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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Senadores de meia tigela

Resultado de imagem para marcelo e jose miguel júdice

 

O país confia nas suas instituições, como o mostram as sondagens dos últimos dias. Em poucos outros  momentos históricos os portugueses revelaram tanta confiança nas instituições, o que é tão mais sintomático quanto sabemos que, ainda  há poucos meses e poucas semanas não era essa a ideia que tínhamos.

As decisões políticas têm merecido, também em conformidade com estudos de opinião publicados nestes dias, fortíssima aprovação dos portugueses. A decisão do estado de emergência, por exemplo - com a qual não concordei, como bem sabe quem por aqui perde parte do seu tempo - tem índices de aprovação largamente maioritários.

No Parlamento, em vez da crispação habitual, constata-se um saudável ambiente de serenidade, com as diferentes forças políticas disponíveis para apoiar as medidas que o governo vai anunciando, e a deixarem a afirmação das suas diferenças para outras oportunidades, que esta é de união.

Nas ruas, reina a tranquilidade. Duas ou três dezenas de detenções, por violação do regime de emergência, não beliscam minimamente essa tranquilidade. Os portugueses estão ou em casa, ou no trabalho, civicamente a acatar as regras instituídas.

E no entanto há por aí uns quantos que se acham senadores da nação a clamar por um governo de salvação nacional. Há uma semana foi Marçal Grilo, num espaço que partilha com Luís Nobre Guedes na RTP 3. Ontem foi José Miguel Júdice - "Se há momento em que um Governo de salvação nacional é necessário, é este” - no seu espaço na SIC Notícias.

Hão-de vir mais. É só esperar mais um bocadinho. 

Se, depois de passado o tsunami, e de toda a extensão da devastação ficar à vista, perante a avaliação da tarefa de reerguer a economia nacional e a própria sociedade portuguesa, se poderia admitir essa discussão, agora não. Não, não é este o momento. Por muita que cresça todos os dias a pressa do Presidente Marcelo... 

 

 

A ILUSÃO DO MOVIMENTO

Por Eduardo Louro

 

Acabo de assistir a uma notável entrevista de Freitas do Amaral à Judite de Sousa, na TVI 24.

Não sei se a vida política portuguesa tem lugar para senadores. Acredito que não, que tem sempre sido suficientemente atribulada para o impedir.

Mas, se houver, este homem deve ser ouvido como tal. Poderão alguns acusá-lo de mudar abissalmente de posição política, de se ter movimentado de uma ponta para a outra da geografia política.

A esses lembraria que não é assim há tanto tempo que se aceita que é a Terra que se desloca à volta do Sol… Ou que muitas vezes estamos parados e é a paisagem que está em movimento!

SENADORES

 Por Eduardo Louro 

 

Portugal não tem grandes tradições senatoriais. Desde logo porque não tem um Senado e, sem Senado, não há senadores… Mas, a exemplo de outros países que também não dispõem de uma câmara alta entre as suas instituições, há figuras que, pelo seu passado, adquirem um estatuto de grande peso específico na nossa sociedade.

Mário Soares, mas também Freitas do Amaral, serão provavelmente as figuras nacionais que mais atributos apresentam para reivindicar esse estatuto. É certo que não basta reivindicá-lo e que há quem trate melhor ou menos bem desse papel.

O atributo primeiro para garantir e sustentar esse papel é a autoridade, uma autoridade que decorre da própria história pessoal. Depois virá a independência. E depois mais uma série de outros, entre as quais uma adequada gestão do discurso e, especialmente, uma certa contenção.

Não vislumbrando muitas outras, também não me parece que as duas figuras que se digladiaram em 1986 sejam exactamente os melhores exemplos de gestão desse estatuto. Desbaratam frequentemente atributos, por actos, incongruências e, às vezes, por omissões. Por coincidência ou não, são ambos hoje notícia!

Freitas do Amaral pelas suas referências à ditadura europeia: a Europa é hoje um conjunto de democracias governada em ditadura – afirmou. Mário Soares, pelo seu apelo à revolução: se a Europa não muda terá de haver uma revolução – expressou hoje em entrevista ao jornal i.

Uma matriz comum – a Europa – sobre o mesmo pano de fundo: o afundamento do projecto europeu. E uma linguagem também comum na falta de rigor e mesmo numa certa leviandade. É certo que no actual drama em que a Europa de transformou não será fácil encontrar um discurso lúcido e coerente. O desespero grassa em Portugal e por essa Europa fora, sem saídas à vista. Nem os mais optimistas conseguem vislumbrar outro cenário que não o fim deste projecto europeu, a implosão de um espaço que se tinha como adquirido de paz, progresso económico e social e de liberdade. Mas, daí até justificar tudo com as actuais lideranças alemã e francesa, ou encontrar a saída através de uma revolução – que teria de ser pan-europeia e que ninguém faz a mínima ideia do que poderia ser – vai uma grande distância. Que não está ao alcance de nenhum senador!  

O beco sem saída a que chegamos foi projectado há muito tempo. Pela mão de alguns dos que hoje, para estes senadores e não só, são os grandes impulsionadores do projecto europeu. Quando Helmut Khol e Miterrand resolveram que uma mão - a unificação alemã – lavava a outra - a moeda única -, e Jacques Delors decidiu dar gás a um euro artificial sem olhar aos cuidados que vozes avisadas lhe recomendavam. Nessa altura, quando, como sempre, em cima da mesa estavam os interesses alemães – com o mesmo miúdo atrás, como agora Freitas refere – ninguém falou em ditadura. Nem ninguém se lembrou da democracia, deixando estas coisas sempre à margem da consulta dos europeus que, então, não contavam para nada. A Europa tinha verdadeiros líderes, elites de grande craveira. Para quê a democracia?

E se alguém tivesse o arrojo de submeter as decisões democráticas do eixo franco-alemão – então constituído por gente de bem – ao veredicto popular já sabia que o teria de fazer tantas vezes quantas as necessárias para as sufragar. Nem que para isso fosse necessário lançar mão de chantagens de toda a ordem. Tudo muito democrático e sem necessidade de revolução nenhuma!

 

JÁ NÃO HÁ SENADORES

Por Eduardo Louro

 

A blogosfera, bem como os media em geral, fez eco das declarações de Jorge Sampaio numa conferência organizada no Porto pela Associação Portuguesa de Gestão e Engenharia Industrial (APGEI). “Portugal está em apuros” – proclamou Jorge Sampaio. Toda a gente pegou nesta expressão, colou-lhe a célebre “há vida para além do défice” e apontou-lhe o dedo acusador!

“Portugal está em apuros” porque, como hoje vemos claramente, “há vida para além do défice” mas não presta. “Há vida para além do défice” mas é uma vida que nos deixa “em apuros”!

Outras das revelações de Sampaio, no mesmo fórum, que fez carreira mediática foi a ideia que a solução política deve passar pelo entendimento entre as diferentes forças políticas e não por eleições. Se nos “apuros” ninguém podia esquecer o “além do défice”, aqui ninguém pode, e poucos querem, esquecer que foi ele próprio a recusar esse caminho quando na presidência se cruzou com essa oportunidade.

Parece-me oportuno reflectir sobre isto. Sampaio fez dois mandatos presidenciais tranquilos e saiu com altíssimos níveis de popularidade. Que não são alheios à afectividade que introduziu nas suas magistraturas e à emoção que emprestava às suas intervenções públicas, frequentemente acompanhadas de uma “lágrima no canto do olho”. Nem, evidentemente, aos tempos áureos daquela “vida para além do défice”, com os épicos anos de 1998 e 2004!

Quando derrubou Santana Lopes e dissolveu o parlamento Sampaio teve inequivocamente o apoio da imensa maioria de todos nós. Quando, poucos meses antes, com aquela famosa frase sobre o défice se atirou à “obsessão” de Manuela Ferreira Leite pelo combate ao défice, também foi de encontro ao que a maioria da população então pensava. Era fácil porque, evidentemente, ninguém quer fazer sacrifícios. Mas foi assim!

Mas isso hoje já não conta para nada. O estado a que o país chegou, a total degradação das instituições, a desagregação social e a desesperança que tomou conta de todos nós não nos permitem hoje outra atitude que não seja a de apontar o dedo. Responsabilizar todos os que tenham passado pelo poder, mesmo pelos mais altos cargos da nação. Lembrar-lhes que são co-responsáveis. Que não damos qualquer crédito às ideias que emitam partir das suas poltronas senatoriais. E de lhes demonstrar que lhes negamos esse estatuto senatorial!

E, porque assim é, não tem importância nenhuma que Jorge Sampaio, por exemplo, tenha também dito que “o que está em causa não é só um plano de austeridade para sanear as finanças públicas, como também não é só um plano de crescimento a médio prazo, para melhorar o desempenho da economia”, que Portugal necessita “de um plano para reduzir as desigualdades sociais e a pobreza”.

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