto, a selecção acabou por fazer um bom jogo e justificar plenamente a vitória, ao contrário do que tinha acontecido na quarta-feira. Foi quase sempre melhor que a excelente selecção holandesa, que iniciou a partida a dar a sensação que iria mandar no jogo.

Foi sol de pouca dura, rapidamente a selecção nacional inverteu essa tendência, e acabou por fazer uma primeira parte em clara superioridade. Podia e devia ter saído para o intervalo em vantagem no marcador, mas assim não aconteceu.

No regresso dos balneários, e à imagem do início do jogo, voltamos a ver os holandeses por cima. Mesmo sem atingir a exuberância da primeira parte, a selecção nacional voltou a inverter essa tendência, e um quarto de hora depois do reinício chegava ao golo, o tal de Gonçalo Guedes, depois de mais uma bela jogada de Bernardo Silva, eleito o melhor jogador da competição. 

Percebeu-se então que dificilmente este troféu sairia de Portugal. A equipa revelava grande solidez defensiva, e à Holanda começavam a faltar as forças, vindo ao de cima o peso do esforço da sua meia-final, com a Inglaterra, num jogo com prolongamento, e com menos um dia de descanso.

Com a selecção holandesa obrigada a adiantar-se para o forcing final, a entrada de Rafa (em substituição de Guedes) acabou por ser o xeque-mate final da selecção nacional.

E no fim fez-se a festa por este segundo triunfo europeu em três anos. Menos importante que o de 2016, mas desta vez numa final mais convicente. Há, agora, que o aproveitar para corrigir o arranque periclitante da fase de apuramento para o Europeu do próximo ano, e (e)levá-lo para patamares condizentes com a capacidade, e a responsabilidade, desta selecção.

 

 

Vencer, a selecção venceu. Convencer é que não!

Fotografia:FILIPE AMORIM/OBSERVADOR

 

A selecção nacional de futebol venceu a da Suíça e vai disputar a final da nova Taça das Nações, no próximo domingo. Mas continua a não limpar a imagem que vem trazendo dos jogos de apuramento para o Euro 2020, longe, muito longe da qualidade que se exige a este conjunto de jogadores fantásticos de que dispõe.

Fica a ideia que Fernando Santos é tão bom a falar do talento como a desperdiçá-lo. É verdadeiramente deprimente este futebolzeco deste seleccionador!

A selecção suíça, que a sorte (ou os interesses da UEFA?) colocou frente à selecção portuguesa nesta meia-final, e claramente a mais acessível das quatro finalistas, foi quase sempre melhor. Mesmo assim foi a equipa nacional a chegar ao golo, ia a primeira parte a meio, num livre de Cristiano Ronaldo. chegando ao intervalo na frente do marcador. Mas sem o justificar, a selecção Suíça dispôs de muitas mais oportunidades para marcar, com Seferovic em destaque. 

Na segunda parte nada se alterou para melhor no futebol dos nossos craques, e os suíços continuaram melhor no jogo, chegando bem cedo ao empate, num penalti esquisito, que o árbitro assinalou depois de recorrer ao VAR, quando tinha precisamente assinalado outro, a favor de Portugal, na outra área.

A partir do golo do empate o jogo caiu ainda mais. A equipa helvética parecia satisfeita com o resultado, e procurou segurá-lo. À portuguesa continuava a faltar futebol para fazer melhor.

Estava o jogo nisto, com ambas as equipas à espera do prolongamento, numa espécie de pacto de não agressão, quando um grande passe de Rúben Neves encontrou o talento de Bernardo Silva que, de primeira, colocou a bola para o remate, também de primeira, de Cristiano Ronaldo, fazer o segundo. Estava-se em cima do minuto 90 e, logo a seguir, quando o adversário partia para o forcing final, uma perda de bola acabou no brilhante hattrick de CR7. E num 3-1 que não tem nada a ver com o que foi mais uma exibição pobre desta selecção que não se encontra com os seus talentos.

 

 

Rússia 2018#7 - Sem surpresa e sem milagres

 

Aos oitavos de final, ao primeiro mata-mata, a selecção nacional perdeu e volta para casa. Ninguém poderá dizer que ficou surpreendido. As exibições nunca convenceram mas, pior que isso, nunca se percebeu qualquer evolução no jogo da equipa.

Sabe-se que uma equipa de selecção não dispõe das mesmas condições de treino que uma equipa de clube. Que um seleccionador nacional não pode trabalhar os jogadores como um treinador de clube, falta-lhe tempo. O tempo que é necessário ao entrosamento, à introdução de automatismos, ao trabalho táctico. Por isso - e mesmo ressalvando que é por isso que os seleccionadores têm os seus núcleos duros, e que muitas vezes as convocatórias, e os próprios onzes, deixam de fora jogadores em melhor forma - é comum que o futebol das selecções evolua à medida que a competição avança, com os jogos a servirem para ir apurando a qualidade. Pois, ressalvando ainda que a equipa nacional apresentara já boa qualidade de jogo durante toda a fase de apuramento, e mesmo nos jogos de preparação, o futebol da selecção não evoluira com os jogos. Regredira mesmo.

Dir-se-á que foi azar. Que hoje, ao quarto jogo, a selecção fez a sua melhor exibição. 

Sem que se possa negar que este foi o menos mau dos quatro jogos efectuados, não se pode dizer que tenha sido uma boa exibição, construída a partir de uma razoável execução de um plano de jogo consistente e coerente. Apenas aconteceu que, perante uma equipa  como esta do Uruguai, e entrando a perder, a selecção portuguesa teve a bola que adversário lhe quis entregar e, com ela, assegurou uma superioridade que nunca conseguira nos três jogos anteriores.

O Uruguai é uma equipa que só sabe defender e marcar golos. Não sabe fazer mais nada. Ora isto seria grave, muito grave mesmo, se por acaso não fosse essa a essência do jogo: marcar golos e evitar sofrê-los. Não sendo grave, antes pelo contrário, como se percebe, também não é condição suficiente para fazer dela uma grande equipa. Nem nada que se pareça.

Tem uma das melhores duplas de centrais do mundo, e uma das melhores duplas de avançados, mesmo que um deles seja tão bom quanto batoteiro, ordinário. Chegando ao golo logo aos 6 minutos, numa estupenda jogada entre os seus dois avançados, tão boa que não merecia que o golo tivesse sido um chouriço daqueles, merecia mesmo um golo de cabeça a sério, como o Cavani imitou mas não fez, o Uruguai ficou com os seus problemas resolvidos. Bastava-lhe defender e ameaçar com aqueles dois lá à frente.

E de repente os jogadores portugueses viam-se com a bola mas sem saber o que fazer com ela. Não estão habituados a isso, e durante toda a primeira parte mais não fizeram que, ou trocá-la para o lado e para trás, ou tentar furar com ela em iniciativas individuais completamente desgarradas. Sem fazer mal a ninguém, sem um plano, sem uma estratégia, sem ligação, como se tivessem encontrado para uma peladinha.

Na segunda parte as coisas melhoraram, e a equipa nacional começou finalmente a cheirar o golo. De tal forma que quando Pepe marcou - foi o primeiro golo sofrido pelo Uruguai não só na competição, mas em todo o ano civil - já o golo se anunciava. Acreditou-se durante alguns minutos que o mais difícl estava feito, e que a remontada estava ali á mão.

Só que... o que Pepe deu, Pepe levou. Pouco mais de 5 minutos depois Pepe falhou um corte e a bola acabou em Cavani para, exactamente ao contrário do primeiro, do nada, de um pontapé do seu gurada-redes, fazer um grande golo e a repôr as coordenadas do jogo. Estava encontrado o homem do jogo, mesmo que a infelicidade lhe viesse a bater à porta poucos minutos depois, com uma lesão que o deverá afastar do resto da prova, que provalmente acontecerá já no próximo jogo, nos quarto de final, com a França.

A selecção de Portugal sai da Rússia sem glória nem honra. Não merecia chegar aos quartos de final, porque não está no lote das oito melhores equipas que por lá  passaram. Mas a verdade é que o Uruguai também não, e lá continua. 

A selecção que vimos ganhar categoricamente à Suíça na Luz, há uns meses atrás, ou até a que, há pouco mais de um mês, jogou em Bruxelas com a Bélgica, teria certamente  lugar entre as 4 melhores na Rússia. Esta não. Falhou sempre!

Quando nem Cristiano Ronaldo - que salta fora do campeonato do mundo no mesmo dia que Messi - se salvou, e quando, invarivalmente, todos substitutos, mesmo os mais reclamados, acabaram sempre por fazer ainda pior que os substituídos, há qualquer coisa que não se percebe... E os milagres estão pela hora da morte!

 

 

Rússia 2018#5 Nos oitavos... mas, mau de mais!

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A selecção nacional segue para os oitavos de final do mundial, na Rússia. Imerecidamente, sem qualquer dúvida!

Portugal foi claramente a pior equipa do grupo, sempre, em qualquer dos três jogos, claramente inferior a todos os adversários. Dir-se ia que este último jogo, com o Irão, não fez mais que confirmar os primeiros dois, e especialmente o segundo, o único que ganhou, com Marrocos. Mas fez. Confirmou também muita da "porcaria" do futebol português... Da velha.

Fernando Santos introduziu três alterações na equipa, com Adrien no lugar de Moutinho, Quaresma no de Bernardo, e André Silva no de Gonçalo Guedes. Manteve os laterais, e provou-se que mal. Manteve Fonte e Wlliam, incumbido de sair com a bola, coisa que tinha flagrantemente falhado nos jogos anteriores.

Comecemos por aí, por onde o jogo começa. E por onde o jogo de hoje começou por funcionar, enquanto os jogadores do Irão ainda só queriam defender e deixavam aquele espaço todo sem incomodar ninguém. Depois, bem... depois foi outra música, os iranianos subiram e William desapareceu. 

Dizia-se que era necessário alguém no meio campo que segurasse a bola. Pois... se calhar não seria Adrien o jogador mais indicado para esse desiderato. Também a reclamada entrada de André Silva tinha por objectivo - dizia-se - ter um jogador na área, num jogo - dizia-se - em que a selecção portuguesa teria sempre bola, e massacraria em ataque continuado. Nem foi nada disso, nem André Silva nunca esteve na área, acabando até na ala esquerda. Falhou tudo. Em toda a linha...

Resultou a entrada de Quaresma. Resultou porque marcou o golo - e que golo! - mas porque foi o único a jogar, a cruzar e até a rematar. Na primeira parte, porque, depois, viria a ser o primeiro a perder as estribeiras, o que também não surpreende ninguém.

O resultado de todas estas coisas foi um jogo que não teve nada de novo em relação aos anteriores. As mesmas diifculdades tácticas, técnicas, físicas e mentais. E até a mesma sorte, com o golo a surgir mesmo no fim da primeira parte, quando era já o Irão a mandar no jogo. 

Antes disso a selecção não fizera mais que dar confiança à equipa do Irão, empurrá-la depressa para a parte de cima do jogo. Para ilustrar isso nada melhor que lembrar aquele período inicial em que o guarda-redes iraniano andou literalmente à bofetada com os seus colegas da defesa, aos papéis a sair aos cruzamentos, e a largar bolas sucessivas. Pois, ou ninguém na selecção portuguesa percebeu que havia que explorar aquele momento, ou simplesmente não teve capacidade para mais. Nem um remate de longe, nem um cruzamento para tirar partido daquela tremideria toda.

Com o milagre do golo de Quaresma, Portugal foi para o intervalo a ganhar. E se um golo daqueles vale por um jogo, a verdade é que o jogo da selecção não merecia um golo daqueles.

Logo no recomeço, há mais um penalti que cai do céu. Um penalti de VAR, que lançou os iranianos no desespero, completamente perdidos. A perder por dois golos, e de cabeça perdida, o Irão seria então um adversário pacificado. Pois, mas hoje nem Cristiano Ronaldo havia, e o penalti que deveria transformar a equipa do Irão num tapete persa, serviria apenas para os ir buscar ao fundo do abismo.

E a partir daí só deu Irão e, em vez de tapete persa, o relvado foi coberto por um tapete de Arraiolos. Sem que Portugal nada fizesse por merecer a sorte que lhe sorria do Espanha-Marrocos, onde os "nuestros hermanos" andaram sempre a correr atrás do resultado. Acabaram por empatar no último minuto, num golo anulado e depois validado pelo VAR, quando o Irão chegava também ao empate, num duvidoso penalti de VAR. Merecido, pelo que mais uma vez não fez a selecção nacional, e pelo que fez a equipa do irascível e ressabiado Carlos Queiroz.   

A Espanha, em primeiro, e por isso a ficar do lado certo do sorteio, com os mesmos pontos e a mesma diferença de golos - o que não abona em nada o seu favoritismo - e Portugal, em segundo, seguem para os oitavos. Pelo caminho ficaram, não os melhores, mas os que se portaram melhor!

 

 

 

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