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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

À porta da recuperação?

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Continua desaparecido, o Benfica de Bruno Lage. Mesmo que hoje, e terminado este ciclo de quatro jogos com adversários da geografia dominante do campeonato - o Minho, com cinco equipas do distrito de Braga, e sete num raio de 30 quilómetros, é a capital da Liga 2019-20 - tenha estado na Luz, diante do Vitória Futebol Clube (também merece ser assim designado), um Benfica um bocadinho melhor que o dos últimos três jogos.

Começou a perceber-se essa ligeira melhoria logo que foi dado o pontapé de saída: mais querer, mais pressão e menos passes errados. Mas só isso, até porque a primeira grande oportunidade foi incrivelmente desperdiçada por Seferovic, mas em fora de jogo. E o primeiro remate - do Benfica e do jogo - surgiu já a primeira parte ia a meio. Finalizações e vislumbre de oportunidades de golo, só mesmo nos minutos finais da primeira parte.

O adversário não facilitava, é certo. Defendia - só defendia - com uma linha de seis à frente do guarda-redes, e logo com outra de quatro dois metros à frente. Nem sequer pressionava para além dessa linha de trinta metros à frente da sua baliza. Nada que, pelas suas palavras, tivesse surpreendido Bruno Lage, que afirmou estar a contar com isso.

E começa por aí o drama deste jogo de hoje. E desta fase que o campeão nacional atravessa. Contra um adversário fechadíssimo lá atrás, e a pensar em apenas defender a sua baliza, a equipa do Benfica, mesmo que prevenida disso, como o seu treinador declarou, escalou Gedson para jogar na frente, ao lado de Seferovic. Quando, no banco, estavam 37 milhões de euros de pontas de lança, contratados esta época...

Não admira por isso que, mesmo jogando um pouquinho melhor que nos últimos jogos, o Benfica tenha chegado ao intervalo com poucas situações de golo criadas, com poucas finalizações e apenas três remates à baliza. 

A segunda parte iniciou-se com Gabriel, no lugar de Fejsa. Na frente, tudo na mesma, e foram até os sadinos, que na primeira não tinham saído do seu meio campo, a fazer os dois primeiros remates à baliza. E criaram até uma oportunidade para marcar, anulada por um excelente corte de Rúben Dias.

Estava já a esgotar-se o primeiro quarto de hora quando Bruno Lage fez entrar o segundo ponta de lança, Carlos Vinícius, em substituição de Pizzi, o mais desaparecido dos mais influentes jogadores do Benfica. Que precisou de menos de cinco minutos para fazer o que ninguém conseguia fazer - o golo. Que acabaria por ser salvador, e dar os três pontos.

A partir daí, e com o jogo dominado e controlado, esperava-se que o Benfica pudesse salvar a exibição e, senão regressar às goleadas perdidas, pelo menos consolidar a vitória. E a festa estaria de volta à Luz, com quase 60 mil nas bancadas, se o árbitro Tiago Martins - que, com Fábio Veríssimo, faz a dupla dos mais fracos e descarados árbitros dos últimos anos - não tivesse refinado a sua evidente acção persecutória. Porque, claro, do VAR já estamos mais que conversados. Estão sobre pressão, como disse o outro...

Para trás tinham ficado um penalti por assinalar sobre Rafa, um cartão vermelho por mostrar a um jogador vitoriano, numa entrada sobre o mesmo Rafa, mais uma escandalosa série de dualidade de critérios, sempre em prejuízo dos mesmos, foras de jogo mal assinalados e até lançamentos laterais trocados. Dava cabo da cabeça dos jogadores encarnados, e á primeira reacção contemplava-os com o cartão amarelo. Foram três, assim. A expulsão de Taarabt, aos 80 minutos, foi apenas "a cereja no topo do bolo". Que acabou com o que se esperava fosse o reaparecimento do Benfica. 

É certo que uma equipa como a do Benfica não pode, mesmo com dez, contra este Vitória, perder o controlo do jogo. Tem, mesmo assim, que ser superior.  Mas tem de também de admitir-se que, mais que a inferioridade numérica, tenha sido a adversidade da arbitragem a pesar sobre os jogadores.

Se é da adversidade que vem a força, pode até ser que esta encomenda tenha vindo por bem, e esteja por aí a chave da porta da recuperação.

E faltam cinco

Benfica mantém liderança com recital de Rafa e João Félix

 

A sexta final desta contagem decrescente já está. Foi com o Vitória de Setúbal, esta noite, na Luz.

O jogo começou com um golo. Rafa marcou praticamente na jogada entrada, sem que os jogadores de Setúbal tivessem tocado na bola, mais ou menos como naquela super goleada com o Nacional. Só que isso não fez o jogo fácil, nada disso. Foi mesmo um jogo difícil, que o Vitória, entre outros - mas já lá vamos - complicou bastante.

O Benfica não teve apenas uma boa entrada, teve uma primeira meia hora de muito boa qualidade, do melhor que se tem visto, com quatro ou cinco oportunidades claras para marcar. À meia hora, depois do VAR, apenas pela segunda vez, e pelos vistos sem grande vontade de repetir, o ter chamado para ver no televisor a mão de Rúben Micael que toda a gente tinha visto a olho nu, o árbitro Rui Costa assinalou o penalti que Pizzi falhou, os dados do jogo mudaram.

Os jogadores do Vitória acreditaram que aquele lance poderia ter mesmo esse efeito. E pelas bancadas da Luz devem ter passado memórias de outras ocasiões em que, nesta época, as coisas não correram bem quando isso aconteceu. Logo na primeira  jornada, com o outro Vitória, o Ferreyra falhou um penalti quando o Benfica ganhava por 3-0, e o jogo acabou sofrido e em 3-2. No jogo com o Belenenses, na primeira volta, com o resultado em 0-0, foi Salvio a falhar o penalti. E o Benfica acabou por perder o jogo, e iniciar aí o primeiro ciclo de crise.

Estou com isto a tentar encontrar justificação para os injustificáveis assobios que se passaram a ouvir na Luz. Mas, por definição, o injustificável não tem justificação. Ainda na passada quinta-feira, depois de uma exibição fantástica, na parte final do jogo, com o golo dos alemães, surgiram assobios das bancadas.

Por isso aqui dizia há uma semana que era uma pena o Benfica ter mais jogos em casa que fora. Não há dúvida que os benfiquistas que acompanham os jogos fora ajudam a equipa. Muitos dos que vão à Luz, à mínima oportunidade, desajudam.

Aos 36 minutos Rafa bisou, e pensou-se que aquele golo abafava o penalti falhado. Só que três minutos depois, como sempre acontece com o Benfica, na primeira oportunidade, o adversário marcou. Os jogadores do Benfica sentiram o golo, mas sentiram muito mais o estúpido coro de assobios. A melhor coisa que podia acontecer era mesmo o intervalo.

No regresso, a entrada na segunda parte não dizia bem do intervalo. A equipa dava muito espaço, alongava o campo, com os sectores muito distantes entre si, que um Vitória com qualidade de jogo, com um futebol que não tem nada a ver com o do tempo de Lito Vidigal, soube aproveitar. E durante alguns minutos o Benfica perdeu mesmo o controlo do jogo.

Foram 10 minutos que só acabaram com aquele corte fantástico do Florentino a deixar a bola em Pizzi, que cruzou para um grande golo, a coroar mais uma grande exibição do João Félix. O 3-1, aos 56 minutos, voltou a mudar o jogo, e colocou definitivamente o Benfica no comando absoluto da partida.

Voltaram a suceder-se as oportunidades. Mesmo que só desse para mais um golo, numa grande execução de Seferovic. E voltaram, árbitro e VAR, ao registo habitual nos jogos do Benfica. Um penalti sobre Rafa - outra enorme exibição - foi transformado num livre contra o Benfica e num cartão amarelo que o afasta do próximo jogo. Sem que o VAR desse sinal de vida. Ao contrário do que, meia hora mais tarde, sucedeu num corte normal de Rúben Dias, num lance aéreo, que na queda acabou por tocar com a mão no adversário a quem ganhara a disputa da bola. Aí viu razão para o penalti que fixou o resultado final, repetindo-se o 4-2 do último jogo.

E faltam cinco! E não assobiem mais, pode ser?

 

Crime de Xistra: matou o melhor golo do campeonato!

 

Tarefa complicada para o Benfica, esta noite em Setúbal. O Porto, somando a enésima vitória consecutiva, inVARiavelmente com ajudas das forças de desbloqueio, já tinha ganho e fixado a diferença em 7 pontos. Tal como o Braga que, com a estrelinha que lhe faltara no Dragão, acabara de sair de Tondela já com 4 pontos de avanço. Neste cenário, e com este Vitória cheio de moral na sequência dos bons resultados que atravessa, e cheio de força e querer, como sempre acontece nas equipas de Lito Vidigal (que hoje esteve no Bonfim, mas não viu o jogo, viu outro completamente diferente) as dificuldades só podiam ser muitas.

O inicio do jogo confirmou isso de imediato. A equipa de Vidigal entrou pronta a bater em tudo o que mexesse e vestisse de vermelho. Quando assim é, e o árbitro é Carlos Xistra ... 

Na primeira vez que foi possível jogar futebol o Benfica marcou. Por Jonas, Who else?

Ia o ponteiro já perto dos 20 minutos. Até ao intervalo não foram possíveis muitas mais jogadas de futebol. Antes, o guarda-redes do Vitória - já é outro, não é aquele do golo do Porto - defendeu com a mão fora da área. Não deu em nada, porque o Benfica continua a não saber o que fazer das bolas paradas que, de resto, são já mais perigosas para a equipa que para o adversário, como se viu naquele contra-ataque do Vitória que só foi anulado já dentro da área, por ... Jonas e Zivkovic. Refiro esse lance do guarda-redes do Vitória simplesmente porque, não tendo dado em nada, deu para Carlos Xistra mostrar o primeiro amarelo (e único da primeira parte) a um jogador de Setúbal. Pelo arraial de pancadaria que distribuiram, nem um!

Mesmo assim o Benfica poderia ter chegado ao intervalo com o jogo fechado, em termos de resultado. Zivkovic, com um grande remate ao poste, e Rafa, desperdiçaram ocasiões suficientes para isso.

No regresso para a segunda parte Lito Vidigal reforçou a brigada de choque com um velho conhecido - Rúben Micael. A coisa prometia... Com Carlos Xistra a passar todos os limites, e a cair no domínio do verdadeiramente escandaloso.

A propósito, e já que o Sérgio Conceição ontem voltou a falar do jogo do Bessa, e se lembrou de o comparar com o que o Benfica lá disputara, é agora oportuno lembrar o que foi o jogo do Porto em Setúbal. Lembro-me que o Vitória jogou à bola - e bem melhor que o Porto - e não deu "porrada". Deu foi o golo que decidiu o jogo, num frango indesculpável do seu guarda-redes... Do outro.

Mas a segunda parte não foi só faltas e agressões dos jogadores de Vidigal e provocações de Carlos Xistra. Foi ainda mais uma série de oportunidades de golo desperdiçadas, no que Rafa foi rei. E foi o golo do campeonato, que Xistra decidiu matar, assinalando fora de jogo a Zivkovic no seu próprio meio campo!

Um crime de lesa futebol, apagar deste campeonato um chapéu do meio-campo. Um golo simplesmente irrepetível!

Fecho com uma referência a Rui Vitória. Não tem culpa nenhuma dos golos falhados, nem no que adversários e árbitro tornaram o jogo. Mas o estado emocional dos jogadores continua frágil e é confrangedora a falta de soluções nas bolas paradas. 

Valha-lhe o fato novo. Aquele fatinho cinzento, com aquela gravata de malha às listas grenat, já enjoava...

 

 

Mentirosos

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Resultados mentirosos sempre houve, no futebol. Mas este de hoje, em Setúbal, é daqueles que mentem com os dentes todos.

E que também se explica por, de um lado, ter estado um guarda-redes que defendeu tudo e, do outro, um que não defendeu nada. Mas também por (mais) uma arbitragem das antigas, daquelas que não enganam.

Quem não viu, poderá não acreditar. Mas o Porto rematou à baliza duas vezes, e fez dois golos. Na segunda parte, a ganhar por 1-0, estacionou o autocarro à frente de Casillas, que passou o jogo todo a queimar tempo (e só levou amarelo aos 83 minutos) e não teve outro futebol que não fosse pontapé para a frente. Quando defendia o 1-0 com unhas, dentes, e muito anti-jogo, o guarda-redes do Vitória conseguiu deixar entrar na baliza uma bola  rematada de um livre a 40 metros da baliza. 

E quem ouviu o Sérgio Conceição, também não. A culpa foi do relvado e, a arbitragem, que ainda a primeira parte não ia a meio não expulsou o impune Felipe (pontapé por trás no Heriberto, isolado, a entrar na área, direitinho à baliza e com a bola controlada) e, entre outras pequenas coisas, anulou ao Vitória o golo que seria do empate, foi excelente.  

Nem sei quem foi mais mentiroso: se o resultado, se o treinador do Porto.

 

Nem sempre a sorte está de costas voltadas

V. Setúbal-Benfica, 1-2 (destaques)

 

Não começaram nada bem as coisas em Setúbal, onde o Benfica se apresentou hoje pela primeira vez na condição de líder. Logo no aquecimento, ainda antes do início do jogo, Jonas lesionou-se e teve de ficar de fora. Era a primeira grande contariedade para mais esta "final". Depois, o árbitro apitou para o iníco da partida, e o Vitória marcou. Primeiro ataque, primeiro remate, e golo!

A equipa do Benfica acusou a pressão de tanta contrariedade, e revelou dificuldade em soltar o seu futebol. Demorou a reagir à adversidade, e passou toda a primeira metade da primeira parte agarrada a um futebol engasgado, que não dava se não para acrescentar tranquilidade e confiança aos jogadores do Vitória. À dobragem dessa primeira metade, as coisas mudaram, e o Benfica, sem  nunca atingir a exuberância que tem vindo a revelar, começou a melhorar, e as oportunidades de golo a aparecerem. À terceira, ao minuto 28, surgia o empate, com o golo de Jimenez depois de um bom cruzamento de Rafa.

O Benfica dominava o jogo por completo, mas no último passe, no cruzamento final, aparecia sempre mais um pé, uma perna ou uma cabeça setubalense. Quando isso não sucedia, as ocasiões eram desperdiçadas. A bola ou saía ao lado, ou era defendida pelo guarda-redes. 

A entrada na segunda parte indicava que o jogo se manteria nesse registo, com o Benfica a dominar sem ser nem exuberante nem eficaz. Mas depressa tudo mudou, e cedo se foi percebendo que a equipa se ia desligando do jogo, enquanto o Setúbal ia crescendo. 

Para isso muito contribuiu a desastrada decisão de Rui Vitória de trocar Rafa por Seferovic. Percebe-se que tem o chip, mas uma coisa é ter Jonas lá dentro e juntar-lhe Jimenez; outra é o mexicano já lá estar, e no banco estar sentado o Seferovic.

O problema não era pôr gente na área sadina. Era pôr lá a bola. E não era Seferovic que a levaria até lá. Não fazia isso nem qualquer outra coisa. E o futebol do Benfica caiu para níveis verdadeiramente  inaceitáveis. É certo que desfrutou de duas boas oportunidades de golo. E teve um golo mal anulado, por fora de jogo (Jardel) inexistente, sem que se percebesse a decisão do VAR, na únca jogada bem conseguida na segunda parte. Mas o que se sentia era que o Benfica não iria ganhar o jogo, e que poderia mesmo vir a perdê-lo.

Falhado o futebol, o Benfica recorreu ao coração. E passou ao pontapé para frente, para pôr a bola na área de qualquer maneira, à espera da sorte. E a sorte apareceu num penalti sobre Salvio, no segundo dos 5 minutos de compensação. Que Jimenez converteu, bisando e dando ao Benfica, nesta época, a primeira vitória que a equipa não mereceu. Hoje houve estrelinha, nem sempre a sorte está de costas voltadas.

Com esta vitória o Benfica segura o primeiro lugar. Vai passar a segunda semana na liderança e é nessa posição que vai agora receber o Porto, no jogo do título. Quem o ganhar será  campeão!

Claro que o Benfica terá que jogar mais do que fez hoje. Sabe-se que há sempre jogos assim, e que estes jogos nunca têm nada a ver com os grandes e decisivos clássicos. Mas também se vê que a qualidade de jogo, que vinha sendo altíssima, tem a vindo a cair nos dois últimos jogos. E isso não é bom...

Despedidas. E com lenço branco...

 

O Benfica despediu-se esta noite, em Setúbal, da Taça da Liga e do ano. Do ano do tetra, mas também, porque as últimas imagens são sempre as mais vivas, do desencanto. Que este jogo de despedida confirma, em toda a linha.

Quando se conheceu a constituição da equipa que Rui Vitória escalou para esta despedida ficou imediatamente claro que dificilmente este jogo fugiria à decepção e à desilusão que vem marcando este último terço do ano, e primeiro da época. O jogo já não decidia nada - o Vitória, de Setúbal, tinha o primeiro lugar do grupo assegurado - mas continuava a ser importante para o Benfica. Porque a equipa precisa de estabilidade e de confiança, e isso só as vitórias e as boas exibições garantem. E porque vem já aí o decisivo jogo com o Sporting. Por isso, porque não tem havido competição, e porque sobram muitos dias de descanso até ao dérbi, era difícil de aceitar um onze que não desse garantias de ser capaz de tirar do jogo o que dele havia para obter.

Mais difícil se tornava aceitar um onze constituído por jogadores dados por descartáveis em Janeiro. Três na defesa (Douglas, Lizandro e Eliseu), dois no meio campo (João Carvalho e Filipe Augusto), e dois (e podiam ser todos) na frente (Rafa e Zivkovic). Sete!

Se lhe juntarmos o guarda-redes Svilar, claramente desestabilizado, Samaris, em clara instabilidade emocional, e Seferovic, há meses desaparecido, soma dez. O décimo primeiro era o miúdo Rúben Dias, a regressar à equipa depois da intervenção cirúrgica a que foi sujeito!

Estranho, nao é? Mais estranho, e mais preocupante ainda, é tentar perceber o que vai na cabeça de Rui Vitória quando lança para o jogo sete jogadores que são cartas fora do baralho.

Para lhes dar minutos? Para quê, se não vão continuar? 

Para lhes dar mais uma oportunidade? Para quê, se o seu destino já está traçado? 

Não faz sentido, e o jogo confirmou isso mesmo. E confirmou mais, confirmou que Rui Vitória é parte do problema, e não parte da solução. Porque mostrou que a equipa só consegue ter posse a jogar para trás; jogar para a frente só em pontapé, à toa. Ou com cada um a jogar por si e para si. Porque mostrou que a equipa não sabe defender, com estes ou com outros jogadores. E porque mostrou, no meio disto tudo, que alguns daqueles jogadores têm muito mais qualidade do que aquela que Rui Vitória consegue extrair.

Alguém pode ter dúvidas da qualidade de Zivkovic? E de Rafa? E de João Carvalho? Aquilo que fez no primeiro golo - que é todo dele, o Sferovic foi simplesmente instrumental - não engana, é de um grande jogador. 

Na realidade, este último jogo do ano não deu se não para enterrar, ainda mais, Rui Vitória. Que, como vem sendo costume, viu outro jogo. E como viu outro jogo, não vê que, se isto não é da responsabilidade do treinador, é responsabilidade de quem?

 

 

 

Soube bem. Sabe bem!

Benfica-V. Setúbal, 6-0 (destaques)

 

Ninguém certamente esperaria que o Benfica voltasse hoje às grandes exibições e às goleadas das antigas. Mas, como se diz em futebolês, "o futebol é isto mesmo".

Isto, hoje, foi isto mesmo. Foi a habitual entrada forte, e o habitual golo madrugador, desta vez por Luisão. O que não é muito habitual. Também fugiu do habitual que a equipa se mativesse ligada ao jogo depois do primeiro golo. Nem sempre jogando bem, é certo, Mas ligada.

O segundo golo, o golo 100 de Jonas pelo Benfica, também na sequência de um dos muitos cantos de que a equipa usufruiu, libertou finalmente os jogadores. E, libertos, foram outros. Ou melhor, passaram a ser o que já foram num passado não muito distante.

A segunda parte teve períodos de grande brilhantismo, que já na primeira se tinham começado a desenhar. Logo a abrir, uma grande jogada de futebol. Não deu golo. Mas deu outra, logo no minuto seguinte. Como deram, e não deram, outras que se sucederam a um ritmo impressionante.

Nunca se poderá dizer que a expulsão de lateral esquerdo do Vitória de Setúbal, no final da primeira parte, - com um primeiro amarelo por protestar uma falta que de facto não tinha cometido, e um segundo "arrancado" pelo Luisão, e nessa medida porventura mal expulso - não teve qualquer influência no que foi o jogo. Mas também não se poderá dizer o contrário. O contra factual nunca se pode provar.

Por isso, o que fica, e sem mácula, é uma bela exibição do Benfica. Com seis golos, que poderiam ter sido muitos mais. E disso, não estávamos à espera. E as boas coisas sabem muito melhor quando surgem de surpresa!

Ver o jovem Luisão a jogar assim, ver Pizzi e Grimaldo de regresso, ou confirmar que Zivkovic continua com tudo no sítio, sabe muito bem. Ver que Varela se manteve na equipa, sabe bem quando testamos o paladar da liderança e de gestão do grupo. E ver tudo isto, e esta exibição individual e colectiva do Benfica, sabe muito bem nesta altura do campeonato, a cinco dias da visita ao Dragão.

É verdade. Tenho a boca doce. E não é só por ter abusado dos melhores doces do mundo, que por aqui têm andado nestes útimos dias... 

 

 

A vê-los passar

Benfica-V. Setúbal, 2-0

Foto: Pedro Ferreira 

 

O Benfica segue em frente, para os oitavos da Taça, depois de ganhar hoje por 2-0 ao Vitória de Setúbal - a besta negra dos últimos tempos -, na Luz, com meia casa.

Apresentou uma equipa com algumas mexidas. Quer dizer, na nova linguagem de Rui Vitória, com "alguns cavalos a passar". Procuraram montá-los Douglas, Jardel, Samaris, Rafa e Cervi, já que Krovinovic está montado no seu já há umas semanas e não apeia. A não ser na Champions, onde, como se sabe, o seu cavalo não corre. E manteve o novo 4x3x3, que parece ter vindo para ficar, mesmo que nos custe um bocado ver Jonas meio entregue aos bichos. Pior que assim, só de fora.

Não falei do Varela porque, para esse, não há cavalo. Mas também lá esteve. E bem, a defender remates de adversários isolados. Em fora de jogo de metros, que daqueles que toda a gente viu, menos os árbitros... Mas também menos bem. .. Lá que tenha deixado passar aquela bola pelo meio das pernas, acontece. Que depois não tenha visto que o Jardel já se ia embora com a bola por ali fora, e tenha feito uma coisinha feia, que dizem por aí que é penalti, é que custa a perdoar.

Já agora, en passant, a arbitragem de João Capela foi simplesmente deplorável. Mas não foi nada do que, no fim, disse o Sr Couceiro. E porque o Varela defendeu os remates em fora de jogo, e o Benfica não precisou nem dos (três) penaltis que não assinalou, nem de jogar em superioridade numérica, não teve a influência no resultado que, por exemplo, na véspera tinha tido o Sr Artur Soares Dias. Mas, enfim, é o costume... Estamos também a vê-los passar...

Fora isso, o Benfica ganhou bem, mesmo sem ter feito uma grande exibição, coisa que continua ainda longe das actuais possibilidades da equipa. Voltou a jogar bem até marcar o primeiro golo, mas voltou a não dar sequência à exibição depois do golo. Mas também - e é bom que se diga - não caiu como caía há umas semanas atrás.

Voltando aos cavalos, Douglas continua a vê-los passar. Rafa atirou-se ao seu, ainda lá se aguentou um bocadinho, mas não está fácil. O raio cavalo do é selvagem, não se deixa domesticar. Já o cavalo do Keaton Parks, se calhar por ele vir da terra dos cowboys, pôs-se a jeito. Boa estreia, a do miúdo. Aquele passe para o segundo golo não engana!

 

 

 

 

 

O futebol não é só impiedoso. É cruel!

 

(Foto Record) 

 

Tem sido notória a quebra - física e anímica, a que geralmente se chama de forma - do Benfica. É inegável que a equipa - e não é um ou outro jogador, é mesmo toda  a equipa - se deixou cair num mau momento, seja por sobrecarga de jogos, seja por outra razão qualquer que, se não está já identificada, é importante rapidamente identificar.

O futebol é por norma impiedoso. Nesta altura, com o Benfica, está a ser cruel. O adversário chega uma vez à baliza, como hoje se voltou a repetir em Setúbal, e faz golo. O treinador, homem cordato e educado, fala com a equipa de arbitragem no final do jogo, à vista de toda a gente, olhos nos olhos, sem quaisquer sinais de exuberância, e é imediatamente suspenso por 15 dias. Quinze dias tão cirúrgicos que correspondem a três jogos. Os árbitros, agora de apito tão leve para assinalar penaltis a favor dos principais concorrentes, ignoram olimpicamente takles e mãos dentro da área dos adversários, como ainda hoje, de novo, se voltou a repetir. Que têm os cartões ali tão à mão, e que tão rápidos são a deixar a concorrência em superioridade numérica, deixam-nos em casa. Ou trazem-nos tão no fundo do bolso que se torna muito difícil que de lá saiam, como também hoje se viu. O amarelo ficava sempre no bolso, bem lá no fundo. O vermelho deve ter mesmo ficado esquecido em casa...

Mesmo jogando pouco, o que o Benfica está nesta altura a jogar daria normalmente para ganhar. Os concorrentes estão a jogar menos, e basta-lhes. A crueldade não está apenas em perder um jogo em que o adversário fez um único remate à baliza e nem chegou a ter 20% de posse de bola,  Também está aí!   

É ainda cruel perder 5 dos 6 pontos em disputa com o Vitória de Setúbal. Ou perder outros tantos em apenas três jornadas. Ou que afinal as lesões contem...  

Podemos dizer que ainda vamos à frente. Mas é melhor nem dizer, pode dar azar...

Não correu bem

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Tenho andado afastado do futebol neste início de época. Passei ao lado da Súpertaça e não acompanhei a primeira jornada da Liga.

Cheguei hoje à época 2016/2017. E bem podia ter esperado mais uns tempos...

Sabia, mesmo assim, pelo fui lendo e ouvido, que o Benfica não estava a entrar muito afirmativo. O categórico resultado do jogo da Súpertaça não dizia assim tanto, e a qualidade da exibição esgotou-se em meia hora, a primeira. No jogo de entrada na Liga tinha-se salvado o resultado, e a exibição tinha atenuantes: o primeiro jogo é sempre especial, por ser o primeiro; o campo, o adversário aguerrido, ainda com a dinâmica do sucesso da épica fase final da época anterior... 

Hoje já teria de ser outra coisa. Era a estreia em casa, com a Luz cheia e os adeptos ansiosos por receberem a equipa no seu colinho. O adversário era convidativo: o Vitória de Setúbal tem tradições no futebol nacional.

Mas as coisas não correram bem. O Benfica deu sempre a ideia que não tinha preparado este jogo da melhor forma, e as opções menos óbvias não resultaram. Pizzi atrás de Mitroglou, a fazer de Jonas, não é uma boa ideia. Mas o grande problema era a dinâmica pouco rotativa da equipa, logo depois das perdas de bola. Quando, perante um adversário bem organizado - Couceiro não descobriu a pólvora, vai ser assim que a maioria dos adversários enfrentará o Benfica - como foi o Vitória, se não há velocidade, se não se coloca intensidade no jogo, e se os passes errados engasgam a circulação de bola, fica difícil ganhar. Se a juntar a tudo isso também as individualidades resolverem não aparecer, fica ainda mais difícil. Se em cima de tudo isto surgir uma arbitragem desastrada, a empurrar o jogo sempre para o mesmo lado, temos a tempestade perfeita: tudo para correr mal!

E foi assim. A um Benfica colectivamente ainda muito por baixo, sem as estrelas que resolvem jogos (que se passa com o Carrillo? Por que é que o Danilo não está inscrito? Será que o Rafa também não é para inscrever?), juntou-se um árbitro que fez tudo para complicar as coisas.

Marcou faltas inexistentes contra o Benfica (de uma delas resultou o livre que resultou no golo do Vitória) e não marcou faltas mais que evidentes contra os setubalenses, uma das quais no mesmo golo. Marcou faltas ao contrário, fazendo com que as estatísticas das faltas cometidas assinalassem 17 para o Benfica e 13 para o Vitória. Recuperações de bola limpas dos jogadores do Benfica em zonas promissoras foram sistematicamente transformadas em faltosas. Faltas grosseiras (mãos, derrubes, pisadelas) junto à área foram repetidamente ignoradas. Uma agressão, num golpe de karaté sobre o Gonçalo Guedes (o único suplente que realmente mexeu com o jogo), foi penalizada com cartão amarelo. Pactuou com as perdas de tempo dos jogadores vitorianos, compensado com uns ridículos 4 minutos no final do jogo que teve seis substituições (em cada uma dos setubalenses perdeu-se sempre mais de um minuto).

Claro que o Benfica tinha obrigação de ganhar. Criou apesar de tudo ocasiões mais que suficientes para isso, mesmo descontando a soberba exibição do Varela. Mas este é um resultado com impressões digitais do árbitro do Porto. Pela segunda vez em duas actuações de Manuel Oliveira na Luz.

 

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