Se a semana havia sido negra, o fim-de-semana não foi melhor.
O ministro da saúde marcou uma conferência de imprensa para o ministério, onde acreditava que o sindicato dos médicos compareceria, mesmo que tivesse dito que não. Não apareceu, mas apareceram os jornalistas. Que tinham sido convocados, mas afinal deveria haver ali um mal entendido qualquer, concluiu o ministro entregando-lhes um simples comunicado!
O primeiro-ministro prosseguiu a sua cavalgada da onda levantada pelo Tribunal Constitucional, que acha que lhe permite tudo. Até a chantagem! Dizer – como o fez hoje Passos Coelho – que quem disser que a compensação dos cortes dos subsídios tem que ser feita no lado da despesa, tem de dizer que cortes é que pretende no Serviço Nacional de Saúde e na Educação, é chantagem sobre os portugueses. E chantagem é aquilo a que gente pouco recomendável recorre quando esgotou todos os argumentos. Acontece quando se perdeu o carácter. E a vergonha! É triste, muito triste, ter que retratar assim alguém que há apenas um ano mobilizava a esperança de tantos portugueses…
Esta foi a semana negra do governo. Tudo correu mal. Ou quase!
Foi Miguel Relvas e a licenciatura e as trapalhadas. Foi Miguel Relvas e as nomeações. E as trapalhadas… Com boys a surgirem de todo o lado e para todo o lado, sem incompatibilidades. Nem escrúpulos. Com comissões de recrutamento e traições e vinganças, sempre a ver quem trama quem … Como acontece em todas as decadências!
Foi o primeiro-ministro a declarar não-casos, e logo alguém do seu próprio partido a lembrar-lhe que em política não há disso. Só há casos. E, no caso, casos a mais!
E a fugir pelas portas das traseiras. E a entrar pelas dos fundos… Foi o grupo parlamentar a juntar-se a toda gente que diz que assim não vamos lá. Que é mesmo preciso mais tempo: dois anos, dizem eles…
Foi o parceiro de coligação a levantar a crista, e Portas a fugir da fotografia para onde o primeiro-ministro o queria empurrar. E lá bem longe, na China, para que se pudesse ver com maior clareza o processo de isolamento em curso.
Valeu o Tribunal Constitucional para dar uma alegria nesta que foi a mais negra semana de Passos Coelho e do seu governo. A declaração da inconstitucionalidade dos cortes dos subsídios de férias e Natal aos reformados e funcionários públicos veio mostrar que afinal poderia ser pior. Foi a bóia lançada ao náufrago… Falta saber se consegue agarrar-se a ela!
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