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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Campeões

Campeões!

Portugal é campeão do mundo de futsal, juntando o título mundial ao da Europa, conquistado em 2018. Acabou de vencer, por 2-1, a Argentina, detentor do título, na final deste Mundial, disputado na Lituânia.

Depois do primeiro lugar fase de grupos, em que empatou com a selecção de Marrocos, teve sempre de jogar o prolongamento para seguir em frente. Nos oitavos de final, com a Sérvia, nos quartos, com a Espanha, e nas meias finais, com o Cazaquistão, onde teve mesmo de passar pelo desempate nos penaltis para chegar pela primeira vez a uma final do campeonato do mundo. Hoje tudo se resolveu mais cedo, que não com menos sofrimento.

No seu último mundial, Ricardinho - o melhor de sempre na História da modalidade - foi eleito o melhor jogador. E Pany Varela o segundo melhor. Os dois melhores jogadores da competição são de Portugal.

Selecção em liberdade

 

A selecção logrou finalmente um jogo bem conseguido, hoje em Baku, com um expressivo 3-0, ainda assim longe da expressão que o resultado poderia ter atingido.
 
É certo que o adversário pertence ao lote dos mais fracos do grupo, e mesmo do futebol europeu. Mas também os dos dois últimos jogos - Irlanda e Qatar - eram desse nível, e esta era a mesma equipa do mesmo Azerbaijão que há uns meses jogou em Portugal, na abertura desta fase de apuramento. E quer nesse primeiro jogo, quer nestes destes dois últimos, com o Europeu pelo meio, e foi o que vimos. Não foi, por isso, pela reduzida qualidade do adversário que a equipa nacional melhorou da deplorável qualidade dos últimos tempos. Terá de se procurar outras razões.
 
Há dois factos que poderão ajudar as encontrá-las: hoje, o fraco Azerbaijão, não jogou como normalmente jogam estas equipas mais fracas e, principalmente depois de sofrer o primeiro golo, procurou jogar o jogo pelo jogo, e deu espaços à equipa portuguesa que normalmente estes adversários não concedem; e hoje não jogou Cristiano Ronaldo.
 
Com espaço, e sem Cristiano, esta equipa é outra coisa. Sabemo-lo há muito, porque qualidade é coisa que não falta a estes jogadores. Nem precisam de treinador, nem o treinador consegue estragar!
 
Não é a primeira vez que isto acontece. Para encontrarmos exibições convincentes da selecção nacional vamos ter que procurar jogos em que "o melhor do mundo" não marque presença. E encontramo-las lá para aqueles meses que se sucederam ao Mundial da Rússia, em 2018, na fase de apuramento para a final four da Liga das Nações, que viria a conquistar, como nos lembramos, já com Ronaldo.
 
É injusto para Cristiano Ronaldo? É!
 
Mas, como dizia o outro, "é a vida"... Como "é a vida", e se calhar também injusto, que Cristiano seja enaltecido por resolver os problemas da selecção, sem nunca ser referido que também os cria. Parece-me que na actual realidade, CR 7 resolve muitas vezes os problemas que cria na selecção, e nunca os problemas os problemas da selecção.
 
Não estou a esquecer, como comecei por referir, o espaço que os jogadores azeris concederam, ao não se fecharem lá atrás. Mas que a forma como jogaram todos os portugueses, a qualidade que todos puseram em campo, não tem nada a ver com o que se tem visto, é uma verdade insofismável. Bom, e se falarmos de Bruno Fernandes... 
 
Todos nos interrogamos como é que o fantástico jogador do United não passa(va) de uma nulidade ao serviço da selecção. Parece que hoje deu a resposta. Tão clara que levanta outra interrogação: o que irá acontecer agora em Old Traford?
 
Todos, não foi apenas o Bruno, estiveram a um nível que há muito se não via na selecção. E até o Bernardo marcou. E que golo fantástico! 
 
Apenas Diogo Jota, mesmo assim bem melhor que nos últimos jogos, não esteve ao seu melhor nível. Se tivesse estado teria acrescentado mais um ou dois golos ao que marcou. E, dos que entraram pelas substituições, apenas o miúdo Nuno Mendes não entrou bem. Não será certamente pelo que jogou hoje, e no último jogo com o Qatar, que os responsáveis PSG cumprirão o "acordo de cavalheiros" da cláusula de compra. É que, com a pandemia, já nem há apertos de mão! 

Charlatanices

Euro2020. Fernando Santos divulga convocados na quinta-feira

Levou cigarros para um mês. Depois do enxovalho dos alemães, em Munique, apressou-se a dizer que iríamos ganhar na final com a Alemanha. Disse e redisse que era muito difícil a qualquer selecção ganhar a Portugal; em quatro jogos disputados, perdeu dois - metade, nem mais, nem menos. Que era muito difícil marcar golos à selecção portuguesa; em quatro jogos sofreu 7 - quase dois de média por jogo. Só um adversário, apenas a Hungria, não conseguiu marcar; 75% dos adversários marcaram golos. 

 “Agora é olhar para a frente e ganhar o Mundial” - proclamou ontem Fernando Santos na conferência de imprensa, depois da vitória moral que inventou.

É demasiada charlatanice. Fernando Santos, um homem antes respeitado, está transformado num charlatão. E ninguém está a dar por isso!

Euro 2020 - O adeus português, no jogo de xadrez

 

Acabou-se o Euro 2020 para a selecção de Portugal!
 
Em Sevilha, onde era para nos deslocarmos em massa, a despedida portuguesa fez-se de dois jogos O primeiro, nos primeiros 45 minutos, foi de xadrez, tão ao gosto de Fernando Santos. O jogo de xadrez foi muito pouco interessante, aquilo foi pouco mais que trocar peões por peões, sem atar nem desatar. Até que quando aquilo já estava a ser demasiado maçador, a ver-se que não se saía dali, em cima do final veio o cheque-mate da Bélgica.
 
Terminado o jogo de xadrez teria que se passar ao jogo da bola. Perdido o jogo de xadrez, tinha de se ganhar o jogo da bola. Não seria fácil, até porque dizem os donos do jogo que a selecção belga é a melhor, a número um. 
 
Foi mais interessante o joga da bola que o de xadrez. Mas não foi bem jogado. A selecção nacional está muito virada para o xadrez, e tem alguma dificuldade em jogar à bola, mesmo tendo muita a gente a saber fazê-lo bem. Mas é assim, e já há muito que sabemos que é assim.
 
Claro que se poderá dizer que não merecíamos ter perdido o jogo de xadrez, e que merecíamos  ter ganho o da bola. Naquilo que são as estatísticas demos uma cabazada à Bélgica. Em remates, em remates enquadrados, em cantos… Até em posse de bola. A Bélgica fez apenas um remate à baliza - por acaso, ou talvez não, quando a selecção portuguesa jogava xadrez -, e Portugal até teve um remate ao poste. O que, como se sabe, é muito bom para a catarse nacional - foi azar. Ou, na melhor das hipóteses, foi uma questão de eficácia.
 
Talvez não tenha sido assim. Talvez tenha sido o castigo merecido para quem prefere o jogo de xadrez ao da bola. Quem aposta tudo no xadrez depois não consegue jogar à bola. Os jogadores desgastam-se a jogar xadrez, e quando querem jogar à bola já não conseguem.
 
Não. Portugal não jogou bem. Dos 24 remates (Fernando Santos já diz que foram 29) apenas três são dignos desse nome. E jogadas bem construídas, realmente passíveis de acabar em golo … não me lembro. Mas deve ser da minha memória.
 
Nem vale a pena falar das opções de Fernando Santos. Nem perguntar se João Cancelo não poderia até estar já hoje em condições de jogar, sem termos de levar com o Dalot. Vale a pena é perguntar por quanto mais tempo se vai continuar a desperdiçar o talento da actual geração de jogadores portugueses.
 
"Isto é futebol", diz Fernando Santos. Não é, não!

Euro 2020 - Lá vamos para os oitavos

Uf… Acabou!
 
E acabou até da forma mais expectável, com a selecção nacional a apurar-se no terceiro lugar do grupo F, que por pouco não foi H, de Hungria.
 
Durante o jogo, ao longo dos 90 minutos, a selecção passou por todos os lugares da tabela. Foi primeiro, foi segundo, foi terceiro e foi último. O "uf" veio daí. A emoção veio deste carrossel, muito mais do que do jogo. Que nem foi um grande jogo. 
 
Os primeiros 10 minutos do jogo foram uma espécie de pacto de não agressão. Como os últimos 10, com o cessar fogo a ser violado por Koman, a acabar numa coisa muito mais parecida com um penalti (Bruno Fernandes) do que aquele assinalado a Nelson Semedo, sobre Mbappé. 
 
Só a partir desses 10 minutos iniciais o jogo começou verdadeiramente. Com a selecção portuguesa, sem William e sem Bruno Fernandes, e com João Moutinho e Renato Sanches, naquele registo habitual de Fernando Santos, a tentar segurar a bola e fugir com o rabo à seringa da França. Depois veio o penalti, naquela saída a soco de Lloris à cabeça de Danilo, e o golo de Cristiano Ronaldo.
 
Portugal estava outra vez a ganhar, como tinha acontecido na Alemanha, estava na frente do grupo, e estava confortável naquele registo de Fernando Santos. O golo caiu mal aos franceses, andaram por ali meio perdidos e começaram a acumular amarelos. Outra ambição e outro futebol teriam tirado proveito da situação, mas não é esse o padrão, e o jogo português não encostou os franceses às cordas.
 
Já em período de descontos para o intervalo veio o tal penalti que não foi assim tão penalti, e a França empatou. E logo no início da segunda parte Benzema, que marcara o penalti, bisou. Parecia um daqueles foras de jogo, de tal forma que o "liner" até o assinalou. O VAR não, e lá estávamos outra vez a perder. E, com o que se passava em Munique, em último lugar. 
 
Ao fechar o primeiro quarto de hora lá caiu do céu mais um penalti, para novo golo de Cristiano Ronaldo a fechar o resultado. E a deixar a selecção portuguesa no segundo lugar, de que sairia já perto do fim, quando em Munique copiaram o resultado de Budapeste.
 
O empate e o apuramento para os oitavos de final são boas notícias. Mas tudo o resto são más. A equipa continua a jogar muito pouco, e não criou - nem digo uma oportunidade de golo, nem sequer pregou um susto aos franceses - uma jogada com princípio, meio e fim. E, nos minutos finais, quando empatar ou perder ia dar no mesmo, mas ganhar era em tudo diferente, foi confrangedor ver a equipa a abdicar dessa ambição.
 
Cristiano Ronaldo chegou àquilo que procurava, os 109 golos do tal iraniano. E aos 5 na competição. Mas fez o pior dos três jogos. E em boa verdade só a exibição de Renato Sanches sobressaiu. Rui Patrício salvou o empate com duas grandes defesas. Aquela ao remate de Pogba entra para o topo do álbum das melhores defesas deste Europeu. Os centrais estiveram bem, mesmo que cada um com uma falha comprometedora. Primeiro de Pepe, logo aos 13 minutos de jogo, com Rui Patrício a defender o remate de Mbappé. Depois, Rúben Dias, no golo da reviravolta de Benzema. 
 
Mas o problema não são as individualidades. Bem Fernando Santos pode mudar, como fez hoje, com uma larga série de estreias. Estreias a titular de João Moutinho e de Renato Sanches. E absolutas de Palhinha, Rúben Neves, Sérgio Oliveira e Dallot. O problema é mesmo a falta de qualidade de jogo.
 
E pronto, agora vem a Bélgica. E poderia ser a Suíça, que certamente deixaria melhores perspectivas. Mas essa fica para a França!

Euro 2020 - Atropelados pela Alemanha (outra vez)

Foi sob forte sufoco que a selecção nacional iniciou o seu segundo jogo neste Europeu, em Munique. De novo em casa do adversário a Alemanham que frequentemente nos atropela. 

Foram quinze minutos iniciais de grande sufoco, com a Alemanha a chegar ao golo logos aos cinco minutos, num movimento da direita para a esquerda, que repetiu durante todo o jogo. Todo, não. Até aos 61 minutos, quando Joachim Lowe tirou Gosens do campo. Valeu o VAR, a anular o golo por fora de jogo de Gnabry, que não interveio no golo, mas fez-se à jogada.

Esses 15 minutos acabaram com o golo português, na primeira vez em que os jogadores portugueses conseguiram chegar à baliza de Neuer. Canto a favor da Alemanha, ainda bem dentro do sufoco, corte de Cristiano Ronaldo na área, bola para Bernardo, que invade o meio campo alemão e faz um passe soberbo para Diogo Jota, na esquerda, que recebe a bola já dentro da área alemã, para a ceder a Cristiano, que lá tinha chegado, e fez o golo. Fez o percurso de uma área à outra, e teve ainda tempo de se colocar, primeiro, em fora de jogo, pormenor fundamental para baralhar as marcações dos alemães. Foi a única coisa de jeito que a selecção fez em toda a primeira parte, mesmo que nesse segundo quarto de hora a equipa nos tenha permitido sonhar.

Mas depois veio o atropelo, e em três ou quatro minutos a Alemanha virou o resultado. Ainda por cima com dois auto-golos, de Rúben Dias e Raphael Guerreiro. 

E o atropelamento durou enquanto a Alemanha quis. O que, com os jogadores de que a selecção dispõe,  é fatal para Fernando Santos. Continua a ter boa imprensa, continua com as costas bem guardadas, mas ... francamente.

De jogadores do que há de melhor, o seleccionador português consegue fazer uma equipa mais que banal, muito fraca. E apresentar uma qualidade de jogo das mais fracas do que se tem visto nesta competição. Porque não escolhe os melhores, nem os que estão em melhores condições. Mas também porque tem uma visão do futebol que já não se usa.

O meio campo, com Danilo e William sem ritmo, sem condição física, sem mais coisa nenhuma,  é - e foi - um autêntico passador. Bruno Fernandes está esgotado, não pode com uma gata pelo rabo. Bernardo pouco menos e, por força da estratégia (?) de Fernando Santos, é obrigado a gastar as poucas energias que tem em tarefas que apenas o desgastam ainda mais, sem dar nada ao jogo.

O atropleamento alemão tem a ver com a ausência do meio campo português, e consumou-se sempre com o mesmo camião, nas mesmas manobras e no mesmo sítio. Os laterais - Nelson Semedo e Raphael Guerreiro - tinham ordens para fechar no centro da defesa, Os alemães atacavam pela direita, e Nelson Semedo era obrigado a fechar no centro, deixando Gosens sozinho na esquerda do ataque, onde invariavelmente a bola ia parar para ele assistir ou finalizar, como aconteceu no quarto golo.

Foi assim durante 61 minutos, tantos quantos esteve em campo. E o atropelamento só acabou porque o seleccionador alemão o quis poupar para o que aí vem. Deu cinco golos - aos 4 minutos, o tal anulado, aos 35, aos 39, aos 50 e aos 60 - mais dois ou três que Rui Patrício safou, e três ou quatro finalizações que não acertaram na baliza. 

Fernando Santos, que teve a lata de dizer que tudo tinha sido visto, e tudo tinha sido estudado sobre a 'Mannschaft', não viu isto na preparação do jogo, nem o viu no seu decurso. Teve de ser o seu colega a alemão a dizer que já chegava, que não queria bater mais, para que a selecção portuguesa pudesse suavizar o resultado, com o golo de Diogo Jota, agora assistido por Cristiano Ronaldo. E enviar uma bola ao poste, num grande remate de Renato Sanches (que o seleccionador nacional continua a deixar fora da equipa principal, preferindo ter William Carvalho a passear no campo) que dá para os mais conformados evocarem em vão a palavra azar.

Estar grato a Fernando Santos pela conquista de há cinco anos, não pode impedir de o acusar de estar a comete um autêntico crime de lesa futebol, que é o que está a acontecer. Como já aconteceu em 2018, no Mundial da Rússia!

E pronto, lá estão as coisas complicadas, mais uma vez. Nesta altura, e porque surpreendentemente a Hungria empatou (1-1) com a França (que poderia ter goleado), a selecção nacional tem como melhor dos destinos o terceiro lugar no grupo. Que dará, ou não, hipótese de apuramento.

 Foi com um jogo do Grupo E, o último do dia, que se fechou a segunda ronda desta fase de grupos. Em Sevilha,  Espanha e Polónia, de Paulo Sousa, empataram a um golo,  A Espanha, mesmo sempre a jogar em casa, continua sem ganhar, e com grandes dificuldades para marcar. Hoje até um penalti falhou. Gerard Moreno rematou ao poste, e Morata, que tinha finalmente marcado, num golo invalidado pelo árbitro e depois revertido pelo VAR, falhou a recarga. Foi um bom jogo, intenso e muito disputado, com a Polónia a marcar pelo "melhor do mundo" e também com um remate ao poste, com a recarga de Lewandosvky a acertar no guarda-redes espanhol.

Amanhã inicia-se a última jornada, que acabará por arrumar as contas finais para os oitavos de final que aí vêm. Para alguns.

 

Euro 2020 - O dia de um só jogo (mesmo que o outro tenha sido do melhor)

Hoje foi o dia de apenas dois jogos, já só faltava fechar a primeira jornada no grupo F, o tal da "morte". Mas mais parecia que era de um só. O da estreia portuguesa.

Que não foi nada má. O resultado foi excelente, Dos melhores, um dos três melhores desta primeira jornada, só igualados pela Itália e pela Bélgica. Boas companhias.

E com Cristiano Ronaldo, no seu quinto europeu, caso único na História da competição, a bisar, a juntar-se também aos melhores marcadores, Lukaku e Patrik Shick, e a passar já a ser, também, o melhor marcador em fases finais dos campeonatos da Europa. 

O resultado da selecção nacional foi realmente excelente, a abrir já perspectivas de apuramento. A exibição, nem por isso. Melhor, tem muito que se lhe diga. E no entanto o resultado não espelha bem a diferença enorme que existe entre a selecção da Hungria - uma equipa de jogo exclusivamente físico, de futebol meramente destrutivo, que aposta apenas na luta pela disputa da bola, que nada tem a ver com o brilhante futebol magiar dos anos 50 e 60 do século passado - e a de Portugal. Nem sequer a sua superioridade neste jogo.

A jogar em casa, no Arena Puskas (que voltas no túmulo deverá dar a ver este futebol da sua selecção) esgotado - que bonito ver de novo um estádio cheio! - a Hungria limitou-se, durante toda a primeira parte, a tentar evitar o golo. A selecção nacional dominou então por completo o jogo, com momentos de bom futebol e de pressão quase asfixiante, mas sempre com alguma coisa a faltar. E o que faltava tinha muito a ver com o crónico conservadorismo de Fernando Santos. Se contra este adversário utilizou aquele meio campo, com Danilo e William, como será contra a Alemanha e a França?

Acabou, ainda assim, por criar três boas oportunidades de golo, duas por Diogo Jota, e uma por Cristiano Ronaldo, este numa perdida incrível, e estava no seu melhor período quando o árbitro turco apitou para o intervalo, com um nulo penalizador.

A segunda parte só não foi pior porque os últimos 10 minutos salvaram tudo. A selecção húngara começou a subir no terreno, sempre com a mesma vontade de disputar cada bola, e a equipa nacional perdeu o controlo do jogo. Até aos tais 10 minutos finais apenas por duas vezes esteve perto de estar perto do golo - por Pepe, logo no início, e num remate de Bruno Fernandes já a segunda parte ia adiantada. É certo que a Hungria não construiu uma única oportunidade de golo, mas nunca se sabia quando daquele tipo de jogo não poderia aparecer um. Chegou, de resto, até a marcar, mas não valeu, por fora de jogo no início da jogada.

Talvez tenha sido este estado de coisas que motivou a primeira substituição de Fernando Santos, quando fez entrar o improvável Rafa para o lugar do Bernardo. Acredito que, vendo os húngaros a subir, tenha optado pelo jogador do Benfica por ser quem lhe daria mais garantias na exploração dos espaços que deixavam para trás. 

Até nem foi bem isso que aconteceu, mas a entrada de Rafa acabou por ser decisiva. Quando já poucos acreditariam, aos 84 minutos, surgiu finalmente o golo. Em campo já estavam Renato Sanches (no lugar de William) - fundamental para a derrocada húngara nesses 10 minutos - e André Silva (no lugar de Diogo J),

Com estrelinha, muita. Rafa desequilibrou na área, mas é feliz na assistência, que desviou num defesa adversário e deu à bola o rumo certo. Direitinha a Rafa Guerreiro, que rematou para a baliza, com a bola a desviar no adversário que tem o nome do controverso presidente húngaro - Órban - e a trair o guarda-redes. Um minuto depois, novamente Rafa pela área dentro, e penalti (daqueles que por cá, sobre o Rafa, nunca seriam marcados), cometido pelo mesmo jogador com o nome do presidente. Que assim, traído pelo seu homónimo, ao que dizem, perdeu uma aposta com Marcelo.

Cristiano, claro, fez o 2-0. E pouco depois, após duas tabelas sucessivas com Rafa, concluiu uma jogada sensacional de 33 toques sucessivos, com a bola a circular entre os jogadores portugueses durante mais de minuto e meio. Uma jogada assim, que vai certamente correr mundo, só poderia acabar com Cristiano Ronaldo a entrar com a bola pela baliza dentro, depois de passar pelo guarda-redes Gulacsi.

Costuma dizer-se que tudo está bem quando acaba bem. Vamos a ver se é assim. Até porque, pelo que se viu no outro jogo, o que aí vem vai ser bem complicado.

Desse pouco há a dizer. Apenas que foi o melhor jogado desta primeira jornada, entre duas grandes equipas. Só que França é de outro campeonato!

Só ganhou por 1-0, e para isso até beneficiou de um auto-golo. O consagrado, e regressado, Hummels marcou na própria baliza. Mas a selecção campeã do mundo joga à bola que se farta, e marcou até por mais duas vezes, a primeira numa autêntica obra prima de Mbappé. Ambas anuladas por foras de jogo milimétricos. 

 

Fernando Santos tem um problema, ou é ele o problema?

A selecção nacional concluiu este ciclo de três jogos, em 6 dias, para o apuramento para o mundial do Qatar do próximo ano com uma vitória no Luxemburgo, mas continuando sem convencer. Sem conseguir fazer um único jogo ao nível da qualidade dos seus jogadores,  conseguindo a espaços superiorizar-se aos adversários, mas sempre sem conseguir ter os jogos controlados, oscilando entre partes do jogo deprimentes e outras relativamente aceitáveis.

Hoje, contra o Luxemburgo, que vinha de uma vitória na República da Irlanda e que já não é o bombo da festa que era até há alguns anos, confirmou todas essas oscilações, e o que de mau tinha feito nos dois jogos anteriores.

A primeira meia hora foi tão má quanto tinham sido todo o jogo com o Azerbaijão e a segunda parte com a Sérvia, e foi a equipa luxemburguesa a mandar por completo no jogo. Só à beira dos 30 minutos a equipa nacional conseguiu construir uma jogada de ataque e chegar à baliza adversária,  com João Cancelo a cruzar para o remate de Renato Sanches - novidade entre os titulares, o único jogador português da remar contra a maré da mediocridade geral da equipa, e o melhor jogador em campo - que poderia ter dado golo. Na resposta, imediata, o Luxemburgo abriu o marcador. E a equipa portuguesa abanou, ainda mais. 

Só nos últimos 10 minutos reagiu, depois da troca do desenquadrado João Felix, lesionado, por Pedro Neto, e acabou por chegar ao empate, por Diogo Jota, já no período de compensação, dois minutos depois dos 45.

No início da segunda parte manteve-se por cima do jogo, dando sequência àqueles 10 minutos finais da primeira, e cedo passou para a frente do marcador, com - finalmente - um golo do apagadíssimo Cristiano Ronaldo, invariavelmente a concluir mal. Pouco antes tinha falhado, de forma inacreditável, isolado perante o guarda-redes adversário, depois de um erro defensivo da equipa do Luxemburgo.

Pensou-se então que a vantagem daria à equipa a tranquilidade necessária para afirmar a incomparável superioridade técnica dos seus jogadores. Mas, nada disso, e esgotado o primeiro quarto de hora, já  os luxemburgueses estavam de novo por cima do jogo. O segundo quarto de hora foi todo luxemburguês, e Fernando Santos foi obrigado a reforçar o meio campo, com a entrada de Palhinha (por troca com Bernardo Silva). Em simultâneo fez também entrar Rafa para o lugar de Jota, na expectativa de aproveitar a sua velocidade nos espaços que o adiantamento do adversário libertaria.

Só no último quarto de hora a selecção nacional se libertaria da pressão luxemburguesa, acabando por chegar ao terceiro golo, por Palhinda, na sequência de um canto, assinando com um resultado aceitável uma exibição que o não foi.

Há certamente a desculpa do calendário, com três jogos muito concentrados, mais a mais nesta altura da época. E sem tempo para treinar. Mas os problemas que a selecção evidencia têm outra profundidade. E duas ordens de razões claras: falta uma ideia de jogo e faltam rotinas, mas, acima de tudo, falta uma ideia de jogo ajustada à superior valia destes jogadores, que os deixe confortáveis com o jogo; e  falta fazer da selecção uma equipa, em vez da corte de Cristiano Ronaldo, em que Fernando Santos a transformou.

O problema não é a baixa intensidade nem a lentidão que os jogadores pôem nos jogos. Isso é a consequência dos dois problemas anteriores. E não é problema dos jogadores. É do treinador!

Sim, Fernando Santos tem um problema. Ou o resolve, ou é ele o problema!

 

Imagens

Polémica: Veja o último lance do Sérvia 2-2 Portugal que tirou os três pontos às Quinas

 
A segunda partida do torneio de apuramento para o Mundial do Qatar não limpou a má imagem que a selecção nacional deixara na última quarta-feira, em Turim.
 
A primeira parte foi enganadora, e enganou toda a gente, incluindo - o que é grave - o seleccionador, e os jogadores. A equipa nacional não fez mais que um jogo sofrível, que só poderá ter parecido bom pela fragilidade do adversário, uma equipa perdida numa anarquia táctica que já não se usa. E pelo resultado, pelos dois golos de Jota, nos dois único remates à baliza da selecção nacional em todo o jogo. 
 
A selecção não precisou de jogar bem para dominar completamente a selecção da Sérvia, que durante a primeira parte foi uma equipa perdida no campo, muito à imagem do que é o seu historial. E mesmo a jogar com dez - estavam 11 em campo, mas só dez jogavam - foi claramente superior.
 
Bastou que, ao intervalo, o seleccionador sérvio tivesse dado alguma sentido táctico à equipa - bastou-lhe tirar um dos dois avançados para entrar um trinco, e meter um lateral direito que antes não tinha - para que a segunda parte fosse completamente diferente, e para a equipa da Sérvia deixasse à mostra a fraquíssima exibição da selecção nacional. Se não levou um banho de bola, andou lá perto.
 
A Sérvia marcou logo no primeiro minuto, e a partir daí tomou conta do jogo, chegando ao empate ao quarto de hora, e desperdiçando mais um bom par de oportunidades, com o seleccionador nacional firme e hirto a assistir a tudo isto. Não mexeu na equipa, e quando o fez ficou curto, com Nuno Mendes a entrar pelas dificuldades por que João Cancelo estava a passar, e Renato Sanches a dar o músculo que já faltava a Sérgio Oliveira. Deixou em campo Danilo, há muito em sub-rendimento. E guardou a entrada de João Félix para quando já só faltavam 5 minutos para o jogo acabar. 
 
Ia dizer que não se entende que tenha continuado a jogar com dez. Mas isso é pecado. Não se pode dizer. Até porque agora só se fala do golo na última jogada do encontro que o árbitro não sancionou. Um golo caído do céu, mas como a bola entrou pela baliza dentro, devia ter valido. 
 
E por isso digo que não se entende por que não há VAR nestes jogos de apuramento. Como é que para a UEFA há VAR nuns jogos e não há noutros? Nada disto altera nada do que foi o jogo, mas já o primeiro golo da Sérvia, no primeiro minuto da segunda parte, havia sido precedido de claro fora de jogo.
 
No fim, ao contrário de Portugal, a Sérvia limpou a imagem, Cristiano Ronaldo atirou com a braçadeira ao chão e o árbitro pediu desculpa.
 
 

Selecção cinzenta

A selecção nacional entrou a ganhar nesta competição de apuramento para o Mundial do Qatar. Esta é a única nota positiva deste jogo com o Arzebaijão, que conta como jogo em casa, mas que se disputou em Turim, no Estádio da Juventus, de Ronaldo (o que talvez explique alguma coisa...) por força das coisas estranhas desta pandemia.

A exibição da equipa portuguesa foi simplesmente decepcionante, com uma primeira parte muito fraca, e uma segunda genericamente muito má. Valeu um auto-golo, para ganhar o jogo. E era mesmo a única forma de o ganhar, tinha de ser um jogador azeri a marcar, na equipa nacional não havia quem o pudesse fazer. Porque simplesmente não conseguiu criar oportunidades de golo.

É certo que o guarda-redes da selecção do Arzebaijão -108ª do ranking  da FIFA, onde a portuguesa é a quinta -fartou-se de defender. Mas não passou por qualquer dificuldade, as bolas foram todas direitinhas às suas mãos, aos pés ou às pernas.

Foi uma exibição paupérrima da selecção nacional, sem velocidade, sem intensidade, e sem ideias. Mas também sem estratégia. A constiuição da equipa inicial pareceu logo estranha, mesmo que se tivesse de dar o benefício da dúvida a Fernando Santos, pela fragilidade do adversário e pela densidade do calendário competitivo, com três jogos em 6 dias. Se foi assim, foi uma ilusão do seleccionador nacional, que provavelmente passou para os jogadores.

Quando na segunda parte quis emendar a mão, já era tarde. Os dados do jogo estavam lançados, e sabe-se que nem sempre é fácil alterar a dinâmica de um jogo lançado em ritmo baixo e displicente. Das três substituições para alterar o rumo do jogo (as duas últimas, já no fim do jogo foram para queimar tempo) - primeiro, logo ao intervalo, Bruno Fernandes para o lugar de Moutinho, depois Rafa, para o de Pedro Neto (!!!) e, já muito tarde, de João Félix para o de André Silva - apenas a última trouxe algumas melhorias ao jogo da equipa portuguesa.

No próximo sábado, em Belgrado, a equipa terá de jogar muito mais para os dissabores não chegarem ao resultado.

 

 

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